• No results found

KONKLUSJONER OG AVSLUTNING

In document Alene men ikke forlatt (sider 79-82)

A literatura sobre APL tem sido caracterizada, até recentemente, por um grande foco em sua dinâmica interna para explicar sua dinâmica econômica de acordo com visão de autores como Humphrey e Schmitz (2002); Schmitz e Musyck (1994) todos citados por OLIVEIRA (2008, p.3).

Competitividade, inovação e melhoria em um APL seriam determinadas pela intensidade das relações entre diferentes atores e pela eficiência coletiva (POSTHUMA, 2004; PYKE et al., 1990 apud OLIVEIRA, 2008, p.3). Também, teriam ênfase na necessidade de uma intensa cooperação entre os diferentes agentes para ter eficiência econômica, no entanto, há uma atenção escassa a relação de mercado (demanda), e como esses mercados influenciariam as mudanças nos APL. Por outro lado, a literatura sobre cadeia de valor global tem sido tímida para entender seus impactos sobre APL no plano local, pois estas duas (APL e cadeia de valor) interagiriam muito pouco (HUMPHREY e SCHMITZ, 2002 apud OLIVEIRA, 2008, p.3).

A análise das relações externas pela literatura de APL tem principalmente sido caracterizada pela pressuposição de uma relação com mercado do tipo ideal, onde existem muitas firmas e compradores interagindo por meio de um mercado competitivo (CONSENTINO et al., 1996 apud OLIVEIRA, 2008, p.4). Entretanto, a relação entre firmas e clientes no âmbito de APL é muito mais complexa, como a literatura sobre cadeia de valor mostra.

O comprimento perfeito do braço do mercado não é válido nesse caso. Clientes podem interagir com fornecedores de diferentes formas na cadeia global, como mostra a Tabela 2.1 - Diferentes Ligações entre Arranjos Produtivos Locais e a Economia Global, logo adiante. A relação cliente-fornecedor pode ter gradações em um mercado perfeito onde a relação é

somente comercial (venda), onde o mercado determina o preço de uma completa verticalização (hierarquia), como no caso de produção terceirizada de multinacionais. No meio, existe uma rede de relações (interação estreita com o mercado, mas não hierárquica) para uma quase-hierarquia (clientes controlam muitos aspectos da produção).

Tabela 2.1 - Diferentes Ligações entre Arranjos Produtivos Locais e a Economia Global.

Ligações com a cadeia de valor

O braço longo das relações com o mercado: descreve as relações onde existem vários potenciais demandantes e ofertantes de um produto equivalente, mesmo se ofertantes e demandantes particulares engajam em transações repetidas. Isso implica que o produtor produz com padrões ou com design sem ter como referência as necessidades de um cliente em particular. O cliente é o comprador de design. Isso implica que não há necessidade de se ter um investimento específico na transação, em ambas as partes que transacionam. Relações em rede: ocorre quando o ofertante e o demandante combinam as competências de forma complementar. Eles podem desenvolver o design do produto de forma conjunta, usando suas diferentes competências, e investimentos específicos para a transação serão necessários. Esse tipo de relação é particularmente evidente quando ambos, os ofertantes e os demandantes, são inovadores, e estão perto da fronteira da tecnologia e do conhecimento, mas isto também surge quando as firmas focam em suas competências e terceiriza importantes atividades aos fornecedores.

Relações quase hierárquicas: ocorre quando uma parte da transação (usualmente o comprador) exerce grande controle sobre o outro. Isso inclui especificamente o design (ou sua especificação geral) de que é produzido e também os parâmetros do processo tais como sistema de qualidade, materiais, etc. A introdução de monitoramento e controle de procedimentos e a transferência de aspectos do design do produto requer um investimento específico na transação.

Relações hierárquicas: ocorre, primeiramente, quando os compradores tornam-se donos de produtores no cluster ou estabelece sua própria companhia dentro do cluster, ou quando firmas nos clusters integram para trás, estabelecendo facilidade de produção ou de distribuição em outros países.

Fonte: OLIVEIRA (2008).

