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Vederlag for offentlig fremføring av lydopptak

In document Høring - forslag til ny åndsverklov (sider 77-94)

3. Grunnleggende bestemmelser om opphavsrett til åndsverk åndsverk

4.4 Vederlag for offentlig fremføring av lydopptak

A utilização de diversas formas de falar sobre calor e temperatura também é observada durante a aula do instrutor Silva, no curso de formação de oficiais do Bombeiro Militar.

Para discutir com os alunos sobre a evolução e a propagação das chamas durante um incêndio em um local fechado, o oficial Silva explica as fases de uma combustão:

Silva: Pois é / então vocês tem que ter em mente aqui é o seguinte // 1ª fase / rica em oxigênio 20 por cento / né(?) / então a chama vai ser viva // vai ter ali liberação de vapores / e a temperatura vai estar ali na faixa de uns 40 graus // 2ª fase / a quantidade de oxigênio baixa para 17% / baixa a intensidade da chama e a velocidade de combustão / e o calor continua aumentando / tranquilo isso(?) // a 3ª fase está ali entre 13 e 15 por cento / então ali há ausência ou quase nenhuma chama / e o calor acima de 300 - 400 graus / entre 300 - 400 graus / e a produção de vapores inflamáveis muita fumaça // e é o que eu falei com vocês aos 100 graus já fica difícil / só o pessoal lá do norte que consegue ficar em uma sauna a mais de 100 graus // e a 4ª fase que é abaixo de 13% de oxigênio / onde não há chamas / não há // é / é // há muita fumaça / a temperatura está a cima de 500 graus // 500 graus ou mais / e há o risco de explosão com a entrada de oxigênio Nessa situação apresentada pelo instrutor, o incêndio ocorre em um local fechado e pouco ventilado. À medida que o incêndio evolui, o oxigênio presente no ar desse ambiente vai sendo consumido e com isso sua quantidade vai diminuindo. Caso haja uma entrada súbita de oxigênio, com a abertura de uma porta ou de uma janela, pode ocorrer um backdraft. Segundo o Manual de Combate a Incêndios em Locais Confinados (2006):

Backbdraft: é a explosão ambiental provocada por uma ventilação

inadequada num ambiente com baixa porcentagem de oxigênio, que está repleto de produtos da combustão superaquecidos, oriundos da queima lenta ou da última etapa da queima livre [...]

Quando o nível de O2 cai abaixo de 15% as chamas, que até então eram

vivas, cessam e o fogo permanece em estado de latência, sendo que grande volume de monóxido de carbono (CO) é produzido. Contudo, o calor da queima livre e as partículas de carbono não queimadas permanecem no ambiente, bem como outros gases inflamáveis, produtos da combustão, que estarão prontos a incendiar-se rapidamente, assim que o oxigênio for suficiente, e com a entrada brusca do oxigênio, esse ambiente explodirá, o

que chamamos de “backdraft”. (MANUAL DE COMBATE A INCÊNDIOS, 2006, p. 25).

Outra situação de incêndio em local confinado ocorre quando há oxigênio suficiente para que se complete a combustão. Assim que os objetos presentes nesse ambiente atingirem a temperatura de fulgor, ocorrerá um fenômeno denominado flashover.

Flashover: é uma queima rápida dos produtos da combustão no ambiente

sinistrado ou num outro próximo, e durante o incêndio em um ambiente confinado, o calor é absorvido pelo teto da edificação e pelas partes mais altas das paredes e irradia-se para as partes mais baixas, aquecendo gradualmente os gases combustíveis que estão no ambiente, quando os combustíveis alcançam sua temperatura de ignição, o fogo toma conta de todo ambiente instantaneamente. (MANUAL DE COMBATE A INCÊNDIOS, 2006, p. 26).

Após a fala transcrita no trecho anterior, o instrutor Silva exibe um vídeo e apresenta as imagens a seguir, extraídas do vídeo, para exemplificar a ocorrência do flashover.

