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Após a consulta da base de dados Infomed e contato via e-mail com o CDTC, foi possível a obtenção dos RCMs de todos os GM com AIM, até ao momento da última revisão determinado para este estudo. Foi, deste modo, analisado um total de 36 RCMs (ANEXO XXI – Pág. 125 ). Seguidamente, constam reunidos, em formato de tabela, os resultados obtidos. Concretamente, informação respeitante a indicações terapêuticas aprovadas, regimes posológicos iniciais, interações medicamentosas, contraindicações, precauções especiais de utilização e efeitos adversos de todos os GM (Tabela 7, 8, 9, 10 e 11).

Adicionalmente, foi também incluída a sinalética de cores dos cilindros para cada GM, de acordo com a norma europeia – EN 1089-3:2011. Esta norma determina um sistema de codificação por cores dos cilindros de gases medicinais e industriais, harmonizado por toda a Europa. A sinalética de cores dos cilindros permite rapidamente identificar o conteúdo de um cilindro, servindo de complemento aos seus rótulos, que constituem a forma principal de identificação. Torna-se particularmente relevante quando, por alguma razão, não seja possível efetuar a leitura do rótulo ou aproximar do cilindro em questão. Todos os cilindros usados para fins medicinais deverão apresentar o corpo do cilindro revestido de branco. Por sua vez, a cor da ogiva do cilindro é definida de acordo com as especificações estipuladas na referida norma. Durante a leitura e análise dos RCMs constataram-se inúmeras semelhanças porém também diferenças, concretamente no que diz respeito à presença de informações em alguns RCMs por sua vez não constantes em outros, embora com o mesmo princípio ativo. Estas dissemelhanças podem ser verificadas ao longo das tabelas produzidas e encontram-se presentes de uma forma geral nos parâmetros de pesquisa selecionados: indicações terapêuticas, posologias, interações medicamentosas, contraindicações e efeitos adversos.

Esta situação poderá revelar-se desvantajosa, perante a leitura de um único RCM pelo profissional de saúde, particularmente para o profissional farmacêutico, pois poderá constituir o primeiro contacto com informação específica referente a esse gás medicinal.

A elaboração destas tabelas promoveu, portanto, a convergência de informação presente em todos os RCMs dos gases medicinais com AIM em Portugal. Constitui, assim, uma fonte única e completa de informação respeitante a estes medicamentos, que possibilita a monitorização farmacoterapêutica dos GM por parte dos farmacêuticos hospitalares.

Tabela 7 – Ar medicinal: indicações terapêuticas e posologias associadas, interações medicamentosas, contraindicações, precauções especiais de utilização e efeitos secundários.

L/min= litros/minuto.

Tabela 8 – Oxigénio medicinal: indicações terapêuticas e posologias associadas, interações medicamentosas, contraindicações, precauções especiais de utilização e efeitos secundários.

Oxigénio medicinal 100% (O2)165-179

Indicações terapêuticas e posologias associadas Oxigenoterapia

normobárica Tratamento ou prevenção da hipóxia crónica ou aguda,

independentemente da causa165-178.

Doentes com insuficiência respiratória crónica: – Fluxo = 0,5 - 2 L/min166-173, 177-179.

- FiO2: 24 a 28%171.

DPOC

SpO2~93%174,175.

Fluxo mais comum: 1-2L/min174,175/ 1 a 3L/min171

por cânula nasal174,175. Indicações terapêuticas e posologias associadas

Ar medicinal 100%158 Ar medicinal sintético 22%; 21-22,5%159-162 Oxigénio 20,66%-22,83%163 RAL 9010/9005164.

- Indicado como substituto do ar ambiental158.

- Terapias de ventilação e anestesia 158, 160-163.

- Prevenção de hipóxia159.

- Aerossolterapia (utilizado como vetor de medicamentos por inalação)160,163.

- Fluxo inspiratório: entre 0,4 – 0,8 L/min160-162.

- A posologia depende do estado clínico do paciente e deve ser adaptada a cada caso em particular 160-163.

