Para o pensador francês Michel Serres (apud ARAGON, 2013), vive-se atualmente uma terceira revolução mundial na comunicação. A primeira revolução ocorreu com a transição da comunicação oral para a escrita; a segunda, da escrita para o impresso; e a terceira, do impresso para o virtual. Como reflexo dessa transformação, Serres acredita que está sendo construído um novo perfil de inteligência, mais rápido, múltiplo e intuitivo (ARAGON, 2013).
Nogueira e Gonçalves (2014) afirmam que, o homem busca ao longo dos anos dominar as tecnologias para facilitar sua vida. O computador, inicialmente utilizado como recurso bélico, passou por evoluções que possibilitaram a redução do seu tamanho e a sua maior eficiência, sendo inserido gradativamente nas instituições e nos lares até tornar-se um instrumento educativo, como recurso didático no processo de ensino e aprendizagem.
As atuais tecnologias da informação e comunicação (TIC) têm alterado significativamente a relação entre o ensino e a aprendizagem no mundo contemporâneo. As informações, antes obtidas diretamente por meio do professor em sala de aula e pela consulta a livros impressos em papel, disponíveis em bibliotecas de escolas e universidades, hoje circulam nas redes de computadores
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por toda a parte. Nesse cenário a instituição de ensino superior assumiu um importante papel de orientar e conduzir o aprendizado do futuro profissional, dando a ele, entre outras, habilidades e competências para conviver e solucionar problemas do cotidiano, por meio da sua inclusão digital e social.
De acordo com Bernini et al. (2009), alunos e professores recebem, no seu dia-a-dia, informações que não provém dos meios acadêmicos, mas que circulam nas mídias e nas redes de computadores, sendo acessadas principalmente pela Internet. Esse fato altera o perfil das pessoas envolvidas na educação e tornam as informações mais atualizadas. Questões como essas e de como utilizar as TIC em ambientes de aprendizagem, trazem reflexões entre os profissionais da educação e, exigem um cuidadoso planejamento para que as informações errôneas não se tornem verdades acadêmicas, ou para que os recursos de comunicação não sejam subutilizados como ferramentas na mera exibição da informação, por meio de “aulas espetáculos” de transmissão de conteúdo. Não basta a instituição de ensino equipar o seu espaço com os mais modernos recursos tecnológicos se não houver mudança na prática pedagógica. O uso de tais recursos, por si só, representa apenas uma mudança de tecnologia para a exibição de um mesmo conteúdo, porém de maneira mais elucidativa.
Perrenoud (2000) aponta que, devido ao rápido desenvolvimento das TIC, os alunos mostram-se cada vez mais conectados por meio dos recursos da informática e, apresentam mudanças nos modos de comunicação, nas formas de trabalhar, de decidir e até mesmo de refletir sobre os assuntos. A instituição de ensino superior deve dar o apoio midiático necessário aos professores e aos alunos para que possam explorar os conteúdos pedagógicos de diversas maneiras, além da tradicional, possibilitando uma atuação mais participativa e colaborativa no aprendizado.
Moran (2005) também aponta que os rápidos avanços da tecnologia, principalmente para os aparelhos móveis, afetam profundamente a educação, porém esta se transforma lentamente e continua presa a lugares e tempos determinados, como às escolas, às salas de aula, ao calendário escolar, etc. É necessário manter a motivação nos alunos para eles que possam se envolver em processos participativos e afetivos. Esse autor ainda ressalta que os avanços tecnológicos nas escolas ocorrem de maneira mais intensa na gestão escolar e menos intensa no processo de aprendizagem. Entretanto, há forte pressão para mudanças na
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educação e as empresas buscam maior agilidade, flexibilização e rapidez na oferta de educação continuada pelas universidades (MORAN, 2005).
Para ministrar as aulas teóricas, o professor deve estar atento às possibilidades geradas pelo uso da Internet, na obtenção ou construção do conhecimento. De acordo com Perrenoud (2000, p. 129),
Passa-se de um universo documental limitado [...] a um universo sem verdadeiros limites, a do hipertexto. [...] Quando o computador está conectado em rede, a relação de hipertexto se amplia para escala mundial.
