4.4 Evaluering av materialdata
4.4.4 Varmeutvikling
Qualquer indivíduo ou organização pode comunicar-se com a intenção de desenvolver cidadania. Entretanto, a comunicação com esse fim é dever do Estado (BERGER, 2006). Por meio das instituições públicas, o Estado tem o dever de transmitir informações ao cidadão para que ele possa exercer e gozar de todos os seus direitos – civis, políticos e sociais.
Por muitos anos, a evolução da sociedade tem estado amarrada à inovação (roda, fogo e máquinas, por exemplo) e ao uso de tecnologia de comunicação (telegrama, fax, telefone, televisão, dentre outros). Segundo Raboy (1999), muitos estudiosos têm descrito as sucessivas fases da história humana por meio do papel singular dos sistemas de comunicação que as caracterizam.
A ascensão e queda do Estado do Bem-Estar Social, por exemplo, podem ser entendidos – tanto quanto tipificados – pela questão urgente, crescente e momentânea de regulação nacional dos sistemas de comunicação de massa, inseridos nos monopólios de serviço público e disseminação. Em muitos aspectos, a história desses sistemas é a história do Bem-Estar Social. Com o surgimento do Estado do Bem-Estar Social, as instituições de serviço público e o setor privado de regulação têm se apresentado como as legítimas entidades para expressar os desejos públicos, tão bem quanto como agente de intervenção regulatória em prol do interesse público. Assim, o Estado do Bem-Estar Social é relativamente fraco em lugares onde o desenvolvimento da mídia deixou as ações regulatórias nas mãos das forças de mercado; por outro lado, onde a mídia desenvolveu-se sob o controle de
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uma autoridade estatal, o domínio econômico evitou o desvio dos bens e serviços prometidos pelo Estado do Bem-Estar Social (Ibid, p.293). 27
Um insumo da comunicação é a informação que gera conhecimento. Na era da economia digital, ela é o recurso mais estratégico de qualquer organização e, por sua vez, a comunicação é, sem dúvida, um dos processos mais importantes, porque é por meio dela que a informação é transmitida, disseminada e transformada.
A comunicação é um processo que envolve pessoas. Significa dizer que as pessoas codificam informações e transmitem-nas para os outros, que as recebem e decodificam. Dentro das organizações, transmissores e receptores de mensagens são, também, usuários (consumidores) de informação, pois são responsáveis por identificar informação e conhecimento individuais e por transformá-los em recursos organizacionais.
No contexto da comunicação da informação em comunidades, esta pesquisa propõe ampliar o universo de comunicadores: todos os cidadãos, membros de uma comunidade, são usuários (consumidores) de informação e, em função disso, precisam ser capazes de identificar, produzir (explicitar), acessar e usar as informações de que precisam; eles também interagem entre si (comunicação multidirecional) a fim de compartilhar experiências, criar novos significados, tomar decisões e solucionar problemas. Isso porque, na ótica de cidadania, o cidadão é (ou deveria ser) um membro ativo da comunidade, comprometido e engajado criticamente aos projetos sociais. Esse cidadão conhece, melhor que qualquer outro indivíduo, a realidade do local onde vive e, ao participar do processo de gestão popular, pode contribuir efetivamente para definição de políticas e processos de operacionalização, monitoramento e controle das ações de sua comunidade e na interação desta com outras entidades governamentais e do terceiro setor.
Ao formar e habilitar o cidadão a manusear informação e conhecimento, em seu proveito ou em prol do social, é possível fortalecê-lo, tornando-o um agente poderoso de desenvolvimento no seio de sua comunidade. Trata-se de uma tarefa difícil e complexa, mas que trará vantagens para todos (CHAHIN et al., 2004): aos indivíduos porque, capacitados para usar informação, tornam-se produtivos, conquistando autonomia, emancipação e dignidade; às organizações porque, ao contar com indivíduos capacitados, estarão mais
114 preparadas para inovar e absorver as mudanças do ambiente; aos governos, nações e sociedade, porque estarão promovendo justiça e desenvolvimento econômico e social.
A revolução tecnológica, notadamente na área de telecomunicações, quando levada a sério, segundo Castells (2003), pode oferecer importantes e consistentes subsídios para que cada indivíduo possa construir sua identidade e cada sociedade possa contribuir para a construção de um mundo melhor. Um mundo onde injustiças são corrigidas, preconceitos são abolidos e diferenças são respeitadas. Devido à grande penetrabilidade da informação, mediante o uso da tecnologia, é possível analisar a complexidade da nova economia, sociedade e cultura em formação. A partir de uma análise complexa, é possível chegar a soluções multidimensionais.
Marteletto afirma que é importante transportar “os atores sociais do simples papel de receptores e espectadores para de sujeitos da informação e conhecimento” (2005, p.4). A autora defende que o conhecimento na sociedade compreende saber científico e social. Este último “é cada vez mais valorizado como forma complementar dos saberes especializados para dar curso e influir na formulação e implantação das políticas” (Ibid, p.5). Os cidadãos, como detentores do saber social (práticas e experiências) precisam participar ativamente desse processo de comunicação das organizações públicas.
