6 Dagens situasjon
6.2 Veien til vedlikeholdskontrakt
Com o surgimento das novas tecnologias informacionais, as preocupações dos bibliotecários aumentaram consideravelmente, aliadas a elas, as preocupações éticas também se tornaram foco de análise e discussão.
Assim, as dimensões éticas relacionadas às novas tecnologias, no que tange às atividades informativas, têm sido o objeto de estudo de pesquisadores, tais como: Floridi (1999), Spinello (1999), Brey (1999), Buchanan (1999), Cohen (2000), Duncan (2000), Ford (2001), Tavani (2001), Couldry (2003) e Rochenbach e Mendina (2003).
Frente às novas tecnologias, os desafios profissionais relacionados à internet, ao acesso e recuperação da informação, à rapidez, às bases de dados e outros, demonstram que a dimensão ética da atuação profissional alcança novos aspectos, antes pouco ou até mesmo não caracterizados.
Essas discussões relacionam um agregado de preceitos éticos a serem discutidos e que devem envolver os profissionais bibliotecários em sua respectiva atuação com as atividades informativas.
Guimarães e Fernández-Molina (2003, p. 810) mencionam que a literatura internacional tradicionalmente tem focado os aspectos éticos na prática profissional em si mesma (má atuação, responsabilidade), na garantia de direitos específicos (privacidade, direitos de autor, liberdade intelectual, censura etc), nas atividades de busca e disseminação da informação e ao gerenciamento de unidades de informação (aspectos relacionados às políticas de formação e desenvolvimento de coleções).
Capurro (2004) realizou importantes indagações sobre os fundamentos filosóficos e éticos e suas raízes históricas ocidentais. Levando em consideração a filosofia ocidental e sua tradição, torna-se problemático em uma sociedade global afirmar que as bases éticas, particularmente a ética informativa, são as que podem ser aplicadas globalmente, principalmente se houver uma tentativa de criar um diálogo entre valores éticos e razões éticas num ambiente multicultural que é a internet.
De fato, seria presunçoso afirmar a superioridade da abordagem ocidental num ambiente multicultural como é a internet, devendo-se tomar conhecimento das diversas culturas existentes e suas próprias tradições históricas.
Então, a sociedade moderna pós-industrializada possui suas atividades diárias e suas interações sociais mediadas pela tecnologia da informação. Assim, a busca e a necessidade rápida por informação resultaram em um aumento dessa interação com a tecnologia da informação, o que também enseja reflexões éticas.
Floridi (1999, p. 37) relata que as teorias de padrão ético podem ser adaptadas para lidar com os problemas relacionados à ética computacional, e que qualquer entidade de informação é reconhecida como o centro de uma reivindicação moral mínima, e esse reconhecimento devia ajudar a regular a implementação de qualquer processo de informação que a envolva.
Para o autor, a ética informativa é uma perspectiva de se abordar, com perspicácia e discernimento adequado, problemas não só morais na ética computacional, mas também com alcance nos fenômenos conceituais e morais que formulam o discurso ético.
Brey (1999, p. 5) direcionou seus questionamentos para a tecnologia de realidade virtual, focalizando as opções de comportamento em tal ambiente. O pesquisador fez uma avaliação da moralidade do comportamento ‘imoral’ em realidade virtual, e da modelagem virtual de tal comportamento. Depois disso, discutiu os aspectos éticos que implicam um comportamento no mundo real e sua representação no mundo virtual.
Nesse aspecto, Ford (2001, p. 121) menciona que os meios informativos e interativos mais velhos como a televisão exercem sobre o público, de forma passiva, as ideologias.
Porém, os usuários de ambientes virtuais, interativamente, se submergem nas ideologias. Os ambientes virtuais, por natureza, são ideologias manifestadas, o que enseja maiores reflexões sobre os aspectos éticos e ideológicos propagados nessas novas esferas de interação.
Buchanan (1999, p. 200) estudou alguns aspectos significantes enfrentados pelos profissionais da informação, trabalhando principalmente com o mito do acesso global igualmente para todos. Ao descrever formas qualitativas de injustiças, como o imperialismo da informação e a discriminação das tendências culturais enquadradas nas atividades de catalogação e classificação, a autora sugere maiores atenções nas demandas de informação a partir de considerações éticas, discutindo também a disseminação da informação na internet.
A autora conclui que os princípios assegurados às nações garantem a especificidade cultural, e isso se reflete na transferência da informação em termos de acesso, disseminação, controle e construção de conteúdo, sendo que, “a era da informação guarda um grande potencial para unir pessoas e idéias diferentes; apesar disso, é imperativo salva-
guardar as exclusividades culturais e o microcosmo social que fornece às regiões do mundo a independência, liberdade de escolha e o livre acesso”.