Assim, é possível que o professor leve aos alunos as referências e os documentos importantes, utilizando os demais recursos além do textual, para envolvê-los na produção de conhecimentos.
Também é possível, por exemplo, disponibilizar recursos para que os alunos tenham contato com um conteúdo previamente ao ingresso na sala de aula, e que eles explorem outras formas de aprender, discutir ou levantar questionamentos mais complexos com o professor. Deixa-se de receber passivamente as informações apenas no momento da sala de aula, para atuar ativamente no processo de aprendizagem. Cabe à instituição de ensino promover a infraestrutura tecnológica necessária, com a adequação das salas de aulas e dos equipamentos que atendam a esta realidade, bem como a formação contínua de docentes, que estejam aptos a trabalharem com os diversos recursos.
Bernini et al. (2009) concordam que o papel do professor tem que ser alterado com uso das TIC na educação, saindo do pedestal de detentor de conhecimentos e transmissor de informações, para orientador de estudos e participante no processo de construção do saber:
A expressão ensino-aprendizagem passa a ter nova conotação, antes se entendia: “alguém ensina para alguém aprender”, hoje se entende: “alguém organiza atividades e orienta para que alguém interaja com as informações”. Estas mudanças nas práxis podem acontecer por vários motivos, um dos quais é a inserção de novos meios como auxiliares na educação (Bernini et al., 2009, não paginado).
As TIC já estão enraizadas na sociedade de tal maneira que é possível perceber o seu reflexo na educação, mesmo que seja de maneira indireta ou não oficial. As conexões via Internet possibilitam uma troca de relações síncronas e
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assíncronas para além do espaço e do tempo de uma sala de aula. Criam-se grupos virtuais para a troca de informações e o auxílio mútuo no desenvolvimento das atividades. Tais grupos podem ser formados apenas por alunos ou podem contar com a participação do professor/tutor. Ressalta-se que, na ausência do professor/tutor podem ocorrer desvios no aprendizado, pois há muitas informações disponíveis nas mídias e os alunos podem não discernir quais delas estão corretas.
Stravos Xanthopoylos (apud PIRES, 2015), destaca que o aluno de ensino a distância tende a ser mais disciplinado, flexível, com maior aperfeiçoamento na leitura e escrita, pelo fato de ler e escrever mais. Xanthopoylos ainda afirma que, em alguns países europeus, as empresas dão prioridade para profissionais que tiveram a sua formação a distância, pois geralmente apresentam as características de: flexibilidade, disciplina, domínio no uso das ferramentas tecnológicas, melhor capacidade de escrever e de interpretar textos.
Atualmente, a metodologia de ensino a distância ocorre de três maneiras:
MOOC, OCW e os cursos regulares. O MOOC significa curso aberto pela Internet
para grande massa (do inglês, Massive Open Online Course) e constitui uma possível ruptura na educação superior em termos de ensino e aprendizagem on-line. Suas características essenciais são: cursos abertos em que podem participar os estudantes não registrados regularmente na instituição promotora, e são apropriados para atender um crescimento exponencial de matrículas, podendo chegar a centenas de milhares de estudantes participando em cada oferta de curso (INAMORATO; MOTA, 2012). De outro lado, o OCW (do inglês, Open Course Ware) é um termo aplicado aos conteúdos gerados pelas universidades e compartilhados livremente para todos pela Internet, sendo acessado por professores, alunos e autodidatas. Em terceiro, têm-se os cursos regulares a distância que devem ter o seu registro junto ao órgão competente (no caso brasileiro, o MEC) e oferecer conteúdo similar a um curso presencial, utilizando-se de recursos tecnológicos de informação e comunicação para vencer as barreiras de tempo e espaço.
1.5.1 Ensino híbrido, ensino on-line e semipresencial
O uso dos recursos informatizados no ensino tem propiciado diferente relação de frequência dos alunos na instituição de ensino. Além das particularidades de cada curso ofertado, as legislações vigentes apresentam exigências diversas para
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os diferentes níveis de cursos superiores, sejam de graduação ou pós-graduação. Atualmente são consideradas três metodologias de ensino que se apoiam no uso das tecnologias: híbrido, semipresencial e a distância.
