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A Linguística Cognitiva apresenta um amplo conjunto de proposições acerca do conhecimento organizado por meio dos MCI. A estrutura de categorias e os efeitos prototípicos resultam da organização do uso de metáforas e metonímias e de formações e proposições simples e complexas.

Nos modelos cognitivos de esquemas de imagem,

A experiência corporificada se manifesta em nível cognitivo e em termos de esquemas de imagens, compreendidos como conceitos elementares, cuja significação deriva da experiência humana pré- conceptual, pelo que a experiência do mundo pode ser dita como medida e estruturada diretamente pelo corpo humano (LIMA, 2009, p. 83).

Com efeito, Lakoff (1987) esclarece que existing concepts may impose futther structuring on what we experience, but basic experiential

structure are present regardless of any such imposition of concepts70.

Mark Johnson (1987) identifica alguns dos mais básicos esquemas de imagens – os esquemas cinestésicos – sem dúvida, os mais centrais para a experiência humana. Este inclui o esquema recipiente/conteiner – limite de distinção entre interior e exterior – o que torna possível distinguir e

69 Lakoff (1987) afirma que os MCIs têm uma estrutura gestáltica que permitem a distinção entre o que é backgrounded e o que é foregrounded – o que os psicólogos da Gestalt chamam de distinção figura-fundo. Para essa teoria, existem níveis privilegiados de percepção, constituindo-se esta por propriedades gestálticas (como é o caso dos conceitos de nível básico): conhece-se a realidade construindo totalidades estruturadas, sendo esse um todo.

70

Os conceitos estabelecidos podem impor estruturação, mas estruturas básicas experienciais estão presentes a despeito de qualquer uma dessas imposições dos conceitos (tradução nossa).

compreender a diferença básica entre os conceitos “dentro” e “fora”: a) esquema de “parte-todo” – de corpos e objetos; b) esquema de “ligação” – que assegura a localização de uma coisa relativa à outra; c) esquema “centro/periferia”; e d) “esquema fonte-caminho-meta” – todas as ações envolvem um ponto de partida, uma trajetória e um ponto final. Outros esquemas centrais incluem o esquema “de cima para baixo”; “de frente para trás” e esquema de “ordem linear”. Segundo Lakoff, tais esquemas se aplicam à compreensão do próprio corpo, entendido como um “recipiente/container”.

Para Feldman e Lakoff (2000, p. 3-4), after all, children have a long period of time in which they are mostly helpless and immobile, to observe and interact with their bodies and their immediate environments and build up these schemas slowly over experience71. Esta citação reforça a proposição desta pesquisa – um novo método para ensino de LE – com base nos fundamentos teóricos que sustentam um melhor nível de aprendizagem. A audição é o sentido mais importante no ato de categorização da língua estrangeira e, por isso, deve ser explorado em primeiro lugar. Ouvir e entender a sonorização antecede o envolvimento físico na produção da fala. À medida que a pessoa ouve e entende, a mensagem é recebida pelo cérebro, que trabalha reproduzindo tal mensagem. É um tempo necessário no qual ocorre a integração do aprendiz com um novo mundo, em dois sentidos diferentes. Primeiramente, a escola como espaço formal de aprendizagem é um ambiente secundário em relação ao de sua convivência. Em segundo lugar, a língua estrangeira é diferente daquela falada originalmente por ele. O estudante carece se reconhecer como indivíduo singular e autêntico dentre os demais membros e se inteirar do contexto linguístico estrangeiro que envolve todo o grupo e o ambiente.

Os modelos cognitivos de esquemas de imagens são de caráter corporal-cinestésico, “pela imposição de uma estrutura à experiência de espaço, pela projeção para domínios conceituais abstratos via metáforas e metonímias e pela estruturação de modelos complexos” (LIMA, 2009, p. 83). “This may seem simple, but if the straightforward learn by experience of kinesthetic image schemas can in turn serve as a foundation in that most

71 Afinal, as crianças têm um longo período de tempo em que elas são, em sua maioria, indefesas e imóveis, para observar e interagir com seus corpos e seus ambientes imediatos e assim, lentamente, construir esses esquemas sobre a experiência (tradução nossa).

complex task, the acquisition of language, then that acquisition can itself be simplified72” (FELDMAN; LAKOFF, 2000, p. 4).