Interações medicamentosas

Não foram descritas interações159 ; Não foram realizados estudos de interação158, 160-163.

Contraindicações Precauções especiais de utilização

- Hipersensibilidade à substância ativa (oxigénio) ou ao azoto158, 160-163.

- Não existem contraindicações absolutas159.

- Sempre que o doente apresentar hipoxemia160,162.

- São necessárias precauções especiais em crianças e lactentes, devido aos diferentes padrões de respiração, volumes e geometria das vias aéreas163.

- É aconselhável a humidificação do ar inalado durante aplicação prolongada159.

- Apenas deve ser administrado a doentes à pressão atmosférica159. Efeitos secundários

- Não se aplica, embora a administração de ar medicinal a pressão superior à pressão atmosférica, possa causar doença de descompressão 159-162e sintomas similares à

sobre-exposição de oxigénio, dedos edemaciados, descoordenação e confusão159-162.

- Em circunstâncias em que seja utilizado a taxas de fluxo excecionalmente altas (como, por exemplo, numa incubadora) pode causar sensação de frio159.

Duração: Diariamente e nunca menos de 15h/dia, incluindo os períodos de sono171, nunca

interrompendo mais de 90-120 min174,175.

Doentes com insuficiência respiratória aguda: - Fluxo = 0,5 - 15 L/min166-173, 177-179.

- Concentração: >60%171.

- Duração: curtos períodos de tempo171.

- Patologias associadas: crise asmática grave, tromboembolismo pulmonar, pneumonia e fibrose alveolar171.

- Poderão ser necessárias doses superiores, até 60L/min171.

Ataques agudos de cefaleia em salva (cefaleia do tipo cluster) em doentes diagnosticados 165- 176.

Forma de administração: Máscara facial de alto débito165-167, 171.

FiO2: 100%165,171.

Fluxo: 7-15 L/min, o mais precocemente possível após o início da crise165-167 , 171, 174-179.

Duração: cerca de 15 min 166,167,171,174-179 ou até

que a dor desapareça165.

Crises de algia vascular

facial166-173, 177-179. Forma de administração: Máscara facial

168-170, 174-175, 177-179.

Concentração: 100%171. Fluxo: 7 L/min 168-171.

Duração: Imediatamente no início da crise quando ocorrem os primeiros sintomas e durante um período de 15 min168-171.

Ventilação assistida (em anestesia ou cuidados intensivos)174,175.

Concentração: 21%, podendo chegar aos 100%174,175.

Como gás propulsor em terapias de

nebulização174,175.

Asma: Nebulização com O2 >6 L/min ou Nebulização com ar +

oxigénio suplementar 2-6 L/min via cânula nasal102.

Paciente com acidose hipercapneica: Nebulização com ar comprimido + oxigénio suplementar 2-4 L/min via cânula nasal (por forma a manter a saturação a 88-92%)102.

Caso seja necessário em

recém-nascidos Concentração: ≤40%, porém pode chegar aos 100% desde que aliada a uma monitorização atenta e evitando flutuações substanciais na oxigenação165,171.

Alvo terapêutico: PaO2< 13.3 kPa

(100mmHg)165,166,168-179. Oxigenoterapia hiperbárica (OHB) Tratamento da doença de descompressão165-179.

Pressão: 2,8 atm171. Duração: aplicado imediatamente, repetido até

dez vezes caso os sintomas persistam171.

Embolismo gasoso de

etiologia variada165-179. Não consta informação nos RCMs.

Intoxicação grave por monóxido de carbono165- 179.

Pressão: iniciada com 3 atm, está altamente indicada em doentes

com intoxicação aguda por CO ou exposição a intervalos ≥ 24h171. Duração: iniciado logo que possível até que a concentração de COHb seja reduzida para valores

abaixo dos níveis de perigo (cerca de 5%)171.

Parece ter também potencial no tratamento retardado utilizando múltiplos tratamentos de baixas doses de oxigénio171.