Por sua vez, Cohen (2000, p. 35), refletindo sobre a cibernética24, procura argumentar que ela representa um desenvolvimento quantitativo no aumento da velocidade, na complexidade e no anonimato das comunicações, no imediatismo, na especificidade, e também na singularidade e proximidade de encontros cara a cara. Entretanto, como qualquer outra tecnologia informacional, ela é uma ferramenta, e por isso pode ser usada para o ‘bem’ e também para o ‘mal’.
Acontece que a manipulação sofisticada de informações e a transferência quase instantânea proporcionadas por essas tecnologias, oferecem uma oportunidade de mudanças na sensibilidade moral, de forma a alertar para as obrigações e responsabilidades inerentes a essas novas práticas.
Couldry (2003, p. 96) busca identificar, teoricamente, alguns assuntos éticos sobre o tipo de espaço no qual a Internet está se tornando. Esse debate ético pode enfocar em uma resposta que aponta se a Internet é, ou pode ser, em parte um espaço que pode contribuir para as condições da vida pública democrática.
No âmbito dessas discussões, dois periódicos internacionais, especificamente dedicados à questão ética – Ethics and Information Technology e Journal of Information Ethics – têm abordado tais questões relacionadas às novas tecnologias.
É possível perceber nas discussões internacionais que a inserção das novas tecnologias e, por conseguinte, o comportamento diante delas, exigiu reflexões éticas, em vários aspectos, como: comportamento no mundo real e no mundo virtual, questões de direito como o acesso à informação, a influência que tais mecanismos (por exemplo, a internet) têm exercido sobre a democracia e assim por diante.
Nesse sentido, Fernández-Molina et al. (2005, p. 178) introduzem que, “as novas tecnologias da informação e da comunicação, especialmente a internet, propiciam a ruptura de fronteiras territoriais, encurtando as distâncias entre os países desenvolvidos e os países em vias de desenvolvimento”.
Entretanto, essa proximidade espacial proporcionada não está isenta de usos inadequados, ou ainda, de distorções, uma vez que os ambientes virtuais proporcionam qualquer tipo de disseminação informacional em pouco tempo.
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Fernández-Molina et al. (2005, p. 178) lembram também que, “o problema da desigualdade de oportunidades para aprender e concretizar as inovações, devido ao desnível entre os indivíduos, organizações, regiões e países, parece residir na construção de uma sociedade baseada na informação que facilite o processo de construção do conhecimento”.
Em recente pesquisa, os autores analisaram os aspectos éticos das novas tecnologias da informação e comunicação, uma vez que os estudos já existentes estão mais voltados para a difusão da informação, deixando uma lacuna que é a do tratamento dessa enquanto atividade intermediária entre sua produção e seu uso.
Esse estudo, de natureza teórica e bibliográfica enfocou os artigos publicados na revista Ethics and Information Technology, de 1999 até 2004, verificando em algumas partes da estrutura textual desses artigos, menções sobre valores ou problemas de natureza ética, observando que, “a literatura científica sobre ética nas novas tecnologias, todavia, não tem muito claro as implicações nem o papel que as atividades de organização e representação do conhecimento exercem nesse contexto” (FERNÁNDEZ-MOLINA et al., 2005, p. 183).
Na pesquisa, o valor ético mais discutido foi a privacidade (com os problemas relacionados a sua violação, como a vigilância e o monitoramento), seguido da propriedade intelectual (abrangendo aspectos como sua limitação por meio do ‘uso restrito’, e as implicações da exclusão digital). Outros valores como a liberdade (e sua violação por meio da censura), a segurança e a responsabilidade (pelos conteúdos disponibilizados) são ainda discutidos (FERNÁNDEZ-MOLINA et al., 2005, p. 180).
Dessa forma, é evidente a necessidade de investigar o papel que o profissional da informação exerce nas atividades informativas, Fernández-Molina et al. (2005, p. 184) concluem que, “os profissionais da informação têm uma grande responsabilidade ética e, acima de tudo, devem ser críticos e conscientes do papel que desempenham no tratamento da informação em relação às novas tecnologias”.
No entanto, como ressaltam Fernández-Molina e Guimarães (2002) e Guimarães e Fernández-Molina (2003), se a literatura tem sido profícua com relação às discussões éticas no contexto das novas tecnologias de informação e comunicação ou mesmo em atividades de gestão e disseminação do conhecimento, tal não ocorre, com a mesma ênfase, nas atividades nucleares da Ciência da Informação, relacionadas à representação do conhecimento, como se verá a seguir.