Lakoff (1987) delineia diferentes esquemas de imagens que auxiliam no entendimento dos domínios do modelo cognitivo: a) a experiência corpórea que origina o esquema de imagem; b) os elementos estruturadores do esquema de imagens; c) a lógica básica do esquema de imagem; e d) os exemplos de metáforas estruturadas pelo esquema de imagens.

O corpo humano é comparado a um contêiner, um recipiente estruturado com “interior”, ”exterior” e “contorno73”. O raciocínio é de que todas as coisas estão dentro ou fora de um recipiente/contêiner. Para Feldman e Lakoff (2000, p. 4), por projeções metafóricas o esquema de contêiner pode ser estendido para a estruturação de outros conceitos mais abstratos, assim:

Container schemas provide a method for understanding categorization, with the category as a container and exemplars being in or out of it (or in to some degree, depending). Hierarchical structure can be understood in terms of up-down and part-whole schemas acting together. Relational structure is of course defined by the link schema. Radial structure is grounded by center-periphery schema. Foreground- background structure, whether in visual scenes or in discourse, can be understood in terms of front-back schemas. And linear quantity scales are understood in terms of up-down and linear order schemas, as in the basic “up is more” metaphor. Image schemas thus provide for direct understanding of their own structure, and are used metaphorically to structure

other complex concepts74 (FELDMAN; LAKOFF, 2000, p. 4).

72 Isto pode parecer simples, mas o simples aprender com a experiência de esquemas de imagem cinestésicas, por sua vez, pode servir como fundação para tarefas mais complexas, como a aquisição da linguagem; então, a aquisição em si pode ser simplificada (tradução nossa).

73 No original, o autor usa o termo “fronteira”.

74 Os esquemas de contentores proporcionam um método para a compreensão da categorização com a categoria de um recipiente, exemplificando com a ideia de dentro ou fora do recipiente (ou, dependendo, em algum grau). A estrutura hierárquica pode ser entendida em termos de esquemas de cima e para baixo e

parte-todo, agindo em conjunto. A estrutura relacional é, naturalmente, definida

Um exemplo dessa afirmação é o conceito de “família”75. Ocorrências linguísticas, como “estou satisfeito por entrares em nossa família”, “isso deve ser mantido nos limites dessa família” e “que lástima ela ter saído de nossa família” demonstram evidências de que as expressões remetem à ideia de uma estrutura com “interior”, “fronteira” e “exterior” – esquema CONTEINER – na qual o conceito é estruturado.

Já, a “parte-todo” é determinada pela experiência do corpo humano. É um “todo” em muitas “partes”. Nas palavras de Lakoff (1987, p. 273), “we are whole beings with parts that we can manipulate”76. Esta estrutura é imposta a inúmeras coisas experienciadas, bem como a objetos que nos circundam. É a percepção do nível básico que leva a distinguir a estrutura “parte-todo” como fundamental para a atuação do sujeito em seu espaço. Portanto, os elementos desse esquema podem ser percebidos de forma mais complexa, como “todo-parte-configuração”. Outros pontos merecem consideração, como a existência do “todo” depende das “partes”, donde decorre que a destruição das “partes” implica na destruição do “todo”. Há possibilidade de que existam partes sem um “todo”, mas no momento em que as “partes” existem na “configuração”, integram-se no “todo”. Família, sociedade, casamento, são considerados por Lakoff (1987) como exemplos de conceitos estruturados metaforicamente pelo esquema parte-todo. O casamento é compreendido como formação de família, portanto, um todo cujas partes são os esposos, enquanto que o divórcio é entendido como divisão (novas partes). O conceito sociedade é compreendido como parte- todo, como nos exemplos: não há como se alcançar todos os segmentos – partes – da sociedade ou a sociedade como um todo é responsável pelo futuro da nação.

