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Validez y fiabilidad

4 Marco metodológico

4.5 Validez y fiabilidad

Neste ponto iremos falar sobre o valor do jogo no processo de ensino-aprendizagem da criança, e qual o seu impacto nesse processo, pois é importante deixar claro de que forma o jogo poderá ser uma estratégia importante se associada ao ensino de conteúdos curriculares.

Como já foi referido anteriormente, o jogo é um meio que potencializa o desenvolvimento da criança a todos os níveis. Através deste ela desenvolve as suas competências, quer a nível intelectual, quer motor, social e afetivo. Assim sendo, e visto que o jogo se considera um instrumento positivo para o desenvolvimento integral da criança, também poderá ser considerado como um veículo promotor de aprendizagens, pois estas estão estritamente ligadas a todos os domínios.

Antes de passarmos à explicação fundamentada, sobre a importância do jogo como estratégia de ensino-aprendizagem, consideramos importante definir o que se entende por aprendizagem, bem como por estratégia. Assim, começando por definir aprendizagem e, para tal, tomamos em linha de conta as palavras de Rocha (1999) ao considerar que “é a aquisição de novos comportamentos ou a mudança de comportamentos pré-existentes” (p.7), ou seja, a aprendizagem é considerada um processo interno que desenvolve cada indivíduo. A aprendizagem supõe que cada sujeito seja promotor do seu próprio conhecimento, construindo- o através da aquisição e/ou da modificação dos conhecimentos que, a nosso ver, e concordando com as palavras de Tavares e Alarcão (1992) tem como objetivo “ajudar a desenvolver no educando as capacidades que lhe permitam ser capaz de entrar numa relação pessoal com o meio em que vive (físico e humano) servindo-se para esse efeito, das suas estruturas sensório-motoras, cognitivas, afectivas e linguísticas” (pp.89-90). Na mesma linha de pensamento, Sá (1995), refere que “a aprendizagem está sempre associada a um contexto, mas é essencialmente um processo pessoal e de construção e compreensão” (p.7).

A palavra estratégia define-se como um conjunto dos meios para atingir um determinado fim. Consideramos que as estratégias de ensino utilizadas pelos professores são todas meios e formas mais apropriadas para conseguir um ensino-aprendizagem de excelência e de qualidade. Segundo Berbaum, citado por Altet (1997), “o papel do professor é fazer aprender melhor, através da organização de um ensino que respeite as fases e a lógica da aprendizagem, para ajudar os alunos a tomar consciência daquilo que supõe aprender”

(p.57). É a escola a grande responsável na formação e desenvolvimento da criança, por isso tem de estar sempre em constante mudança, acompanhando a evolução do mundo atual, para uma melhor promoção de EEA, capazes de motivar o interesse bem como a atenção da criança. Ainda neste contexto, Pato (1995) afirma que

a sociedade (…) exige, cada vez mais, a capacidade de resposta a situações novas; o desenvolvimento do raciocínio, de competências de comunicação (…) e da capacidade de resolução de problemas são imperativos a que o ensino terá que se adaptar. [Portanto], há que ir abandonando metodologias predominantemente apoiadas no trabalho individual (p.10).

Uma estratégia que deve ser utilizada em contexto educativo é o jogo/brincadeira, pois considera-se um facilitador no processo de ensino-aprendizagem das crianças, pois através deste, a criança desenvolve uma série de competências, permitindo também uma aquisição e assimilação de conceitos/conteúdos programáticos. Assim, de acordo com Neto (2001) “o jogo pode ser utilizado como um meio de utilização pedagógica com uma linguagem universal e um poder robusto de significação nas estratégias de ensino- aprendizagem”, pois “a existência de ambientes lúdicos em situações de aprendizagem escolar permite que as crianças obtenham mais facilidade em assimilar conceitos e linguagens progressivamente mais abstractas” (p.38).

