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KAPITTEL 5: RESULTATER

6.4 Vannkvalitet

O foco é tentar deixar um pouco mais claro a relação entre Trabalho e Educação numa perspectiva ontológica. Sabe-se que esse tema promove discussões abrangentes, porém se tentará abordá-lo de maneira breve. Para tanto, precisa-se, em primeiro lugar apreender o conceito de força de trabalho. Para Marx (1996a, p. 99) a força de trabalho de um homem consiste, pura e simplesmente, na

sua individualidade viva, também pode ser entendida como a capacidade que cada

homem tem para produzir sua própria condição de existência, isto é, produzir sua própria alimentação e dos seus pares. É preciso considerar a constituição da força de trabalho numa totalidade de aspectos qualitativos forjados pelo momento ideal (construção do conhecimento), impulsionado primeiramente pelos aspectos naturais, sociais e culturais da realidade concreta. Em seguida, considerá-lo como realização prática material que auxiliará na intervenção e na criação da realidade objetiva, como exemplo; a inserção da técnica (instrumentos) no trabalho, tornando-o menos dispendioso.

Ao considerar a força de trabalho como capacidade, não se pode excluí-la ou entendê-la fora de um contexto evolutivo, histórico, flexível. E, portanto, reconhecendo as diferenças que cada homem possui em relação a sua capacidade de trabalho. É aí que se encontra o valor educativo indissolúvel da prática de trabalho. O Trabalho (capacidade produtiva) que ao fazer uso das mãos não exclui o caráter intelectivo, se assim o fosse, poderia ser realizado por qualquer animal irracional; de outro modo, não assume uma postura extremamente intelectiva, a qual não produza o movimento do corpo e o uso dos órgãos, pelo menos os do sentido. Portanto, considera-se o trabalho como um processo que exige o desempenho das forças intelectuais. Essas forças correspondem à capacidade de conhecer, conceituar, criar, transformar a natureza e a si próprio. Mas também exige uma ação

prática para a realização material, pois somente utilizando o pensamento jamais o homem conseguiria modificar a natureza, ou melhor, o meio externo.

Ao se considerar o trabalho primeiro como atividade ideal e segundo como atividade prática, então se pode inferir que nos instante da atividade ideal, a educação é quem promove o desenvolvimento humano refletido na ação prática do trabalho, resultando no desenvolvimento da força de trabalho. É a propriedade educativa imanente ao trabalho que permite a ele o caráter de ensino e aprendizagem. Seja ele passado de pai para filho, como ocorre informalmente na prática de trabalho na agricultura familiar, na marcenaria, etc. Ou, aprendido na academia, como é o caso da engenharia, a medicina, etc. Enfim, todo trabalho pode ser aprendido e pode exigir níveis elevados de atuação prática.

Carlos Rodrigues Brandão (1991) em seu livro “O que é a educação?” afirma que:

A educação é, como outras, uma fração do modo de vida dos grupos

sociais que a criam e recriam, entre tantas outras invenções de sua

cultura, em sua sociedade. Formas de educação que produzem e praticam, para que elas reproduzam, entre todos os que ensinam-e-aprendem, o saber que atravessa as palavras da tribo, os códigos sociais de conduta, as regras do trabalho, os segredos da arte ou da religião, do artesanato ou da tecnologia que qualquer povo precisa para reinventar, todos os dias, a vida do grupo e a de cada um de seus sujeitos, através de trocas sem fim com

a natureza e entre os homens, trocas que existem dentro do mundo social

onde a própria educação habita, e desde onde ajuda a explicar – às vezes ocultar, às vezes a inculcar – de geração em geração, a necessidade da existência de sua ordem (p. 10-11, grifos nosso).