O esquema de ligação (link schema) – o terceiro esquema de imagem – começa a ser experienciado ainda entre mãe e filho via cordão umbilical, estendendo-se pela infância e pela vida afora. Continuamente, novas conexões se estabelecem para garantir a posição de dois elementos, um em relação ao outro. Sempre é estruturado por duas entidades, “A”e “B”, e em

periferia. A estrutura de plano de fundo, seja em cenas visuais ou no discurso,

pode ser entendida em termos de frente para trás. E escalas de quantidade linear são entendidas em termos de esquemas de ordem para cima/baixo e linear, como no básico da metáfora "para cima é mais". Esquemas de imagem, portanto, proporcionam a compreensão direta de sua própria estrutura e são usados metaforicamente para estruturar outros conceitos complexos (tradução nossa). 75 Exemplo retirado de Lima (2009).

uma “ligação” que as conecta por meio de uma lógica básica: “se “A” está ligado a “B”, então “A”é restringido e dependente de “B”. Quanto à simetria, se “A”está ligado a “B”, então “B” está ligado a “A”. Assim se estabelecem as relações sociais e interpessoais – liberdade, dependência e servidão (LIMA, 2009, p. 85).

O esquema “centro-periferia” (center-periphery), segundo Lakoff, funda-se na experiência de nossos corpos em termos de “centro” e de “periferia”. O tronco e os órgãos internos constituem o “centro” e o cabelo e os dedos são a “periferia”. Esse esquema pode ser aplicado a outros organismos como as árvores, que possuem um tronco como centro e galhos e folhas como partes periféricas. O centro é tido como a parte mais importante. Danos causados a ele são mais sérios do que danos causados às partes periféricas. O centro mostra-se como demarcador da identidade de um sujeito ou da natureza central de alguma coisa. Assim, compreende-se que a periferia é dependente do centro. Os elementos entidades-centro- periferia são a base desse esquema. Com efeito, a periferia depende do centro, mas o centro não depende da “periferia”. Para ilustrar, vê-se o entendimento do conceito de sociedade. Nela existem os segmentos considerados centrais e os aceitos como periféricos. É comum o uso de expressões como: precisamos trazer os menores abandonados para o seio da vida social, os velhos estão ficando fora da vida social.

Com relação a experiências contínuas de movimento de um lugar para outro, o esquema “origem e meta” indica que há um ponto de partida e um ponto de chegada. Há uma sequência de posições próximas que servem de conexão entre pontos de partida e de chegada. Também existe uma sequência de posições adjacentes que servem de acoplamento entre os pontos. É um esquema espaço-temporal, cujos dados estruturais são

origem, percurso, direção e meta. Para Lakoff (1987, p. 275), esse

esquema refere-se à estruturação de acontecimentos complexos, como no caso de propósitos – compreendidos em termos distintos e, atingi-los, significa passar por um caminho com início e fim. Lima (2009) argumenta que o Modelo Cognitivo de Imagens traz evidências importantes de que a razão tem como base a experiência física (corpórea) e que a existência de projeções metafóricas – de domínios concretos para domínios metafóricos – são basilares para a razão abstrata.

Ademais, é salutar notar que não é novo o foco nas experiências primárias do sistema sensoriomotor sugeridos pelo esquema de imagem (ICM). Feldman e Lakoff (2000) lembram que o trabalho clássico de Piaget (1959) era centrado na importância das experiências inicias do sistema sensoriomotor no desenvolvimento das crianças. Piaget teorizou que a experiência primária da criança é necessária para prosseguir em direção a

conhecimentos proposicionais como quantidade, número, etc. Lakoff e Johnson trazem um foco renovado em relação aos esquemas de imagens na ciência cognitiva “deixando transparecer que o pensamento superior é de fato baseado no processo sensoriomotor” (FELDMAN; LAKOFF, 2000, p. 04).

2.7 O METABOLISMO DAS LINGUAGENS: LÍNGUA, CORPO E