No dia 05 de novembro último recebeu Sua Santidade os membros da Associação italiana de mestres católicos, que comemoravam o primeiro decênio do sodalício. Pio XII dirigiu-lhes iluminadas exortações.
A intima alegria que nos advém, diletos filhos e filhas, de vos ver vindos em tão grande número à Nossa presença, para celebrardes o primeiro decênio da vossa Associação de Mestres Católicos, e a mesma de quem, após haver semeado no tardo outono e cultivado com alegre messe, e nas túrgidas espigas reconhece a certeza de um futuro melhor. /.../
Dez anos de trabalhos assíduos, de lutas vencidas, de conquistas alcançadas no árduo e delicado campo da educação, eis o precioso o dom precioso que hoje quereis oferecer ao Vigário de Cristo, o qual bem sabeis quanto tem a peito a infância e, por ela, a futura sorte da Igreja e da vossa Pátria. /.../
Corresponderão, no futuro, os Mestres católicos à Nossa ardente expectativa? Sem dúvida, visto disso haverem dado excelente prova no passado. De fato, à iluminada ousadia de um valoroso grupo de católicos de devem a primeira idéia e os primeiros passos da vossa Associação no principio de 1944, quando a guerra aidna flagelava o solo da Pátria. Apenas formada ela num todo compacto, quisestes receber de Nós as indicações de diretivas sobre os caminhos a seguir: coisa que com muito gosto fizemos na memorável Audiência de 04 de novembro de 1945, dia em que com filial pensamento quisestes estabelecer como data de nascimento da vossa Associação.
Dia fausto aquele, porquanto tudo o que então augurávamos e implorávamos do Divino Mestre Jesus, da dor de todas as graças, e pedíamos dos vossos esforços, tornou-se hoje uma esplendida e visível realidade. A Associação dos Mestres Católicos está agora organizada em todas as dioceses e províncias, com 1.310 secções, e com um número de sócios que atinge cerca de 80% dos mestres italianos. Isto, sem dúvida, porque em muitas categorias não há, como na vossa, tão completa sanidade moral e tão consciente seriedade de intentos, e também porque vossa Associação tem sabido operar indefessamente para reunir e conservar essas preciosas energias sob a bandeira de Jesus Cristo, único Mestre de grandes e pequenos. Tributamos louvores aos trabalhos por vós com tanta habilidade realizados para preparardes os propagandistas nacionais e periféricos para a formação religiosa e profissional de mestres, e não podemos calar a Nossa satisfação pela ação condigna e inteligente dirigida a obter os justos melhoramentos econômicos e jurídicos, não cedendo, todavia à sugestão
de uma fácil demagogia, sempre nefasta, especialmente no que concerne a escola. Fica assim, assinalado que a vossa presença numerosa e unida tem feito conquistar para os católicos a maioria absoluta em todas as assembléias de caráter eletivo. Por esse trabalho valiosíssimo exprimimos-vos a Nossa satisfação, e exortamos-vos a continuardes com o mesmo devotamento e com o mesmo ritmo, a fim de que, onde a infância da Itália passa os seus anos mais belos, resplandeça sempre a graça de Jesus, amigo das crianças.
Mas também quereis escutar uma palavra Nossa exortadora, com algumas simples e necessariamente incompletas reflexões sobre o que deve ser o mestre o sobre o que deve saber, quere e fazer para corresponder dignamente à alta vocação que lhe foi confiada.
1º E, antes de tudo: que deve ser o Mestre?
/.../ “Mestre” é o mais alto título que se possa dar a um ensinante; o seu oficio exige algo de mais elevado e de mais profundo do que o de quem simplesmente comunica o conhecimento das coisas. “Mestre” é aquele que consegue tecer relações de intimidade entre sua própria alma e a da criança: é aquele que se empenha pessoalmente a si mesmo a fim de dirigir para a verdade e para o bem a vida inexperiente do discípulo; numa palavra é aquele que plasma a inteligência e a vontade desta para, nos limites do possível, tirar daí um ser de perfeição humana e cristã. /.../
Os verdadeiros mestres devem ser homens completos e integralmente cristãos, isto é, imitadores do único Mestre Divino, Cristo Jesus.
2º Que deveis saber?