É a capacidade de construir e compreender o mundo que permite avanços em nosso modo de vida, na prática de trabalho. São essas trocas sem fins entre o

homem e a natureza e entre os homens que permitem a criação de vários elementos

materiais e imateriais do mundo concreto. Segundo Brandão (idem):

[...]. Tudo o que existe transformado da natureza pelo trabalho do

homem e significado pela sua consciência é uma parte de sua cultura:

o pote de barro, as palavras da tribo, a tecnologia da agricultura, da caça ou da pesca, o estilo dos gestos do corpo nos atos do amor, o sistema de crenças religiosas, as estórias das histórias que explica quem aquela gente é e de onde veio, as técnicas e situações de transmissão do saber. Tudo o que existe disponível e criado em uma cultura como conhecimento que se adquire através da experiência pessoal com o mundo ou com o outro; tudo o que se aprende de um modo ou de outro faz parte do processo de endoculturação, através do qual um grupo social aos poucos socializa, em

sua cultura, os seus membros, como tipos de sujeitos sociais (p. 25, grifos nosso).

Nessa assertiva, o autor dá pistas, as quais dão a entender o trabalho como elemento de externalização histórico-cultural do desenvolvimento das capacidades educativas de cada povo. Assim, ao estudar um determinado grupo de pessoas, conhecendo suas práticas de trabalho, sua técnicas, seus instrumentos, pode-se concomitantemente conhecer o desenvolvimento do saber histórico-cultural dessa comunidade. Ou seja, o resultado do trabalho é sempre a unidade entre o concreto e o abstrato, entre o objeto e o conhecimento. A cultura, portanto, existe tendo essa unidade como estrutura. Assim, pode-se afirmar que sem o trabalho humano não existe cultura.

Para Freire (1996), toda produção humana está representada na realidade cultural e afirma que a posição normal do homem:

[...] era a de não apenas estar no mundo, mas com ele. A de travar relações permanentes com este mundo, de que decorre pelos atos de criação e recriação, o acrescentamento que ele faz ao mundo natural, que não se fez, representado na realidade cultural. E de que, nestas relações com a realidade e na realidade, trava o homem uma relação específica - de sujeito para objeto - de que resulta o conhecimento, que expressa pela linguagem (p. 112-113).

O ato de produzir, reproduzir, construir e reconstruir é tipicamente humano, e deve ser considerado como aspectos qualitativos do trabalho, os quais só existem como saber construído historicamente. Neste sentido, o estar no mundo e com o mundo, em primeiro lugar, remete a idéia de espaço de inserção do homem no sentido de onde sua vida acontece. Em segundo lugar, refere-se à relação que este estabelece no ambiente em que vive. E é este ambiente, entendido como espaço da criação, ao mesmo tempo reflete esta criação, onde outros aprendem e recriam. O que no movimento de expansão do conhecimento e desenvolvimento das capacidades criativas humanas e isso não se dá fora da relação trabalho-educação.

Mediante a discussão que se travou até aqui, pode-se considerar a força de trabalho como a capacidade de realização produtiva que cada indivíduo possui constituída de duas dimensões: a ideal e a ação prática. Na dimensão ideal a internalização dos saberes culturais é quem dinamiza e desenvolve os aspectos cognitivos do trabalho; e a ação prática reflete e revela materialmente o nível de

desenvolvimento do trabalho humano. O trabalho neste sentido não garante somente a existência das propriedades biológicas humanas, mas, também promove a existência humana no seio sócio-cultural.

Portanto, primeiramente, discutiu-se o trabalho como propriedade e a atividade auto-realizadora da capacidade humana. Que garante a existência humana tanto no sentido biológico como no sentido social. Com isso, o trabalho não somente produz a realidade objetiva necessária ao homem, mas também proporciona condições tanto subjetivas como intelectuais que o auxiliam na apreensão dos saberes culturais (atividade cognoscitiva); bem como na ação prática proporciona a este a possibilidade de transformar a realidade em benefício de si enquanto espécie (atividade teleológica). Diante de tudo, cabe uma analise sobre a influência do sistema capitalista na transformação do trabalho humano e as consequências advindas desse fato para a dimensão social e individual dos trabalhadores. É o que se fará a seguir.