5 Resultados
5.1 Las entrevistas
O educador/professor tem um papel preponderante no que diz respeito ao desenvolvimento da criança, pois compete-lhe proporcionar, um ambiente estimulador,
repleto de experiências enriquecedoras e motivadoras a fim de lhe possibilitar o desenvolvimento das suas capacidades e melhorar a sua autoestima.
A palavra mediador, segundo Guimarães e Lopes (2012), “é a atitude e o comportamento do docente que se coloca como um facilitador, estimulador ou motivador da aprendizagem” (p.51). Considerando que o educador e o professor do 1.º ciclo de ensino básico tem cada um o seu papel, importou-nos refletir sobre esses papéis, atendendo ao que nos diz a legislação sobre o assunto. Comecemos pelo educador de infância (Educação Pré- Escolar). Qualquer instituição exige aos seus profissionais, segundo Serrão (2009), “a elaboração de um currículo ajustado às necessidades do meio e às orientações gerais definidas por Lei” (p.32). No Decreto-Lei n.º 241/2001, de 30 de agosto podemos ler que “a orientação e as actividades pedagógicas na educação pré-escolar são asseguradas, nos termos do n.º 2 do artigo 30.º da Lei de Bases do Sistema Educativo, por educadores de infância” (p.1). No mesmo Decreto-Lei, no anexo n.º 1, ponto II, é-nos dito que “o educador de infância concebe e desenvolve o respectivo currículo, através da planificação, organização e avaliação do ambiente educativo, bem como das actividades e projectos curriculares, com vista à construção de aprendizagens integradas” (p.3). É importante referir que as planificações que o educador realiza devem de ir ao encontro dos documentos oficiais (OCEPE) e dos interesses e dificuldades de cada criança integrada no grupo.
Além do acima referido, o educador deve garantir, segundo Serrão (2009), a “supervisão pedagógica, o acompanhamento e a avaliação da execução das actividades, enquanto as crianças jogam” (p.34). Essa avaliação e acompanhamento das crianças em situação de jogo, de acordo com Laevers (2004), deve ocorrer através de uma grelha, que contém uma escala de 1 a 4, que varia de acordo com o nível de envolvimento e desenvolvimento da criança.
No que se refere ao professor do 1.º ciclo de ensino básico, segundo o que se expressa no Decreto-Lei n.º 241/2001, de 30 de agosto, deve desenvolver o respetivo “currículo, no contexto de uma escola inclusiva, mobilizando e integrando os conhecimentos científicos das áreas que o fundamentam e as competências necessárias à promoção da aprendizagem dos alunos” (p.7). Ainda no mesmo artigo no anexo n.º 2, ponto II, o professor do 1.º ciclo de ensino básico, deve também desenvolver, “aprendizagens, mobilizando integradamente saberes científicos relativos às áreas e conteúdos curriculares e às condicionantes individuais e contextuais que influenciam a aprendizagem”, utilizando “os conhecimentos prévios dos alunos, bem como os obstáculos e os erros, na construção das situações de aprendizagem
escolar”, promovendo ainda a “integração de todas as vertentes do currículo e a articulação das aprendizagens do 1.º ciclo com as da educação pré-escolar e as do 2.º ciclo” (p.7).
Percebemos que qualquer profissional da educação tem um papel fundamental no desenvolvimento da criança, independentemente de ser educador ou professor.
