3. FORSKNINGSDESIGN OG METODE
3.6 Reliabilitet og Validitet
3.6.2 Validitet
Nest a brasa de let ras
que se esfum a a poesia Traga essa cham a que a alm a at eia Nesta fogueira da alm a que ao t ext o ilum ina Traga o verso e nada m ais Na calada da noit e Ou com o sol ardent e.
Agora, com labaredas j á bast ant e escarlat es, em m eio às fagulhas
que a fogueira cospe, com o que alim ent ada pela hist ória que acabara de ouvir, percebo o vulto de pessoas que vão se aproxim ando, pouco a pouco, e se acom odando em t orno da fogueira, t odos no m ais profundo silêncio. São os m eus convidados que est ão chegando, at endendo ao convit e que os fizera para um encont ro, no qual iríam os com part ilhar nossas histórias de vida e form ação.
Caros colegas profesores, pesquisadores e cient ist as Convido para um encont ro
E ofereço um a pista Com part ilharem os hist órias
Será coisa nunca vist a. As histórias são de vidas Podendo ser de m ort e t am bém
Fica ao gosto de vocês Cont ar o que lhes convém O im port ant e é que sej am Vivências que o aut or t em .
O local vocês Já sabem Naquele lugar na florest a
Convidei poucas pessoas Espero que venham depressa Com um a fogueira queim ando
Imagem 9- Fogueira Junina.
Ao perceber que todos j á est ão acom odados nos lugares que escolheram para sent ar j unt o à fogueira, com eço dando as boas vindas e anunciando o que vam os t rat ar nesse encont ro, cant ando em verso para não perder o ritm o.
Bem - vindos m eus convidados Que vieram alegrar Essa noit e ilum inada E suas histórias contar Fiquem t odos à vont ade
Hoj e cada um de nós Junt os num m esm o passo ao contar nossas histórias
Fortalecerem os laços De am or e am izade Unidos num grande abraço.
Que as cham as da fogueira Aqueça os corações Pra poderm os com eçar E contar nossas versões Narrando nossas histórias
de vidas e form ações.
Um a professora m e disse Valha- m e Nossa Senhora
I sso é tarefa difícil
Penso que quando for m inha hora Com t ant a gent e im port ant e
Nenhum a palavra sai fora.
Te disse: - Mas que t olice! Não m e fale essa asneira Cada um t em um a hist ória
E isso não é besteira Com põe as nossas vidas Não im port ando a m aneira.
Porém quero sugerir Nossa aproxim ação Façam os um a rodada
E um a apresentação Para j á saber quem som os
Logo de prim eira m ão.
Obedecendo ao que m anda As regras de boas m aneiras
Morin m e sugeriu Que fosse eu a prim eira
A m e apresentar agora Já em torno da fogueira.
Eu sou Fát im a Araúj o E aqui m e sint o bem Sou professora prim ária Tarefa que m e convém Trabalho com form ação De professores tam bém .
Depois de m e apresentar No papel de anfit riã Passo a palavra a vocês Pra se apresentar com afã
E pra obedecer à roda Com ecem os por Morin.
Me cham o Edgar Morin Na vida não m e confundo Pelo pensam ent o com plexo Tenho um respeit o profundo Sint o- m e um cont rabandist a Dos saberes dest e m undo.
E eu sou Maria Zilm a Professora de criança
Term inei graduação Ainda m e rest a esperança
De na nossa educação Prom over m uit a m udança.
Boa noit e, sou Cascudo E m e sint o m uito honrado
De pra essa ocasião Ter sido convidado Espero que eu consiga Tam bém dá o m eu recado.
E eu sou Elis Regina Por favor não se espante Não foi o espírito da cantora Que apareceu nest e inst ant e Eu sou m esm o é professora Não m e peçam pra que eu cant e.
Eu sou Francisca Falcão Mas t odos m e cham am Bia
Faço rim a e faço versos I sso é t udo que eu queria
Está aqui com vocês Nesse m aravilhoso dia.
O m eu nom e é Lisieux E venho lá de Perobas Daquela t erra belíssim a Donde o m ar se desdobra
Ser professora prim ária É o que faço por hora.