Terapia adjuvante na necrose óssea por radiação

Pressão: 2,0 – 2,5 atm171. Duração: múltiplas sessões165,176 diárias de 90-120

min, durante cerca de 40 dias171. Indicações terapêuticas e posologias associadas (continuação)

Terapêutica adjuvante na Fasceíte necrotizante por infeções profundas nos tecidos por clostridium perfringens (mionecrose clostridial, ou seja, gangrena gasosa) 165-179.

Pressão: 3,0 atm171. Duração: 3 tratamentos de 90min nas primeiras

24h, seguidos por tratamentos 2x/dia, durante 4-5 dias até se observar melhoria clínica171.

Interações medicamentosas

- Amiodarona171-179 – aumento do risco de Síndrome de Dificuldade Respiratória Aguda, quando administrada em simultâneo com elevadas doses de oxigénio172-175,177-179.

- Bleomicina165-167,171-179-a administração de altas concentrações de oxigénio, inspiradas durante anestesia ou terapia respiratória, pode agravar ou precipitar a

toxicidade pulmonar em pacientes previamente tratados com bleomicina165,172,173,podendo provocar Síndrome de Dificuldade Respiratória Aguda, fibrose pulmonar e

pneumonite166,167,174,175,177-179. A recidiva da lesão pulmonar induzida pode ser fatal171.

- Cloroquina; Cloropromazina; Tioridazina; Promazina, Doxorrubicina, Fitomenadiona - efeitos adversos descritos, particularmente pronunciados em tecidos com elevados níveis de oxigénio, nomeadamente os pulmões168-171.

- Corticosteroides166-173 - aumento da toxicidade do oxigénio166-171. A administração conjunta está relacionado com o aumento de produção de espécies reactivas de

oxigénio172-173.

- Dactinomicina - a recidiva da lesão pulmonar induzida pode ser fatal171.

- Nitrofurantoína - toxicidade pulmonar pode ser exacerbada pela inalação de oxigénio suplementar176.

- Simpaticomiméticos - podem aumentar a toxicidade do oxigénio168-171.

Contraindicações

Oxigenoterapia normobárica Oxigenoterapia hiperbárica

- Hipersensibilidade à substância ativa165-167,174,175,177-179.

- Não existem contraindicações absolutas para a administração de oxigénio quando presentes as indicações de administração168-179.

- Fumadores166-170,172,173,177-179.

- Contraindicação absoluta → pneumotórax171,176.

Precauções especiais de utilização

Oxigenoterapia normobárica Oxigenoterapia hiperbárica

- FiO2 elevadas devem ser usadas durante o menor período de tempo possível e devem

ser monitorizadas por meio de análise da PaO2, SpO2 e os sinais vitais do paciente165-

175,177-179.

- A administração de FiO2 elevadas é segura se forem respeitadas as concentrações

nos seguintes periodos de administração:  FiO2 até 1,0 (100%) durante 6h;

 FiO2 = 0,6-0,7 (60-70%) durante 24h;

 FiO2 = 0,4 – 0,5 (40-50%) durante o segundo período de 24h165,171,176 ou

durante 48h166,167,177-179.

 Qualquer FiO2 > 0,4 (40%) é potencialmente tóxica após 2 dias165-179.

- Crianças prematuras e RN estão excluídos destas linhas de orientação devido à ocorrência de fibroplasia retrocristalina a FiO2 mais baixas165-179.

Preferencialmente, a OHB não deve ser utilizada171 ou deve ser administrada com

elevadas precauções165,171,176em doentes com:

- História de pneumotórax espontâneo165,171,176.

- DPOC 165,171,176 ou enfisema pulmonar171.

- Infeção respiratória165,171,176.

- Cirurgia recente do ouvido médio171.

- Cirurgia torácica recente171.

- Febre elevada não controlada171.

- Epilepsia grave171,crises epiléticas165,176.

- Esferocitose hereditária165,176.

- Acidose165,176.