O ato de ensinar, anteriormente, na época dos nossos pais e avós, era visto como um simples ato de transmissão de conhecimento, no qual a criança era um sujeito passivo no seu processo de aprendizagem, limitando-se apenas a ouvir e a debitar matéria. Mas, hoje em dia, devido às formas inovadoras de ensino que vão surgindo (por exemplo as tão faladas salas de aulas do futuro, com alguns projetos em funcionamento), o conceito de ensino- aprendizagem, ganhou outro sentido, passando a criança a ter um papel mais ativo na sua aprendizagem, considerando que esta é a construtura de todo esse processo. Um dos exemplos de evolução das estratégias de ensino-aprendizagem, foi autilização dos jogos no ensino, que também impulsionou mudanças na postura do professor, no qual o seu papel passou de transmissor de conhecimento para observador, para mediador e facilitador de aprendizagens. Considera-se que é através do brincar, do jogar e do lúdico que as crianças adquirem novos conhecimentos, pois de acordo com Guimarães e Lopes (2012)
muitas vezes, as crianças conseguem fazer algo ou resolver um problema numa situação de jogo e não conseguem fazê-lo em situações da realidade ou aprendizagem formal, sendo esse um dos momentos de principal atuação do professor, orientando e abrindo caminhos para que a criança se desenvolva e ande sozinha, pois, por meio de auxílio do mediador, ela conseguirá, a cada momento, fazer novas descobertas que se tornarão significativas [na] sua vida (pp.55-56).
Assim a função do educador/professor, enquanto mediador e facilitador de aprendizagens, já não é apenas a de transmitir conhecimentos, mas a de proporcionar às crianças, descobertas e situações que instiguem à investigação. A criança passou a ser um ser ativo, que investiga, interroga e questiona, e o educador/professor a um intermediário entre a criança e o saber e entre o saber e a criança. De facto, o nosso objetivo é justificar que o jogo é uma estratégia enriquecedora no processo de ensino-aprendizagem e, testemunhando as palavras de Neto (2003), consideramos que “os professores deveriam obter uma formação inicial, contínua e pós-graduada mais consistente e adequada sobre os fundamentos pedagógicos e científicos do jogo no desenvolvimento da criança” (p.167).
Reconhecemos também pertinente que, tanto o educador como o professor, devem, sempre que possível, interagir com as crianças em situações de jogo, não apenas para as avaliar, mas também para criar um clima agradável, tentando, assim, perceber, quais as suas preferências para mais tarde proporcionar aprendizagens de acordo com as suas
necessidades, bem como com os seus gostos. Para que os jogos e as brincadeiras sejam profícuos, no processo de ensino-aprendizagem é necessário, planificá-los. A planificação deve ser bem estruturada, contendo objetivos e metas, pois sem isso, o jogo não passa de uma mera brincadeira sem fundamento e intencionalidade.
Tanto o educador como o professor obtêm melhores resultados, quando a criança brinca/joga, isto pelo facto da criança não conseguir separar o emocional, o motor, o social e o cognitivo, por que todas as capacidades estão envolvidas.
Como refere Santos (2010),
a esperança de uma criança, ao caminhar para a escola é encontrar um amigo, um guia, um animador, um líder; alguém muito consciente e que se preocupe com ela e que a faça pensar, tomar consciência de si e do mundo e que seja capaz de dar-lhe as mãos para construir com ela uma nova história e uma sociedade melhor (p.109). Moreira e Oliveira (2004) referem o jogo como “uma atividade reconhecida pelo seu potencial formativo e educativo” (p.84), sendo atualmente consensual que é através deste que o educador/professor pode obter “informações sobre o comportamento social e individual das crianças, sobre as suas ideias, interesses e valores” e, ainda, pelo simples facto de se considerar que os jogos desenvolvem “aprendizagens específicas”. Por tal, devemos ser conscientes de que, ao incluirmos o jogo nas nossas práticas, precisamos de “definir claramente os objectivos” que se pretendem alcançar, facto este que implica uma “análise prévia do jogo” (p.85). Desta forma, o jogo é um meio imprescindível para atingir um fim necessário, ou seja, é uma estratégia enriquecedora para ser associada ao desenvolvimento do currículo escolar.
Em síntese, o educador/professor, enquanto mediador e facilitador de aprendizagens, bem como organizador do seu próprio currículo, deve eleger jogos promotores de aprendizagens significativas, ativas e socializadoras. Devem proporcionar às crianças situações de jogo, num ambiente agradável e com acesso a materiais pedagógicos adequados, que desencadeiem experiências enriquecedoras, para que se tornem agentes ativos em todo o seu processo de aprendizagem.
6. O jogo no desenvolvimento de competências sociais e comunicacionais na criança