Figura 3 – Imagens da evolução de um incêndio e ocorrência do flashover

A seguir, o Oficial Silva faz a explicação do vídeo exibido, transcrita a seguir:

Silva: Vocês podem observar que na fase inicial da incubação // você vê que ela [a chama] ainda fica estática ali / fica restrita àquele pedaço mas depois que ela começa a pegar fôlego // começa a acumular energia calorífica aí já começa a espalhar // então / chamas vivas // a fase em que já deflagrou / começou a incendiar os objetos do lado // há acúmulo de material aquecido de gás aquecido no teto // daqui a pouco vai haver defecção das chamas // o que que é isso? / a chama ela vai começar a aparecer lá / a chama vai começar a bater no teto / vai começar / a temperatura muito alta / vai começar a fazer o que (?) / buscar a partícula que está em condição de ser / de entrar em combustão do outro lado // há acúmulo de calor nas quinas e nas pontas / daqui a pouco aquele objeto que está em cima daquela estantezinha naquela prateleira e já começou a desprender vapores e vai começar a pegar fogo também // observem o sofá / o abajur / já começou a desprender vapores da fase de / está entrando na fase de propagação / aí uma fase de pré-flashover / e o flashover em geral // Condições ideais né(?) / aumentou a velocidade da combustão / o acúmulo de calor / o local está fechado

Silva explica aos alunos as fases de propagação de um incêndio, até que ocorra o flashover.

4.2.1 Os modos de falar sobre calor

Podemos observar, nos trechos transcritos, que houve a utilização de diferentes modos de falar sobre o conceito de calor, que podem ser relacionadas às diferentes zonas de seu perfil conceitual.

A utilização de termos como “o calor continua aumentando” ou “há acúmulo de calor nas quinas e nas pontas” demonstra um uso substancialista desse conceito, ao tratar o calor como algo que é desprendido durante o processo de combustão e é capaz de ser retido no ambiente. O modo de tratar o incêndio como algo que pode “acumular energia calorífica” mostra um modo de falar que procura relacioná-lo à energia e, portando, ao tratamento científico. Na expressão “calor acima de 300 – 400 °C, entre 300 – 400 °C”, identificamos um modo de falar que trata o calor como sendo equivalente a temperatura elevada.

Outro modo de falar sobre calor que também é importante nessa comunidade diz respeito à visão de sensação térmica como medida de temperatura e de calor: “eu falei com vocês aos 100 °C já fica difícil / só o pessoal lá do norte que consegue ficar em uma sauna a mais de 100 °C”. Essa comunidade, durante o combate ao

incêndio, utiliza constantemente a percepção sensorial para avaliar o risco de aproximação das pessoas do local incendiado.

Outro modo de falar que chama a atenção nesse trecho diz respeito ao tratamento animista para a chama. O instrutor menciona que “a chama começa a pegar fôlego”; que “a chama vai começar a bater no teto” e “vai começar a buscar a partícula que está em condição de entrar em combustão do outro lado”. Nesses modos de falar, podemos identificar a chama como “algo vivo”, realizando ações e desejos.

No manual dessa comunidade, ao falar sobre o tetraedro do fogo e as fases do incêndio, também podemos destacar alguns modos de falar sobre o calor.

1- Combustível: é toda substância capaz de queimar e alimentar a

combustão, servindo de campo para a propagação do fogo.

Os combustíveis podem ser sólidos, líquidos ou gasosos, e a grande maioria passa para o estado gasoso para então combinar com o oxigênio. A velocidade da queima de um combustível depende de sua capacidade de combinação com o oxigênio sob a ação do calor e de sua fragmentação (área de contato com o oxigênio).

2- Comburente: é o elemento que possibilita vida às chamas e intensifica a

combustão. Normalmente este papel é desempenhado pelo oxigênio, portanto, em ambientes pobres de oxigênio, o fogo não tem chamas e a combustão é mais lenta, enquanto em ambientes ricos em oxigênio as chamas são intensas, brilhantes, com elevada temperatura e a combustão tem maior velocidade.

3- Calor: é o elemento que serve para dar início a uma combustão,

mantendo e aumentando a propagação. A temperatura de fulgor dos corpos varia de material para material, assim a gasolina vaporiza a temperatura muito baixa, enquanto que a madeira e o carvão exigem mais calor e assim sucessivamente, aumentando a quantidade de calor podemos vaporizar quase todos os combustíveis.

[...]

4- Reação em cadeia: A reação em cadeia torna a queima

autossustentável. O calor irradiado das chamas atinge o combustível e este é decomposto em partículas menores, que se combinam com o oxigênio e queimam, irradiando outra vez calor para o combustível, formando um ciclo constante. (MANUAL DE COMBATE A INCÊNDIOS, 2006, p.18-16, 21). Podemos observar que, embora se fale sobre o combustível e o comburente, definidos pela ciência como essenciais para uma reação química de combustão, essa comunidade incorpora ao processo de combustão a necessidade de existência do calor. Nesse contexto, calor é tratado como substância: “Calor é o elemento que serve para dar início a uma combustão, mantendo e aumentando a propagação”.