Dos contextos educativos, nos quais nos inserimos, na nossa PES, verificamos que é na creche e no jardim de infância que se dá grande relevância ao jogo, tornando-o assim uma estratégia importante. Segundo Serrão (2009) é nestes contextos que as crianças passam a maior parte do tempo na instituição, sendo-lhes possível jogar “em pares ou em grupo” partilhando, deste modo, “fantasias, experiências e aprendem a solucionar conflitos” (p.30). Desta forma, parece-nos ser possível constatar (considerando também a descrição que fizemos dos espaços das instituições) que as salas de atividades tinham áreas de trabalho, nas quais os jogos eram explorados, contribuindo assim para “a aquisição de valores morais, tais como, a cooperação, a partilha e o respeito pelo outro” (Serrão, 2009, p.30)).

No contexto de 1.º ciclo de ensino básico, a estrutura da sala já não era igual, devido à inexistência de áreas de trabalho. Também nos foi possível observar que eram exploradas poucas estratégias, nas quais o jogo fosse uma prioridade. Contudo, apesar de não haver momentos destinados ao jogo, a professora cooperante, abordava os conteúdos de maneira lúdica, através de apresentações ou até mesmo através da visualização de filmes animados para uma melhor compreensão dos conteúdos. Observamos que, ao promovermos os jogos, como estratégia de ensino-aprendizagem de conteúdos, a atenção e o entusiasmo das crianças era diferente. Como afirma Liublinskaia (1973) “através do jogo, o educador integra a

criança na colectividade, amplia e precisa os seus conhecimentos e forma as mais valiosas qualidades morais e volitivas do indivíduo que cresce” (p.25). Na mesma linha de pensamento Wassermann (1994) menciona que “o jogo permite às crianças estudar o conceito através de uma observação activa e investigadora”, e que o jogo é normalmente “levado a cabo em grupos de aprendizagem, em que os alunos cooperam uns com os outros e contribuem substancialmente para as investigações e os esforços criativos de cada um” (p.39). Acrescenta ainda que, através do jogo, as crianças também se envolvem ativamente, permitindo-lhes “testar e experimentar, manipular variáveis, reunir dados em múltiplos contextos diferentes, e interpretar dados para desenvolver o entendimento dos conceitos” (Wassermann, 1994, p.117).

Segundo Chateau (1987) “o uso (…) dos jogos educativos se justifica então pela necessidade em que se encontra a criança de aprender logo o que é uma tarefa”, pois através do jogo “a criança toma contacto com as outras, se habitua a considerar o ponto de vista de outrem”, e sai do seu “egocentrismo original” (p.126). De acordo com Pereira (2013) “o jogo não é o fim, mas o eixo que conduz a um conteúdo didático específico, resultando de um conjunto de ações lúdicas para a aquisição de informações” (p.22).

O jogo favorece, assim, a aprendizagem das crianças bem como proporciona a interação e a relação entre elas. Tal como refere Serrão (2009), o jogo pode criar situações, onde as crianças “aceitam as diferenças uns dos outros, respeitam as outras crianças e os seus espaços, se tornam mais solidárias (…), possam aprender a trabalhar e a partilhar no grupo, adquirir e aprender os valores importantes para o seu crescimento como cidadãos” (p.30).

Para concluir a reflexão a que nos propusemos neste ponto, tomamos como referência ainda as palavras de Leite e Rodrigues (2001), por considerarem que “no contexto escolar, o recurso ao jogo constitui uma prática relativamente consensual (…), seja pelas suas vantagens focalizadas no treino ou na estimulação ou na facilitação de aprendizagens, seja na socialização ou no mero prazer” (p.30). O recurso ao jogo é uma estratégia eficaz, pois desenvolve e facilita as aprendizagens que as crianças conseguem realizar, motivando-as, proporcionando-lhes momentos de partilha e de cooperação. Em situação de jogo as crianças mantêm o interesse e o jogar condu-las à apreensão, à compreensão e à construção de vários saberes.

5. O papel do educador/professor enquanto mediador no processo de ensino-