4.4 Metodologiske betraktninger
4.4.1 Validitet
Nas últimas décadas do século XX, os problemas de congestionamento e estacionamento do antigo centro estimularam o desenvolvimento de novas áreas comerciais. Surgiram na cidade centros comerciais e de serviços ao longo das avenidas Brás de Aguiar, Nazaré e Rua Padre Eutíquio, que atendiam a demanda por serviços das classes de maior poder aquisitivo. Porém, o centro antigo continuava com força atrativa, concentrando muitas atividades dentre as quais as repartições públicas e os setores bancários, que atraíam a classe média para esse espaço.
Com a inauguração dos shoppings e a descentralização das atividades bancárias, o centro antigo perdeu seu poder de atração e as classes média e alta abandonaram em definitivo esse espaço, ocorrendo o que Villaça (2001) denomina como, decadência do centro, que consiste do abandono do centro pelas camadas de alta renda e por sua ocupação pelas classes de menor poder aquisitivo, como o próprio autor define,
“O processo popularmente chamado de” decadência “ou” deterioração “do centro consiste no seu abandono por parte das camadas de alta renda e em sua tomada pelas camadas populares. Esse abandono apresenta várias manifestações com diferentes graus de intensidade nas várias metrópoles: abandono do centro principal como local de emprego das camadas de mais alta renda; abandono de diversão, lazer e atividades culturais; como local de compras e de moradia” (VILLAÇA, 2001, p. 277).
Atualmente, o centro antigo encontra-se densamente ocupado por vendedores ambulantes e concentra os locais de compras e empregos das camadas populares. Percebe-se, que nos últimos anos está ocorrendo um deslocamento das atividades comerciais e de serviços ao longo do eixo divisor de águas da cidade, constituído pelas avenidas Presidente Vargas, Nazaré, Magalhães Barata e Almirante Barroso e nas ruas adjacentes, nota-se uma crescente substituição de funções, até então residencial, por comercial.
O “corredor comercial” atravessa os bairros de Nazaré, São Braz, Marco, Batista Campos, que concentram os maiores valores imobiliários, alto investimento do mercado imobiliário e significativo número de habitações para as faixas de maiores rendas da cidade, ou seja, ainda é predominante a função residencial nesses espaços (Figura 8).
Figura 8 – Planta de Uso do Solo do Bairro de Nazaré 2005
Souza (1992) corrobora com as premissas desta tese ao afirmar que na área central, ocorre tanto a concentração de investimentos como a apropriação da por grupos de maior poder aquisitivo, nas palavras do autor:
“A correlação de forças políticas, claramente favoráveis às classes alta e média, faz com que os escassos recursos do Município se canalizem para investimentos em áreas já servidas de infra-estrutura, como é o caso daquelas em processo de verticalização, pouco sobrando para a ampliação dos serviços públicos na periferia da cidade. Isto ocorre porque nas áreas verticalizadas o adensamento populacional faz com que a infra-estrutura instalada rapidamente esgote a sua capacidade de atendimento, exigindo sua substituição por outra de maior capacidade. A elevação dos preços da terra faz com que os custos de renovação e ampliação da infra-estrutura central se multipliquem. O poder estatal local assume encargos cada vez maiores com o adensamento e a verticalização do centro” (SOUZA, 1992 apud TRINDADE, 1997, p. 267).
Outro autor que fornece informações relevantes relacionadas aos investimentos direcionados pelo poder público a bairros populares, acarretando a apropriação dessas áreas por parte de incorporadoras, que investem em empreendimentos imobiliários direcionados para a classe média e alta, provocando o deslocamento dos residentes é Trindade (1997), nas palavras do autor:
“Considerando-se a saturação dessas áreas mais centrais, apresenta-se nitidamente, um movimento de expansão de espaços necessários a inversões das empresas imobiliárias mais bem estruturadas, o que leva o poder público a produzir espaços novos para os investimentos imobiliário, que só tem expandido a área de atuação das principais incorporadoras. O exemplo mais flagrante foi a implementação do projeto CURA em Belém. Esse projeto realizado nos anos de 1987 e 1988, teve o financiamento da Caixa Econômica Federal e voltou-se para os bairros do Marco e Pedreira, onde foram realizadas obras como drenagem, macrodrenagem, terraplenagem, asfaltamento, calçamento, meios-fios, construção de áreas de recreação e lazer, além de outros serviços de urbanização.
Com uma filosofia de realizar investimentos em áreas onde reside população de baixa renda, o poder público tem concentrado suas ações de dotação de infra-estrutura em áreas desse tipo. Mesmo que um grande percentual da pobreza urbana em Belém ainda esteja espacializada nas áreas de baixadas, esses investimentos têm claramente favorecido à expansão territorial dos espaços de investimento das grandes empresas imobiliárias, uma vez que não se tem considerado os processos de dispersão da população de baixa renda em direção à Área de Expansão” (TRINDADE, 1997, p. 268).
Portanto, existe um consenso de que os melhoramentos direcionados à área central visam a expansão das classes ricas, a partir da produção de empreendimentos imobiliários, assim sendo, os espaços são valorizados e a população pobre tem como destino as dispersas invasões localizadas na área de expansão.
Conclui-se, então, que o centro da região, ainda, se desenvolve na área central e continua polarizando em seu entorno uma variedade de atividades, que atrai a aplicação de investimentos urbanos.
O centro, que antes estava restrito ao bairro do comércio e de Nazaré, atualmente, tende a expandir-se ou deslocar-se para outros bairros, criando um corredor de serviços que concentra inúmeras atividades ao longo do eixo divisor de águas da cidade, responsável pela crescente valorização das áreas localizadas em seu entorno e pela crescente verticalização de bairros distantes do núcleo antigo como São Braz e Marco (Figura 9).
Figura 9 – Sistema viário principal da Região Metropolitana de Belém
Fonte: Companhia de Desenvolvimento e Administração da Área Metropolitana de Belém (CODEM), 1990.