Década de 1800 1 0,72% Década de 1810 1 0,72% Década de 1820 4 2,87% Década de 1830 10 10,20% Década de 1840 5 3,60% Década de 1850 14 10,07% Década de 1860 15 10,89% Década de 1870 24 17,26% Década de 1880 47 33,81% Década de 1890 18 12,9% Total 139 100,00%
Fonte: Elaborado pelo autor.
Aproximadamente 62% dos manuais didáticos de Geografia do século XIX foram publicados entre os anos de 1850 e 1890 (QUADRO 3). Nesse período, ocorreram as grandes transformações políticas, sociais e econômicas no Império, em âmbito nacional e regional: O fim de um conjunto de revoltas populares nas províncias79, que favoreceu a consolidação da unidade territorial do Estado brasileiro, e a proibição do tráfico de escravos que abriu novas possibilidades de investimento em mão de obra incentivada pela política de imigração de outras nacionalidades no Brasil, segundo estudos de Leslie Bethell (2012). No plano econômico, proveniente da produção cafeeira, a principal matriz modernizadora, concentrava- se no Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, não só o poder político, mas o financeiro. Os
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A última grande revolta de uma província foi a revolta Praieira que ocorreu entre 1848-1850. No período regencial (1831-1840), grandes províncias separaram-se do Brasil: a Bahia (1835), Pará (1835-1840) e Rio Grande do Sul que proclamou uma República que se manteve independente até 1845, conforme Naiemer Ribeiro de Carvalho (2012) e Sérgio Buarque de Holanda [et al] (2004).
efeitos da modernização com a abertura da primeira estrada de ferro (1854) e da instalação do cabo telegráfico que ligou o Brasil à Europa (1874) são exemplos das transformações, que se operaram no território brasileiro na segunda metade do século XIX.
As províncias também foram beneficiadas com o processo modernizador em curso, especialmente com os investimentos estrangeiros com a instalação dos bancos comerciais. Segundo Marcelo de Paiva Abreu e Luiz Aranha Correa do Lago (2010), entre 1865-1885, o investimento no Brasil triplicou e quase 80% do capital investido, sobretudo de capital inglês, foi destinado à construção da rede ferroviária brasileira. Podem ser identificados quatro empreendimentos ferroviários de impacto nas províncias do nordeste e no sentido sudeste-sul do Brasil: a Estrada de Ferro Recife ao São Francisco (1858), a Estrada de Ferro Bahia-São Francisco (1863), A Estrada de Ferro Minas-Rio (1884) e a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí (1867), que foram fundamentais para a expansão da fronteira agrícola no interior de São Paulo e Paraná. Também houve investimento em serviços urbanos: linhas de transporte, água, gás e esgoto no Rio de Janeiro; gás, em Salvador, São Paulo, Santos, Fortaleza, Belém e Porto Alegre.
Esses fatores econômicos foram responsáveis pelo aumento da força de trabalho e da classe média urbana, conforme Emília Viotti da Costa (2010), e pela ampliação do mercado consumidor, que consequentemente favoreceu o mercado editorial de livros. Mercado esse que já vinha sendo estimulado pelas instituições culturais do império, com destaque para os liceus e colégios que indicavam as obras que deveriam ser utilizadas em seus programas de estudos. E, pelas próprias casas editoras que atraiam seus leitores com os seus catálogos, nos anúncios, nos jornais ou em táticas comerciais consideradas ousadas para o período. Alessandra El Far (2010) demonstra, por exemplo, as estratégias e capacidade empresarial de David Corazzi, livreiro-editor da Biblioteca do Povo e das Escolas, em colocar no mercado publicações de interesse geral e de divulgação científica, de acordo com Gisele Martins Venancio (2012), com preços baixos.
Além de classificar os livros didáticos por período em que eles foram publicados, ordenei as obras também por tema. Registrei, portanto, a maior ocorrência temática de manuais referentes à Geografia do Brasil ou do Império brasileiro, com 40%, das publicações, seguido do tema referente à Geografia ou Corografia das províncias, que contam com 25 manuais, o equivalente a 25% do total.
O gráfico 1, a seguir, ilustra a distribuição dos títulos dos manuais escolares de Geografia do século XIX:
Gráfico 1 ─ Títulos dos manuais didáticos de Geografia
Fonte: Elaborado pelo autor.
Esse panorama (GRAF. 1) serve para nos oferecer uma ideia inicial de como a Geografia era conhecida ou apresentada nas escolas secundárias, primárias e normais durante o século XIX. É indispensável, entretanto, destacar que a Corografia tinha o objetivo de descrever o Brasil e as províncias, no que tange aos aspectos físicos, humanos, cronológicos e históricos, e era composta, portanto, por saberes ditos históricos e geográficos. A narrativa cronológica permitia trazer o estatuto jurídico à ideia de Brasil para apresentar, em seguida, os contornos territoriais e os elementos naturais do território, o que Demétrio Magnoli (1997) definiu como “O corpo da pátria”. Com esses dados quantitativos, já se pode questionar, ao menos, no que trata dos manuais didáticos de Geografia, a afirmativa de Veríssimo Pereira (1906) de que a Geografia no Império era dedicada exclusivamente aos estudos da Europa.
Com relação à autoria, verifiquei se quem escrevia eram brasileiros ou estrangeiros e se as obras eram traduzidas, bem como a ocupação de seus autores.
Para pesquisar a autoria dos manuais didáticos e investigar a profissão ou ocupação dos autores, utilizei as informações que constavam nos próprios manuais ou as referências dos dicionários bibliográficos em teses e dissertações que mencionavam ou eram dedicadas aos autores. A partir de então, classifiquei em quatro grandes grupos. No primeiro grupo, há aqueles relacionados diretamente ao ensino, ou seja, professores ou lentes, diretores e fundadores de escola. No segundo, relacionei os profissionais liberais de formação acadêmica: advogados, médicos e engenheiros. No terceiro, políticos e militares, entre eles, constam deputados, senadores e militares de alta patente. E, por fim, no quarto grupo, sócios, membros