Ensino híbrido
O ensino híbrido (do inglês, blended learning)11 é um método de ensino que
combina o aprendizado on-line e off-line, em que o aluno ora estuda sozinho de maneira virtual, ora estuda com os seus colegas e professor/tutor em encontros presenciais (RIBEIRO, ZENTI, 2014). Nesse método, valoriza-se a interação entre os pares e entre o professor/tutor.
Nos encontros presenciais geralmente não se utiliza tecnologia, pois o professor ou tutor deve planejar atividades que promovam as interações interpessoais. Para isto, deve-se propor atividades que envolvam toda a turma, ou a sua divisão em grupos menores, para a realização de projetos.
No ensino on-line, os recursos digitais possibilitam que o aluno tenha o controle sobre como e onde estudar. Destaca-se que o uso de dispositivos móveis, como tablets e celulares, amplia as possibilidades de onde pode ser acessado o conteúdo de estudo. O objetivo desta medotodologia é aproveitar de maneira complementar as potencialidades dos diferentes momentos (presencial e on-line) para se promover um ensino mais personalizado, interessante e eficiente.
Ensino on-line
O ensino on-line12, reconhecido como ensino a distância, é um método em que o aluno desenvolve o aprendizado em plataformas virtuais. No Brasil, apesar das atividades ocorrerem prioritariamente de maneira virtual, a legislação exige encontros presenciais para a realização de avaliações e algumas atividades, conforme o tipo de curso.
O decreto Nº 5.622/2005 define que os cursos e programas a distância deverão apresentar qual será o sistema de avaliação do estudante, prevendo avaliações presenciais e avaliações a distância. É necessário descrever as
11 Vide glossário. 12 Vide glossário
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atividades presenciais obrigatórias, "tais como estágios curriculares, defesa presencial de trabalho de conclusão de curso e das atividades em laboratórios científicos, bem como o sistema de controle de frequência dos estudantes nessas atividades, quando for o caso" (BRASIL, 2005, p. 1).
Para os cursos de pós-graduação a distância, o decreto 5.622 (BRASIL, 2005) define que, além de suas exigências, é necessário seguir os demais dispositivos da legislação e a normatização pertinentes à educação em geral, quanto aos exames presenciais e a apresentação presencial de trabalho de conclusão de curso ou de monografia.
Ensino semipresencial
De acordo com a portaria N. 4.059/2004, temos que:
As instituições de ensino superior poderão introduzir, na organização pedagógica e curricular de seus cursos superiores reconhecidos, a oferta de disciplinas integrantes do currículo que utilizem modalidade semipresencial (BRASIL, 2004, p. 34).
Entende-se por modalidade como a metodologia do ensino semipresencial13, caracterizado como uma atividade de autoaprendizagem, em que quaisquer atividades didáticas, módulos ou unidades de ensino-aprendizagem utilizam a mediação de recursos didáticos organizados em diferentes suportes de informação, que utilizem tecnologias de comunicação remota. As disciplinas oferecidas nesta modalidade, integral ou parcialmente, não deverão ultrapassar 20 % (vinte por cento) da carga horária total do curso. As avaliações e as atividades de tutoria deverão ocorrer presencialmente (BRASIL, 2004).
De acordo com Alves (2007), o percentual de 20% é aleatório e seria importante permitir a variação de percentuais conforme a capacidade operacional e os projetos pedagógicos das instituições e de cada curso, seja de graduação ou de pós-graduação. Também a obrigatoriedade de comparecimento do aluno à instituição, para avaliação e defesa de trabalhos de conclusões de cursos, poderia ser flexibilizado conforme as condições específicas de cada curso e/ou perfil de
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aluno, ou até mesmo suprimido visto que, atualmente, as tecnologias já possuem mecanismos seguros que permitem a aferição, pela Internet, da identidade do aluno. Nas três metodologias acima citadas observa-se que atualmente são mantidas as exigências de frequência, com maior ou menor intensidade, dos alunos na instituição. É possível inferir que as diferentes relações dos alunos com a instituição física podem impactar na circulação das pessoas na cidade, visto que grande parte dos deslocamentos diários se deve aos motivos de educação, como por exemplo na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), em que a educação representa 35% das viagens, ocupando o segundo motivo de deslocamento, após 44% dos deslocamentos por motivo de trabalho (METRO, 2008). A consequência prática desta mudança seria a melhora significativa dos graves problemas de trânsito que sofrem as grandes cidades, além de menor necessidade de investimentos em mobilidade no futuro.