Não é de crer que, por serem pequenas as crianças, objeto da vossa obra educativa, possais contentar-vos com serdes medíocres humana e espiritual e moralmente. /.../ Do mestre pede-se, pois, a sabedoria ainda mais do que a ciência, a profundeza ainda mais do que a vastidão dos conhecimentos, e, sobretudo a ativa solicitude pelo futuro das crianças, não obstante o seu presente instável, de modo que àquele dirija ele todos os movimentos. O mestre é o bom semeador que lança a mancheias o trigo nos sulcos, escolhendo com sagacidade o tempo, o lugar e o modo, a fim de que nenhum grão se perca, mas sim cada um frutifique abundantemente.
3º Que deveis querer?
Como insinantes, (sic) deveis preocupar-vos com que as crianças adquiram todas as noções absolutamente indispensáveis à vida. Sereis, pois, fiéis aos programas estabelecidos, exigindo com doce firmeza que as crianças a vós confiadas os executem com diligencia segundo a sua capacidade. Como ensinantes católicos, preocupar-vos-eis particularmente com que a religião seja por elas aprendida de modo claro, orgânico e, portanto, vivo; sobretudo vivo, não só enquanto isso significa interesse pelo seu conhecimento, mas no sentido de que a religião é vida, isto é, fator indispensável para viver, quer como solução das incertezas e das dúvidas, quer como auxilio para vencer as lutas, hoje pequenas, amanha grandes. /.../ Como educadores católicos, enfim , deveis fazer todo esforço para que todos sejam bons cristão, e muitos tentem mesmo a
escalada do monte santo de Deus, incentivados e sustentados por vós, além de pelo sacerdote.
Documento 05 – Instalação da Universidade de Campinas. Revista da Universidade de Campinas. Ano III. Dezembro de 1955 – Março de 1956. Nº 8 e 09
Neste documento, transcrito do periódico local “A tribuna” encontra-se a lista das autoridades presentes na instalação da Universidade de Campinas, os discursos do Ministro da Educação e Cultura, Dr. Clóvis Salgado, do Senhor. Núncio Apostólico Dom Armando Lombardi, do Reitor da Universidade do Brasil, Dr. Pedro Calmon.
As 8 horas em ponto, estando a Igreja da Catedral de Campinas, ornamentada como em seus grandes dias e literalmente tomada pelo Cabido, Clero e Povo da cidade, o Exmo. Sr. Núncio Apostólico, em Campinas desde a véspera, iniciou a Santa Missa de Ação de Graças pela Instalação da Universidade. Ao evangelho S. Excia. se dirigiu aos presentes, congratulando-se pela vitória da Diocese e daqueles que vieram dirigindo, com dedicação exemplar, desde 1941, o desenvolvimento das Faculdades de Campinas. S. Excia., acentuou que o universitário jamais dever perder de vista, que seu ideal é o serviço da Pátria, da Cultura e da Religião.
O Coral Pio XI, executou, com brilho de sempre motetes sacros, sob a regência do Professor Jarbas Roweder, sendo organista o Professor Mário Gomos Tavares As 10 e 30 o Teatro Municipal de Campinas já se encontrava lotado, notando-se a presença de inúmeros alunos da Universidade. As frizas (sic) forma ocupadas pelos Catedráticos e Assistentes da Universidade, encontrando-se à direita os de Odontologia e Direito e à esquerda os de Filosofia, Ciências e Letras e Ciências Econômicas. Os professores presentes à Magna Assembléia Universitária, a primeira de Campinas assistiu e que no dizer unânime de todos, foi das solenidades mais brilhantes aqui realizadas, foram perto de 80, portanto, a quase totalidade do Corpo Docente da Universidade.
O Exmo. Senhor Ministro da Educação e Cultura, chegou, vindo de São Paulo, onde desembarcara em Congonhas, ás 11 horas, iniciando-se a Magna Assembléia ás 11 e 15 com a chegada do Exmo. Senhor Cardeal de São Paulo, Exmo. Sr. Núncio Apostólico e outros prelados. Em meio a rica ornamentação e a entusiástica palmas, o pano subiu, podendo-se notar no palco, umas 50 personalidades.
Documento 06 – Alocução do Santo Padre, Papa Pio XII, ao Movimento