Eu sou Mart a N eves Sant os do Nascim ent o
Quero dizer pra vocês Aqui e nesse m om ent o Que é um grande privilégio
Part icipar desse int ent o.
Boa noite m eus senhores E m inhas senhoras t am bém
Eu m e cham o Vera Lúcia E nessa noit e aqui venho
Para contar as histórias E experiências que t enho.
Sou um índio brasileiro E sinto m uita alegria De está aqui com vocês
Nessa noite de m agia Só part ilham os o nom e
Com pessoas de valia
D a n ie l M u n du r u k u
Est e é o m eu guia.
Term inada a apresentação A fogueira a queim ar Um a professora apressada
Com eçou logo a falar Pediu para com eçarm os
E t rat ou de anunciar Que seria eu a prim eira A m inha hist ória cont ar.
Fiquei um pouco corada Nervosa, m as concordei Em com eçar a narrativa Aquela era a m inha vez Aj eit ei um pouco a voz
Espere aí m inha gente Prest e um pouco de atenção
Peço licença agora Pra lhes cont ar de antem ão Um pouco da m inha hist ória
E da m inha form ação.
Nasci de um a fam ília sim ples De precária form ação
Estiveram na escola Por curtíssim a duração Mas não queriam que seus filhos
Passassem t al provação.
Morávam os num a fazenda Lá pras bandas do sertão As coisas que lá chegavam I am de burro ou cam inhão
E por não haver escola Não fiz alfabetização.
Fazenda dem anda t rabalho Com bois, vacas, pavão
Pat o, galinha, j um ent o Oh, que grande confusão
E pra dá cont a de tudo Tinha que t er um peão.
Fiz todo esse rodeio Sem querer ser enfadonho
Mas é que quero cont ar Com o conheci seu Ant onio.
A luz do m eu candeeiro O despertador dos m eus sonhos.
Imagem 10- Adivinhando Chuva.
Seu Ant onio era um senhor Muit o agradável, cont ent e Foi cont rat ado por m eu pai
Pra dá cont a do bat ent e E se isso não bastasse Ainda alegrava a gent e.
Você deve t á pensando Que t em a ver o m at uto? Mas lhe falo sem dem ora De com o ele era astuto Com prava cordéis na feira
Pra de noit e t er assunt o. E sem pre após o j antar
Com lua cheia ou não Fazíam os roda no alpendre
Sob a luz de um lam pião Pra ouvir longas histórias
De am or e de paixão De cangaço e ousadia Da cidade e do sertão.
E eu ainda pequena Menina m uit o levada Depois de ouvir tais histórias
Dorm ia inebriada Em balada pelo desej o
De ser alfabetizada Pra roubar aqueles livros
E lê- los dum a t ragada. O desej o foi crescendo E a curiosidade lat ent e Quando seu Ant onio saia
I a até seus aposentos Pegava os tais cordéis E olhava m uit o at ent a.
Prestava atenção nas palavras Ficava a observar
Queria aprender a ler Tent ando adivinhar Onde é que tava escrito
O que ouvi ele contar.
E foi assim eu lhes digo Que passado pouco tem po Eu conseguia ler os versos
Cheia de cont ent am ent o Não sabia que o dest ino Me preparava um t orm ent o.
Alheia a esse processo Sem saber que eu j á sabia
Mam ãe m e m at riculou Na escola de dona Maria
E num a de ABC Eu t inha que ler t odo dia.
Acont ece que a senhora Tinha apenas um m ét odo só E se os cordéis m e anim avam
Aquela escola era um nó Mandando eu repet ir O ba- be - bi- b - o – bo.
Sem cont ar que seu m arido Ficava t am bém na sala E t inha um a cara t ão verm elha
Com o sangue na navalha Fazia caret as pra m im Me deixando at rapalhada
Eu fazia as tarefas Debaixo da m esa sent ada.
Mesm o assim não reclam ava Se a aula era um a aflição
Pois fazia da viagem Um a grande diversão Brincava com gafanhoto Calango, ninho de azulão
Tom ava banho no riacho Sem sofrer qualquer sansão.
