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5.2 Descriptive Statistics

5.2.2. Variable Means

A tenda da IBC, que na Fotografia 10 pode ser avistada do portão de entrada a que se tem acesso pelo Anel Viário, possui um grande poder simbólico. Em termos bíblicos, o primeiro espaço formal de culto no Antigo Testamento era uma “tenda”, chamada de “tabernáculo” em diversas versões da Bíblia. O tabernáculo, no entanto, tinha a característica de ser desmontável e móvel, acompanhando a trajetória do povo hebreu no deserto e na terra de Canaã.

Em termos históricos, denominações pentecostais também usaram tendas. A Igreja do Evangelho quadrangular foi fundada pelo Missionário Harold Williams, em São Paulo, “após intensa campanha em tendas de lona com o nome genérico Cruzada Nacional de Evangelização” (MENDONÇA, 1997, p. 158). As tendas de lonas eram utilizadas como espaços que atendiam as seguintes finalidades: evangelização, cura divina e expulsão de demônios. As tendas também contribuíram para inovações nos cultos pentecostais, introduzindo “o uso de instrumentos antes só usados em shows, como guitarras elétricas e instrumentos de sopro e o cânticos de “corinhos” ao estilo “country” (MENDONÇA, 1997, p. 158. grifo do autor). A Igreja Evangélica Pentecostal “O Brasil para Cristo” surgiu desse movimento de tendas.

No estado do Ceará, por exemplo, a Igreja Assembléia de Deus Betesda, fundada pelo pastor Ricardo Gondim, usou uma tenda de lona por um certo período quando a comunidade se reunia em um terreno localizado na Avenida Santos Dumont, até sua transferência para um grande galpão próximo à Avenida Pontes Vieira. Longe de ser uma improvisação, o investimento na construção dessa tenda

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Fotografia 8 - Vista aérea da Tenda Fonte: IGREJA BATISTA CENTRAL, s/da.

A tenda da IBC e as estruturas anexas se localizam na Rua do Cruzeiro nº 401, no bairro Pedras, bem próximo ao 4º Anel Viário, na altura do Km 11 da BR 116, na saída de Fortaleza (veja o mapa abaixo, fornecido no site da IBC). A tenda tem espaço para cerca de 4.000 pessoas.

Figura 7 - Mapa de acesso à Tenda Fonte: IGREJA BATISTA CENTRAL, s/db.

A distância desse espaço em relação ao centro de Fortaleza e as dificuldades de acesso (especialmente de retorno para casa) representam uma restrição para membros e frequentadores das camadas mais baixas da população. Já constatei essa dificuldade ao fazer os percursos de ida e volta para casa nos ônibus que se integram ao Terminal da Messejana .

Uma outra opção para quem não utiliza carro são os ônibus providenciados pela IBC, que deixam seus usuários dentro da propriedade da IBC. Estes cobram o equivalente à passagem Inteira, não aceitando vale-transporte ou meia passagem (Conf. Fotografia 9). Esses ônibus têm como pontos de referências os terminais do Papicu, Parangaba e Lagoa.

Fotografia 9 - Chegada na IBC-Pedras (18/05/2008) Fonte: MENDES, 2008.

As condições sócio-econômicas do conjunto dos frequentadores poderão ser estabelecidas, posteriormente, mediante pesquisa. Considerando dados obtidos mediante observação (vestuário, veículos no estacionamento, etc.), penso que a grande maioria dos participantes dos cultos da IBC, cerca de três a quatro mil

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pessoas que se abrigam sob a Tenda utilizada como templo, é formada por famílias e indivíduos pertencentes aos diversos estratos da chamada “classe média”. Se isso de fato proceder, o espaço da IBC representaria um enclave dessa classe numa área empobrecida da cidade. Na entrevista, o Pr. Armando falou sobre a composição social da IBC:

Qual é a composição social da nossa igreja? Você tem do Juiz, do rico muito rico. Você tem do dono de uma holding ao assentado numa invasão de terra bem ali no Pedras. Esse é um aspecto importante também, porque ao longo dos anos, obviamente, a gente trabalhou muito mais com a classe, vamos dizer assim a classe média, a classe média mesmo, mas nunca foi intencional, nunca foi um negócio de “ah, eu vou trabalhar especificamente com essa classe”. Quando eu cheguei a igreja já era constituída por pessoas da classe média. Tinha industriais. Era pequena, mas era constituída de universitários, industriais e comerciantes. Era uma igreja bem elitizada nesse sentido e depois começamos a atingir outras comunidades, etc, etc. A nossa mudança do 7 de setembro para o bairro Pedras, esta foi uma mudança estratégica porque aí tem o seguinte: tendo uma igreja com um perfil eminentemente classe média alta, que fazia incursões na favela dos trilhos e o trabalho social era uma espécie de desencargo de consciência prá cuidar dos meninos pobres. Nós decidimos levar toda a comunidade para uma propriedade maior, prá dentro de um bairro de classe D, E ou F, sei lá. Ali é um lugar violento, perigoso, de altos índices de pobreza... Não tem saneamento. Ali é um lugar horrível, mas desde que chegamos lá nós temos visto uma mudança no perfil daquela comunidade. Mudanças em índices de dengue. Mudanças em tanta coisa. E hoje, parte, grande parte da IBC hoje é constituída de pessoas daquela comunidade, de Messejana, que se misturou...

