4. Energibesparende tiltak
4.6 Varmepumper
A pesquisa e a coleta de dados referentes aos manuais didáticos foram realizadas em dois momentos: o primeiro foi de identificação dos manuais citados em dissertações e teses e o segundo foi de localização dos exemplares59.
No levantamento inicial, consultei a pesquisa de Claudinei Lourenço (1996), que, em sua dissertação, relacionou cinquenta manuais didáticos de Geografia do século XIX e o livro de Elomar Tambara (2003), onde o autor catalogou cento e sete títulos, considerados, manuais escolares, e que avaliei como de Geografia. Com a listagem prévia das primeiras referências, busquei os manuais nos acervos das bibliotecas e arquivos. Entre estes, investiguei o banco de dados do projeto LIVRES do Centro de Memória da Educação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP-FEUSP); no acervo da biblioteca virtual Manes e das bibliotecas digitais do Senado Federal do Brasil, Biblioteca Nacional de France – Base Gallica (BNF), Biblioteca Nacional de Portugal, Coleção Brasiliana da USP; Coleção Brasiliana da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade de Campinas (UNICAMP); Biblioteca do Museu Imperial de Petrópolis; Biblioteca Luiz de Bessa (acervo
59
Com essa opção é provável que tenha omitido títulos que foram mencionados em outros trabalhos. Os manuais utilizados nesta tese denominados localizados foram consultados e analisados, por esse motivo, distingui-os dos
identificados, aqueles citados em outras pesquisas, mas que não foram por mim localizados. Durante a pesquisa,
identifiquei, nas referências de outros autores, cerca de trinta e dois títulos, no entanto, não foi possível acessá- los.
de obras raras) e Biblioteca Nacional (Fundação Biblioteca Nacional – FBN); o Núcleo de Memória do Colégio Pedro II (NUDOM); e Arquivo Público Mineiro (APM).
Em 2012, através da tese de doutorado de Jeane Medeiros Silva, que catalogou cento e quarenta e cinco obras, pude acrescentar novas referências a minha listagem de pesquisa inicial. Então percebi que muitos manuais didáticos que constavam dos catálogos bibliográficos tinham informações incompletas, com títulos repetidos ou mesmo sem indícios de existência. O que se confirmou após identificar uma dezena de manuais didáticos registrados em catálogos e obras de referência, a exemplo de Sacramento Blake60 (188361), que apresentava informações de títulos inexistentes ou de autoria duvidosa, quando comparados aos registros das bibliotecas e aos próprios manuais escolares localizados. Como várias dessas informações foram utilizadas em inventários e pesquisas posteriores, observei que os equívocos se repetiam. Muitas vezes a alteração de apenas uma letra no nome do autor causava divergência ou mesmo a segunda edição de um mesmo manual que era contada como outro título. Os equívocos mais frequentes, no entanto, são referentes à duplicidade de títulos estrangeiros que foram traduzidos. Em muitos casos, apareceu a obra relacionada com nome do autor original e a mesma obra com nome do tradutor. Aconteceu também duplicidade quando a obra foi ampliada ou editada após a morte do autor. Os continuadores emprestavam seus nomes para garantir que o manual fora devidamente atualizado e, com isso, alguns pesquisadores, ao relacionarem as obras, incluíam os continuadores como os principais e únicos autores dos manuais didáticos. O que aconteceu com Luiz Leopoldo Fernandes Pinheiro Junior62, responsável por atualizar as obras do seu tio Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro Junior e do Dr. Joaquim Maria de Lacerda. Constatei ainda que o uso de pseudônimo por parte de alguns autores também gerou duplicidade de títulos. Foi o caso, novamente, do cônego Joaquim Caetano Pinheiro Junior, que escrevia com codinome Estácio de Sá e Menezes.
Um exemplo significativo de omissão de uma letra e o que provocou um equívoco, uma “injustiça” histórica repetidas vezes, foi referente ao manual escolar de Luiza Candida de
60
Augusto Victorino Alves Sacramento Blake nasceu em Salvador no ano de 1827. Foi médico, biógrafo e historiador. Publicou artigos nos periódicos Ateneu, Guaicurú, Mosaico, Crepúsculo, Noticiador Católico, Borboleta (de cuja redação fez parte) e no Marmota da Bahia. Era membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Academia Cearense de Letras e de out ras associações culturais.
61
E, nos volumes editados em 1893,1895, 1898, 1899, 1900 e 1902. 62
Luiz Leopoldo Fernandes Pinheiro Junior, além de filho de Luiz Leopoldo Pinheiro, era sobrinho e afilhado do Cônego doutor Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro. Nasceu em Campos em 13 de maio de 1855. Exerceu o magistério em Niterói, onde lecionou português e francês. Corrigiu e ampliou os manuais didáticos do seu tio e do doutor Joaquim Maria de Lacerda.
Oliveira Lopes63, Lições de geographia particular do Brazil (1877). Esse manual foi registrado nos Annaes da Bibliotheca Nacional do Rio de Janeiro 1881-1882 e no Catálogo
da exposição de história do Brasil, organizado por Ramiz Galvão64, em 1881, como de autoria de Luiz Cândido de Oliveira Lopes.
Em 1899, Sacramento Blake fez a correção quanto ao gênero, porém, equivocou-se no sobrenome e registrou o manual como de autoria de:
D. Luiza Carolina de Araujo Lopes — Diretora do colégio de educação para o sexo feminino que funcionou na rua Marquez de Abrantes com o titulo de Colégio de Santa Luzia, escreveu: - Lições de Geografia particular do Brasil (Rio de Janeiro [?]) 1877, in-8º - Acompanha este trabalho um lindo mapa do Brasil. (SACRAMENTO BLAKE, 1899, p. 484, vol. 5).
Tambara (2003, p. 158), Jeane Medeiros Silva (2006; 2013) e Alexandra Silva (2008), repetiram esse equívoco que, por sua vez, foi repetido por outros autores. No caso de Tambara, o autor relacionou como dois manuais um de autoria de Luiza Candida de Oliveira Lopes e outro com o mesmo título foi atribuído a Luiz Candido de Oliveira Lopes.
Com o intuito de corrigir e dar visibilidade a um livro didático de autoria de uma professora, apresento, a seguir, a foto 1 que registra a contracapa de Lições Geographia
particular do Brazil.
63
Consta que Luiza Candida de Oliveira Lopes foi professora primária na Província do Rio de Janeiro. 64
Benjamin Franklin Ramiz Galvão nasceu no ano de 1846, em Rio Pardo, Rio Grande do Sul, e faleceu no Rio de Janeiro, em 1938. Foi ensaísta, filólogo, orador, médico, bacharel em Letras, membro da Academia Brasileira de Letras, sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, sócio fundador do Instituto dos Bacharéis em Letras. Foi diretor da Biblioteca Nacional, onde publicou anais e inúmeros catálogos para exposições internacionais.