Essa foi a Área com maior quantidade de SIM (33%), quando comparada às outras áreas (24%). Composta por seis Componentes e 19 Questões, podemos destacar que o Componente Aspectos Curriculares foi o único com maioria (58%) de respostas SIM em todo o questionário. Quanto às Questões, merece destaque a Q.16 “Seu curso na UnB possui conteúdo relacionado à Promoção de Saúde?”, com a maior proporção de resposta SIM (85%) em todo o questionário.
Outro Componente, o Vínculo com o Meio, também recebeu uma boa quantidade (47%) de respostas SIM; tendo como destaque a Q.19: “Você já participou de aulas ou projetos de promoção da saúde realizados com vínculos entre a UnB e outras instituições externas?”, que apresentou 53% de respostas SIM. Isso indica que a maioria dos alunos percebe os aspectos curriculares e de formação acadêmica da UnB, incluindo a criação de vínculos com o meio externo, como promotores de saúde. Tais componentes propiciam ao aluno segurança em relação a seu destino de vida profissional, um aspecto importante na saúde humana (PEREIRA; TEIXEIRA; SANTOS, 2012; TSOUROS et al., 1998).
No entanto, o Componente da Qualidade de Vida Estudantil teve Questões com elevada prevalência (>60%) de respostas NÃO. É o caso da Q.8 “Algum programa ou ação de promoção da saúde ou da qualidade de vida desenvolvido na UnB já te beneficiou?”, indicando pouca capilaridade ou alcance das ações; e da Q.10: “o Clima Psicológico na UnB é adequado à saúde?”, indicando haver concorrência, cobrança ou burocracia exageradas na instituição. Há que se destacar aqui que as mulheres apresentaram padrão significativamente pior nas respostas ao Componente da Qualidade de Vida Estudantil do que os homens.
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Temos então que a Área da Gestão Institucional precisa trabalhar para desenvolver e/ou capilarizar mais programas ou ações de promoção da saúde e qualidade de vida para os estudantes, em especial as do sexo feminino. A UnB precisa também rever alguns critérios que afetam o clima psicológico da instituição tais como concorrência, cobrança ou burocracia exageradas. Tais avanços devem advir de mudanças na cultura organizacional, o que exige tempo. Registros de programas voltados para a promoção da saúde em universidades da Costa Rica e da Colômbia levaram sete anos para apresentar seus resultados de forma sistematizada (BARBOZA et al., 2010; GRANADOS et al., 2009).
E mais, mudanças organizacionais envolvem processos educacionais constantes, incluindo a própria educação em saúde; o mapeamento de aspectos que devem ser modificados; e a realização de projetos alinhados aos referencias de promoção da saúde, com ações desenvolvidas com ênfase na excelência. Tal projeto deve perpassar diversas áreas da universidade e ser avaliado para sua eficiência e eficácia a cada processo implementado; se diferenciando assim de projetos e ações pontuais (TSOUROS et al., 1998; DOORIS; DOHERTY, 2006; DOORIS, 2001).
Nesse sentido, a complexidade da Promoção da Saúde deixa o processo ainda mais desafiante. Tais projetos e ações, numa UPS, devem ser intersetoriais, multi-estratégicos e sustentáveis, vinculados à promoção da equidade, do empoderamento e da participação social, com uma concepção holística do ser (SÍCOLI; NASCIMENTO, 2003; OMS, 1998). Diante de tamanho desafio, a competência institucional ganha relevância no processo, ajudando a gerir as complexidades envolvidas, tanto dos processos quanto dos sujeitos (TSOUROS et al., 1998; DOORIS; DOHERTY, 2006).
De modo a estimular que a Promoção da Saúde se torne um conceito prático, real e vivo, a Carta de Ottawa (OMS, 1986) apresenta cinco ações: reforçar ações comunitárias, desenvolver habilidades pessoais, criar ambientes favoráveis, reorientar serviços de saúde e construir políticas públicas saudáveis; e três estratégias: empoderar, mediar, e advogar em favor da saúde. Vejamos como podemos aplicar essas ações e estratégias ao nível da gestão institucional.