Aquela escola era um engodo Não dava m ais pra agüentar Com um pouco m ais de t em po
Chegou a hora de m ostrar Pros m eus pais, com m uit o t ent o
Que aprendi o bê- a- bá E um a noit e no alpendre O cordel eu quis falar.
Os m eus pais ficaram bobos De orgulho e gratidão Por Maria, a professora Que m e ensinara a lição Não sabiam que m uit o ant es
Eu j á prestara atenção Se só agora eu tava lendo
Foi de m im a decisão.
Esse segredo era só m eu Parece, ninguém not ou Só sei que dali em diant e
Seu Ant onio abandonou O hábito de ler cordel
A m im ele delegou Eu lia elegant em ent e Com o a fia de um dout or.
Fui então pra out ra escola Mais organizada e exigente
Lá, fazia com posição Sobre bicho e sobre gente
I sso eu fazia bem Ficava t oda cont ent e E o prim eiro lugar da classe
Mas o m eu m aior barato Naquela época da infância
Era escrever à vovó Que se encont rava à distância
E m e m andava elogios Crescendo m inha const ância
De escrever sem m edo E com m ais perseverança.
Depois eu fiz m agistério Pra estudar com o se faz Para atender a crianças E fazê- las aprender m ais
Mas isso não era tudo Eu ainda queria m ais.
Est udei Pedagogia Na Universidade Federal Aprendi novas t endências
Da Educação atual Mas precisava saber m ais
Eu descobri no final. Participei de congressos
Na área da educação De estudos e sem inários
E cursos de extensão Tudo para aperfeiçoar Toda m inha form ação.
Foi ent ão que decidi Um proj eto organizar Pra concorrer ao m estrado
E pós- graduação cursar Consegui ser aprovada
E est ou a pesquisar.
No grupo da Com plexidade Onde fui acolhida Me sint o m uit o feliz E t am bém agradecida
De estudar as idéias Que se confundem com a vida.
Tenho com o orientadora Maria da Conceição Que dedica a todos nós
Bast ante dedicação
Com ela desenvolvo a pesquisa De histórias de form ação.
De experiências de vida Part indo logo das m inhas Porque em nossos est udos Com o cost urados com linha
Suj eit o e obj et o
E nessa m inha pesquisa Confesso que t enho um plano
Nas narrativas dos outros I nsist o, não abandono Pra ver se na vida deles Tam bém t em um Seu Ant ônio.
Estas são experiências que ressignificadas se const it uíram na m at riz de const rução de out ros conhecim ent os, processo pelo qual passa todos os hum anos conform e suas singularidades e oport unidades que t iverem na vida. Tom ando o Seu Ant ônio da m inha vida, t ransform o- o em m et áfora para reconhecê- lo nas histórias aut obiográficas de m eus ‘convidados’. Não se t rat a, port ant o, de procurar um a pessoa que foi im port ant e ou decisiva em suas vidas, m as de identificar situações ou acontecim ent os que os m arcaram nas suas t raj et órias de form ação, t ant o quant o Seu Ant ônio m arcou a m inha. Segundo Souza ( 2004, p.20) , “ ( ...) a dim ensão form adora das experiências deixam m arcas e im prim e reflexões sobre o vivido” . Neste sentido, todas essas experiências, frut os do acolhim ent o e da polifonia de idéias das pessoas com quem convivi, significat ivas a pont o de est ar t razendo- as para um t rabalho cient ífico, influenciaram a m inha form a de escrever e de ler o m undo num estilo m ais est ét ico e m ais poét ico. Seu Ant ônio lançava m ão de um a poderosa ‘farm acopéia’ de folhet os de cordéis que ele lia pra nós ( eu e m eus irm ãos) , criando um t ecido fort e que enlaçava e aquecia nossas noites, espirit ual e em ocionalm ent e.
Seus cordéis assum iam vida própria quando lido e int erpret ado, t al qual borboletas livres que criam asas, voando e povoando a nossa im aginação, despert ando est ados de ser, m arcando a nossa m aneira de est ar no m undo e const ruindo vínculos definit ivos.
