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Validation scenarios

From Informal Specifications to Formal Validation

5. THE EXPRESS LANGUAGE: VALIDATION

5.3 Validation scenarios

Linguistas, movidos pela Filosofia da mente corpórea, trazem para o interior da Linguística as discussões da mente como um fenômeno social e corporificado. Koch e Cunha-Lima argumentam que “a mente e o corpo não são duas entidades estanques” ou desligadas uma da outra, mas a mente é um fenômeno corporificado e

As atividades cognitivas não estão separadas da interação com o meio, nem, obviamente, da vida social. As ações verbais são conjuntas, situadas e cognitivas, desenvolvidas na convivência humana, que é social, cultural e histórica (KOCH; CUNHA- LIMA, 2005, p. 273).

Consequentemente, entende-se que o “SER” é representado pelo que é exteriorizado, por tudo o que está retratado no “dizer”, pois, na medida

em que faz uso da linguagem, o sujeito constrói sentidos de acordo com sua história, seu mundo particular e social. Pessoas diferentes dão sentidos diferentes, únicos e exclusivos, às mesmas mensagens. É a singularidade presente na totalidade e vice-versa. De tal modo, a mensagem, enquanto escrita ou falada, pode ser a mesma para todos, mas a sua compreensão, que efetivamente levará à ação, é criada e formatada individualmente. A singularidade do ser humano se põe em evidência. Embora não totalmente compreendido por grande parte dos gestores educacionais, esse é o processo que permeia a aprendizagem de uma LE. “Hipertextos, mapas, frames ou modelos cognitivos idealizados28” são formas de representar o interior de cada um e as emoções geradas pelo conhecimento construído.

Deste modo, entende-se que a maneira de “ser” e de “pensar”, características de cada indivíduo, é parcela fundamental na compreensão da mensagem – do “dizer”. Compreender “o dizer” vai além da simples audição da fala. É necessário captar diversas outras variáveis. Estão presentes e fazem parte da emissão da mensagem: a entonação e o tom da fala, a expressão da face, os movimentos do corpo e os trejeitos que fazem sentido para quem fala e para quem escuta e igualmente promovem ligação do indivíduo com o mundo, denotando a sua singularidade. Cada ser tem suas características próprias – visual auditivo ou sinestésico – que lhe permite interpretar de maneira única os episódios comunicativos.

Fatos obscuros e vazios de sentidos para alguns podem estar cheios de significados para outros. Essa distinção dependerá da construção de mundo que cada sujeito efetiva ao longo de sua existência e é representado pela individualidade, que define cada ser isoladamente. Dependerá do fluxo da consciência, do pensamento integral, do raciocínio lógico do ser, entremeado com impressões pessoais, associações de ideias, realidades e desejos – tudo vem à tona, deferido por um monólogo interior. É a formação da consciência individual e social do ser, como concluem Maturana e Verden-Zoller: “Pensamos que a existência humana acontece no espaço relacional do conversar29 [...]. Efetivamos nosso ser biológico no

28 As definições de hipertexto, mapas, frames e modelos cognitivos idealizados e a sua correlação de sentidos é retomada na sequência deste capítulo.

29 Para Maturana e Verden-Zoller (2009), aquilo que constitui a linguagem como fenômeno biológico relacional é a coexistência de interações recorrentes, sob a forma de um fluxo recursivo de coordenações comportamentais consensuais, chamado de “linguajear”. Para os autores, aquilo que distinguimos quando diferenciamos as emoções em nós próprios e em outros animais são domínios de ações, tipos de comportamentos. Ao viver, fluímos de um domínio de ações a outro,

processo de existir como seres humanos ao viver imersos no conversar” (MATURANA; VERDEN-ZOLLER, 2009, p. 10). E, nesse contexto, Lévy concorda que

Trabalhar, viver, conversar fraternalmente com outros seres, cruzar um pouco por sua história significa, entre outras coisas, construir uma bagagem de referências e associações comuns, uma rede hipertextual unificada, um contexto compartilhado, capaz de diminuir os riscos de incompreensão (LÉVY, 1993, p. 73).

Em cada evento linguístico os sujeitos, que agem por meio da linguagem, tomam como base para suas decisões, conhecimentos30 e experiências comuns que demarcam esse ato, “é a base (background) compartilhada pelos falantes” (KOCH; CUNHA-LIMA, 2005, p. 282).

O ciberespaço como entidade coletiva proporciona o conhecimento partilhado, que é a base comum entre duas ou mais pessoas. O conhecimento está sempre em movimento, dinamizado por cada experiência ou pesquisa compartilhada e por cada troca linguística como novo conhecimento em construção ou já construído. Para Koch e Cunha- Lima (2005), ações conjuntas envolvem a coordenação de mais de um indivíduo para a sua realização. As ações comunicativas são dinâmicas e variavelmente flexíveis. As pessoas tomam parte de eventos comunicativos desempenhando funções determinadas. Usam, para isso, pistas – sinais corporais, verbalizações – e metáforas. As ações são construídas e negociadas pelos participantes e, portanto, se engajar em alguma ação corresponde a usar a linguagem, pois é o meio pela qual a ação acontece. Com efeito, a linguagem é uma ação social. Por meio dela relações complexas – culturais e sociais – são construídas e permitem a realização de sentido. A compreensão da linguagem se estende para além do sentido do uso da língua que, por si só – oral ou escrita – está sendo compreendida como evento da emoção em ação para produzir a interação, construir e disseminar conhecimentos.

Para Wittgenstein (1958), compreender a linguagem vai além da compreensão do valor de verdade de sentenças, da expressão de um fato do mundo. Ela só pode ser devidamente entendida e apropriada quando

num contínuo emocionar (vivenciar as emoções) que se entrelaça com nosso

linguajear. A esse entrelaçamento denomina-se conversar. 30

Conhecimento partilhado é tudo o que falantes disserem e todos os elementos do contexto podem ser tomados como conhecimentos partilhados – são as experiências perceptuais concomitantes ao evento (KOCH; CUNHA-LIMA, 2005, p. 282).

concebida como fenômeno em funcionamento e em interação. A aproximação entre os conhecimentos armazenados na memória com os conhecimentos oriundos do mundo externo – em forma de oralidade, de imagem ou de escrita – permite a compreensão da mensagem e a construção de novo sentido, novo conhecimento. Exemplificando: ao se deparar com a palavra – oral ou escrita – “FÉRIAS”, imediatamente são acionadas, na mente do sujeito, informações relacionadas a esse evento. Surgem noções e imagens sobre viagem, praia, descanso, paisagem, diversão e, concomitantemente, as mais variadas sensações. A partir destas primeiras impressões, surgem outras em extensão – dependendo do conhecimento construído em cada “background” particular – e podem se prolongar, gerando projeções como resultado da criatividade mental, que vasculha a memória e se lança em perspectivas e sonhos.

2.4 LINGUAGEM: COMPORTAMENTO INTERNO E EXTERNO