7. VEILEDNING
7.2 L ÆRINGSPERSPEKTIVER
7.2.4 Veiledningsferdigheter
Construindo a partir das ideias de Gambetta, Locke (2004, p.4) define confiança quando:
[...] em situações de informação incompleta e incerteza (o que caracteriza a maioria das situações econômicas no mundo), esse atores se expõem ao risco de um comportamento oportunista por parte de outros atores, por acreditar que eles têm razões para crer que esses outros não tirarão vantagens dessa oportunidade.
Confiança, nessa concepção, é situacional ou relacional, alguma coisa que seja desenvolvida entre dois ou mais atores em um contexto ou relação particular. Segundo afirma Locke a confiança pode de fato ser construída, por meio da sequência de elementos: 1) “auto- interesse encapsulado” (HARDIN apud COOK, 2001); 2) intervenção governamental; e, 3) desenvolvimento de mecanismos de auto governança e monitoramento dos atores por si próprios (OSTROM 1990; GREIF apud BATES et al., 1998).
Numa visão oriunda do comportamento organizacional Andrade et al. (2008, p. 139) afirma:
Uma das formas identificadas na literatura para que possa ser identificado o tipo de comportamento existente em uma determinada organização é a Matriz ConFlex (confiança e flexibilidade) [...] a qual é composta pelas dimensões e seus respectivos componentes: Confiança (Transparência, Honestidade e Relacionamento Interpessoal) e Flexibilidade (Pró-atividade e Reconfiguração). A primeira dimensão a ser considerada é a Confiança, a qual se torna crucial no processo de desenvolvimento das relações constituídas no interior dos APL, uma vez que pode resultar no estabelecimento de ações cooperativas as quais são constituídas paulatinamente pelos membros de uma organização.
Para Locke (2004, p.5) a conduta confiável manifesta-se em um comportamento cooperativo entre atores que buscam maximizar a utilidade a partir de seus auto-interesses. O primeiro passo seria aderir ou adquirir a cooperação, a forma de confiança e o compromisso moral de forma conjunta, sem olvidar do auto-interesse. Neste sentido, Hardin (apud COOK, 2001) argumenta que, embora algumas pessoas cooperem e/ou ajam de forma confiável ou com compromisso moral, a vasta maioria age inicialmente em conjunto com outros porque acredita que isso seja de seu auto-interesse. Entretanto, algumas vezes, cooperação entre
grupos de mesma opinião pode levar ao estabelecimento de cartel, o que pode beneficiar os membros desse grupo e prejudicar outros. Diante então, da confiança e suas consequências para o desenvolvimento econômico, há um segundo passo na construção desse comportamento: o papel ativo das políticas governamentais (LOCKE, 2004, p. 5).
Locke cita Evans (1995) que em seu livro sobre o desenvolvimento industrial do Brasil, Índia e Coréia, ilustrou as possibilidades da sinergia entre estado e sociedade. Esse fenômeno seria resultado de uma combinação da intervenção do estado com esforços cooperativos privados. A partir das duas linhas de pesquisa, Locke argumenta que os esforços cooperativos realizados por atores que possuem auto-interesse têm maior probabilidade para se tornarem mais abrangentes, o que possibilita uma organização mais sensível na geração de benefícios, não somente para seus membros, mas também para a comunidade como um todo, principalmente, quando as políticas governamentais intervêm para reforçar esse comportamento.
Conforme explica Evans (1995), agências governamentais são frequentemente capazes de realizar essa meta por meio da provisão de bens públicos e quase-públicos, que diretamente beneficiam os grupos cooperativos, visando que esses grupos sejam mais inclusivos e sensíveis/responsivos. No entanto, a intervenção externa do governo seria insuficiente para garantir o funcionamento contínuo desse desafio de cooperação. Embora políticas governamentais possam ter sido essenciais nas primeiras fases do desenvolvimento do associativismo, essas mesmas intervenções podem ter criado problemas para esses esforços coletivos.
Construindo a partir das ideias de Ostrom (1990), Locke argumenta que o governo não tem o know-how e não tem capacidade para intervir e continuar monitorando o comportamento individual dos membros, em função dos muitos comportamentos oportunistas e heterogêneos das organizações. Ao invés, as associações devem desenvolver seus mecanismos de autogovernança no sentido de assegurar que os seus membros tenham comportamento cooperativo de maneira confiável. Como resultado, um terceiro passo na construção do processo de confiança é o desenvolvimento de um conjunto de mecanismos internos de autogovernança e de monitoramento para assegurar a estabilidade e a longevidade dos esforços cooperativos.
Conforme Locke (2004), o comportamento cooperativo entre firmas advém de condutas confiáveis entre si, o que é corroborado por Andrade et al. (2008, p.6), quando coloca que confiança:
[...] é crucial no processo de desenvolvimento das relações constituídas no interior dos APL, uma vez que pode resultar no estabelecimento de ações cooperativas as quais são constituídas paulatinamente pelos membros de uma organização (ANDRADE et al., 2008, p.6)
Em outras palavras, o comportamento baseado na confiança pode ser construído e, por sua vez, pode se converter, paulatinamente, em comportamento cooperativo.
