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Afirmam Bertucci e Moraes (2008) que, embora as conceituações da efetividade organizacional, muitas vezes, são ligadas aos indicadores de desempenho, eficiência, eficácia e produtividade, esse é um construto de avaliação organizacional que evidencia, como os demais indicadores, a necessidade de sobrevivência da organização. Nesse contexto, entende- se a necessidade dos gestores buscarem sempre atuar de forma adaptativa e com foco em promover desempenhos efetivos.

No âmbito do ensino superior, a efetividade relaciona-se diretamente ao desempenho de um papel crucial e relevante para o crescimento intelectual, por meio de um avançado processo de produção de recursos humanos, desenvolvimento de pesquisas e promoção de tecnologias avançadas (KRAIPETCH; KANJANAWASEE; PRACHYAPRUIT, 2013). Acrescenta Cornali (2012), que o desenvolvimento e o crescimento do bem-estar social e econômico dos países estão diretamente relacionados e dependentes da qualidade da educação.

Por isso, Cornali (2012) afirma que, nos últimos anos, a avaliação do desempenho e da efetividade das organizações educativas tem despertado um crescente interesse de discussões e debates. Reforça ainda que, com o surgimento da chamada "sociedade do conhecimento", a transformação da informação, os meios de comunicação e a crescente especialização que têm exigido, cada vez mais das organizações, perfis de alta habilidade e níveis de conhecimento.

Nesse cenário, os sistemas de educação atualmente se veem pressionados a serem eficazes e eficientes, em outras palavras, obrigados a serem efetivos alçando as metas estabelecidas com a melhor utilização dos recursos disponíveis (CORNALI, 2012).

No entanto, estudar e analisar a efetividade no ensino superior torna-se um desafio. O construto efetividade apresenta-se complexo para as instituições de ensino superior - IES devido à multiplicidade de dimensões indispensáveis para obtê-lo, o que parece improvável esperar que essas organizações consigam atuar efetivamente em todas as dimensões (BERTUCCI; MORAES, 2008).

Para compreender a complexidade da gestão nas universidades, Bertucci (2003) ressalta que alguns aspectos são habitualmente destacados pelos pesquisadores, como, por exemplo, a falta de planejamento, a falta de clareza nos objetivos, a diversidade, a improvisação das ações e o alto grau de autonomia dos profissionais.

Nesse mesmo contexto, Andrade (2002) complementa que, nas universidades, geralmente, a definição e execução dos objetivos são dificultados pelas metas institucionais deliberadas de uma maneira muito ampla. Destaca também que a complexidade de sua tecnologia impossibilita o desenvolvimento padronizado e racionalizado.

Sobre a estrutura das universidades, Andrade (2002) destaca a fragmentação, a aversão a controles formais, existência de conflitos de distintas naturezas, além da descentralização do processo decisório que está disseminado em várias unidades e atores.

Conforme completa Bertucci (2003), o desempenho da organização é diretamente influenciado pela maneira como os gestores entendem a IES, como articulam e gerenciam as unidades organizacionais, atuando no processo decisório como intermediários entre o ambiente e a organização.

Walter et al. (2005) relatam que os gestores de universidades não estão preparados para desempenhar funções de gerência, necessitando de melhor e mais específica formação. Silva e Moraes (2002) corroboram com esse entendimento e esclarecem que, de maneira geral, os gestores das instituições de ensino aprendem no decorrer da gestão, e vão acumulando conhecimento sobre o que é a gestão em uma universidade. Da mesma maneira, Meyer e Mangolim (2006) apontam que nas IES as decisões são tomadas de forma emergente, geralmente, fora de um planejamento deliberado, destacando a predominância do amadorismo gerencial.

Walter et al. (2005) revelam que os gestores estão, comumente, mais focados nas ações internas, o que prejudica uma visão mais ampla da necessidade de integração, por meio de pessoas, os objetivos e as ações para melhorar a performance das IES. Em síntese, coloca Pertschy (2006) que a melhoria dos resultados das universidades está ligada não somente a ações ou fatores internos, mas também a fatores externos ligados diretamente à expectativa da sociedade, que tornam um desafio à melhoria e à efetividade.

Cameron (1978) apud Bertucci e Moraes (2008) destaca que, para avaliar efetividade em IES, é necessária a identificação e a análise de algumas dimensões, que são, basicamente: satisfação e desenvolvimento acadêmico do estudante, desenvolvimento na carreira, pessoal e profissional, satisfação de professores e funcionários, e qualidade dos professores.

Ao destacar a importância da avaliação, Cornali (2012) ressalta que esse é um processo relevante para o planejamento e administração da qualidade na educação. Apresenta também alguns indicadores que considera fundamentais passar pela avaliação, que são: gerenciamento instrucional com foco no desenvolvimento curricular e do aluno, no desenvolvimento da aprendizagem e materiais de apoio, envolvimento interno e externo, qualidade dos diplomados, desenvolvimento da pesquisa, gestão do conhecimento, investigação para o desenvolvimento instrucional, o serviço acadêmico voltado para a sociedade e benefícios sociais, e o apoio à preservação da arte e da cultura.

Para Cornali (2012), a administração e o crescimento organizacional também são fatores a serem avaliados, com o objetivo de analisar a efetividade do plano estratégico, da melhoria da aprendizagem, do desenvolvimento de docentes e de pessoal de apoio, do desempenho dos administradores da organização, da utilização da tecnologia da informação para gestão, da administração financeira e orçamentária, da gestão de riscos, do sistema interno e mecanismos de desenvolvimento e garantia de qualidade da educação. Já o último indicador é voltado para análise da performance dos alunos.

Para Moraes (2004), a manutenção efetiva das atividades econômicas e sociais requer atenção especial para as oportunidades, desafios, e como se adaptar a esse cenário de constantes mudanças, disponibilizando os serviços inovadores e que atendam às expectativas das partes interessadas.

Acrescenta Bertucci (2003) que, em um cenário cada vez mais exigente, é importante que as IES adotem indicadores organizacionais que demonstrem como se relaciona com o ambiente externo, mostrando seu nível de efetividade, que está intimamente atrelada à aptidão da organização em adequar-se aos aspectos e exigências ambientais e de atingir os seus objetivos.

Os critérios Baldrige, de encontro aos fatores de avaliação abordados pelos autores, focam em examinar vários aspectos como a Liderança, Planejamento Estratégico, Foco no Cliente (estudantes e partes interessadas), Foco na Força de Trabalho, Foco na Operação, Medição, Análise e Gestão do Conhecimento, e Resultados. Nesse contexto, o presente trabalho pretende analisar, por meio do Modelo Baldrige, quais são os antecedentes da efetividade nesse tipo de organização.