Fases do incêndio em local confinado

1) Estágio de crescimento ou fase inicial: [...] Nesta fase o bombeiro não será incomodado pelo calor do ambiente, porém, dependendo do combustível que está queimando, podem existir fumaça e gases nocivos. [...]

2) Estágio de pleno desenvolvimento ou queima livre: nesta fase, todo o local está em chamas e o fogo alcança a sua maior temperatura. [...]

Podemos, na prática, dividir a fase da queima livre em:

Suportável: é a etapa em que a queima livre não aqueceu o ambiente a

altas temperaturas e os bombeiros poderão entrar sem sofrerem danos oriundos do calor ambiental, utilizando o EPI (equipamento de proteção individual) para combate ao incêndio.

Insuportável : é a etapa onde a queima livre aqueceu o ambiente a

temperaturas tais que impossibilitarão a entrada dos bombeiros, mesmo utilizando EPI (equipamento de proteção individual) e EPR (equipamento de proteção respiratória).

3) Estágio de declínio ou queima lenta: nesta fase a porcentagem de oxigênio no ambiente é reduzida, o que levará a combustão a ter pouca ou nenhuma chama. O ambiente estará repleto de produtos da combustão que não se queimaram devido ao baixo nível de oxigênio, porém, estará superaquecido em decorrência do calor que foi gerado na fase da queima livre [...]. (MANUAL DE COMBATE A INCÊNDIOS, 2006, p. 22-25).

Nesse trecho, é importante destacar o uso da sensação térmica para a comunidade como importante fator para a avaliação da quantidade de calor. Na primeira fase do incêndio, menciona-se que o bombeiro “não será incomodado pelo calor do ambiente”. Já ao falar sobre o estágio de pleno desenvolvimento ou queima livre, essa fase pode ser subdivida em suportável ou insuportável, dependendo da quantidade de calor que “aqueceu o ambiente a temperaturas tais que impossibilitarão a entrada dos bombeiros”, mesmo com EPI (Equipamento de Proteção Individual).

Foi possível perceber para essa comunidade formas de falar que relacionam calor à sensação térmica, substância, temperatura e energia. Observamos ainda a utilização de conceitos animistas para descrever o comportamento das chamas.

4.2.2 As construções híbridas

As construções híbridas podem ser observadas em diversos momentos. Ao explicar sobre as fases de uma combustão, o instrutor associa o conceito de calor a modos de falar substancialistas e a altas temperaturas.

Calor continua aumentando / tranquilo isso(?) // a 3ª fase está ali entre 13 e 15 por cento / então ali há ausência ou quase nenhuma chama / e o calor acima de 300 – 400 graus / entre 300 - 400 graus /

O instrutor afirma que o calor continua aumentando naquele sistema, como um produto da combustão que fica ali armazenado, apresentando um tratamento substancialista para o processo. A temperatura é usada como sinônimo de calor.

Observamos nesse mesmo trecho o modo de falar sobre calor como sensação térmica, associando-o a altas temperaturas.

Aos 100 graus já fica difícil / só o pessoal lá do norte que consegue ficar em uma sauna a mais de 100 graus // e a 4ª fase que é abaixo de 13 por cento de oxigênio / onde não há chamas / não há // é / é // há muita fumaça / a temperatura está acima de 500 graus // 500 graus ou mais / e há o risco de explosão com a entrada de oxigênio

Em um mesmo episódio da aula, calor pode ser associado à substância, à temperatura e à sensação térmica.

O conceito de calor como energia também aparece associado ao conceito substancialista um pouco mais adiante nessa mesma aula:

Começa a acumular energia calorífica aí já começa a espalhar // então / chamas vivas // a fase em que já deflagrou / começou a incendiar os objetos do lado // há acúmulo de material aquecido de gás aquecido no teto

Aqui, o instrutor refere-se à energia. Contudo, fala também sobre o acúmulo de material aquecido no teto. Esse material aquecido, em outro momento, é tratado como o próprio calor, ou seja, uma substância.

