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Após a mudança do paradigma que norteava os estudos de usuários e que permitiu o desenvolvimento de trabalhos mais amplos a respeito de como o usuário lida com a informação, ocorreram desenvolvimentos conceituais, teóricos e metodológicos a fim de se estudar os elementos que compõem o processo de comportamento informacional. Neste sentido, apresenta-se a última revisão de literatura referente ao tema a fim de esboçar o desenvolvimento da temática, a qual foi elaborada por Pettigrew, Fidel e Bruce em 2001. A partir dos resultados encontrados na literatura acerca do tema, os autores afirmam que o tema se compunha no período de 1980 a 2001, por três abordagens conceituais, a saber: cognitiva, social e multifacetada.

No enfoque cognitivo para os estudos de comportamento informacional, considera-se fundamentalmente o indivíduo e suas características. As pesquisas sob tal enfoque investigam as motivações cognitivas e emocionais do comportamento informacional do usuário independente de seu contexto. Os estudos têm como objetivo identificar como o indivíduo aplica seus esquemas mentais11 na interação com a informação, o modo que cada pessoa processa informação por meio de um conjunto de conceitos que representa seu modelo de mundo. Isto é, como o indivíduo pensa e se comporta em resposta a uma necessidade de informação (PETTIGREW; FIDEL, BRUCE, 2001).

Há vários modelos de comportamento informacional que foram desenvolvidos sob tal perspectiva (WILSON, 1996; KUHLTHAU, 2006), os quais apresentam uma série de

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Pressuposto básico das ciências cognitivas, os esquemas mentais são uma visão de mundo, um modelo de conhecimento, um jeito ou um estilo de conhecer as coisas que cada indivíduo possui (ROZADOS, 2003).

elementos relacionados aos usuários que são independentes do seu contexto. Isto é, o contexto mencionado nos modelos de comportamento informacional sob a abordagem cognitiva se refere aos aspectos relacionados diretamente ao indivíduo, ao invés de seu contexto social, profissional, etc. Entretanto, Savolainen (2007) destaca que a investigação dos componentes internos, das dimensões cognitivas do comportamento informacional humano se mantém um desafio, sob o ponto de vista metodológico, até a atualidade.

A investigação do comportamento informacional sob uma abordagem social emergiu na década de 90, e se diferencia da abordagem cognitiva ao estudar o contexto como meio que propicia o entendimento do comportamento informacional dos usuários. Conforme Pettigrew, Fidel e Bruce (2001) tal abordagem tem se tornado relevante para a área, sendo seu foco os diversos contextos, valores sociais e socioculturais que permeiam a vida do usuário e seu comportamento informacional.

Assim, a investigação do comportamento informacional sob tal perspectiva leva os estudos além dos esquemas cognitivos para os fatores sociais, culturais, afetivos e situacionais relativos aos usuários. O contexto é produzido na interação entre tais fatores e os indivíduos e, tem como consequência a influência no usuário e na busca por informação (COURTRIGHT, 2007).

As pesquisas produzidas sob tal abordagem investigam o comportamento informacional dos usuários nas diversas situações12 que compõem a vida cotidiana. Bem como apresentam uma visão holística da vida do usuário e como ele se comporta em relação à informação em diversos momentos, tais como, no trabalho, nas tarefas domésticas e nos momentos de lazer. Os grupos de usuários investigados por esta abordagem ultrapassam a comunidade acadêmica e são compostos por vários tipos de grupos, tais como adolescentes, idosos, crianças, presidiários, donas de casa, ect.

A pesquisadora Elfran Chatman (1996) apresenta um trabalho expoente para a abordagem social ao investigar o comportamento informacional de grupos pobres da sociedade como, por exemplo, as mulheres idosas que vivem em asilos. Ao investigar a busca e uso de tais mulheres, a autora apresenta quatro conceitos fundamentais para o

12 Situação pode ser definida como o ambiente dinâmico no qual a necessidade de informação ocorre. Já o contexto

pode ser definido como um esquema mais amplo que situação, o qual pode ser constituído por uma série de situações e influencia todo o comportamento informacional do usuário (COURTRIGHT, 2007).

entendimento da pobreza de informação na sociedade. A partir disso, Chatman (1996) desenvolveu a teoria da pobreza de informação que busca explicar tal fenômeno social e cultural. Para tanto, afirmou utilizar várias teorias das ciências sociais, tais como a teoria das relações sociais, a fim construir contributos teóricos para o estudo da busca e uso da informação na vida cotidiana.

