Nesse item serão abordados os resultados sobre os fatores que compõem o direcionador de gestão com o caráter descritivo e a finalidade de compreender a influência desse item no desempenho da industrialização do compensado.
Cadeia de Custódia
A Cadeia de Custódia (CoC) ou Standard for Chain of Custody Certification é uma das modalidades da certificação florestal, vinculada ao FSC. Dando continuidade ao processo de certificação da madeira, pois é a garantia de que matéria-prima utilizada são de origem de plantios certificados confirmando sua rastreabilidade (FSC,2011). Além disso, a CoC tem a finalidade de melhorar o sistema de gerenciamento da empresa como, por exemplo, no controle operacional e na segurança no trabalho.
As indústrias pesquisadas nenhuma detêm esse certificado, apenas uma mostrou interesse, mas esbarra na falta de mão de obra qualificada executar o processo e na falta de plantios certificados na região. Segundo o entrevistado, “não adianta investir nessa certificação se a madeira que trabalhamos não é certificada”, esse fator foi avaliado como desfavorável. Gerenciamento de Resíduos
A produção de compensado possui um alto grau na geração de resíduos, essa característica é relacionada ao processo de produção desse produto. Por se tratar de uma indústria de transformação, a classificação dos resíduos gerados é de acordo as normas ver Quadro 18.
Quadro 18 - Classificação dos resíduos sólidos segundo os riscos à saúde pública e ao meio ambiente Classificação Características Resíduos Perigosos Resíduos Classe I
Em função de suas propriedades físicas, químicas ou infectocontagiosas, pode apresentar risco à saúde pública, provocando mortalidade, incidência de doenças ou acentuando seus índices e riscos ao meio ambiente, quando o resíduo for gerenciado de forma inadequada ou por apresentarem as características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade ou patogenicidade.
Resíduos não Perigosos Resíduos Classe II Resíduos Classe II A inertes Não
Os resíduos podem ter propriedades, tais como: biodegradabilidade, combustibilidade ou solubilidade em água.
Resíduos Classe
II B Inertes
Quaisquer resíduos que, quando amostrados de uma forma representativa, segundo a ABNT NBR 10007, e submetidos a um contato dinâmico e estático com água destilada ou deionizada, à temperatura ambiente, conforme ABNT NBR 10006, não tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados as concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água, excetuando-se aspecto, cor, turbidez, dureza e sabor.
Fonte: ABNT (2004).
Os resíduos gerados na indústria de compensado têm a seguinte classificação: Resíduo Classe II A, e o seu gerenciamento adequado está previsto na lei n° 12.305/2010 que institui a Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS). Segundo os entrevistados, os resíduos gerados são consumidos na própria indústria na geração de energia, esse fator foi avaliado como neutro.
Emissão de Gases e Efluentes
Para as emissões de gases e efluentes, existem duas Resoluções do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) que são as de n° 382/2006 e 430/2011, respectivamente. Essas diretrizes baseiam os cuidados que as indústrias de compensado têm com esses poluentes.
Os gases são gerados na queima das caldeiras usadas na produção de energia e de vapor que alimentam os secadores de lâminas para atender aos níveis aceitos e recomendados
por órgãos fiscalizadores e, conforme informações dos pesquisados, são utilizados filtros instalados na chaminé.
Por outro lado, os efluentes são gerados durante o processo de cozimento das toras, esse processo libera um líquido de cor escura, semelhante ao chamado “licor negro”, produzido durante o branqueamento das fibras na produção do papel. Embora, em menor quantidade e menor o grau de toxicidade, ainda não se saber qual o seu nível de poluição em contato com o solo.
Nesse contexto, esse fator foi avaliado como desfavorável, no processo de industrialização do compensado, essa avaliação negativa é baseada no fato da ausência de fiscalização no controle de emissão de gases e efluentes. A falta de cobrança dos órgãos competentes junto as empresas, criam uma certa “zona de conforto” na qual os investimentos e o monitoramento nesses setores são escassos.
Resumo do Direcionador: Sustentabilidade Ambiental
Os indicadores de competitividade avaliados no direcionador da sustentabilidade ambiental foram: cadeia de custódia, gerenciamento de resíduos e emissão de gases e efluentes. Os valores calculados para esses fatores estão apresentados na Tabela 26 e representados no Gráfico 27.
