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Vannføring under utvandring versus fangst (sjøoverlevelse)

4.1 Fangst, størrelsessammensetning og livshistorie

4.1.1 Vannføring under utvandring versus fangst (sjøoverlevelse)

Para Vygotsky, o funcionamento psicológico fundamenta-se nas relações sociais, que se desenvolvem no interior da cultura e no processo histórico. A abordagem histórica de Vygotsky está relacionada a um dos principais fundamentos das elaborações de Karl Marx: o materialismo histórico e dialético8.

Um aspecto muitas vezes esquecido na obra de Vygotsky é a ideia do “desenvolvimento histórico dos processos especificamente humanos”. O autor considera que eles estão em constante transformação; portanto, estudar uma função historicamente é estudá-la em processo de mudança, requisito do dialético.

Outro aspecto importante é a articulação entre os planos filogenético e ontogenético. Vygotsky e Luria se apoiaram nas pesquisas sociológicas etnográficas de Durkhein9, Lévy-Bruhl10 e Thurnwald11, que marcaram sua forma de entender

outras culturas e a relação entre cultura e processos mentais.

Para Vygotsky, a consciência e o pensamento/ação culturalmente mediados são considerados a marca da emergência dos seres humanos como espécie distinta. Ele estava imerso em uma tradição acadêmica e social que tinha como pressuposto uma forte ligação entre a evolução sociocultural e a história. A cultura era vista como fenômeno histórico, o que se torna central para o aspecto comparativo de sua teoria.

Nos escritos de Vygotsky, a cultura abrange os produtos artísticos e os processos de criação. Para o autor, cultura é a totalidade das produções humanas, técnicas, artísticas e práticas sociais; daí o termo “desenvolvimento cultural”, usado

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O materialismo histórico tem como parâmetros: a relação do homem com a natureza dá-se por intermédio do trabalho. É pelo trabalho que o homem supera sua condição de ser apenas natural e cria uma nova realidade: a sociedade. A matéria (natureza) representa a tese, o trabalho representa a antítese da matéria. Uma vez modificada pelo homem, a matéria (natureza) transforma-se em sociedade, que é a síntese. Sobre a relação indivíduo e sociedade, Marx afirma que “os homens fazem a história, mas não a fazem como querem. Eles a fazem sob condições herdadas do passado” – indivíduos e sociedade determinam-se mutuamente (Nota da autora).

9 Seu principal trabalho é a reflexão e o reconhecimento da existência de uma "Consciência Coletiva". 10

Antropólogo francês cuja tese de que os membros das chamadas sociedades primitivas teriam uma mentalidade pré-lógica, baseada em representações míticas, foi fonte importante para as propostas sobre diferenças culturais de Vygotsky.

11 Antropólogo e sociólogo alemão, fundador da revista Psicologia e Sociologia dos Povos. Seus estudos seguem

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por ele para descrever o desenvolvimento psicológico. A mediação pela cultura em Vygotsky é o que define o funcionamento psicológico humano.

Vygotsky, estendendo a análise de mediação12 de Marx e Engels, distinguiu o

instrumento e o signo na sua função pela orientação: enquanto os instrumentos são externamente orientados, para o controle da natureza, levando a transformação nos objetos; os signos são orientados para a comunicação e a autorregulação, o controle. Como exemplo de signos temos: palavras, números, símbolos algébricos, obras de arte, sistemas de escrita, esquemas, mapas, notação musical, entre outros. A partir de 1924, a obra de Vygotsky foi largamente influenciada pelos pensamentos de Espinosa13. Não se fará aqui uma análise profunda dessa influência, pois, para este trabalho, importa mostrar apenas o que Espinosa chama

de “o primeiro gênero de conhecimento, denominado opinião ou imaginação”

(GLEIZER, 2005).

Segundo Espinosa a “opinião ou imaginação inclui a percepção sensível e a imaginação propriamente dita, isto é, a representação das coisas exteriores como presentes a partir das ideias de suas imagens formadas no corpo humano” (GLEISER, 2005). Essas imagens são efeitos resultantes da interação do nosso corpo com os corpos exteriores. Em virtude disso, elas dependem tanto da natureza e da situação do nosso corpo, quanto da natureza dos corpos que nos afetam.

Espinosa afirma, ainda, que as ideias imaginativas indicam antes o estado do corpo humano do que a natureza dos corpos exteriores (GLEIZER, 2005). Por exemplo, quando percebemos a lua e uma estrela no céu como um pequeno círculo perto um do outro, essa percepção indica como nossa visão é afetada pela imagem, mas essa imagem não representa sua verdadeira dimensão nem sua verdadeira grandeza.

A teoria histórico cultural de Vygotsky introduz a possibilidade de se pensarem outras dimensões do indivíduo, como a imaginação e a criatividade,

12 O conceito de mediação foi tomado de Marx e Engels. Este considerava a mediação como a característica

fundamental da razão e fez dela uma noção essencial para distinguir as atitudes animal e humana, concebendo o trabalho como uma ação humana e humanizadora.

13 Filósofo que propunha a solução monista para os problemas relacionados ao corpo e à alma, ao sentimento e

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atuando na construção do conhecimento; tal proposta é, portanto, uma contraposição à teoria da razão instrumental14.

Sob muitos aspectos, Vygotsky era filho da revolução e engajou-se ativamente no projeto de fazer uma nova sociedade e desenvolver uma nova cultura. Leitor poliglota, travou contato com as obras de um conjunto diversificado e expressivo de autores da linguística, das artes e literatura, da psicologia, da sociologia e antropologia, além de Espinosa, Karl Marx15, Engels16 e Lucien Levy Brühl.

