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KAPITTEL 5: RESULTATER

6.5 Korrosjonsrater

Na obra O Capital, Karl Marx sistematiza a prática do modo de produção capitalista. Com isso, observa vários fenômenos e estabelece leis que caracterizam e denunciam como ocorre o processo de exploração do homem no contexto desse modo de produção. Até neste ponto se discutiu a submissão do trabalho ao capital no chão da fábrica ou indústria. Isso já representa um dos tipos de relação da produção, a subsunção real, uma vez que, este conceito refere-se à influência direta que o trabalhador sofre em relação ao planejamento de produção e valorização do capital.

Brighton (apud SOUZA, 2002) formula a seguinte compreensão a respeito da subsunção real:

Uma vez que a produção é agora coletiva, em grande escala e baseada na maquinaria, o capital pode apropriar para si próprio todas as funções de especificação, organização e controle, e executá-las independentemente do trabalhador. Pode assim impor seus objetivos sobre o processo de trabalho de uma forma tal que o trabalhador, mesmo quando colocado novamente em associação com as condições de trabalho, o faz numa relação antagônica. Naturalmente, esta relação entre capital e trabalho não é estática, mas é constantemente reproduzida sob novas condições. É um terreno de luta de classes constantemente renovada. A dominação do capital é reproduzida porque o capital tem tanto o poder quanto a necessidade de revolucionar constantemente as forças de produção (p. 25- 26).

É possível perceber que a subsunção real do trabalho humano ao capital possui características específicas como a exploração intensiva no chão da fábrica ou indústria, onde prevalece quase sempre pela mais-valia relativa; claramente entendida quando o autor menciona “... em grande escala e baseada na maquinaria”. Os meios de produção e a força de trabalho estão no domínio direto do capital.

Na subsunção real, segundo o autor, a luta de classe é mais intensa, devido à imposição do capital e exploração se tornarem visíveis à percepção do trabalhador. Sua capacidade de produzir não lhe pertence, pois, está condicionada as intencionalidades do explorador, o qual tem como objetivo a reprodução do capital tirando proveito do melhor que a força de trabalho pode gerar. Ao longo do percurso histórico do modo de produção capitalista, a qualificação da força de trabalho cada vez mais é exigida e o trabalhador é forçado a buscá-la. Se assim não o fizer é excluído do processo de produção.

Já em relação à subsunção formal Brighton (apud SOUZA, 2002) afirma:

Quando o processo de trabalho é subordinado apenas formalmente ao capital, há produção de mais-valia e sua apropriação, mas as condições objetivas e subjetivas do trabalhador são de moldes a fornecer uma base material para a resistência continua à imposição da valorização como o objetivo exclusivo do processo de produção. O controle real da produção não está ainda firmemente nas mãos do capital. Existe ainda uma relação entre o trabalhador e as condições de trabalho no interior da produção que dão ao trabalhador certo grau de controle e, portanto, um instrumento com o qual pode fazer valer seus objetivos de classe que podem, naturalmente, ser diferentes daqueles do trabalhador proletário plenamente desenvolvido do modo capitalista maduro de produção (p. 25).

Esse enlace, como enfatiza o autor “apenas formalmente,” pode ser exemplificado nos contratos que uma cooperativa ou associação podem ter com alguma empresa, em que aquelas vendem serviços, produtos ou matérias primas a estas. As características peculiares dessa subsunção referem-se a exploração extensiva e indireta do trabalho, prevalecendo quase sempre o fenômeno da mais- valia absoluta. Aqui os meios de produção e a força produtiva não são mantidos pelo capital dominante. O trabalhador, portanto, conduz toda a produção, desde o processo inicial até o final, possuindo certa autonomia por estar à frente na administração dos negócios da “empresa” coletiva.

A pergunta que se faz, diante deste contexto, é: Como é possível ocorrer a extração da mais-valia absoluta? Conforme já se viu, a mais-valia caracteriza-se pelo tempo de trabalho necessário (salário do trabalhador), mas o tempo de trabalho supérfluo ou supertrabalho (lucro do explorador). Por mais que o trabalhador tenha em suas mãos os meios de produção e sua força produtiva, o preço da mercadoria

quem acaba determinando é o explorador. O preço15 da matéria prima (produto do

trabalho) já induz a produção da mais-valia, na medida em que esse preço é reduzido pelo explorador, onde o trabalhador sente-se forçado a aumentar seu tempo de trabalho (trabalho necessário + mais-trabalho) a fim de manter o preço necessário a sua existência.

Nesse caso, reafirma-se que o valor da mercadoria é a condição de existência do trabalhador. Pois, por um lado, garante a sobrevivência humana, por outro, promove a reprodução do capital. Sem essa propriedade de consolidação da mais- valia, inerente a mercadoria (no contexto do trabalho subsumido ao capital), jamais a acumulação, a exploração, o lucro e consequentemente uma classe superior economicamente poderia existir.

Mandel (1980) ajuda a entender essa dinâmica de exploração afirmando que: Não é a troca que cria a mais-valia, mas um processo graças ao qual o capitalista obtém sem troca, sem equivalente, gratuitamente, o tempo de trabalho cristalizado em valor. E esse processo não é nada além do gozo pelo capitalista do valor de uso da força de trabalho, que tem a qualidade de poder produzir valor de troca, de seus próprios gastos de manutenção, uma vez dado o nível determinado de produtividade do trabalho, sem o qual o modo de produção capitalista seria inconcebível (p. 86-87).

Percebe-se, então, que ao se tomar como referência o significado do trabalhador para o capitalista, ter-se-ia a seguinte compreensão: o valor de uso (mais trabalho) ganharia outra acepção, pois à força de trabalho subordinada significa para o explorador a obtenção da mais-valia. Já o valor de troca (trabalho necessário) estaria relacionado ao salário ao qual o trabalhador subordinou sua força produtiva. Portanto, a força de trabalho para os exploradores tem seu valor de troca e o valor de uso, esse último pode ser entendido como sinônimo da mais-valia, identificado nas duas formas de relação de produção: na subordinação real e formal.