A mudança para o Bairro Pedras alterou, com certeza, a composição social dos frequentadores das celebrações dominicais. Agora, se vai alterar configuração da membresia e das lideranças é uma questão que só posteriormente poderá ser confirmada. Isso porque também ainda não se sabe em qual camada social se dará o crescimento numérico mediante a atuação dos pequenos grupos. Ficam algumas perguntas: no futuro, membros oriundos das camadas empobrecidas da população terão as suas vozes ouvidas dentro do “staff” da IBC? Em que áreas da vida da IBC esse fenômeno produziria mudanças?

A presença da IBC naquele bairro é também percebida pelo Pr. Armando como transformadora. Em seu discurso, ele ressaltou as mudanças trazidas por essa presença. Lembro que durante o Encontro de Pastores e Líderes em 2009, ele mencionou que a ação missionária da IBC na atualidade não se preocupa apenas com a “salvação dos indivíduos”, mas também com saneamento básico.

Nas entradas que dão acesso a essa propriedade da IBC há uma placa dando boas vindas e anunciando sua missão de restaurar todos os que ali chegam (Conf. Fotografia 10). A entrada das pessoas pelos portões é plena de significados: “O limiar que separa os dois espaços indica ao mesmo tempo a distância entre os dois modos de ser, profano e religioso” (ELIADE, 1992, p. 29).

Fotografia 10 - Portão de entrada da IBC-Pedras (24/08/2008) Fonte: MENDES, 2008.

Além de acentuar uma diferença, no caso dos templos, a porta abre uma nova oportunidade: “de maneira mais precisa é possível dizer que a porta é o limite... entre o mundo profano e o mundo sagrado [...]. Assim, ‘atravessar a soleira’ significa ingressar em um mundo novo” (VAN GENNEP, 1977, p. 37), ter acesso de uma forma especial à divindade, ou melhor, ser restaurado pelo poder dessa divindade.

O que um visitante vai encontrar na Tenda? O que faz dela um lugar especial para onde se dirigem cerca de quatro mil pessoas todos os domingos? Que estrutura ela possui? Em que se diferencia dos templos convencionais das diversas igrejas que existem em Fortaleza?

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Após estacionar o carro, descer do ônibus ou chegar caminhando na propriedade da IBC, as pessoas poderão tomar os muitos caminhos existentes que as conduzirão à nave. Começarei por esse lugar a descrição. Ela tem a forma semicircular, não possuindo um átrio ou vestíbulo de acesso. Não é delimitada por paredes ou qualquer recurso que a separe da área não coberta pela tenda. É completamente acessível a quem chega por qualquer dos pontos de entrada na propriedade. A coberta estendida sobre a nave é sustentada por duas torres metálicas onde também encontra-se fixada a iluminação do ambiente.

Fotografia 11 - Nave da Tenda (16/03/2008) Fonte: MENDES, 2008.

O piso apresenta um pequeno declive à medida que se aproxima do palco. Cerca de 4000 cadeiras brancas de material plástico são dispostas em toda a extensão da nave, de forma organizada, deixando corredores livre para o trânsito dos participantes.

O palco (nos templos convencionais é chamado de coro ou presbitério) possui uma posição de destaque, elevando-se acima da nave e não possui nenhum painel ou balaustrada que demarque uma separação. Não há cadeiras destinadas

aos oficiantes e ao pregador. Estes se sentam ao lado dos demais participantes do culto nas cadeiras comuns dispostas na nave do templo.

Fotografia 12 - Palco com músicos (16/03/2008)76 Fonte: MENDES, 2008.

Há pequenas escadas laterais que dão acesso às pessoas que, estando na nave, querem subir ao palco. Nele ficam localizados os músicos e seus instrumentos, bem como o púlpito de acrílico utilizado no momento em que o pregador vai apresentar a sua mensagem. A decoração segue o tema de campanhas específicas, eventos ou épocas do ano (como, por exemplo, festas juninas).

Não há na Tenda nenhum altar77, elemento comum nos templos católicos

e luteranos onde se localiza a mesa para celebração da Ceia do Senhor. Aliás, não há nenhuma mesa fixa, pois a Ceia atualmente é celebrada uma vez por mês nas residências onde os membros se reúnem em pequenos grupos durante a semana e de dois em dois meses durante o culto dominical na tenda.

76 A fotografia dos músicos no palco foi feita no dia da apresentação do espetáculo sobre a paixão de Jesus, intitulado “O grande sacrifício”. A pintura da cortina faz alusão ao amanhecer da ressurreição. 77 Na Bíblia, altar é o termo empregado para locais sagrados, memoriais ou de sacrifícios.

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As duas grandes colunas que dão sustentação à coberta da tenda são metálicas e não receberam externamente nenhuma estrutura ou “capa” que ocultasse a sua aparência. Nessas colunas se localizam as lâmpadas que iluminam a nave. Vistas do lado de fora, elas adquirem o formato de torres e produzem um grande impacto estético próximas ou mesmo à certa distância (conf. Fotografias 4, 8, 9 e 10).