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Validitet og reliabilitet

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O atributo “Longitudinalidade”, foi avaliado com alto escore pelos usuários do Município. A literatura indica avaliações positivas em outros estudos (VAZ et al., 2015; LIMA et al., 2015; OLIVEIRA et al., 2013; REIS et al., 2013; VIANA, 2012; OLIVEIRA, 2012; BRAZ, 2012; PRATES et al., 2017).

A produção da saúde agencia a existência de relações intersubjetivas dos usuários e profissionais de saúde, promovendo a aproximação com a realidade do usuário, reconhecendo a sua forma de adoecer e morrer. Destaca-se, ainda, o fato de que a existência adequada do atributo “Longitudinalidade” representa um fator importante para o sistema de saúde, uma vez que concorre para a produção dos diagnósticos e tratamentos mais resolutivos, redução de referências desnecessárias para especialistas e a realização de procedimentos mais complexos e custos elevados para o MS.

A longitudinalidade requer uma fonte contínua de atenção no decurso do tempo, independentemente da existência de problemas de saúde (STARFIELD, 2002). Na literatura internacional, o termo continuidade é considerado como semelhante a longitudinalidade, pois, mesmo que aconteça interrupção na continuidade da atenção, a relação pessoal entre usuário e profissional tem seguimento (CUNHA; GIOVANELLA, 2011; BARATIERI; MARCON, 2011; HARMUCH; BARATIERI, 2017).

Para Cunha e Giovanella (2011), o atributo “Longitudinalidade” é composto por três elementos: a existência, o reconhecimento regular de cuidados de atenção primária e a criação do vínculo durante o tratamento entre os pacientes e profissionais de saúde das unidades de serviço e qualidade dos registros, à disposição para acesso, pelo usuário, objetivando fornecer conhecimento sobre o usuário.

A relação interpessoal duradoura entre o usuário e profissional, mediante o vínculo, favorece a adesão ao tratamento, pois este passa a confiar nas orientações dos

profissionais e do prosseguimento do tratamento e, assim, o profissional promoverá uma assistência mais holística (BRUNELLO et al., 2010; CUNHA et al., 2013).

Neste trabalho, os entrevistados afiançaram positivamente que a consulta sempre ocorre com o mesmo profissional, que entende o que ele pergunta e responde as perguntas de modo compreensível, escutando suas preocupações, ficando a vontade quando relata suas preocupações. Observa-se, nestes resultados, que, mesmo se sabendo da hegemonia do modelo biomédico, constata-se que o profissional de saúde do Município se volta para a prática de um modelo de saúde centrado na escuta do usuário e nas relações humanas constituídas na produção de vínculo, tentando abandonar, assim, o modelo focado na doença e procedimentos curativos. Quanto à escuta das famílias, estudo de Lima (2014) evidenciou que os enfermeiros receberam dos usuários avaliação positiva de 77,2%, em comparação aos médicos, com 66,8% de indicação.

Ficou evidenciado o fato de que os participantes reconhecem a UBS como o local para receberem assistência, percebendo esses serviços como referência usual, para o atendimento de suas necessidades de saúde. Logo, o acompanhamento do usuário pela mesma equipe de saúde ao longo do tempo importa a prática de uma relação de responsabilidade, vínculo e confiança pelos profissionais de saúde (FRANK et al., 2015; STARFIELD, 2002).

O vínculo entre o usuário e o profissional é recomendado pela Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), ao estabelecer que o vínculo entre as equipes de APS e a população pertencente a cada território é um dos postulados essencial deste nível de assistência (BRASIL, 2012a; 2017).

Mesmo havendo barreiras ao atributo “Acesso de Primeiro Contato – Acessibilidade”, nesta pesquisa, constata-se que os profissionais conseguiram estabelecer vínculos durante os encontros com os usuários. A manutenção desse vínculo e a longitudinalidade do cuidado são imperativas para que os usuários sejam acompanhados pela mesma equipe e seja alcançada a integralidade da assistência.

Esta investigação, ao indicar escore positivo para o atributo “Longitudinalidade”, contrariou estudos de Lester et al (2012) e Baratieri, Mandu, Marcon (2012), quando acentuam que o atributo é influenciado pela “Acessibilidade”, porquanto os usuários valorizam as facilidades de acesso aos serviços de saúde, o que não aconteceu nesta pesquisa, tendo em vista que o atributo “Acessibilidade” recebeu a pior avaliação. Realça-se o fato de que a proximidade da unidade de saúde à casa do usuário demonstra a importância da localização geográfica (KRISTJANSSON et al., 2013; LESTER et al., 2012). Por esse motivo, é relevante que o gestor no momento do planejamento de saúde do município,

reconheça as condições em que vivem os usuários, como a proximidade geográfica das UBS à residência dos mesmos. Também implementar horários flexíveis que atendam após as 17 horas e fique aberta algumas noites até as 20 horas, inclusive aos sábados e domingos, implantar e/ou implementar uso de novas tecnologias de informações, como aconselhamento por telefone, computadores, dentre outras.

