4. EMPIRI
4.2 Akuttfasen
4.2.1 Risikostyring og risikopersepsjon i ”kjente oppdrag”
...Cont e sua hist ória nest a fogueira antes que ela se apague.
"um hom em só se pode desenvolver t ecendo- se com out ro".
Cyrulnik
A Fênix que ressurge das cinzas é tom ada no t exto para lem brar a necessidade urgent e que t em o educador de repensar sua prát ica pedagógica a partir de sua própria form ação; despert ar para a necessidade de um a aut oform ação e de um a aut o- organização que possam contribuir para o processo de form ação dos seus educandos. Um exem plo de com o é possível a auto- organização do suj eito são as experiências de vida do grande educador Com enius, considerado o fundador da Didát ica e, em part e, da pedagogia m oderna. Ainda m uit o novo, Com enius perdeu t oda a fam ília: pai, m ãe e irm ãs, sendo ent regue a seus t ut ores que negligenciaram por com plet o a sua educação. Som ent e aos dezesseis anos é que com eçou a t er aulas de lat im e aprendeu os rudim ent os da leit ura, escrita, cálculo e catecism o. Tais circunst âncias despert aram em seu espírit o o desej o de saber. Com o se fosse um a preparacão para tornar- se o erudito que viria a ser no fut uro, não parou de esforçar- se para reaver o tem po perdido. Decepcionado com as escolas que freqüent ava, dedicou- se a est udar sobre os fundam ent os da educação de crianças. Escreveu gram át ica em lat im para dim inuir o cust o desses cursos. Const ruiu escolas para facilitar o acesso às pessoas a um cust o m ais baixo. Foi m uit o perseguido pelas suas idéias e seu credo e, durante as várias guerras
de cunho religioso, perdeu por duas vezes sua fam ília: esposas e filhos. Essas perseguições, porém , não o desencoraj ava a continuar apostando em seus ideais e na reconst rução perm anent e se sua vida.
Assim com o na hist ória de Com enius, a polifonia das experiências narradas na fogueira dem onst ra que, na t essit ura de nossas vidas, percorrem os um a cert a j ornada incerta, com posta por períodos ora favoráveis ora desfavoráveis, m as que são necessários para a construção do suj eito. O desenvolvim ent o da vida Imagem 21- Fênix.
apresent a- se com o um a seqüência de t ent at ivas de ‘aj ust am ent os’ das nossas condições de existência, o que é próprio do hum ano, um ser inacabado, vivendo sit uações de lim it es na busca de novos patam ares.
Nessa busca perm anent e de novos pat am ares, penso eu que a escrit a dessa dissertação m e proporcionou um a longa e profunda viagem a m eu universo int erior, por m eio do resgat e de m inhas experiências de vida, da m inha hist ória. Com isso aprendi um a out ra form a de m e olhar e m e perceber com o pessoa e, principalm ent e, com o educadora. Com preendi que a chave para o nosso desenvolvim ent o e
const rução de conhecim ent os est á dentro de nós, de nada adiant ando ir buscar fora. O que nos falta é o exercício do olhar e o desej o do encont ro com nós m esm os. Mas nem sem pre essa aprendizagem acont ece espontaneam ent e. É por isso que, ao final dessa dissert ação, faço um alert a a t odos que se lançam na arte de educar e form ar suj eit os. Rem et endo- m e a Mont aigne, reafirm o que de nada adiant a um a cabeça cheia de inform ações: a m elhor proposta é form ar ‘cabeças bem feit as’, cabeças pensant es, cabeças cuj os pensam ent os est ej am em constante reform a, com o propõe Morin.
O educador que se propõe form ar ‘cabeças bem feit as’ est ará cert am ent e at ent o a diluir a suprem acia de um saber sobre o outro. Essa at it ude vai de encont ro a prát icas educat ivas t radicionais que se prest am t ão bem ao at rofiam ent o das m ent es hum anas, em vez de desenvolvê- las.
Por isso, m ais um a vez, inspirada em Est és, convido a t odos que se consideram form adores, a adot ar com o t arefa prim eira, em seus cursos de form ação, a proposta de conhecim ent o e aut oconhecim ent o do suj eito em form ação, não im portando o nível de escolaridade. Que peçam a seus alunos para cont ar suas hist órias, dêem a palavra, com o propõe Estés, às crianças, aos j ovens, aos velhinhos resm ungões e tam bém aos próprios professores em seus processos de form ação.
Que realizem na prática, o que Josso ( 2004) propõe sobre a associação at iva ent re a busca da felicidade e a busca de conhecim ent o, que leva a um a cosm o- estética t ranspessoal, perm it indo- nos pensar e agir, associando o belo ao respeito pelo out ro e pelo seu am bient e. Para ist o, é necessário que a busca da felicidade est ej a associada à busca de sent ido na const rução de um a cosm o- ética transpessoal e à construção de um a cosm ogonia, result ant e da busca de sent ido e da busca de conhecim ent o. Ou sej a, a const rução de um conhecim ent o capaz de nos proteger do excesso de inform ação e da fragm ent ação, conseqüências de um a civilização que privilegia o conhecim ent o t écnico. A const rução desse outro conhecim ento deverá ter com o m at riz as experiências do suj eito em form ação.