Acreditamos que o presente estudo já apresente um princípio de mapeamento das situações e condições existentes. Para que tal processo se torne avaliativo, é fundamental que a gestão se aproprie de tais resultados e passe a identificar outros aspectos relacionados. O gestor
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deve saber que recursos estão disponíveis, quantos funcionários, quantos professores, quantos alunos, quais as condições destes sujeitos para realização de determinadas atividades, quantos recursos financeiros estão disponíveis, quais espaços podem ser usados e como, quais recursos ambientais existem, quantas áreas verdes, quantas calçadas, quantos estacionamentos, enfim, uma infinidade de itens que se comportam de forma parecida em determinado setting ou ambiente (DOORIS; DOHERTY, 2006).
Algumas UPS mais renomadas como a de Manchester e a de Central Lancashire apresentam registros da relevância do estabelecimento de pontos de ação e de mapeamento dos recursos disponíveis (TSOUROS et al., 1998). Sabendo quais recursos utilizar, quais grupos sociais mobilizar e que formas de avaliação são viáveis, é possível planejar ações complexas o suficiente para fazerem jus à promoção da saúde (TAVARES et al., 2016). Além da própria eficiência nas ações, ganha-se também possibilidades de avaliação mais apropriadas, que favoreçam a identificação dos problemas envolvidos nos processos e a visualização do todo, permitindo entender em quais pontos estão ocorrendo os possíveis problemas (TSOUROS et al.., 1998).
Nessa direção, além dos aspectos apontados no presente estudo, a UnB tem adotado uma estratégia de avaliação a partir da Comissão própria de avaliação, que vem buscando fornecer informações sistematicamente a respeito da instituição. Mas é necessário frisar que avaliar implica em uso dos resultados para determinado fim, geralmente fornecendo informações para a tomada de decisão (HARRIS, 1968; STUFFLEBEAM, 1968).
Em adição, dialogando com princípios de Promoção da Saúde, é importante que a avaliação busque garantir a representação das partes interessadas e afetadas pelos processos na Universidade, se afastando da abordagem “Top-Down” (ou de cima para baixo). Cientes de que uma avaliação precisa de avaliadores e de avaliados, devemos buscar fugir do estereótipo onde quem propõe e/ou avalia as políticas, ações ou até mesmo mapeia as estruturas organizacionais e sociais são os gestores ou dirigentes de alto nível; relegando aos alunos o papel de avaliados (GUBA; LINCOLN, 1989).
É nesse sentido que defendemos o empoderamento e a participação social estudantil, destacando sua relação com o emprego político da liberdade e com o desenvolvimento de consciência crítica de poder (SILVA; PELLICIONI, 2013). Consideramos fundamental que se promova o protagonismo juvenil nos processos avaliativos e decisórios em uma UPS,
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fortalecendo o poder dos jovens de mudar conjunturas e cenários políticos (CANCIAN, 2014; SPOSITO; TRÁBOLA, 2016).
Como jovens tendem a se afastar da atuação política e de estruturas burocráticas, preferindo se engajar em atividades mais rápidas e dinâmicas (CANCIAN, 2014), há que se encarar este como mais um desafio a ser transposto (MARTINS; DAYRELL, 2013; BOGHOSSIAN; MINAYO, 2009). Mas a participação social pode funcionar como um propulsor de energia aumentada, muito embora não tão orientada quanto para atores políticos mais experientes. Pode ser o papel dos gestores direcionar essa energia jovem. E, no caso de estudantes universitários da área da saúde, devemos destacar o compromisso ético e político com o engajamento na construção de uma UPS.
Considerando que, no caso da UnB, os Componentes que tiveram respostas mais positivas estiveram ligados à qualidade do ensino e formação profissional na promoção da saúde, e que os programas e ações institucionais é que apresentaram um padrão ruim de respostas, talvez devêssemos passar a discutir, inclusive dentro do currículo, como implementar a promoção da saúde na instituição (DOORIS; DOHERTTY, 2006). Sem que haja uma gestão comprometida com a indução desses processos, respeitando os valores e princípios promotores de saúde, não será possível desenvolver uma UPS (DOORIS; DOHERTTY, 2006).
Em termos das diferenças entre Cursos e Faculdades na Área da Gestão Institucional, podemos destacar o melhor padrão de respostas para a Faculdade de Ciências da Saúde (embora não estatisticamente significativo) e para o curso de Saúde Coletiva. Aspectos que podem estar relacionados a esses resultados são objeto de análise mais a seguir, no tópico 7.5. Tais aspectos devem ser considerados como experiências exitosas no direcionamento da Gestão de outros Cursos e Faculdades da UnB.