Vygotsky é o principal fundador da escola soviética de psicologia histórico- cultural. Em conjunto com Luria e Leontiev, forma o que foi denominado Troika ou Tríade Soviética. Para ele, o funcionamento psicológico fundamenta-se nas relações sociais, que se desenvolvem no interior da cultura e num processo histórico. A relevância da evolução e da biologia para o homem moderno não é desprezada, mas esse homem “acabado” sofreu influência das leis sócio-históricas, ou seja, o homem é um ser social, produto da vida em sociedade e da apropriação da cultura. O homem passa por um processo denominado humanização; processo histórico- cultural de transmissão das características do gênero, em que o indivíduo tem de se apropriar dos conhecimentos, valores e comportamentos produzidos por seu grupo para humanizar-se, evidenciando que a essência humana é uma essência histórica ou histórico-social. Tal aquisição decorre da apropriação de fenômenos externos da cultura material e intelectual produzidos por gerações precedentes. Essa forma particular de fixação e transmissão das aptidões humanas se deve à atividade fundamentalmente humana: o trabalho.

Segundo a teoria marxista, encontramos as bases que fundamentam o trabalho na transformação e no desenvolvimento do homem como ser social. Por

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Segundo Horkheimer, a vontade de dominar a natureza, de compreender suas “Leis” para submetê-la, exigiu a instauração de uma organização burocrática e impessoal, que, em nome do título da razão sobre a natureza, chegou a reduzir o homem a simples instrumento.

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Os postulados de Marx influenciaram profundamente as proposições Vygotsky; em cuja obra se podem identificar os pressupostos filosóficos, epistemológicos e metodológicos da teoria dialético-materialista. Para Marx, o homem não é apenas um ser natural, é um ser natural humano, que pode atuar tanto no seu ser como no seu saber. A natureza, nem objetivamente, nem a natureza subjetivamente é presente ao ser humano de imediato. O homem é uma espécie cuja evolução ultrapassou a evolução biológica. Ultrapassou-a para uma ordem que não é da natureza, mas da cultura. O que caracteriza a espécie humana como tal é que houve uma transposição das barreiras da materialidade para a materialidade simbólica, que é a cultural, ou melhor, faz-se cultural. Pela natureza do produto, o simbólico pode ser reapropriado, pois sua unidade é o signo.

16 Suas concepções sobre sociedade, o trabalho, o uso de instrumentos e a dialética homem/natureza foram

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meio de uma concepção onto-histórica de essência humana, Marx estabelece a intrínseca relação entre o surgimento do trabalho e a formação do próprio homem. Ao empreender o estudo das sociedades humanas, Marx lançou as bases para uma ontologia do ser social, considerando o homem como resultado da sua própria atividade sobre a natureza, e não de forças naturais ou divinas. Marx demonstrou, ainda, que a essência humana não é imutável e nem existe fora da historicidade; contudo, a mutabilidade dessa essência não implica sua existência, mas sim que o homem por meio do modo como produz sua vida a constrói constantemente, em condições impostas pelas relações sociais criadas pelo próprio homem.

O trabalho permitiu que as funções psicológicas elementares, presentes inclusive nos animais mais desenvolvidos, pudessem evoluir para funções superiores como resultado mediado das relações estabelecidas pelos homens no ato do trabalho. Vygotsky pauta suas concepções de homem na teoria marxista e, por meio dos seus estudos, pode-se entender a relação entre as funções psicológicas superiores e o trabalho, sendo este um fundamento ontológico do ser social, cuja maior repercussão seria a formação do gênero humano, através do processo de humanização que se dá pela apropriação do patrimônio histórico- cultural produzido pela humanidade ao longo de sua história.

A mediação de instrumentos seria a chave do processo de transformação das funções psicológicas elementares em funções psicológicas superiores. Essas funções, além de se caracterizarem pela mediação e origem social, também são controladas de forma consciente e voluntária.

As funções psicológicas superiores são, assim, processos sociais e surgem a partir do movimento de objetivação e exteriorização. São elas: a memória lógica, a atenção voluntária, o pensamento verbal, a linguagem intelectual, o domínio de conceitos, o planejamento, a imaginação, a sensação, entre outras. Com a leitura da obra de Vygotsky, percebemos como o âmbito histórico-cultural é imprescindível para uma adequada compreensão das funções psicológicas superiores, o que não significa negar o caráter natural de seu desenvolvimento.

Tão logo o darwinismo apareceu, a vanguarda do proletariado, os socialistas, saudaram a teoria darwinista, porque nela viam uma confirmação que completava sua própria teoria; não como alguns oponentes que queriam basear o socialismo no darwinismo, mas no sentido em que a descoberta de Darwin, de que mesmo no

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aparentemente estagnado mundo orgânico há um contínuo desenvolvimento, é uma gloriosa confirmação que completava a teoria marxista do desenvolvimento social.

O trabalho coletivo na fabricação dos primeiros instrumentos teria criado a necessidade de um meio de comunicação. Para Engels, a história da humanidade começa com o desenvolvimento da postura ereta, que liberava as mãos para o desenvolvimento motor. Com base nessa hipótese, os fatores decisivos dessa transformação seriam: o trabalho social, a invenção e o emprego dos instrumentos de trabalho, o surgimento da linguagem.

A adoção das teorias de Engels por Vygotsky implicava a aceitação de uma distinção entre evolução biológica e história humana e o reconhecimento da importância do papel dos instrumentos e do trabalho na origem da cultura humana.

Vygotsky estava de acordo com seus contemporâneos ao caracterizar diferentes culturas como “inferiores” e “superiores”. Evitou, porém, o erro de explicar diferenças culturais e mentais usando como referência diferenças biológicas ou mesmo raciais, como faria Thurnwald.