Devo confessar que acredito no cam inho que t racei para est a pesquisa, enveredando- m e pelas m inhas próprias narrativas de vida com o form a de refletir sobre o m eu processo de form ação. Com o fio de Ariadne teci o encontro de vários autores, fazendo- os dialogar sobre suas experiências e refletir sobre elas. Valendo- m e dos versos do poet a Ant onio Machado que diz que ‘o cam inho se faz ao andar’, proponho aos educadores dessa nova ‘era planet ária’ que pensem sobre seus percursos e experiências de vida. Eles são os fundam entos dos nossos conhecim ent os. Reflit am sobre aquilo que na incert eza do cam inhar foi, aos poucos, const it uindo, form ando e transform ando os suj eit os que são hoj e. Creio que o educador que exercit a esse cam inhar para si, é
um educador que com preende m elhor os processos de desenvolvim ento de seus alunos, t rat ando- os com o alguém que t em um a hist ória, que experim ent ou e vivenciou sit uações ao longo da sua vida, e que, port ant o t em algo a dizer, podendo desenvolver seu capit al cognitivo a partir do exercício de repensar a si próprios nessas experiências.
As im pressões apresent adas nas narrativas de hist órias de vida dos suj eit os da pesquisa apont am sem pre para o descom passo que a escola m ant ém em relação às vidas e necessidades de seus alunos. Morin, por exem plo, lia os livros de lit erat ura escondido dos seus professores na hora das aulas. Não seria um a das funções principais da escola estim ular o gosto e o prazer pela leit ura? Essa é um a das m ais im portantes vias de acesso ao conhecim ent o. No ent ant o, a escola det erm ina o que e quando deve ser lido, exercendo um forte controle sobre o conhecim ent o que desej a t ransm it ir.
Exem plo sem elhant e desse descom passo se repet e na narrat iva de Maria Zilm a em que suas at ividades criativas, com o confeccionar os próprios brinquedos e bonecas de pano, não t inham vez na escola; sua veia para represent ar, dando vida a seus heróis, ficava, t am bém , lim itada ao palco de suas vivências fora da escola. E o que dizer do m undo do ‘faz de cont a’ de Marta que a professora fez questão de desm oronar? E da ‘rosa’ Elis Regina, cuj a prim eira pét ala foi a professora a arrancar?
As experiências narradas na sua grande m aioria por professores, esses questionam entos sobre o fazer docente nas escolas por onde esses suj eitos passaram , são reveladores de aprendizagens e apropriações acerca do exercício profissional, que fazem com que esses suj eit os, ao se lançarem para t rás, no encont ro com os sent im ent os provocados pelas experiências prim eiras, ao lem brarem as suas traj etórias de escolarização, possam refletir sobre sua própria prática docent e, num a perspect iva aut oform ativa e aut o- organizadora.
Essa tom ada de consciência sobre nossas traj etórias perm ite nossa auto- organização com o suj eit os, j á que o fenôm eno da consciência pressupõe a existência de um conhecim ent o. Segundo At lan, som os t odos “ dot ados de um a m em ória que quando se m anifest a, ( ...) const it ui nossa consciência, presença do passado” ( 1992, p.119) . At ravés da m em ória, o passado se present ifica e se aut o- organiza, const it uindo possibilidades de devires. Cert am ent e os professores que puderam reflet ir sobre suas traj etórias, a partir da narrat iva de suas experiências, com preenderão m elhor os alunos que desviarem seus olhares para apreciar um bicho preguiça, que, por vent ura, ainda possa aparecer num a árvore do quintal; favorecerão espaços prazerosos de leitura em sala de aula para que não sej a necessário que seus alunos escondam os livros nos m eios das pernas para lê- los; terão curiosidade em conhecer os heróis de seus alunos e perm it irão que eles t enham um a vida int eira t am bém na sala de aula.
Enfim , todos nós tem os que reconhecer que nossos alunos são suj eit os se suas próprias hist órias e de seus processos de conhecim ent o e que essas histórias, ao contrário das virgens do cont o ‘As Mil e um a Noit es’, não devem m orrer. Nesse início de século XXI , e para t om ar para si, o papel de acender a fogueira de um a nova hum anidade, nós precisam os assum ir o papel de Sherazádes do conhecim ent o, propondo um a cont inuidade de hist órias em que o suspense sej a o auge, o fio que tecerá as relações no grupo, a construção e renascim ento de novos suj eit os, perm it indo, assim , o grande abraço dos suj eit os entre si, e desses com seus saberes.
Se os educadores pensam que não t êm m ais nada a fazer, que não t êm m ais hist órias a cont ar, que criem um espaço onde t odos possam narrar suas experiências e cont ar suas próprias hist órias. Assim , serem os todos envolvidos e aquecidos pela at m osfera aconchegant e da fogueira do conhecim ent o, desenvolvendo os sent im ent os m aiores da ét ica, da solidariedade e do respeit o m út uo.
Essa é a história da form ação e da aut oform ação que eu sei cont ar. Cert am ent e há t ant as out ras hist órias que com plem ent am essa.