A utilização do método Delphi nesta pesquisa precedeu o método clássico de grades de repertório, tendo como principal objetivo robustecer e validar a revisão de literatura realizada para a definição dos elementos sobre o processo de construção da estratégia, eximindo o viés do pesquisador. O termo Delphi, baseado no oráculo da cidade grega Delfos, tem sua origem na década de 1950, em projetos militares da Rand Corporation, os quais tinham como objetivo obter um consenso entre especialistas sobre a melhor tecnologia a ser adotada pela Força Aérea Norte Americana (ZACKIEWCZ, 2000; WRIGHT e GIOVINAZZO, 2000; FISCHER e ALBUQUERQUE, 2004; CARDOSO et al., 2005).
Apesar de ser vastamente utilizado como um método prospectivo, indicado para a previsão de eventos, pode ser adotado em situações nas quais se deseja consensar as opiniões quando “o problema não é preciso o suficiente para ser estudado por meio de técnicas analíticas” (FISCHER e ALBUQUERQUE, 2004). Uma definição sucinta sobre suas
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DUNN, W. N., CAHILL, A. G., DUKES, M. J., AND GINSBERG, A. The Policy Grid: A Cognitive
Methodology for Assessing Policy Dynamics, in Policy Analysis: Perspectives, Concepts, and Methods,
W. N. DUNN (ed.), JAI Press, Greenwich, CT, 1986, pp. 355-375. 36
GINSBERG, A. Construing the Business Portfolio: A Cognitive Model of Diversification, Journal of Management Studies (26:4), 1989, pp. 417-438.
pretensões foi realizada por Vergara (2005, p. 172) como “aquele (método) que visa obter o consenso de opiniões de especialistas sobre o que está se investigando”.
Tendo em vista o fato de existirem diversas revisões de literatura realizadas por diferentes autores a respeito do processo de formação e formulação de estratégias organizacionais – quando relativos às PMEs, esses estudos se tornam mais escassos –, somado à necessidade de tradução de todo esse arcabouço teórico em poucos elementos, expressos em curtas frases, preconizou-se a utilização desse método, com a obtenção de consenso dos especialistas, de forma a aumentar a validade e a neutralidade da revisão realizada pelo presente autor.
O método Delphi clássico é realizado por meio de um questionário37 bem elaborado, que é encaminhado aos especialistas, os quais avaliam e tecem comentários a respeito de cada questão, devolvendo-o para o pesquisador. Este analisa estatisticamente os resultados da primeira rodada e encaminha novamente o questionário com as respostas tabuladas aos participantes. Esse processo se repete até obter-se consenso entre os especialistas. Wright e Giovinazzo (2000) salientam a necessidade de um mínimo de duas rodadas, sendo que suas experiências práticas demostram que, geralmente, não são excedidas três rodadas. A figura 11 apresenta o fluxo de realização do painel de especialistas adotado nesta pesquisa.
A definição de consenso varia de acordo com os autores que utilizam e escrevem sobre o método Delphi, bem como com o objetivo da pesquisa. Geralmente, o critério utilizado para a obtenção de consenso baseia-se em análise estatística simples, buscando-se ao máximo reduzir a distância interquartílica, de maneira a aproximá-la da mediana, sem pressionar os respondentes (WRIGHT e GIOVINAZZO, 2000; CARDOSO et al., 2005). No presente estudo, o consenso foi obtido na segunda rodada.
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Para Wright e Giovinazzo (2000), um bom questionário deve evitar eventos compostos e colocações ambíguas, ser simples para se responder, não conter um número elevado de questões (sugere-se entre 25 e 50 perguntas), evitar ordenamento de proposições e permitir complementação pelo especialista.
Definição do objeto de investigação Validação do questionário Aplicação do questionário Tratamento estatístico Elaboração do relatório Seleção de especialistas Número de rodadas suficientes? Consenso satisfatório? INÍCIO INÍCIO FIM NÃO NÃO SIM SIM Construção do questionário
FIGURA 11 - Processo de aplicação do Delphi
Este método tem sido muito utilizado em pesquisas, devido a sua característica de troca de opiniões e informações entre os respondentes, ao anonimato das respostas e à possibilidade de revisão das visões individuais, que proporcionam a construção de conhecimento coletivo, minimizam as desvantagens da interação do grupo, permitem a extrapolação do assunto e facilitam a sua consecução (WRIGHT e GIOVINAZZO, 2000; FISCHER e ALBUQUERQUE, 2004).
A grande maioria dos autores salienta que a qualidade do resultado depende do grupo de especialistas que são escolhidos (KAYO e SECURATO, 1997). O conceito de especialista não apresenta uma uniformidade de definições. Normalmente, é aceito o conceito de “profundo conhecedor da área”, seja por formação acadêmica ou por experiência no ramo em estudo. Segundo Quirino, Luiz e Dias (1999)38, o melhor método para a seleção de respondentes é o de peer pooling, ou seja, indicações de colegas e dos primeiros especialistas selecionados, sendo construída a relação dos nomes. Entretanto, Zackiewcz (2000) discorre sobre a diferença entre a identificação e a seleção dos especialistas, orientando para que os especialistas selecionados representem os distintos pontos de vista existentes. Para a presente pesquisa, procurou-se escolher especialistas acadêmicos (professores e pesquisadores na área) e práticos (consultores peritos no assunto), por indicação dos primeiros especialistas identificados, de forma a mesclar as opiniões e abranger distintos conhecimentos.
Segundo Vergara (2005, p. 176), o número de especialistas que devem compor o painel “varia em função do escopo da investigação”. O aumento do tamanho da amostra de especialistas tenderá a conferir maior confiabilidade ao resultado, entretanto dificultará e será necessário despender mais tempo para a obtenção do consenso. Quanto à sua operacionalização, Wright e Giovinazzo (2000) salientam que há uma média de desistência de 30% a 50% na primeira rodada e de 20% a 30% na segunda rodada, sendo necessária a consideração dessas ausências quando da seleção da amostra de especialistas. Para o presente estudo, foram selecionados 10 especialistas, dos quais 8 participaram da primeira rodada e 6 da segunda. Esse número foi considerado suficiente para atender aos objetivos de conferir maior neutralidade e validade à revisão bibliográfica realizada.
38 QUIRINO, T. R.; LUIZ, A. J. B.; DIAS, E. C.. Tecnologias agropecuárias e impacto ambiental: uma agenda