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A Área de Comunicação e Participação Social dentro da Universidade teve a maioria das respostas como EM PARTE, com piores resultados para alunos mais velhos e pertencentes às classes econômicas menos abastadas (CDE). Cabe destacar que alunos da Faculdade de Ciências da Saúde foram os que responderam mais positivamente para esta área, com razão de chance muito maior para a resposta SIM. Além disso, alunos ingressantes nos cursos

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apresentaram maior padrão de respostas SIM quando comparados aos alunos no meio e no final do curso. O Componente Comunicação teve mais respostas NÃO (43%) do que o Componente Participação Social (23%). Merece destaque a pergunta “Alguma das informações disponíveis nas estratégias de comunicação da UnB já beneficiou sua saúde?”, com 65% de respostas NÃO, indicando a necessidade de se discutir as atividades comunicacionais da UnB.

Considerando que 73% dos alunos indica a percepção de que a UnB desenvolve alguma (SIM ou EM PARTE) estratégia de comunicação voltada para a promoção da saúde, não se trata de questionar a existência dessas ações nem se a comunicação é capaz de gerar ou não promoção de saúde, mas sim, de que as ações de comunicação em saúde não estão beneficiando a saúde dos alunos. É possível que, pelo fato de serem alunos dos cursos de saúde, esses já tenham conhecimentos sobre tais informações e que as estratégias comunicacionais da UnB não agreguem nenhuma nova informação que possa beneficiar a saúde desses estudantes. Tal hipótese é reforçada quando observamos melhor desempenho da Área de Comunicação e Participação entre alunos ingressantes, e uma diferença significativa nos padrões de respostas por Curso, sendo o curso (e Faculdade) de Educação Física, o com piores chances de apresentar respostas positivas dentro dessa Área.

Se a comunicação com o aluno não for feita de forma adequada, muita energia e recursos podem ser gastos em vão (PINTO, 1995). Nessa perspectiva, podemos destacar a complementaridade dos dois componentes: comunicação e participação. Engajar o aluno da saúde na construção de estratégias e conteúdos para comunicar aspectos promotores de saúde pode ser uma excelente iniciativa para a UnB ampliar ambos: tanto o impacto da comunicação na saúde como a participação social.

Outros estudos apontam que é bastante comum haverem problemas na divulgação de atividades promotoras de saúde, sendo considerada uma barreira para que as iniciativas se tornem realidade (TARGINO, 2009; GOLD et al., 2012; EVANS, 2006). Só que no caso, tais estudos se referem majoritariamente às estratégias de divulgação de ações e programas, indicando que, muitas vezes, as ações são comunicadas em círculos de pessoas já apropriadas dos meios de buscas destinadas a encontrar tais iniciativas (comunicando apenas dentro dos mesmos grupos). Um projeto que poderia ser extraordinariamente eficiente e agregador acaba tendo poucos participantes em virtude da comunicação ineficiente.

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Muitas dificuldades de ordem prática se iniciam ao buscarmos estratégias comunicacionais mais efetivas: a cultura da Hiper informação e superprodutivismo (e consequentemente, um quase inevitável estresse mental) é uma delas (BAUMAN, 2001) outra é o próprio desinteresse por parte do usuário (TARGINO, 2009; GOLD et al., 2012; EVANS, 2006).

Além disso, a comunicação pode ser uma etapa anterior à participação social. Para que um indivíduo se engaje na participação do planejamento ou execução dessas ações e projetos, ele precisa primeiro conhece-los (MARTINS; DAYRELL, 2013; SPOSITO; TARÁBOLA, 2016; GRIEBLER et al., 2017; CASTRO, 2008). Lembrando que o termo participação social se difere de participação como receptor passivo de uma ação ou projeto; que normalmente vem do “especialista” para o “aquele que aprende” (SPOSITO; TARÁBOLA, 2006; SILVEIRA et al., 2008). Numa área com Componentes e Questões bastante equilibrados no padrão de respostas, merecem destaque: a pergunta “A UnB incentiva sua participação nas discussões e decisões da instituição?”, e a pergunta “Você tem oportunidades de opinar sobre programas ou projetos no seu departamento ou faculdade?”, com mais de 30% dos alunos respondendo que NÃO.

