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De acordo com Nunes (2009), a Corporação Britânica de Radiodifusão – BBC (British Broadcasting Corporation) começou a promover curso para a educação de adultos, por meio do rádio, em 1928. A partir daí outros países passaram a incorporar essa tecnologia da comunicação para a educação. O grande impulso, a partir da metade da década de 1960, ocorreu com a institucionalização de várias ações no ensino secundário e superior, começando pelos países da Europa e se expandindo para outros países como o México, a Coréia do Sul e a Austrália.

Dentre essas experiências, destaca-se a School Of the Air, criada em 1956 na Austrália (NUNES, 2009), para a alfabetização de crianças que moravam em regiões afastadas, onde não havia demanda suficiente para o estabelecimento de uma instituição convencional. A Figura 3 representa um aluno que, por volta da década de 1970, sob a supervisão de um adulto, estudava por meio de aulas transmitidas pelo rádio e acompanhava o material didático impresso, enviado por correspondência.

Figura 3 – Shool of the air, Austrália

Fonte: Wikipedia. Disponível em:

<https://en.wikipedia.org/wiki/School_of_the_Air>. Acesso em 15.07.15

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Como curiosidade, destaca-se que Martin Dougiamas, o fundador e desenvolvedor da plataforma Moodle, conforme dados obtidos no site dessa organização, cresceu no interior da Austrália no final dos anos de 1970, e foi aprendiz da School of the Air, o que lhe deu uma visão sobre o ensino a distância. Somada à sua experiência profissional com a plataforma WebCT, na Universidade de Curtin, foi possível desenvolver nos anos 2000, a plataforma virtual de aprendizagem mais utilizada no mundo atualmente.

Nunes (1993) relata que, durante a segunda guerra mundial, com a necessidade de rápida capacitação dos recrutas norte americanos, surgiram novos métodos de ensino, como o que foi criado pelo cientista e educador Fred Simmons Keller (Figura 4), que por meio de transmissão de rádio ensinava os recrutas a decifrarem o código morse. Na Figura 5, registra-se uma comunicação por meio do código morse. Kerbauy (1996) afirma que o método de Keller foi baseado na sua experiência de telegrafista e no seu conhecimento em aprendizagem. O sucesso do seu método foi reconhecido e aplicado em tempos de paz, para a integração social daqueles que foram atingidos pela guerra, e para o desenvolvimento de novas habilidades e da capacitação rápida de profissionais que migravam do campo para as cidades em reconstrução na Europa.

Figura 4 – Fred Simmons Keller Figura 5 – Código Morse

Fonte Figura 4: UFRGS. Disponível em: <http://www.if.ufrgs.br/fis/image/photokeller.gif>. Acesso em 02 ago. 2015.

Fonte Figura 5: John Roach. Disponível em: <http://johnroach.info/2015/05/11/morse-code-with- python/>. Acesso em 02 ago. 2015.

Freitas (2005, p. 60) reflete que a transmissão pelo rádio é outra possibilidade de ensino a distância por "um meio de comunicação bastante econômico, eficiente e com algumas vantagens sobre o correio", pois pode atingir áreas de difícil acesso

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por terra, além de alcançar longas distâncias. Ela defende a exploração do potencial do rádio para fins educacionais nos dias de hoje, pois esse é um meio de comunicação em que a rapidez da propagação das ondas sonoras possibilitam a transmissão de informações de maneira praticamente instantânea, sendo que o desenvolvimento do rádio de pilha possibilitou a sua popularização. Apesar disto, acredita-se que a questão da flexibilidade de tempo, possibilitada pela Internet, supera a rigidez de horário do rádio. Além disso, a questão visual, com a incorporação de vídeos na Internet, é mais atrativa e eficiente para o entendimento e a compreensão dos conteúdos.

Freitas (2005) aponta que o telefone se popularizou como meio instrucional, principalmente nos países onde tornou-se um meio de comunicação relativamente barato e acessível à grande maioria da população.

As experiências, realizadas na década de 1960, indicaram que o telefone é um excelente motivador da aprendizagem, seu efeito é superior ao do rádio e ao do material impresso, devido a comunicação de dupla via. Desde então, houve uma verdadeira proliferação de programas educacionais por telefone tanto nos Estados Unidos, como na Europa, embora a oferta de curso por TV e, mais recentemente, por Internet ainda seja maior que por telefone (FREITAS, 2005, p. 61).

É interessante observar, nos apontamentos de Freitas (2005), que a grande maioria das instituições norte americanas que oferecem cursos por telefone, mantém números especiais para que os estudantes façam ligações gratuitas, mesmo quando estão em outras cidades, o que corresponde as chamadas por meio do 0800 no Brasil.

