Além de permitir o estudo pontual da avaliação económica de centrais eólicas e fotovoltaicas, a ferramenta AEAS_EoPv tem a funcionalidade de produzir variados mapas relacionado com estas distintas tecnologias, tais como: Energia Anual Produzida, Remuneração Anual, LCOE, TIR, VAL de vida do projecto, Tempo de Retorno Simples, Tempo de Retorno Descontado, VAL de 15 anos. O objectivo do estudo efectuado neste capítulo foi analisar a distribuição espacial do LCOE, nos três cenários de evolução económica abordados, de forma a comparar os custos das distintas tecnologias nos melhores locais para as suas instalações. Foram produzidos mapas de LCOE de um dispositivo- teste com 2 MW de potência nominal para tecnologias eólicas onshore, offshore fixa, offshore flutuante e solar fotovoltaica, todas as instalações com início de produção em Junho de 2013 e com características económico-financeiras definidas no capítulo 5.1.
Na produção dos mapas de centrais eólicas onshore e solar fotovoltaicas, o parâmetro “Outros Custos” teve de sofrer um tratamento prévio. No capítulo 5.1, este parâmetro foi definido para uma central com 26MW de potência instalada. Assim, seguindo a mesma metodologia, este parâmetro corresponde a 5% do custo médio da turbina (1400 €/kW) numa central de 2 MW de potência instalada, tal como definido na equação (5.2).
€ 14 . 0 10 1 2000 1400 05 . 0 6 _ M os OutrosCust Eo Fv (5.2)
Numa primeira fase foram calculados os mapas de energia anual produzida, Fig. 63, onde cada célula do mapa tem dimensão 500x500 metros e foi instalado um dispositivo-teste com 2 MW de potência nominal. Como todos os casos têm a mesma potência instalada, o que varia entre as tecnologias é a disponibilidade do recurso renovável.
Na análise da Fig. 63, é notório a diferença de energia anual produzida entre as tecnologias. Como a turbina eólica utilizada é a mesma para todos os casos eólicos, só existe um mapa para a tecnologia offshore. Visto que os locais de instalação são distintos, a energia anual produzida pela eólica offshore flutuante é maior, por estar instalada em locais mais distantes da costa e terem maior disponibilidade do recurso. Numa perspectiva de demonstrar os locais possíveis de instalação para as tecnologias eólicas offshore, foi admitido uma batimetria entre 0 e 40 metros de profundidade para a eólica offshore fixa e na tecnologia flutuante admitiu-se uma batimetria entre 40 e 200 metros de profundidade. No cálculo económico, o custo de capital associado a estas tecnologias também são distintos.
A partir dos mapas da energia anual resultantes, foram efectuados os cálculos económicos para as distintas tecnologias. Assim foram gerados os mapas de LCOE, tal como representados através das Fig. 64 à Fig. 67.
Energia Anual ProduzidaI
Fotovoltaico Eólica Onshore Eólica Offshore
Fig. 63 – Atlas da energia anual produzida por dispositivos-teste com 2 MW de potência nominal de distintas tecnologias.
I
LCOE: Tecnologia Eólica Onshore
a) b) c)
Fig. 64 – Atlas LCOE Eólica Onshore: Início de Produção em Junho de 2013.
LCOE: Tecnologia Solar Fotovoltaica
a) b) c)
Fig. 65 – Atlas LCOE Fotovoltaico: Início de Produção em Junho de 2013.
LCOE: Tecnologia Eólica Offshore Fixa
a) b) c)
Fig. 66 – Atlas LCOE Eólica Offshore Fixa. Batimetria entre 0 e 40 metros. Início de Produção em Junho de 2013. Cenários: a) Evolução Económica Estável; b) Evolução Económica Média; c) Crise Económica.
LCOE: Tecnologia Eólica Offshore Flutuante
a) b) c)
Fig. 67 – Atlas LCOE Eólica Offshore Flutuante. Batimetria entre 40 e 200 metros. Início de Produção em Junho de 2013. Cenários: a) Evolução Económica Estável; b) Evolução Económica Média; c) Crise Económica.
Na Tabela 21 estão identificados os valores de LCOE nos distintos cenários de evolução económica das melhores zonas de possível instalação para cada tecnologia.
Tabela 21 – Análise espacial. LCOE. Centrais com início de produção em Junho de 2013.
LCOE [€/MWh] Tecnologia Melhores Locais Evolução Económica
Estável
Evolução Económica Média
Crise Económica Eólica Onshore Zona de Costa e
Montanha 40 – 55 47 – 70 54 – 80
Solar Fotovoltaica Alentejo e
Algarve 111 – 127 134 – 153 158 – 180
Eólica Offshore Fixa Toda a Costa
Continental 77 – 173 91 – 204 105 – 236
Eólica Offshore Flutuante
Toda a Costa
Continental 82 – 178 98 – 211 114 – 246
Devido principalmente aos custos de capital reduzidos e à maior maturidade, a eólica onshore foi a tecnologia com menor LCOE em todos os cenários de evolução económica.
A maior disponibilidade do recurso e os custos associados fez com que a central eólica offshore fixa seja a segunda tecnologia com melhores valores de LCOE. Nos locais com maior disponibilidade de energia, esta tecnologia atingiu LCOE de 77 €/MWh no cenário de evolução económica estável, 91 €/MWh no cenário de evolução média e 105 €/MWh no cenário de crise económica.
A solar fotovoltaica obteve valores superiores nos melhores locais, com LCOE de 111 €/MWh no cenário de evolução económica estável, 134 €/MWh no cenário de evolução média e 158 €/MWh no cenário de crise económica. Mesmo com um custo de capital superior, a central eólica offshore flutuante obteve melhores resultados de LCOE. Comparativamente à central fotovoltaica, a central eólica offshore flutuante tem maior disponibilidade de recurso, fazendo com que os resultados de LCOE sejam menores, mesmo com um maior custo de capital associado à tecnologia offshore. Assim, nos locais com maior recurso disponível, a tecnologia eólica offshore flutuante obteve LCOE de 82 €/MWh no cenário de evolução económica estável, 98 €/MWh no cenário de evolução média e 114 €/MWh no cenário de crise económica.