- Claustrofobia165,171,176. Indicações terapêuticas e posologias associadas (continuação)

- A administração de elevadas FiO2 deve ser monitorizada em pacientes que

apresentem diminuição da sensibilidade para a PaCO2165,176, pois elevadas FiO2 podem

causar retenção de CO2 e, em casos extremos, levar à narcose do ácido carbónico166-

175,177-179.

- O oxigénio medicinal deve ser humidificado quando administrado por extensos períodos, de forma a não secar demasiado as mucosas165.

- Quando o oxigénio for administrado com outros gases, a sua concentração na mistura deverá ser mantido em pelo menos 21%165-173,176-179.

- Em grávidas, baixas concentrações de oxigénio normobárico podem em princípio ser administrados com segurança quando necessário165-179.

. Não foram revelados riscos para o lactente durante o aleitamento165-179.

- Nos doentes com cefaleias do tipo cluster poderá ocorrer o efeito rebound166-170,172- 175,177-179.

Poderão ser aceitáveis em caso de necessidade vital durante a gravidez165-179,

porém deverá ser efetuada uma avaliação do benefício/risco antes da prescrição de oxigenoterapia hiperbárica devido à maior possibilidade de surgirem convulsões, por diminuição do limiar de indução do mal epilético165,176.

- A compressão e descompressão deverão ser lentas e cuidadosamente faseadas (por forma a evitar riscos de lesão derivados da pressão – barotrauma) 165-179.

Efeitos secundários Afeções respiratórias, torácicas e do mediastino: Complicações de intervenções relacionadas com lesões e intoxicações: Afeções do sistema nervoso central: Afeções do foro psiquiátrico: Afeções do olho: Afeções gastrointestin ais: Afeções do sangue e do sistema linfático: Afeções músculo- esqueléticas e dos tecidos conjuntivos: Em investigação: - Atelectasia171(pouco frequente) 165-170, 172-179. - Colapso do pulmão166- 170, 172-175, 177-179.

- Aumento dos shunts pulmonares entre 20 a 30% 166-170, 172-175, 177-179. - Apneia 166-170, 172-175, 177-179. - Lesões pulmonares 166- 170, 172-175, 177-179. - Dor pleurítica165-170, 172-179 (pouco frequente) 165,176. - Tosse seca166-170, 172- 179. - Síndrome de dificuldade respiratória aguda- 166-170,174-179(muito - Barotraumatismo: do ouvido médio (distúrbios do ouvido e labirinto) (pouco frequente) 165,176, pulmonar e sinusal (sinus squeeze) 166-179 . - Rutura da membrana timpânica – em OHB (pouco frequente) 165,176. - Toxicidade cardíaca, renal e hepática (em RN) 166-170, 172-175, 177-179. - Lesões em diversos órgãos devido ao efeito - Convulsões166- 175, 177-179. - Epilepsia inespecífica (muito raro)165,176. -Confusão171 (muito raro) 165,176, síncope171 (muito raro)165,176 e vertigem - em OHB166-175, 177- 179. -Náuseas - em OHB171. -Hemorragia subependimal e - Claustrofobia - em OHB em câmaras166-170, 172-175, 177-179. - Ansiedade - em OHB166-175, 177-179 (muito raro)165,176. - Retinopatia 3 a 6 semanas depois do tratamento (em RN, especialmen te em prematuros, expostos a fortes concentraçõ es de O2 (raro) 165-179. -Perda temporária da visão (em OHB)171. - Enterocolite necrotizante (em RN e prematuros) 171. - Anemia hemolítica - em RN166-170, 172-175, 177-179. -Acidose – pela acumulação de CO2 em doentes, com distúrbios respiratórios, que dependem da hipóxia como estímulo respiratório171 . - Mialgia - em OHB166- 175, 177-179. - Diminuição da frequência e débito cardíaco - quando se administram concentrações de O2 a 100%, durante menos de 6 horas e em condições normobáricas166- 175, 177-179. - Capacidade vital reduzida - após tratamento com O2 a 100% por períodos superiores a 18 h166-170, 172-175, 177-179. Precauções especiais de utilização (cont.)