Mas, todos estão ávidos por ouvir a história do nosso prim eiro convidado, que com seu rost o j á verm elho pelo calor das cham as, prepara- se para falar. E em form a de versos, passo a palavra a Morin.
Agora que t erm inei E j á dei o m eu recado Passo a palavra então A esse nobre convidado Que vai contar sua história Com prazer e m uit o grado.
Você que é cient ist a, Cont e- nos! O que cont ribuiu
Para sua form ação O que foi que lhe inst ruiu Para escrever essas coisas Que o m undo int eiro j á viu?
Boa noite, m eus colegas Viaj ant es desse m undo Penso que em nossas vidas
Todo m undo t em um rum o Experiências vividas Pra na vida dar um prum o.
Imagem 11- Singularity_cosmos
Eu sou Edgar Morin Encantado com o t al Não separo a m inha vida
Da vida int elect ual Por isso lhes conto agora
Meu saber prim ordial.
Sou dos que t êm um a vida Não dos que t êm um a carreira
Entre am bas não coloco Divisórias nem barreiras Elas estão bem coladas Com o se fosse com cera.
Na fam ília aprendi A gostar de iguarias Do azeite e berinj ela Espinafre, quem diria! Herança dos ancestrais
Que isso t udo com ia.
Meu pai não m e ensinou Um a crença ou tradição Nenhum princípio polít ico
E nenhum a religião Talvez por eu ser filho único
No seio de um a geração.
Mas m eu pai m e t ransm it iu Cult ura de cançonet as Com ele t am bém aprendi
A gostar de operetas Ele cantava e assobiava
Traviata e Rigoletto.
Aos nove anos de idade Aprendi o que é a m ort e
Que levou a m inha m ãe Por pura falta de sorte Levada num vagão de trem Causando na vida um cort e.
Porém , m e esconderam t udo Disseram que fora viaj ar
E pra casa de um a tia Me m andaram pr’eu brincar Dizendo que o m eu pai t inha
Com ela ido encont rar.
Dois dias depois do fato A m ort e det ect ei
Com m eu pai em m inha frent e Confesso logo saquei Todo de pret o, enlut ado...
Um a bom ba sufoquei.
Jam ais quis m anifest ar Aquela infinit a dor Escondia o que sent ia Em segredo e com horror
De m eu pai e m inha t ia E quase ninguém not ou.
Encontram os na narrat iva de Morin, com o ele m esm o reconhece em seu livro ‘Meus Dem ônios’, eventos e situações que o m arcaram para sem pre, com o a perda prem at ura de sua m ãe, quando ele t inha apenas nove anos de idade, deixando- lhe um buraco negro no fundo da alm a, fazendo com que ele pudesse refletir sobre o que é a m orte,
sobre a relação que esta tem com a vida, levando- o a escrever o livro O Hom em e a Mort e.
Part i assim para vida Sem a cult ura da verdade Sofrendo a ausência da m orta
Naquela m inha pouca idade A forte presença da m orte
Causava- m e ansiedade.
A canção El reliquario Eu ouvia sem parar Num toca disco fracote
Eu botava pra tocar Tant o que cedo vi Sua m ola arrebent ar
Mas com os m eus próprios dedos eu fazia ele rodar.
Não ent endia sua let ra Mas m exia com m inh’alm a
Sent ia um infinit o am or Est ranha espécie de calm a
At é hoj e quando a ouço Derreto- m e todo em lágrim as.
O que m e ensinou a escola? Est a m e ensinou a França
Tornei- m e filho da pát ria Vivi as suas andanças Nas glórias e perdas históricas
I ncorporei sua subst ância.
Na rua de Ménilm ont ant , Passei a am ar o cinem a
Essa gruta iniciática Dos m istérios e dilem as Dos j ovens da m inha idade
Que não perdia um a cena.
Ele nos proj etava Em épocas antigas e atuais
Do subm undo do crim e A am ores sent im ent ais Dando vida a m uitas coisas
A seres hiper- reais.
