3 Methodology
3.7 Validity, reliability and generalizability
Para dar início ao presente estudo, tomámos como ponto de partida o pedido de permissão para realização da investigação à Direção da instituição. Este foi concretizado através de uma carta de pedido de autorização onde constavam os objetivos da investigação, o público-alvo da amostra necessária, o horário em que seriam aplicados os questionários e respetivos procedimentos (ANEXO 2).
Após a receção do consentimento da instituição, entregámos aos pais (e substitutos) das crianças uma carta de consentimento informado (ANEXO 3) onde era explicado o âmbito do estudo e os objetivos principais, o local e horário de realização das entrevistas. No mesmo documento era garantida a confidencialidade dos dados pessoais (identificação dos intervenientes) e o direito de voluntariado e de interrupção da participação em qualquer uma das suas fases, finalizando com o pedido de autorização para recolha dos dados mediante o preenchimento de uma declaração de autorização anexa.
À medida que nos foram sendo devolvidas as declarações de autorização dos pais com a permissão para recolha de dados, procedemos à entrega dos instrumentos de avaliação do
bem-estar subjetivo e das práticas parentais aos pais e realizámos as entrevistas aos respetivos filhos no contexto da instituição.
Todas as escalas e questionários foram previamente testados através de aplicação a uma criança mais nova, de modo a averiguar a facilidade de compreensão das questões e do vocabulário utilizado, bem como verificar a necessidade de algumas alterações à linguagem usada e aferir o tempo despendido. Verificou-se que esta criança necessitou de vinte minutos para a realização do Questionário de Entrevista Semiestruturada Individual, Escala de Afeto para Crianças e Escala Multidimensional de Satisfação de Vida para Crianças.
O primeiro instrumento aplicado foi o Questionário de Entrevista Semiestruturada Individual, a qual durou aproximadamente seis minutos, dado que as respostas dadas pela criança foram breves. Em relação ao primeiro grupo de questões, notou-se alguma dificuldade da criança em descrever o conceito de felicidade. Porém, mostrou-se desde logo interessante o facto de esta associar a família (pai e mãe), a escola e as coisas que gosta de fazer à sua noção de felicidade. Em relação ao segundo e terceiro grupos de questões relativas à perceção da criança acerca da própria felicidade e aos indicadores de bem-estar subjetivo a criança mostrou maior à vontade, referindo novamente a sua casa e a família mais próxima (pais, avós, tios e prima).
O segundo instrumento aplicado foi a Escala Multidimensional de Satisfação de Vida para Crianças e ocupou um tempo médio de dez minutos. Explicou-se à criança o significado da escala de círculos e posteriormente as “regras do jogo”, pedindo que assinalasse um círculo correspondente à sua resposta. Ao iniciar o questionário, apercebemo-nos que o facto de as frases estarem na primeira pessoa, como se fosse o entrevistador a afirmá-las, confundiu um pouco a criança, parecendo-nos que a resposta dada por esta era escolhida em função do sentimento que lhe provocada a afirmação dita pelo adulto e não em relação a si própria, pelo que foi necessário reformular as frases em formato de questões dirigidas à criança, colocando- as na segunda pessoa para facilitar a realização do questionário.
Neste teste a criança mostrou facilidade em associar os círculos à escala likert correspondente.
A aplicação do último questionário, Escala de Afeto para Crianças, durou aproximadamente quatro minutos. A criança demonstrou ter compreendido o que lhe foi pedido, embora mostrasse dificuldade em entender o significado de alguns conceitos que tiveram de ser explicados.
Aplicou-se também, a bateria de instrumentos a uma mãe. Esta revelou ter facilidade em responder e compreender os questionários.
As primeiras impressões dos questionários realizados às crianças revelaram curiosamente, uma maior dificuldade das crianças mais velhas em descrever o conceito de felicidade. Por outro lado, estas mostraram maior compreensão da escala de resposta e rapidez.
O tempo das entrevistas realizadas às crianças variou entre um mínimo de 6 minutos e um máximo de 20 minutos. Já a aplicação dos questionários às mesmas teve a duração médio de 15 minutos.
A recolha de dados foi realizada nos meses de fevereiro a agosto de 2012.
As respostas das crianças e dos pais recolhidas através dos Questionários de Entrevista Semiestruturada Individual foram transcritas e categorizadas com recurso às técnica de Análise de Conteúdo (Bardin, 1977) e ao software informático N-VIVO, versão 8 para Windows, que permite desenvolver um projeto de pesquisa, armazenar e organizar os dados em diversos tipos de fontes, identificar elementos significativos para análise e conclusão e obter uma descrição subjetiva e sistemática do conteúdo da comunicação.
No que se refere ao Questionário de Entrevista Semiestruturada Individual aplicado às crianças, foram recolhidas as unidades de registo (frases ou palavras resultantes das respostas das crianças) para cada questão e agrupadas segundo as categorias temáticas utilizadas no estudo desenvolvido por Giacomoni (2002). Foram analisadas as frequências e as percentagens das categorias e compararam-se os casos com base nas variáveis demográficas (género e idade das crianças). A síntese dos resultados é apresentada por meio de tabelas.
Para as respostas obtidas através do Questionário de Entrevista Semiestruturada Individual aplicado aos pais foram igualmente utilizados os mesmos procedimentos de transcrição e a análise de conteúdo referidos anteriormente, tendo sido agrupadas as unidades de registo de acordo com as categorias propostas no estudo de Borges (2010). Os dados quantitativos referentes a tempo de interação diária e ao fim-de-semana entre pais e filhos, existência de apoio familiar, frequência e número de atividades extracurriculares e tempo passado no jardim-de-infância, foram analisados com o programa informático SPSS (Statistical Package for Social Sciences) versão 17.0 para Windows.
Para realizar a análise quantitativa das medidas utilizadas, verificámos previamente a existência de erros ou outliers que pudessem afetar a normalidade da distribuição dos dados bem como distorcer os resultados da análise estatística, o que não se observou nos dados da
nossa amostra. Para a análise dos resultados e considerando os objetivos e hipóteses formuladas foram utilizadas as seguintes provas: uma análise descritiva dos dados para caracterização dos resultados na amostra; aplicado o teste não-paramétrico U de Mann- Whitney para análise de variâncias; utilizado o teste de correlação de Spearman para avaliação das relações entre o bem-estar subjetivo da criança e dos pais; e recorremos ao método da Regressão Hierárquica Múltipla (método Enter) para testar os fatores influentes do bem-estar subjetivo da criança.
As tabelas foram construídas no programa Microsoft Word 2007 pela flexibilidade de formatação e arranjo gráfico que permite.