- Fibrose pulmonar (em RN) 166-170,174-179. - Hipoventilação171. -Displasia broncopulmonar – (em RN)171. FiO2, dependendo da concentração e do tempo de exposição166-170, 172- 175, 177-179. (em RN e prematuros)171.

atm- atmosfera; CO- monóxido de carbono; CO2- dióxido de carbono; COHb- carboxihemoglobina; DPOC- Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica; FiO2- fração(ões) de oxigénio

no ar inalado; h- horas; h/dia- horas por dia; kPa- kilopascal; L/min- litros por minuto; min- minutos; mm Hg- milímetros de mercúrio; O2- oxigénio; OHB- oxigenoterapia

hiperbárica; PaCO2- pressão parcial de dióxido de carbono arterial;PaO2- pressão parcial de oxigénio arterial; RN- recém-nascidos; SpO2- saturação de oxigénio no sangue

arterial determinado por oximetria de pulso.

Tabela 9 – Protóxido de azoto medicinal: indicações terapêuticas e posologias associadas, interações medicamentosas, contraindicações, precauções especiais de utilização e efeitos secundários

Protóxido de azoto medicinal (N2O)

Indicações terapêuticas Posologias associadas

Protóxido de azoto (100%)180-183 (98%)184, 185

Adjuvante de anestesia180-185. - Concentração: 35-75% (v/v) (em mistura com

oxigénio)180,181,183,184. - O tempo de indução é de 2 a 5 min 182.

Durante a indução, a concentração de N2O

atingirá um máximo de 79%. Depois da indução, a concentração necessária será entre 50-70% (v/v), suplementada com oxigénio medicinal181,182,185.

Duração: Não deve ser administrado durante mais de 24h181.

Anestesia/analgesia em obstetrícia181- 185.

Concentração: 50%, sendo recomendável não ultrapassar esta concentração181-185.

Utilização do N2O só pode ser realizada na presença de

caudalimetro de segurança que impeça a administração de concentrações superiores181,183-185.

Duração: Se o intervalo de tempo entre a indução da anestesia e a extração do feto ultrapassar os 20min, é recomendável interromper a administração de N2O181,183-

185.

RAL 5010164 RAL 5010 9010164

Agente analgésico/sedativo180,184 para

intervenções dolorosas de curta

duração: como parte de uma assistência clínica aguda no tratamento de

traumatismos e queimaduras;

intervenções odontológicas; cirurgia de otorrinolaringologia182.

Concentração: 30-60% (v/v), possui efeitos analgésicos e

sedativos dose dependentes180,181,183,184; 50% (v/v)182. Duração: Deve ser administrado durante todo o procedimento e/ou enquanto a dor

subsistir180,181,183,184.

A exposição do doente deve ser limitada a 1h e não deve ser repetida durante mais de 15 dias consecutivos182. Protóxido de azoto + oxigénio (50%+50%)186- 188

Analgesia de curta duração em procedimentos dolorosos ou condições de dor ligeira a moderada em adultos e crianças com mais de um mês186-188:

punção lombar; mielograma; pequena; cirurgia superficial; aplicação de pensos em queimaduras; redução de fraturas simples; redução de certas luxações periféricas; punção venosa; traumatismos; queimaduras186.

- Via inalatória187.

- O débito da mistura é determinado pela respiração espontânea do paciente186,187.

Duração:

- Varia em função da duração do ato em causa186-188 e não

deve, de forma geral, ultrapassar 60 min de inalação contínua. Em caso de repetição, não deve ultrapassar 15 dias186.

- Deve ser iniciada pouco antes da necessidade do efeito analgésico desejado186-188

- O efeito manifesta-se após 4-5 inalações187-188 e atinge o

seu máximo após 2-3 min de inalação186-188.

- Deve ser administrado durante todo o procedimento e/ou enquanto o efeito analgésico for desejado/enquanto a dor subsistir187-188.