A participação social envolve a possibilidade de indivíduos participem da vida social, incluindo decisões e ações que os afetem diretamente ou não (SPOSITO; TARÁBOLA, 2006). Esta participação é requisito para o bem-estar dentro da sociedade e, portanto, é essencial à promoção de saúde (SÍCOLI; NASCIMENTO, 2003). Ademais, os efeitos de aumento de sensação de participação dentro dos projetos institucionais podem trazer efeitos pessoais, como satisfação, senso de pertencimento, motivação e empoderamento; efeitos na organização institucional, efeitos nas interações e relações sociais; e efeitos em tomadores de decisão (MARENT; FORSTER; NOWAK, 2012).

A maioria dos alunos afirma que a UnB é EM PARTE promotora da comunicação e participação social, e para continuar melhorando deve se espelhar no exemplo de gestões mais democráticas e participativas como as realizadas no âmbito da Faculdade de Ciências da Saúde, com destaque para o Curso de Saúde Coletiva, que chegou a ter quase quatro vezes mais chance de responder SIM, a UnB promove Saúde na Área de Comunicação e Participação Social, que o Curso de Educação Física. Incrementar a participação social pode ser uma árdua tarefa mas seus resultados conferem benefícios em promoção da saúde (WONG; ZIMMERMAN e PARKER, 2010; HANSEN, 1975).

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O presente estudo expressa a percepção dos alunos sobre a situação e indica que há que se avançar na participação dos alunos na linha de frente de decisões políticas de “alta cúpula” de nos processos de avaliação. Apesar das dificuldades inerentes à abrangência da promoção da saúde, a participação social é fundamental e útil, pois potencializa os benefícios a partir das indicações e preferências dos próprios beneficiados (HANSEN, 1975; MARENT; FORSTER; NOWAK, 2012).

É essencial que o aluno ganhe participação orgânica na vida política da Universidade e, nesse sentido, fala-se não só do poder do estudante, mas também do jovem. O grupo de jovens se instaura em uma sociedade como fôlego para uma nova empreitada. Os sistemas sociais futuros, preparados para enfrentar os problemas atuais serão construídos com base nesse sistema que hoje os jovens estão conhecendo e em relação aos quais podem traçar soluções. O poder jovem representa mudança, transformação. Uma nação de jovens enérgicos é voltada para a inovação e para conquistas (CASTRO, 2008).

Frente a essas qualidades advindas desse tipo de participação, as dificuldades existentes em torno da inexperiência política dos jovens podem ser supridas, desde que entendam o papel do jovem, componente de um sistema participativo composto por outros atores igualmente importantes, construtores de subjetivações que vão aos poucos se tornando realidades; e membros de um processo nos quais as redes técnicas e sociais se fundam como definidores da forma de participação, sendo componentes dessas redes: os objetivos, recursos, conhecimentos, experts, leigos, staff e eventos (MARENT; FORSTER; NOWAK, 2012).).

Monitorar os processos de participação estudantil na instituição pode ser uma forma factível da gestão orientar o processo de ampliação da participação. As ações de comunicação devem nascer desses encontros participativos e equânimes em representação (COUTINHO, 2011; GRIEBLER et al., 2017) e, nesse sentido, a FS vem cumprindo um importante papel, especialmente com a iniciativa Comunica FS, descrita mais a frente.

Cabe, dentro desta reflexão, porém, retomar que a participação pode ter duas funções: ela pode ser democrática ou utilitária (MARENT; FORSTER; NOWAK, 2012). Quando utilitária, ela pode acabar servindo aos interesses de uma minoria, geralmente elitista e não pluralista. Não parece ser o caso da participação reportada pelos alunos na UnB, mas devemos estar atentos para que a participação não acabe apenas disfarçando o domínio. Este é um dos obstáculos impostos à participação, classificado como cinismo ou participação cínica. Outros obstáculos

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podem ser a apatia, quando quem pode participar não se interessa, e o desempoderamento, quando por algum meio, se retira poder de decisão do cidadão (MARENT; FORSTER; NOWAK, 2012).