Chatman (1996) apresenta em sua teoria a concepção de ambiente com informação empobrecida (impoverished informat ion world), no qual existem pequenos grupos sociais com indivíduos que apresentam um comportamento de autoproteção ao decidirem se apoiar mutuamente e utilizar apenas suas experiências e conhecimento para a resolução de problemas. Tais indivíduos evitam satisfazer as necessidades de informação quando elas ocorrem em um esforço para manter uma impressão de consistência, interação social com os outros indivíduos do grupo.

Assim, essas comunidades se isolam das fontes de informação disponíveis, que poderiam auxiliar na resolução de seus problemas e na satisfação de suas necessidades de informação, por causa de seus esquemas sociais. Sustentando, assim, o estado de pobreza de informação do ambiente, no qual o grupo social está inserido (CHATMAN, 1996). Os estudos mais recentes apresentam a abordagem multifacetada, a qual é uma tentativa de investigação do comportamento informacional sob múltiplos pontos de vista. De acordo com pesquisadores que defendem tal abordagem, tais como Spink e Cole (2005), o comportamento informacional humano é muito complexo para ser investigado apenas sob uma perspectiva. Assim, vários pontos de vista são requeridos para descrever os vários aspectos inerentes ao comportamento informacional humano.

A partir desta premissa, pesquisadores da área estão criando novos modelos, e modificando modelos já existentes com novas abordagens, como, por exemplo, o modelo apresentado por Spink e Cole em 2005, o qual integra quatro abordagens para o comportamento informacional, sendo elas:

- A abordagem de resolução de problemas, sob um ponto de vista cognitivo, apresenta a busca por informação como um processo intencional que se inicia para resolver uma necessidade de informação e abrange vários estágios e variáveis importantes, a saber: julgamento de relevância e incerteza. O estado esperado ocorre com a satisfação do estado cognitivo;

- A abordagem de recuperação da informação apresenta o comportamento de busca do usuário na interação com os sistemas de recuperação da informação, sob o ponto de vista da psicologia evolucionária, sendo ele baseado nas várias estratégias, táticas e percepções utilizadas pelos usuários para descobrir as melhores fontes de informação.

- A abordagem do comportamento de busca na vida cotidiana apresenta o processo do comportamento informacional composto por buscas intencionais e não intencionais, sendo que por meio delas o usuário recupera informação para criar sentido para seus problemas e vida. O processo se inicia quando o indivíduo alcança um estado de satisfação com o conhecimento adquirido que criará sentido para a existência humana.

- A abordagem do pensamento modular apresenta a concepção de uso das informações obtidas no ambiente de forma inconscientemente pelo usuário, as quais permitirão ao usuário se adaptar ao ambiente para a sobrevivência. Sob uma perspectiva da psicologia revolucionária, as informações obtidas por meio de tal busca inconsciente são elementos generativos do comportamento informacional.

Cada abordagem mencionada acima apresenta uma visão diferenciada para o mesmo processo. Conforme os autores, a integração de tais abordagens em um modelo de comportamento informacional não tem objetivo desmerecer nenhuma abordagem, porém, busca contribuir para o processo de criação de uma perspectiva mais ampla para o comportamento informacional.

De acordo com a revisão sobre o tema feita em 2012 por Case, há quatro pontos relevantes nas pesquisas realizadas nos últimos anos na área, a saber: mais destaque para o contexto do usuário e seu papel social; mais esforços para compreender a mente do indivíduo; mais tempo gasto com os sujeitos individualmente; e mais profundidade da descrição global referente ao usuário.

Os estudos de comportamento informacional buscam, portanto, compreender como o usuário lida com a informação sob a ótica de um processo inerente ao ser humano e relacionado à busca e ao uso da informação para a criação de conhecimento. A área

apresenta, também, abordagens distintas para a investigação dos vários elementos que influenciam e integram o processo de busca e uso da informação.

A partir do pressuposto que baseia a presente pesquisa na abordagem cognitiva dos estudos, serão apresentados alguns modelos de comportamento informacional que também estão inseridos na referida abordagem.