- Após a suspensão da inalação, os efeitos desparecem em poucos minutos e não se verificam efeitos residuais186-188.

Sedação em tratamentos dentários (em crianças com mais de um mês e em pacientes ansiosos ou com

deficiência)186.

Duração: Após um período de pelo menos 3 minutos, pode ser realizado de forma contínua (máscara nasal) ou por períodos de 20-30 segundos (máscara oronasal)186.

Analgesia em obstetrícia (antes da anestesia epidural ou em caso de recusa ou impossibilidade de a realizar)186.

Duração: Começar logo no início da contração, antes do aparecimento das dores, devendo ser interrompida após a diminuição das dores186.

- A parturiente não deve hiperventilar devido ao risco de dessaturação em oxigénio entre as contrações, sendo conveniente vigiar

constantemente a FiO2 nesta indicação186. Interações medicamentosas

- Anestésicos intravenosos ou de inalação180-185,187,188.

Efeito aditivo à ação sedativa do N2O. O N2O é usado para reduzir a dose necessária de outros anestésicos e para incurtar o tempo de indução182 causando uma menor

depressão cardiovascular e respiratória, bem como proporciona uma recuperação mais rápida da anestesia180,181,183,184.

- Opioides180-188.

Possuem um efeito aditivo à ação analgésica e sedativa do N2O182.

Pode resultar num aumento da sedação com consequentes efeitos na respiração, circulação e nos reflexos de proteção186.

- Benzodiazepinas180-188 eBarbitúricos182.

Interagem com o recetor de benzodiazepinas e um ponto de ligação alostérico respetivamente no complexo recetor do GABA e intensificam o efeito do N2O182.

Pode resultar num aumento da sedação com consequentes efeitos na respiração, circulação e nos reflexos de proteção186.

- Outros psicotrópicos183,185,187,188- O N

2O potencia os efeitos hipnóticos o que permite diminuir as posologias dos psicotrópicos. Pode resultar num aumento da sedação

com consequentes efeitos na respiração, circulação e nos reflexos de proteção186.

- Vitamina B12 (cianocobalamina) - O N2O interfere com o metabolismo do ácido fólico pela inativação da vitamina B12 (coenzima para a síntese de metionina, uma enzima

responsável pela formação de tetrahidrofolato e metionina, necessários para a síntese de ADN e para os processos de metilação do corpo). Deste modo, a síntese de ADN fica comprometida após administração prolongada de N2O180-185.

- Relaxantes musculares não despolarizantes de bloqueio neuro-muscular: Cisatracúrio, Pancurónio, Galamina, Tubocurarina, Vecurónio - o N2O intensifica o efeito

relaxante dos músculos quando combinado com estes medicamentos182.

- Metotrexato180-184 e nitroprussiato de sódio182.

Devido à desativação da vitamina B12 pelo N2O, aumenta a toxicidade do nitroprussiato de sódio e do metotrexato182.

O N2O potencia o efeito inibitório do metotrexato sobre a metionina sintetase e o metabolismo do ácido fólico180,181,184,187,188.

- Bleomicina, Amiodarona, Nitrofurantoína - a toxicidade pulmonar associada a substâncias ativas, pode ser exacerbada pela inalação de oxigénio suplementar187-188. Contraindicações

- Hipersensibilidade ao protóxido de azoto180,181,183-185.

- Em doentes que necessitem de uma ventilação com oxigénio puro182,185,186.

- Administração durante um período superior a 24 horas185.

Em doentes com:

-Sintomas de pneumotórax, Enfisema bolhoso severo180-188; Embolia

gasosa180,181,183,184,186-188; Ar livre no abdómen182; Sinais de obstrução intestinal

(ileus) 180-184.

- Paciente que tenha recebido recentemente um gás oftálmico (SF6, C3F8, C2F6)

utilizado em cirurgia ocular, caso persistam bolhas de gás no interior do olho e durante um periodo minimo de 3 meses(devido ao risco de expansão das bolhas de gás, podendo desencadear cegueira) 180-184,186.