4.2.3 As narrativas

Durante a aula, o Oficial Silva apresenta as fases da combustão e como se dá a propagação do fogo de forma narrativa. Ao contar essa história, o instrutor tem como objetivo explicar como um bombeiro deve avaliar a situação antes de começar a debelar o incêndio, ou mesmo abrir uma porta para a entrada de oxigênio. A intriga se dá em descobrir como uma chama passa de um local para outro sem o contato direto entre os objetos (flashover), ou como a entrada súbita de oxigênio é capaz de provocar uma explosão (backdraft). Para isso, o instrutor personifica a chama, a temperatura e até mesmo o calor. Ele chega a atribuir à chama e à temperatura características de algo vivo. O instrutor afirma que “a chama vai começar a aparecer

lá (do outro lado do ambiente), a chama vai começar a bater no teto. A temperatura muito alta / vai começar a fazer o que? Buscar a partícula que está em condição de entrar em combustão do outro lado. Há acúmulo de calor nas quinas e nas pontas.” A chama, a temperatura e o calor transformam-se em personagens da história. As ações da chama têm motivos e não ocorrem ao acaso, nem são determinadas por causa e efeito.

Há, além de um motivo para que esse discurso rompa o silêncio, uma intriga e uma violação da canonicidade: discutir a evolução de um incêndio em local fechado. Ao contar uma história, o instrutor exige do ouvinte uma interpretação e um julgamento daquilo que está sendo narrado. Além de ser apresentada uma sequência de eventos, há uma avaliação implícita dos eventos contados. Em situações práticas, o bombeiro precisa avaliar o local para tomar decisões sobre o melhor procedimento a ser executado: abrir ou não uma porta, por exemplo, para a entrada do ar. A intriga busca criar no aluno esse processo de tensão que existe nas situações práticas diante dessa escolha. A narração torna-se essencial para o instrutor extrair um sentido e uma representação daquilo que deseja compartilhar com seus alunos nessa aula.

Os “personagens” dessa história também aparecem como entidades causais (a transferência / “acumulo” de calor, variação da quantidade de oxigênio, aumento da temperatura do ambiente) e materiais (chama, fumaça, vapores quentes) para que o aluno compreenda como se dá a evolução e as fases de um incêndio.

Nesse contexto de formação, o objetivo do instrutor ao explicar as fases da combustão não é, como quando ocorre na educação básica, apenas compreender o processo de combustão. O objetivo é compreender os procedimentos a serem tomados, de maneira mais segura para a preservação da integridade física do sujeito, das vítimas e mesmo do patrimônio, quando do combate ao incêndio. A personificação do calor e da chama, nesse contexto, é importante para o sujeito identificar e compreender seu objeto de trabalho: o combate ao incêndio. O ato de contar uma história, além de envolver cognitivamente o aluno, permite partilhar experiências e já supor possíveis procedimentos e ações a serem tomadas. Por essa razão, podemos considerar que, neste contexto, ocorre uma aprendizagem situada.

Neste capítulo, buscamos apresentar como um problema prático enfrentado por cada uma das comunidades, técnicos em refrigeração e bombeiros militares , é estudado pelos alunos nos cursos de formação dessas profissões: (i) o funcionamento dos refrigeradores domésticos, para os técnicos em refrigeração e (ii) as fases da evolução de um incêndio, para os bombeiros militares. A partir do enfrentamento dessas situações, procuramos identificar: (i) Os modos de falar sobre calor, comuns e particulares, em cada comunidade. Foi possível identificar que ambas as comunidades utilizam, ainda que por diferentes razões, as noções de sensação térmica, temperatura, substância e energia para conceituar e operacionalizar o calor. Formas animistas de tratamento para o calor foram identificadas no discurso dos bombeiros militares associado à chama. Outra particularidade de utilização para o conceito de calor está associada à “carga térmica”, para os técnicos em refrigeração, e “tetraedro ou triângulo do fogo”, para os bombeiros. Esses usos serão discutidos no capítulo 5. (ii) Os discursos híbridos, em que mais de uma zona do perfil conceitual de calor é utilizada por ambas as comunidades. O conceito científico aparece sempre associado à utilização do calor como sensação térmica e/ou temperatura e/ou substância. (iii) O discurso narrativo, que mostra-se fundamental para a abordagem e enfrentamento dos problemas das comunidades.

No próximo capítulo, discutiremos a utilização das zonas do perfil conceitual de calor pelos sujeitos dessas comunidades, objetivo central desta pesquisa.

5 AS ZONAS DO PERFIL CONCEITUAL DE CALOR PARA BOMBEIROS

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