Embora exista uma grande literatura sobre ecologia industrial e sobre as questões ambientais de firmas, existe pouca conexão com os APL e a cadeia global na literatura. A literatura de APL apresenta-se escassa quando se tenta analisar aspectos relacionados ao meio-ambiente, trabalho, padrões de saúde e segurança em APL e outras aglomerações. Esses aspectos são importantes em países desenvolvidos, onde governos asseguram o atendimento aos padrões legais, mas em muitos países em desenvolvimento, mesmo nos países em que há regulações sobre essas questões, existem negligências, pois não há uma política que fortaleça a regulamentação.

A percepção geral é que essa regulamentação se obrigada a obedecer, influencia negativamente a competitividade das firmas localizadas em APL. É também politicamente difícil para as autoridades serem rígidas com firmas de pequeno porte, uma vez que são percebidas como sendo fracas e não tem como atender a legislação (elas não atenderiam a

legislação e poderiam ser fechadas). Políticos locais têm a difícil tarefa de permitir que essas firmas fiquem abertas com baixos padrões. Pressupõe-se dessa maneira que o preço é a única vantagem dessas firmas localizadas em países em desenvolvimento. Entretanto, muitas firmas em países menos desenvolvidos têm sido capazes de competir e ao mesmo tempo melhorarem seus padrões ambientais, de trabalho, de saúde e segurança, e a força do mercado tem sido importante para essas mudanças.

Existem diversos fatores para explicar a melhoria dos padrões ambientais, mas não há literatura que explica sob quais condições acontece a melhoria ambiental. Alguns estudos têm mostrado a importância de atores externos para quebrar a dinâmica dos clusters e forçar a aplicação da legislação ambiental, como no caso de Toritama no Nordeste brasileiro, onde a ação do poder legislativo foi a chave para impor padrões ambientais no APL produtor de jeans (ALMEIDA, 2005).

Segundo Oliveira (2005), a ligação da cadeia tem sido importante para explicar a melhoria dos padrões ambientais em APL. Consumidores e sociedade civil organizada incluindo organizações não governamentais - ONG, especialmente em países desenvolvidos, têm pressionado para que haja responsabilidade ambiental nos produtos e processos. Como resultado, firmas têm implementado muitas iniciativas ecológicas de forma obrigatória ou voluntária, e devido à globalização da produção, várias dessas iniciativas alcançam as firmas localizadas em países em desenvolvimento.

Firmas que querem aumentar a produtividade de seus recursos, frequentemente, necessitam impor demandas ambientais sobre seus fornecedores na cadeia de suprimentos, para poder alcançar seus objetivos (ESTY e PORTER, 1998 apud OLIVEIRA, 2008, p.4). Iniciativas de análise de ciclo de vida e gerenciamento têm também abrangido fornecedores da cadeia principalmente em países em desenvolvimento. Vale ressaltar ainda que existe uma demanda por regulamentação crescente por Extended Producer Responsibility (EPR) em vários países desenvolvidos, como aqueles que fazem parte da União Europeia. Essa demanda alcança muitos fornecedores em países em desenvolvimento, cujos padrões ambientais de seus produtos são fundamentais para atender a regulamentação por EPR. Finalmente, padrões voluntários têm afetado a cadeia de suprimento. Como padrões de normas internacionais (ex. ISO 14001) ou específicos para cada indústria ou firma. Por exemplo, a produtora de telefones celulares, a Motorola, que aumentou seus padrões ambientais de suas subsidiárias e de seus fornecedores para atender a melhoria da qualidade ambiental.

Entretanto, compradores globais têm elevado os padrões ambientais internacionais. Na Índia, a aglomeração produtiva da indústria do couro tem melhorado seus padrões ambientais para atender a demanda de seus clientes na Alemanha, que também ajudou a conduzir as mudanças ambientais. Segundo Oliveira (2008, p. 5), na busca de atender as pressões internas e externas, firmas tem cooperado umas com as outras e com outros atores dentro do APL. Elas têm ajudado umas as outras para superar os obstáculos para a melhoria ambiental. No setor moveleiro, há uma crescente demanda por produtos com madeira certificada e sistemas de gerenciamento certificado, como a ISO 14001 e a SA8000, e esse fenômeno ainda carece de estudos acadêmicos aprofundados.

In document Alene men ikke forlatt (sider 79-82)