- Sinais de confusão ou alteração das funções cognitivas180,181,183,184.

- Outros sinais suspeitos de estarem relacionados com hipertensão intracraniana180- 184,186.

- Após a realização de mergulho (risco de problemas relacionados com a descompressão)

180-184.

- Qualquer alteração do estado de consciência e/ou perda de cooperabilidade, quando usado em analgesia180-184,186 (pelo risco de perda dos reflexos de proteção).

- Insuficiência cardíaca ou disfunção cardíaca severa (como, por exemplo, pós cirurgia cardíaca) (o seu ligeiro efeito cardiodepressor pode agravar a deterioração da performance cardíaca)180,181,183,184.

- Deficiência em vitamina B12 ou ácido fólico, bem como perturbações genéticas a este

nível180-184.

- Após bypass cardiopulmonar recente com circulação extra-corporal180,181,184.

- Durante ou imediatamente após uma pneumoencefalografia180,181,183,184.

- Mulheres grávidas durante o 1º trimestre da gravidez182.

- Traumatismo facial na área onde a máscara é colocada182.

-Pneumopericárdio; traumatismo craniano187-188. Precauções especiais de utilização

Protóxido de azoto (100%) (98%) Protóxido de azoto + oxigénio (50% + 50%)

- Não deve ser administrado em concentrações superiores a 70-75% (v/v), valores em que uma concentração de O2 mínima é assegurada (21%). Em doentes com a

oxigenação comprometida podem ser necessárias FiO2 a 30% (v/v) 180-184.

- Não é possível rejeitar completamente a possibilidade de que exposições crónicas a baixas concentrações de N2O possam estar relacionadas com o desenvolvimento

de neoplasias ou outras doenças crónicas, redução de fertilidade, abortos espontâneos e/ou malformações180.

- A PaO2 deverá permanecer >60mmHg (8,0kPa) com uma SpO2>90%. Deverá ser

feita uma monitorização regular da PaO2, SpO2 e avaliação clínica182.

- Evitar o uso de N2O em caso de sofrimento fetal181,183-185.

- O N2O não deve ser usado por períodos prolongados (nomeadamente aquando da

sedação em cuidados intensivos) devido aos potenciais efeitos sobre a vitamina B12-

metionina sintetase180. Em usos prolongados que excedam 6 h, deve-se ter em

consideração os potenciais efeitos sobre a vitamina B12-metionina sintetase.

- Concentrações (>50%) podem originar a perda dos reflexos laríngeos e redução do nível da consciência180. Concentrações superiores a 60-70% causam frequentemente

perda de consciência e aumenta o risco de perda dos reflexos laríngeos180.

- Caso surja uma cianose imprevista durante a anestesia, será imperativo interromper, numa primeira etapa, a administração de N2O, e se a cianose não

retroceder rapidamente, ter-se-á que ventilar o paciente181-185.Na eventualidade

de nova ocorrência, os tratamentos de anestesia na área de tratamento devem ser interrompidos e deve ser feita uma análise dos gases fornecidos pela válvula de ligação182.

- Não é recomendado durante os dois primeiros trimestres da gravidez180.

- Pode ser utilizado durante o aleitamento180,185.

Deverá ter-se especial cuidado:

- Em casos de insuficiência cardíaca - caso surja uma hipotensão ou insuficiência cardíaca durante a administração de N2O, deverá se interromper a administração

de N2O181-185.

- Na cirurgia dos seios perinasais e do ouvido interno181,183-185.

- Doentes hipovolémicos por motivo de choque ou de insuficiência cardíaca (hipotensão grave)182.

- Doentes com uma deficiência de vitamina B12 não medicada, anemia de biermer,

doença de crohn e vegetarianos; Doentes tratados com bleomicina; Anemia falciforme182.

- É administrado apenas a pessoas com respiração espontânea186.

- Durante a administração, a monitorização é essencialmente clínica. O paciente deve