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8. LITTERATUR

9.0 VEDLEGG

O Pano Noroeste constitui um dos mais extensos tramos do sistema defensivo medieval de Barcelos, com aproximadamente 370 m de comprimento, percorrendo os quarteirões B-2, B-1 e C-1 (Figura 34).

Figura 34 - Localização do Pano Noroeste.

Este pano encontra-se delimitado, na extremidade norte, pelo ponto de inflexão situado no quarteirão B-2. Daí percorre o referido quarteirão, em direção a Sudoeste, passa pelo Postigo da Ferraria, e continuando pelo quarteirão B-1, atinge a Torre da Porta do Vale, terminando no ponto de inflexão com o Pano Oeste, já no quarteirão C-1.

O traçado deste pano da muralha no quarteirão B-2, é descrito por António Ferraz como seguindo em linha reta e paralelo à Rua D. António Barroso, até alcançar a Rua da Esperança – atual Travessa da Esperança – onde terminava numa outra torre e porta (Torre do Vale) (Basto, 1982). Por sua vez, Ferreira de Almeida (1990) especifica-o com mais pormenor, evidenciando que a partir do ponto de inflexão, onde faria um ângulo e “ inflectia para sudoeste, formando

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parede ou servindo de alicerce às casas que marginavam, no lado norte, um arruamento estreito que, por isso, se chamava, Rua de Trás ou Rua do Muro”.

Para além destas descrições, a confirmação deste traçado conta também com a informação fornecida pela planta militar de 1806.

Neste sentido, e com o objetivo de procurar os vestígios que atualmente ainda possam testemunhar o Pano Noroeste no quarteirão B-2, prospetámos as parcelas B2-03, B2-08 e B2- 11. De facto, pudemos observar que o traçado deste troço da cerca medieval se estenderia formando uma linha reta, disposição agora ocupada pelas fachadas da Travessa de Entre Muros, até ao local do Postigo da Ferraria (parcela PF-01). Esta abertura, datada de 1631 (Fonseca, 1938), constituiu um dos postigos adicionados à muralha no decorrer do século XVII, tendo sido demolido no século XVIII (Basto, 1982). Tal como o nome indica, permitia o acesso à zona da Ferraria.

Após o postigo, o traçado continuava de forma semelhante pelo quarteirão B-1, ainda que ligeiramente mais desviado em direção a poente. Neste quarteirão apenas pudemos registar as evidências físicas na parcela B1-17. No entanto, através do cruzamento dos dados identificados com a planta de 1806, foi possível confirmar o traçado proposto.

Na sequência do quarteirão B-1, o traçado passaria ainda pela Torre da Porta do Vale (parcela TV-01). Apesar de não existirem quaisquer vestígios materiais que permitam confirmar o local exato desta torre, Abade do Louro (1867) situou-a na sequência da rua da Esperança, hoje travessa da Esperança. No decorrer do século XIX, esta torre, tal como a rua a quedava passagem, era também designada como Torre da Esperança, como pudemos confirmar nas atas de vereação (Apêndice II, Transcrição Nº2, Fl. 68)

O traçado da muralha a partir da Torre do Vale, em direção a Oeste, desenvolvia-se pelos limites norte e Oeste do quarteirão B1 designadamente pelo limite da parte de trás das parcelas da rua do Poço e do largo da Fonte de Baixo. Da mesma forma, servia de delimitação ao atual logradouro de habitações que têm fachada para a rua Duques de Bragança.

Apesar da significativa ausência de vestígios específicos que confirmem o Pano Noroeste mas, tendo em consideração as referências da localização da Torre do Vale e dos vestígios do Pano Oeste, bem como a sua confrontação com os dados disponibilizados pelas referências bibliográficas e as fontes cartográficas, mas também a própria morfologia do edificado, o traçado proposto parece ser viável. Refira-se, igualmente, que o local não apresenta especificidades capazes de condicionar a implantação da estrutura.

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Por fim, no quarteirão C-1 foi identificar várias marcas e vestígios relacionados com o sistema defensivo medieval. De facto, para o Pano Noroeste, designadamente a partir da Torre do Vale, é evidente que uma parte considerável da estrutura defensiva se encontra demolida. Esta situação terá ocorrido, muito provavelmente, na sequência da intervenção urbana de 1857 (Basto, 1982; Fonseca, 1938), quando se abriu a ligação entre as ruas Duques de Bragança e Barjona de Freitas, como ainda é possível observar na planta de 1806. No entanto, entrando já na área abrangida pelo quarteirão, também não foi possível identificar qualquer vestígio do restante Pano Noroeste, bem como do ponto de inflexão com o Pano Oeste. Esta ausência leva-nos a considerar que a referida demolição possa ter provocado a destruição da estrutura dentro do quarteirão, o que não invalida, igualmente, a hipótese de que o pano da cerca medieval possa estar oculto pela atual massa de edificação que se regista no quarteirão C1. Não obstante, pudemos registar a existência de um conjunto de edificações, nomeadamente nas parcelas: C1- 02, C1-03 e C1-04, cujos paramentos parecem reproduzir o traçado da muralha, tal como o sugerido por Ferreira de Almeida (1990).

Figura 35 - Traçado do pano noroeste entre a parcela B2-03 do quarteirão B2 e a parcela B1-17 do quarteirão 17.

3.3.3.1. Postigo da Ferraria

Para além do percurso executado pelos panos de muralha, é inevitável termos em consideração as aberturas que permitiam a circulação entre o interior e o exterior do perímetro

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muralhado. No troço em causa, seguindo a ordem das zonas em prospeção, deparamo-nos com o local do Postigo da Ferraria, que não fazia parte das portas originais do sistema defensivo, tendo sido aberto em 1631 (Fonseca, 1938). Recorrendo à planta de 1806 pensamos que o postigo ter-se-á localizado na desembocadura norte da atual travessa da Ferraria, que permitia a ligação entre a antiga rua Direita (atual rua D. António Barroso) e a Travessa Entre Muros. Refira- se, contudo que durante a tarefa de prospeção não foram identificadas quaisquer evidências. Desta forma, tudo indica que o Postigo da Ferraria terá sido demolido no século XVIII, juntamente com o troço de muralha no enfiamento da atual Praça de Pontevedra, com esta última a ocupar um espaço exterior ao antigo perímetro amuralhado (Basto, 1982).

Figura 36 - Traçado da muralha entre a parcela B1-17 do quarteirão B1 e a parcela C1-04 do quarteirão C1.

3.3.3.2. Torre da Porta do Vale

Um dos objetivos da nossa análise passava, igualmente, por identificar algumas evidências relativas a uma das portas principais, a Porta do Vale, que estaria integrada numa torre (parcela TV-01). No entanto, pelo que foi possível apurar à superfície não conseguimos identificar vestígios passíveis de serem relacionados com uma estrutura deste tipo.

A Torre da Porta do Vale defendia uma das portas originais do sistema defensivo. A partir do século XVII conheceu uma utilização como lugar de culto, até ser demolida em 1796.

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A sua localização pôde ser obtida através do cruzamento do traçado do Pano Noroeste com a atual travessa da Esperança, local referido pelo Abade do Louro (1867) que referiu que a Torre da Porta do Vale permitia a ligação, em linha reta, entre o Largo do Apoio e a Rua da Barreta.

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