O telefone possibilita uma comunicação síncrona entre o aluno e o professor (ou tutor), ou seja, permite o diálogo instantâneo que facilita as discussões e os esclarecimentos de dúvidas. Quando usado adequadamente em combinação a outro tipo de material didático, como o material impresso ou as mídias incorporadas ao computador, torna-se um recurso muito eficiente que eleva a motivação dos alunos e o consequente sucesso no processo de aprendizagem.

Outro recurso midiático adotado na EAD foi a televisão que, conforme Dantas (1998), trouxe vantagens por possibilitar a transmissão de imagens e atingir maior número de pessoas. Seu uso foi potencializado com o advento do videotape e do

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satélite, que possibilitaram a desvinculação de horários em que os programas eram transmitidos pelas emissoras, dos horários assistidos pelos alunos. Também, o vídeo possibilitou a gravação de cópias para distribuição ou venda dos cursos.

Shulman (1981, apud FREITAS, 2005) registrou que na década de 1950 haviam aproximadamente 114 instituições, entre faculdades independentes e universidades americanas, que mantinham com sucesso as aulas por meio da televisão e que, em certos momentos, as combinavam com aulas presenciais.

A principal característica da televisão é o poder de combinação entre a audição, a visão e a emoção, que é vantajosa para o processo de aprendizagem do aluno, pois se adéqua ao ensino de diversos assuntos. Freitas (2005) exemplifica que na Flórida há curso de pós-graduação por TV para engenheiros e que no Brasil, há cursos de ensino médio e de técnico profissionalizante desde o final do século XX.

Em 1969 foi fundada na Inglaterra a Open University (OU), um grande marco para EAD (DANTAS, 1998), que desde a sua criação até os dias de hoje é um exemplo de sucesso, sempre adotando todos os meios tecnológicos disponíveis: rádio, TV, vídeos, fitas cassetes e centros de estudo, em que se realizaram diversas experiências pedagógicas. Na Figura 6, registra-se um estudante que aprendia por meio da transmissão de um curso da Open University na televisão.

Figura 6 – Transmissão de curso da Open University

Fonte: Peter Trulock/Getty Images. Disponível em:

<http://www.theguardian.com/education/datablog/2014/jan/30/distance-learning-higher- education-moocs>. Acesso em 15 jul. 2015

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A partir de 1971, esta instituição passou a fornecer diplomas de graduação. Seguindo os mesmos padrões das universidades britânicas e avaliada como as demais pelo Higher Education Funding Council (Conselho de Ensino Superior da Inglaterra), ela mantém o seu padrão de excelência. É importante atentar que a associação entre esta instituição e o canal de televisão da BBC – British

Broadcasting Corporation – (DANTAS, 1998) garante até os dias atuais a

transmissão de muitos de seus programas.

Em outras partes do mundo, as transmissões via satélite deram novo impulso aos programas educacionais pela TV e Internet (FREITAS, 2005), sendo que em 1971, a Universidade de Washington oferecia treinamento médico, via satélite, atendendo as áreas de Seattle, Alaska, Montana e Idaho. Desde 1977, a Universidade do Pacífico Sul (University of the South Pacific) ministrava programas via satélite, para superar sua própria carência de professores. Por volta desse mesmo período, na Índia também eram transmitidos os programas educacionais via satélite para cerca de 2.400 vilas, que não tinham acesso à educação por outros recursos.

Com o desenvolvimento da tecnologia e seu uso para as comunicações de massa, as transmissões via satélite se fizeram, cada vez mais, importantes para vários campos do conhecimento humano (história, geografia, física, química, matemática, desenho e outros) e em todos os níveis, assim como para obter informações imediata e visualmente do que ocorre em todo mundo (FREITAS, 2005, p. 62)

De acordo com Maia e Mattar (2007), após a década de 1970 foi o período de surgimento das megauniversidades abertas a distância. Destacam-se as maiores delas, em número de alunos, e seus respectivos países: Centre National

d'Enseignement à Distance (CNED) na França; a Universidad Nacional de Educación a Distancia (UNED) na Espanha; a Universidade Aberta de Portugal; a

FernUniversität na Alemanha; a Anadolu Oniversitesi na Turquia. Também houveram

importantes experiências na China, Indonésia, Índia, Tailândia, Corea, Irã e África do Sul. Todas foram importantes exemplos para se repensar a função das universidades no futuro, porém apenas na década de 1990 as universidades tradicionais, as agências governamentais e as empresas privadas começaram a se interessar por elas (MAIA; MATTAR, 2007).

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É importante destacar que nesta etapa os maiores meios de comunicação possuíam apenas uma direção. O telefone era uma exceção, mas tinha função limitada.