6 HVA ER VIKTIG I OPPFØLGINGEN AV UNGE NAV-BRUKERE?
6.2 Veiledernes erfaringer med unge brukere og oppfølgingen
Nos estudos qualitativos recorrentes às entrevistas, o conceito de saturação torna-se muito útil. Isto porque, o tamanho apropriado da amostra é definido em função dos objetivos e da complexidade do estudo (Francis et al, 2010). Marshall (1996) acredita que, neste tipo de estudos, o tamanho da amostra apropriado encontra-se quando se atinge a saturação e quando se responde à questão de pesquisa através da informação recolhida dessa mesma amostra. Francis et al (2010) também considera que o tamanho da amostra é justificado com a saturação de dados que o conteúdo das mesmas nos dá e que este ponto se atinge quando a recolha de dados já não acrescenta nova informação ao que já se apurou.
A saturação de dados ajuda a perceber quer o investigador quer os revisores quando a recolha de dados deve terminar (Padgett, 2009). O processo de saturação teórica é alcançada quando todos os códigos tiverem sido observados na amostra (van Rijnsoever, 2017) e quando a informação estagna e não se encontram novas categorias, temas ou conceitos (Marshall, 1996). Marshall, Cardon, Poddar e Fontenot (2013) apresentam a saturação de dados como um conceito aplicável a toda a pesquisa qualitativa que utiliza as entrevistas como fonte de dados e que se atinge quando o conjunto de dados se começa a replicar. Por sua vez, Fontanella et al. (2011) consideram que existe saturação teórica quando o investigador percebe que não vão surtir mais elementos novos através da interação com o campo de pesquisa.
Öhman (2005) explica que a recolha de dados termina quando a saturação é alcançada, ou seja, que não vão surgir novas informações e é aí que o investigador termina as entrevistas. Marshall, Cardon, Poddar e Fontenot (2013, p.11) consideram que a saturação
60 de dados é “um conceito indescritível e padrão na pesquisa qualitativa”, até porque a maioria dos autores reconhece que o tamanho da amostra neste tipo de pesquisa não está padronizado.
A riqueza de informação indica se a amostra e o conteúdo são válidos através da saturação (Francis et al, 2010). O número de entrevistas para a saturação vai depender da amostra e da informação que daí seja extraída, não sendo consensual entre os autores. No estudo produzido por Guest, Bunce e Johnson (2006) o ponto de saturação foi atingido com 12 entrevistas. No entanto, Francis et al (2010) sugerem que apenas em 10 entrevistas é possível encontrar o ponto de saturação mas que depois disso, a informação começa a ser repetitiva. No estudo desenvolvido por (Francis et al, 2010), o ponto de saturação começou a ser atingido depois de efetuadas 15 entrevistas, quando o foco foram as crenças comportamentais. Tal como referido anteriormente, o número de entrevista não é consensual nem está definido. Aceitando a ideia de Dworkin (2012) de que a saturação é definida quando a recolha de dados não produz informações novas ou relevantes e que varia de acordo com o estudo em questão, a escolha dos participantes torna-se num ponto muito importante. Guest, Bunce e Johnson (2006) referem que o ponto de saturação atinge-se mais rapidamente se os participantes do estudo forem semelhantes em relação às suas experiências. Os participantes partilham de características muito próprias e comuns, o que torna esta amostra concentrada, o que também facilita a extração de dados ricos em poucos participantes, tal como refere (Morse, 2000, p.4), “se os dados estiverem no alvo, contiverem menos escassez e forem ricos e experimentais, menos participantes serão necessários para atingir a saturação”. Vários autores explicam que a riqueza dos dados não depende da quantidade de entrevista mas da informação ou se extrai retirando importância ao tamanho da amostra. Relativamente a este ponto, Morse (2000, p.3) refere que “quanto maior o alvo da pesquisa, mais tempo leva para atingir a saturação”. O autor explica que se o número de dados e de participantes for muito alargado, que se traduz em mais entrevistas e maior dificuldade em desenvolver um estudo com mais qualidade.
61 No caso desta investigação, realizaram-se entrevistas como ferramenta de investigação qualitativa, uma vez que, o assunto é muito sensível para as vítimas e procura- se criar um sentimento de confiança para que seja possível captar todos os elementos necessários. O objetivo foi entrevistar vítimas de violência doméstica que recorreram à APAV. Com esta recolha de dados pretendeu-se compreender se as campanhas publicitárias tiveram alguma influência na decisão de denunciar a situação e se estas desencadearam o comportamento desejado ou não, ou seja, se cumpriram o seu propósito. Foi também importante perceber se os apelos utilizados pelas campanhas são os mais adequados, do ponto de vista das vítimas. Estas entrevistas foram tratadas com o maior rigor e foram realizadas num ambiente confortável para os participantes. Um dos grandes objetivos foi conseguir uma grande heterogeneidade, ou seja, conseguir entrevistados dos diferentes géneros e idades.
A amostra para esta investigação foi escolhida em conjunto com a equipa do GAV Braga para que correspondessem à minha investigação. Os critérios de inclusão foram: serem vítimas de violência doméstica; pertencerem à região Norte (Braga); com mais de 18 anos e com estabilidade emocional e psicológica. Os dois últimos critérios foram incluídos para que estivesse preservada também a dignidade e consciência da investigadora e para que não houvesse futuras retaliações por parte dos participantes e da própria associação. O estado emocional e psicológico estável dos participantes foi um fator muito considerado na escolha dos participantes, uma vez que, a própria associação excluiu automaticamente qualquer possível participante que estivesse numa situação mais frágil. A maior preocupação foi nunca interferir com o processo pessoal de cada participante para que não ocorressem retrocessos no comportamento das vítimas. Assim, qualquer pessoa que cumprisse estes requisitos, independentemente do género, escolaridade, classe social e sem idade máxima fez parte da amostra. Com isto, foram realizadas oito entrevistas a vítimas de violência doméstica e uma à equipa de comunicação e marketing.
Neste estudo, a saturação foi atingida na entrevista seis, uma vez que, as respostas estavam a ser repetidas pelos participantes e não acrescentavam nenhuma informação nova
62 para a investigação. É importante referir ainda que foi realizada uma entrevista à equipa de Comunicação e Marketing da APAV, o que permite a análise de dados diferentes e a comparação de perceções entre a entidade que presta auxílio e as vítimas que a ela recorrem. Esta técnica é chamada de triangulação.