Os avanços das tecnologias da informação e comunicação, além da regulamentação do ensino a distância no Brasil, no início do século XXI, dão nova configuração e maior credibilidade para esta metodologia de ensino. Nesse cenário, a instituição de ensino superior assume um importante papel de orientar e conduzir o aprendizado do futuro profissional, dando a ele habilidades e competências para conviver e solucionar problemas do cotidiano, por meio da sua inclusão digital e social.
De acordo com Moran (2005), a apropriação das tecnologias pelas instituições de ensino passa por três etapas. Na primeira, elas são adotadas para se reduzir os custos, melhorar o desempenho e a gestão dos cursos, com a automatização dos processos. Na segunda etapa, as tecnologias são inseridas no projeto educacional, com o desenvolvimento de projetos e atividades em laboratórios de informática, mas sem a alteração na estrutura das aulas, das disciplinas e dos horários. Na terceira etapa, com o avanço na integração das tecnologias e o amadurecimento para a sua implantação, as instituições repensam o projeto pedagógico, o plano estratégico, e introduzem mudanças como a flexibilização parcial do currículo, que combinam atividades a distância com presencial.
De uma maneira geral, e na sociedade acadêmica contemporânea, é necessário atentar às antigas formas de ensinar e a sua relevância no contexto atual. Para evoluir neste processo, é necessário o entendimento para a adaptação de programas previstos às necessidades dos alunos, criando-se conexões com o
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cotidiano. Ensinar e aprender exigem hoje muito mais flexibilidade espaço temporal, pessoal e de grupo, menos conteúdos fixos e processos mais abertos de pesquisa e de comunicação.
1.5.2 Vantagens do esino a distância
Simpson (2013) destaca quatro fatores que devem ser considerados em uma análise sobre o ensino a distância: custo, sustentabilidade, acesso e retenção. Com relação aos custos, este autor afirma que o ensino a distância parece ser muito promissor, visto que essa metodologia de ensino é menos dispendiosa do que a educação tradicional, tanto para o governo, quanto para as instituições e para os alunos. Para o governo, destaca-se que a falta de necessidade de se construir instalações caras para abrigar os alunos ou o não comprometimento de um grande número de funcionários, para dar apoio aos cursos, representa grande ganho financeiro. O fato de muitos alunos de cursos a distância continuarem trabalhando enquanto estudam contribui muito com a economia, tanto em termos de PIB (produto interno bruto), quanto em termos de imposto de renda (SIMPSON, 2013). Também deve-se destacar a imediata incorporação do conhecimento à produção.
As instituições de ensino que já oferecem curso presencial, terão custo adicional relativamente pequeno para implementação de um curso a distância, de modo que o modelo presencial subsidia o modelo a distância. Para as instituições que oferecem os cursos exclusivamente a distância, os custos são mais baixos devido a reduzida necessidade de manter a infraestrutura presencial para os alunos (SIMPSON, 2013).
Para os alunos, além do valor das mensalidades de um curso a distância ser geralmente menor, é mais fácil conciliar o estudo com o trabalho. Simpson (2013) aponta que, no caso da Open University, na Inglaterra, a estimativa é que o custo de uma graduação a distância seja apenas um quinto de uma graduação presencial. Além disto, o retorno do investimento educacional é muito maior, considerando-se a renda obtida como resultado de uma formação superior em relação ao investimento aplicado na obtenção do título. Em contraposição, devido ao alto índice de desistência no curso a distância, avalia-se que o risco de o aluno perder seu investimento, por não prosseguir o curso, é maior. Porém, a melhoria educacional e pedagógica destes cursos deve diminuir o insucesso.