Sete itens deste atributo alcançaram avaliação elevada comprovando que a organização do processo de trabalho das UBS avaliadas favorece o vínculo dos profissionais com os usuários, fato este que pode ser resultado da permanência do profissional durante um tempo mais longo, que favorece o melhor conhecimento do usuário que o assiste.

A avaliação negativa da inexistência de telefone para receber informação do profissional, exprime impedimento de comunicação do atributo “Longitudinalidade”; deficiência assinalada também no atributo de “Acesso de Primeiro Contato – Acessibilidade”. Resultado semelhante em outro estudo (VIANA, 2012).

Cinco respostas às questões pelos usuários foram mais positivas, insinuando o reconhecimento, por parte do profissional de saúde/serviço, dos aspectos de vida dos usuários, superando a visão objetiva e “biologicista” do modelo biomédico, percebendo sua dinâmica desde a individualidade, família, trabalho e condições financeiras para comprar medicamentos. No mesmo sentido, foram os resultados de outros estudos (VIANA, 2012; SALA et al., 2011; PEREIRA et al., 2011).

Ocorreu avaliações conflituosas quando os usuários afirmaram que não trocariam de UBS se fosse fácil esse processo, enquanto outros disseram que mudariam de UBS. Este achado expressa que existe algum nível de descontentamento por parte dos entrevistados. Estudo de Vaz et al (2015) assemelha-se aos resultados desta pesquisa, em que as acompanhantes de crianças afirmaram que mudariam de serviço e profissional se houvesse possibilidade. Dentro de uma análise isolada, este fato pode sugerir que há insatisfação de algumas famílias em relação ao serviço (OLIVEIRA et al., 2012).

A dimensão de processo que está incluso o atributo “Longitudinalidade”, por ser um atributo importante para a melhoria da atenção ao usuário na APS, sua existência não é uma conquista fácil (CUNHA; GIOVANELLA, 2011). Para esses autores, mesmo que exista o vínculo longitudinal entre o profissional e o usuário, a concretização desse atributo depende da prioridade da gestão, responsável pela manutenção de profissionais na mesma equipe e da ampliação da cobertura com a criação de mais serviços de saúde. Em nosso sistema de saúde é costume mudanças de profissionais a cada troca do executivo municipal, comprometendo

assim, o vínculo, a continuidade e a integralidade do cuidado ao usuário, família e comunidade.

O atributo “Longitudinalidade” expressa alguns benefícios, como: o acompanhamento do usuário, aceitação do tratamento prescrito, reconhecimento das necessidades dos usuários, diminuição de custos, redução das hospitalizações, redução dos custos , aumento do nível de satisfação e confiança dos usuários e melhora as ações de prevenção de agravos e promoção da saúde (PAULA et al, 2015; STARFIELD; SHI; MACINKO, 2005).

Entende-se que o acolhimento praticado por todos os agentes que fazem APS representa, segundo a Política Nacional de Humanização (PNH), criada pelo Ministério da Saúde, por meio da Portaria nº 4.279, de 30 de dezembro de 2010, uma ferramenta necessária para a introdução de mudanças no processo de trabalho em saúde, por possuir potencial para o aumento das práticas qualitativas do cuidado na atenção primária à saúde (BRASIL, 2010a). Essa estratégia busca a constituição de relações de confiança e vínculo entre profissionais, usuários, família e comunidade com sua “rede socioafetiva” (BRASIL, 2013a, p.8). Também é referendado o uso de estratégias relacionais de acolhimento, nos estudos dos autores Oliveira e Pereira (2013) e Leão, Caldeira e Oliveira (2011); Mitre, Andrade e Cotta (2012).

Para Finkler et al (2014), a prática, pelos vários agentes que compõem a equipe multiprofissional da equipe SF, em parceria com os usuários, família e comunidade, pode concorrer para a geração de cuidado mais humanizado da APS.

Por fim, destaca-se o fato de que a avaliação positiva do atributo “Longitudinalidade” pode estar atribuída à oferta de serviços de diagnóstico e tratamento, bem como à redução de referências desnecessárias (LEÃO; OLIVEIRA, 2011; MESQUITA FILHO; LUZ; ARAÚJO, 2014). Outrossim, este atributo pode trazer resultados eficazes para o fortalecimento das redes de atenção (RAS). A (RAS), criada pela Portaria nº 4279/2010 (BRASIL, 2010), é indicada como estratégia do SUS, importante para a concretização de seus princípios: universalidade, integralidade e equidade (MENDES, 2011; OPAS/OMS, 2011). Por isso, entende-se que é necessário o investimento na qualificação permanente dos trabalhadores de saúde, a fim de que ocorra a consolidação dos atributos da APS. Essa qualificação concorre para a transformação das práticas de saúde voltadas para à pessoa, à família e à comunidade. Nesse sentido, urge um processo de trabalho em parceria entre Ministério da Saúde e Ministério da Educação, visando melhorar a aproximação entre a formação na graduação das universidades e os serviços prestados.

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