Segundo Souza; da Câmara e Arbex (2006) o comportamento cooperativo entre firmas localizados em APL tem particular relevância para sua dinâmica, pois quanto maior o grau de cooperação maior é o incremento em sua performance e competitividade. Conforme Britto (2004) citado por Souza; da Câmara e Arbex (2006), as firmas apresentam quatro motivos básicos que levam as empresas cooperarem entre si: 1) a redução da incerteza; 2) o controle sobre mercados potencialmente promissores; 3) a redução e racionalização dos dispêndios em pesquisa e desenvolvimento; e, 4) a geração de lucros que não poderiam ser obtidos de forma independente. Na análise de Locke (2004), tais motivos são denominados auto-interesse, que é um dos elementos que geram a confiança entre firmas.
Schmitz (1997) apud Souza; da Câmara e Arbex (2006) expõe que a cooperação entre firmas pode ser tanto bilateral quanto multilateral, bem como horizontal e vertical. Podemos assim definir estes tipos de cooperação:
• Cooperação bilateral horizontal: duas ou mais firmas concorrentes desenvolvem trabalho em parceria, voltado para a produção ou não;
• Cooperação bilateral vertical: uma firma e seus fornecedores ou clientes, cooperam para melhoria de fatores relacionados a alguma etapa da cadeia produtiva, a jusante ou a montante;
• Cooperação multilateral horizontal: firmas de uma aglomeração, que produzem produtos similares, se unem em associações cooperativas, e;
• Cooperação multilateral vertical: setores, que pertencem a mesma cadeia produtiva, se unem para desenvolvimento de algum trabalho conjunto.
2.8.1.5 – Estudos Empíricos: Confiança e Cooperação
Aquino (2006) ao pesquisar o APL de redes de dormir de Jaguarana (CE) ressalta que, nos dias atuais, temas como confiança e cooperação estão diretamente relacionados com os debates sobre governança e capital social - “como resposta racional dos atores ao conjunto de oportunidades e ameaças presentes em seu ambiente.” (AQUINO, 2006, p.37).
Em outro estudo empírico, realizado no setor de confecções, Andrade et al. (2008) ao citar Pinto e Loiola (2007) lembra que existem pelo menos três componentes relacionados diretamente com a confiança (transparência, honestidade e relacionamento interpessoal), quando essa é considerada como uma dimensão integrante de um programa de incentivo aos arranjos produtivos locais.
Transparência: refere-se à clareza com que os aspectos relacionados ao funcionamento dos APL são divulgados entre as empresas participantes ao longo do relacionamento. Caso a transparência seja propagada, os níveis de confiança recíproca certamente apresentarão uma intensidade mais significativa, devido à relação direta que se faz presente. Honestidade está relacionada ao cumprimento de acordos, sejam eles formais e/ou informais; tácitos e/ou explícitos, os quais são firmados, assim como a capacidade que as pessoas têm de desenvolver alternativas justas na resolução de conflitos [...] Já relacionamento interpessoal corresponde aos tipos de relações (comerciais ou não) que ocorrem entre as próprias empresas, instituições fornecedores, clientes, entre outros, inseridos no APL [...] (PINTO E LOIOLA, 2007 apud ANDRADE et al., 2008, p.7)
A partir dos elementos que Locke (2004) coloca como essenciais para a construção da confiança e cooperação está a construção de mecanismos de autogovernança e de monitoramento, que é o que Andrade et al. (2008) chama de transparência, no sentido da clareza com que os aspectos relacionados ao funcionamento dos APL são divulgados e a honestidade entendida como o cumprimento dos acordos.
Ainda de acordo com Andrade et al.(2008), no caso específico do APL de Confecção do Agreste Pernambucano, há uma alta competição entre os membros daquele APL. Como resultado, principalmente, de constantes práticas individualizadas e da alta rivalidade entre as empresas da região, o que terminou por prejudicar a disseminação do conhecimento sobre os benefícios de práticas de cooperação e formação de parcerias entre as empresas daquele arranjo produtivo.
Por fim, práticas semelhantes foram também relatadas por Souza; Câmara e Arbex (2006) quando da pesquisa realizada no APL do setor de vestuário de Londrina (PR), quando
afirmam que embora fosse perceptível a existência de um ambiente desenvolvido no tocante à infraestrutura, incluindo-se aí instituições de ensino, de pesquisa e de apoio técnico etc., “entretanto, os elos entre as empresas do APL, e tais instituições apresentavam-se pouco desenvolvidos. As empresas pesquisadas, em geral, não enxergam, na cooperação com concorrentes, uma fonte de vantagem competitiva” (SOUZA; CÂMARA e ARBEX, 2006, p. 97).