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É possível também relacionar a educação a distância com a sustentabilidade ambiental, visto que "educação é uma atividade que precisa de energia, tão suscetível à necessidade de redução do processo de aquecimento global quanto qualquer outra indústria" (SIMPSON, 2013, p.457). Este autor afirma que foram feitas tentativas de estudos que pudessem estimar o consumo relativo de energia e a produção de CO2, comparando-se o modelo de ensino presencial, com o modelo
de ensino a distância. Apesar de não ser possível identificar o processo que levou aos resultados divulgados por Simpson, verifica-se que tanto a produção de CO2,
quanto o uso de energia no ensino a distância é menor que 20% do que é utilizado no ensino presencial, ou seja, mais do que cinco vezes menor. Isto se deve ao fato de que os alunos de ensino a distância estudam predominantemente em casa e não dispendem energia substancial. A energia necessária para a manutenção dos computadores e Internet representa economia frente a produção gráfica e a postagem de materiais físicos aos alunos e vice-versa (SIMPSON, 2013). Além disso, como consequência do ensino a distância, há diminuição de frequência do aluno na instituição que promove melhorias na mobilidade urbana, visto que a educação é um dos maiores motivos de deslocamento nas grandes cidades. O mais importante é a enorme economia de energia representada pela supressão de viagens, geralmente por automóveis, para o acesso às escolas presenciais. Também são muito importantes a economia de tempo e a melhoria de qualidade de vida, na medida que o aluno estuda em casa, onde consome as refeições e descansa.
Outro fator apontado por Simpson (2013) é a grande oportunidade que a metodologia a distância proporciona, com relação ao acesso ao ensino, para uma parcela populacional não atingida pelo ensino presencial. Destacam-se nesta parcela os seguintes perfis de alunos: os que moram em cidades distantes, onde não há instituições para todos os níveis de ensino; os que apresentam dificuldades para estudar em tempo integral; os que possuem dificuldades físicas para a mobilidade; os de baixo poder aquisitivo e as mulheres. No EAD todos são favorecidos por estudar em local e horário flexíveis. Hoje a grande limitação de acesso se dá para aqueles que não possuem computador e/ou possibilidade de se conectar à Internet por meio da banda larga. Com o grande desenvolvimento dos
smartphones estima-se que no Brasil, onde foi registrado 275,89 milhões de linhas
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(ANATEL, 2015) –, mais pessoas acessem a Internet por meio dos dispositivos móveis do que por computadores.
O último fator que Simpson (2013) relaciona ao EAD é a retenção do aluno, como medida importante para conter a evasão no ensino. Destaca-se que a facilidade de acesso e o custo, apontados acima, são fatores importantes para que o aluno possa se manter nos estudos. Também, o potencial de melhoria na qualidade técnica do EAD, possibilitado pelos avanços tecnológicos, devem aproximar esta metodologia ao ensino presencial. Considerando os dados do Censo EAD.BR:
Relatório analítico da aprendizagem a distância no Brasil, apresentado pela ABED –
Associação Brasileira de Educação a Distância, a evasão é o maior obstáculo enfrentado pelas instituições de ensino. Em 2014, a taxa média de evasão foi de 25% nas diferentes modalidades de EAD e as instituições apontaram como maiores causas para a evasão: a falta de tempo para estudo e participação nos cursos, a falta de adaptação à metodologia de ensino e, o acumulo de atividades do trabalho (ABED, 2015).
Acredita-se que o grande potencial do EAD depende da sua melhoria de qualidade técnica e a adoção de tecnologias mais sincrônicas, que aproximem esta metodologia ao ensino presencial. As diversas ferramentas do EAD, possibilitadas pelo uso das tecnologias da informação e comunicação, devem permitir maior personalização do ensino e a superação das dificuldades no acesso e acompanhamento dos cursos. Destaca-se que para as gerações mais velhas as novas tecnologias apresentam-se como barreiras que dificultam a adaptação à esta metodologia de ensino. Já para os nativos digitais, habituados ao uso das tecnologias em seu cotidiano, o processo de adaptação é mais imediato.
1.6 EDUCAÇÃO E CIBERESPAÇO
Segundo Lévy, o neologismo cibercultura14 abrange um conjunto de técnicas materiais e intelectuais, que se desenvolve com o ciberespaço15, considerado como "o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores" (LÉVY, 1999, p. 17). A assimilação da nova forma de relações, possibilitada pelo ciberespaço, deve ocorrer com o desenvolvimento simultâneo da
14 Vide glossário. 15 Vide glossário.
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sociedade, da cultura e da técnica. A velocidade de transformação que caracteriza a