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Dentre as quatro universidades participantes da pesquisa, três delas possuem a categoria de pré-incubação (a universidade privada confessional, a pública e a pública do interior de São Paulo), além de possuírem a categoria convencional (incubação). A universidade privada do interior de São Paulo possui apenas o programa de incubação. Segundo o coordenador, a incubadora não possui a modalidade de empresa pré-incubada por não possuírem um espaço adequado.

O programa de pré-incubação da universidade privada confessional é relativamente novo, tendo o seu inicio em 2009, logo após a constatação da necessidade de se criar um Núcleo de Inovação, sendo que uma das responsabilidades deste Núcleo é a gestão da incubadora de empresas.

Um dos objetivos do Núcleo é fomentar o empreendedorismo e, para que isto ocorresse, lançou-se o concurso de plano de negócios na universidade. No período de realização desta pesquisa, estava em andamento o sétimo concurso de planos de negócios.

Os alunos que participaram do concurso de plano de negócios e tiveram seus projetos selecionados, tinham uma vaga garantida no programa de pré-incubação da universidade. A intenção do núcleo é disseminar a cultura empreendedora entre os jovens, dando-lhes uma oportunidade de aliar a teoria vista em sala de aula com a prática na incubadora de empresas.

As etapas pelas quais os empreendedores devem se submeter ao identificarem um negócio são as mesmas citadas por Dornelas (2002). Ao enxergarem uma oportunidade de negócios, o empreendedor deve testá-la para avaliar sua viabilidade no mercado por meio da elaboração de um plano de negócios.

Conforme regulamento instituído pelo Núcleo, a participação no concurso de planos de negócios é permitida para os alunos de graduação e pós-graduação da universidade. Caso seja de interesse do aluno, ele pode formar uma equipe de, no máximo, quatro pessoas, desde que um dos integrantes esteja matriculado na universidade e este integrante fará o papel de líder do projeto junto à incubadora. Esta equipe deve elaborar um plano de negócio em que será desenvolvido um produto ou serviço inovador.

O concurso de plano de negócios é constituído por cinco etapas: (i) inscrição das equipes pela internet, (ii) presença no curso de capacitação, (iii) entrega do projeto, (iv) entrevista com as equipes e (v) assinatura do termo de compromisso.

Na primeira etapa, os alunos preenchem os dados dos componentes do grupo e encaminham uma proposta do projeto. Em posse desta proposta a incubadora realiza uma pré- seleção, tendo como base a avaliação técnica e comercial do resumo, assim como o caráter inovador da proposta.

A segunda etapa tem como objetivo ajudar os pré-selecionados a transporem a ideia da proposta entregue, em um plano de negócio estruturado. Para que isto aconteça, é oferecido um curso de capacitação de caráter obrigatório, que tem como objetivo ajudar os empreendedores na elaboração do plano de negócios.

Durante esta etapa, os empreendedores também têm à disposição plantões de dúvidas que os orienta na elaboração do plano de negócio. Este processo de elaboração do plano de

negócio gera um comprometimento das equipes quando estão analisando as informações, coletando os dados junto ao mercado, tornando os empreendedores mais experientes no que diz respeito às questões determinantes para a sobrevivência do seu negócio, como a concorrência e o mercado consumidor (SAHLMAN, 1999).

Na terceira etapa, as equipes devem entregar o projeto, em uma via impressa e uma via eletrônica, devendo seguir os seguintes padrões: (i) Sumário Executivo: objetivo, missão e fatores de sucesso; (ii) Sumário da empresa: composição da sociedade e instalações; (iii) Produtos e Serviços: descrição dos produtos ou serviços, vantagens e diferencial competitivo e operações; (iv) Análise de mercado: segmentação de mercado, necessidades, tendências e crescimento do mercado, necessidades e expectativas dos clientes; (v) Estratégia e Implementação: posicionamento, estratégia de marketing e vendas; (vi) Pessoas: equipe própria de gestão, necessidades adicionais e serviços terceirizados, projeção de custos operacionais em pessoal, (vii) Plano Financeiro: hipóteses preliminares, necessidade de capital e fontes de captação, projeção de lucros e perdas, indicadores financeiros. Caso não sejam seguidos os padrões citados, o projeto é desclassificado.

A quarta etapa é dedicada às entrevistas com as equipes que tiveram seus projetos selecionados, visando avaliar a inexistência ou existência de características empreendedoras nos membros das equipes. O propósito desta ação é, além de avaliar a viabilidade e inovação do plano, identificar se os membros da empresa possuem características que ajudarão na implementação e posteriormente, no sucesso do negócio.

Nesta etapa, os grupos também apresentam seus projetos para um júri composto por professores da universidade e convidados externos; e, de acordo com o regulamento da incubadora, a decisão deste júri é irrevogável. Após a decisão, a última etapa consiste na assinatura do termo de compromisso pelos empreendedores que tiveram seus projetos aprovados no concurso de plano de negócios, garantindo-lhes uma vaga na incubadora. A partir deste momento, os empreendedores passam a usufruir dos benefícios proporcionados pela incubadora de empresas por um ano e, após este período e se for de interesse do empreendedor, pode participar do processo seletivo e manter o vinculo como empresa incubada.

No que diz respeito aos programas de pré-incubação das universidades pública e pública do interior de São Paulo, são semelhantes ao que foi descrito da universidade privada confessional. Dentre as poucas diferenças, destaca-se que ambas não adotam um concurso de plano de negócios para selecionar os pré-incubados, podendo fazer parte da pré-incubação empreendedores que não possuam condições para iniciarem imediatamente seu

empreendimento e necessitam de ajuda para estruturar o plano de negócio. Estes empreendedores se tornam vinculados à incubadora e vão recebendo diversas orientações, como captação de recursos, parcerias para que consigam abrir a empresa, dentre outros.

Outro diferencial das universidades é que o empreendedor não precisa estar matriculado em um curso de graduação ou pós-graduação. O programa de pré-incubação é aberto ao público externo da universidade, desde que o empreendimento tenha potencial e seja inovador no mercado.