Tabela 26 – Valores calculados para os fatores que compõem o direcionador de Sustentabilidade Ambiental na industrialização do compensado
Direcionador Fator Peso do
Direcionador
Peso do
Fator Avaliação Resultado
Sustentabilidade Ambiental Cadeia de custódia 20 30 -1 -0,600 Gerenciamento de resíduos 35 0 0,000 Emissões de gases e efluentes 35 -1 -0,700 Total 100 - -1,300
Gráfico 27 – Resultados da avaliação dos fatores que compõem a Sustentabilidade Ambiental
Fonte: Elaborado pelo autor. -2 -1,5 -1 -0,5 0 0,5 1 1,5 2
Cadeia de custódia Gerenciamento de resíduos Emissões de gases e efluentes
6.4 RESUMO DAS AVALIAÇÕES DOS FATORES E DIRECIONADORES DE COMPETITIVIDADE PARA A INDUSTRIALIZAÇÃO DO COMPENSADO
Esta seção apresenta as análises descritas na seção 6.3 e os valores estão descritos na Tabela 27.
Tabela 27 – Os valores calculados para os fatores que compõem os direcionadores do elo de industrialização do compensado
Direcionador Fator Peso do
Direcionador
Peso do
Fator Relevância Resultado
Ambiente Institucional
Barreiras não tarifárias
10 10 -1 -0,100 Taxa de câmbio 15 -2 -0,300 Taxa de juros 20 -1 -0,200 Inflação 15 0 0,000 Disponibilidade de crédito 10 -1 -0,100 Acesso ao crédito 15 0 0,000 Tributações 15 -1 -0,150 Total 100 - -0,850 Estrutura de Mercado Escala de produção 10 70 1 0,700 Concentração de mercado 30 -1 -0,300 Total 100 - 0,400 Estrutura de Governança
Relação com o fornecedor
15
50 1 0,750
Relação com o cliente 30 0 0,000
Forma de contrato 20 -1 -0,300 Total 100 - 0,450 Insumos e Infraestrutura Matéria-prima 20 40 1 0,800 Resina e extensores 10 0 0,000
Raio de suprimento da madeira 20 1 0,400
Condições das estradas 30 -1 -0,600
Total 100 - 0,600 Gestão Gestão de custos 20 40 -1 -0,800 Gestão da qualidade 35 -1 -0,700 Mão de obra 25 -1 -0,500 Total 100 - -2,000 Tecnologia Tecnologia de transformação 15 40 -1 -0,600 Pesquisa e desenvolvimento 10 -1 -0,150 Desenvolvimento de novos produtos 30 -1 -0,450 Transferência de tecnologia 20 -1 -0,300 Total 100 - -1,500 Sustentabilidade Ambiental Cadeia de custódia 20 30 -1 -0,600 Gerenciamento de resíduos 35 0 0,000
Total 100 - -1,300
Total 100 - - -
Fonte: Elaborada pelo autor.
Para melhor visualização do efeito agregado de cada direcionador neste diagnóstico a relevância e o peso que cada qual afeta cada direcionador de competitividade para o elo de industrialização do compensado, verifica-se abaixo (Gráfico 28).
Gráfico 28 – Direcionadores de competitividade que impactam o elo da industrialização do compensado
Fonte: Elaborado pelo autor.
O ambiente institucional, no geral, foi avaliado como desfavorável, isso demostra que os fatores macroeconômicos têm influência negativa no desempenho do elo de industrialização, assim como as políticas setoriais de crédito. Por fim, a carga tributária que incide sobre a transformação do produto é considerada alta, causando forte impacto no valor final do compensado.
A estrutura de mercado é considerada favorável na composição do elo, uma vez que esse fator apresentou valores positivos devido às empresas conseguirem manter suas escalas
-2,00 -1,50 -1,00 -0,50 0,00 0,50 1,00 1,50 2,00
de produção, no entanto, a concentração do mercado em poucos produtores de compensado resultou numa avaliação negativa desse fator.
A estrutura de governança caracteriza-se pela verticalização da madeira transformando-a em compensado e as relações com os fornecedores e compradores apresentarem valores positivos. Embora a forma de contrato foi considerada um fator desfavorável, conclui-se que a forma como as transações são realizadas atualmente não altera o desempenho da cadeia.
Entre os quatros fatores que compõem o direcionador insumo e infraestrutura, apena um, condições de estradas, apresentou um valor agregado negativo. No geral, a avaliação foi favorável, considerando que a matéria-prima (madeira) é encontrada a uma distância próxima às indústrias de compensado.
Por outro lado, os direcionadores de gestão, de tecnologia e da sustentabilidade ambiental foram avaliados entre desfavorável e muito desfavorável com destaque para a gestão que apresentou o menor valor.
O elo de industrialização do compensado, no geral, apresentou três direcionadores com valores agregados positivos e quatro negativos. Esse resultado indica que o processo de transformação de madeira em compensado precisa melhorar, as piores avaliações foram para a gestão e a tecnologia.