Pela narrat iva de Morin, pode- se perceber a grande influência que t eve o cinem a e a lit erat ura em sua vida. Ele se considera um cinéfilo e adm it e que o cinem a perm it e est ados de sem i- hipnot ism o e opera a iniciação das pessoas a um a vida superior, m ágica e sublim e. Ainda, de acordo com suas idéias, é pelo uso da linguagem lit erária, da narrat iva e das im agens que nos dist inguim os dos out ros anim ais e que as
expressões literárias e poéticas são capazes de anunciar o caráter m ais com plexo, onírico e proj et ivo da condição hum ana.
Se eu não tivesse participado do interior das duas culturas, não poderia ter feito m eus estudos sobre a cultura adolescent e nem o j ournal de Californie. Foi a partir de m inha experiência que m e fascinei pelo fato de Chaplin ou de Piaf poderem ser am ados por pessoas de todas as classes sociais e de todas as nações, coisa inconcebível para o sociólogo que quer dem onstrar que os gostos m usicais, literários, etc, são conseqüências exclusivas de categorias sociais, classes e aspectos exteriores ( Morin, 2002, p.19) .
A cont ribuição da cult ura das hum anidades para a com preensão do hom em t em sido reit erada com o fundam ent al pelo paradigm a da com plexidade. O rom ance e o cinem a propiciam ao suj eit o aguçar sua subj et ividade, afet ividade, paixões, am ores, ódios, delírios, felicidade e infelicidade, t raições, im previst os, dest ino, fat alidade, por m eio dos processos de identificação e proj eção, “ pondo à m ostra as relações do ser hum ano com o outro, com a sociedade e com o m undo” ( Morin, 2003, p.44) .
Por m eio da proj eção, um ‘processo universal m ult iform e', deixam os em ergir nossas aspirações, necessidades, desej os, obsessões, receios, não só em sonhos e im aginação, m as, t am bém , at ravés das coisas m ateriais e outros seres. As nossas percepções, por m ais elem ent ares que sej am , são, ao m esm o t em po, confundidas e fabricadas pelas nossas proj eções.
O processo de proj eção pode revelar- se por m eio do
aut om orfism o - no qual at ribuím os a alguém as características e
t endências que nos são próprias; do antropom orfism o - em que fixam os nas coisas m ateriais e nos seres vivos, traços de caráter ou tendências propriam ent e hum anas; ou ainda do desdobram ent o - m ecanism o puram ent e im aginário onde ocorre a proj eção do nosso ser individual num a visão alucinat ória.
Através da identificação, o suj eito incorpora personagens e o m eio am bient e no próprio eu, num convite a m im etização do outro consigo m esm o, um a vez que o out ro se t ornou assim ilável. "Na ident ificação, o suj eit o, em vez de se proj et ar no m undo, absorve- o" ( Morin, 2003, p.108) .
Não se deve, portant o, isolar estes dois processos: proj eção de um lado, ident ificação de out ro. É im port ant e considerar igualm ent e o com plexo proj eção- ident ificação- t ransferência que com anda os fenôm enos psicológicos, subj et ivos, t raindo, deform ando ou recriando a realidade das coisas, dos eventos e situações. Esse processo com anda um com plexo dos fenôm enos: "o duplo, a analogia, a m et am orfose" ( Morin, 2003, p.109) , perm it e ao suj eito incorporar e im it ar personagens, t ant o nas suas característ icas físicas, quanto nos com portam ent os e at it udes do outro. Esse é, por exem plo, o m ecanism o hum ano do qual se valem os filhos em relação aos pais, seus prim eiros personagens de referência. Mas, não só. Os processos psico- cult urais da proj eção- ident ificação se est endem pela vida adult a
de qualquer suj eit o em sit uação social. Tais processos fundadores da cult ura são gest ados e alim ent am um fabuloso im aginário, m arca dist int iva da condição do sapiens dem ens. "O im aginário est á lat ent e nos sím bolos e reina na est ét ica" ( Morin, 2003, p.180) , t ornando possíveis as alucinações, aflorando as em oções e confundindo realidade