Dagnino observa que o processo de construção democrática enfrenta, no Brasil, dois dilemas. O primeiro em função “do alargamento da democracia, que se expressa na criação de espaços públicos e na crescente participação da sociedade civil nos processos de discussão e de tomada de decisão relacionados com as questões e políticas públicas” (2004, p. 95). Conjugada a essa crescente participação social está o segundo dilema, que é a tendência global de adequação das sociedades ao modelo neoliberal produzido pelo Consenso de Washington, no qual se defende um Estado mínimo, que se isenta de seu papel de garantidor de direitos. Esses dois dilemas, apesar de antagônicos, apontam para uma sociedade civil ativa e propositiva. A autora assevera que o reconhecimento desses dilemas impõe inflexões sobre a construção democrática do Brasil, as relações entre Estado e sociedade civil, a constituição de espaços públicos e a definição de sua dinâmica de funcionamento, para que a participação da sociedade consolide-se e torne-se efetiva.
A redefinição do conceito de cidadania, formulada pelos movimentos sociais, expressa não somente uma estratégia política, mas também uma política cultural (DAGNINO, 2004): a chamada nova cidadania ou cidadania ampliada. Um primeiro ponto
115 dessa concepção de cidadania é uma redefinição de direitos, cujo ponto de partida é a concepção de um “direito a ter direitos”. Inclui os direitos outorgados que estão apenas no papel e, ainda, aqueles outros que surgem de lutas específicas e práticas concretas – direito à autonomia sobre o próprio corpo, direito à proteção do meio-ambiente e direito à moradia. Um segundo ponto é que a nova cidadania não está ligada às classes dominantes e ao Estado, com estratégias que excluem gradualmente os menos favorecidos. “É uma estratégia dos não cidadãos, dos excluídos, uma cidadania “desde baixo” (Ibid, p.104). Um terceiro ponto é que a nova cidadania transcende a referência da cidadania atual, visto que esta reivindica acesso, inclusão e pertencimento a um sistema político, enquanto aquela reivindica o direito de participar da própria definição desse sistema.
Segundo Pinheiro e Loureiro (1995), a interação social, conjugada à comunicação e tecnologia, são fenômenos importantes para garantir o desenvolvimento da cidadania que, por sua vez, pressupõe o desenvolvimento de habilidades e competências no indivíduo, para que ele possa exercer plenamente seus direitos e deveres sociais. Freire (2007) afirma que o exercício da cidadania exige mudanças no indivíduo fundadas na ética, no respeito à dignidade e em sua própria autonomia. O cidadão autônomo possui habilidades e capacidades para fazer escolhas, decidir e criticar, podendo intervir ativamente na ordem social para mudá-la ou redirecioná-la ao bem comum.
Mendonça e Miranda (2006) asseveram que saber utilizar a informação é fator determinante no exercício da cidadania e inclusão social. Nesse sentido, a outorga da cidadania não é, tão somente, um ato formal que se dá pelo registro documental do indivíduo em uma nação, mas deve se configurar, principalmente, pela formação do indivíduo para que o mesmo tenha acesso à informação e possa usá-la para seu desenvolvimento, autonomia e bem-estar. Mendonça (2008) firma uma posição importante para sinalizar e fundamentar as premissas para a construção de um novo processo de comunicação para a cidadania, que leve em conta questões de inclusão digital.
O modelo de comunicação da informação em comunidade deve considerar o aspecto multidimensional, dinâmico e, portanto, complexo proveniente da interação entre seus membroe e destes com as organizações. A comunicação, nesse sentido, precisa ser multidirecional para promover a integração e um melhor e mais efetivo relacionamento. Kunsh afirma que “o processo de comunicação interno, que esteja em sintonia com o sistema social mais amplo, propiciará não apenas um equilíbrio como o surgimento de mecanismos
116 de crescimento” tanto coletivos como individuais (2003, p. 71). O modelo de comunicação multidirecional, com utilização de mídias integradas, possibilita um diálogo efetivo entre os participantes. Essa integração rompe com a unidirecionalidade da comunicação tradicional, pois, além da comunicação bidirecional, abre um canal multidirecional, possibilitando a troca de muitos para muitos (GOMES et al., 2002).
O modelo de comunicação da informação em comunidade deve também ser interativo. Lévy (1996) diz que a inteligência é resultado de redes complexas, nas quais interagem um grande número de atores humanos. É um processo construído pelas heranças culturais, sociais e educacionais, aliado a métodos e tecnologias intelectuais. Nesse sentido, não se pode ignorar a formação dessas redes complexas e, assim, deve mudar a comunicação deve privilegiar o diálogo, que significa a relação de comunicação horizontal, contrária à comunicação unidirecional usada tradicionalmente. A criação de espaços de diálogo, físicos ou virtuais, pode promover aprendizagem e, assim, contribuir para o crescimento do cidadão e da sociedade.
Maturana e Varela (2001) consideram que a interação entre as pessoas provoca mudanças estruturais e, por essa razão, quando bem “manipulada” pelos gestores tornam-se uma importante ferramenta para direcionar as pessoas aos objetivos e às mudanças. Já Coutinho (apud SANTOS, 2006) observa que a interação provoca a troca de informações e conhecimentos. Também nessa perspectiva, ela transforma-se em uma preciosa ferramenta de gestão, no processo de disseminação.