9. Fremtidsregnskap
9.6 Analyse av fremtidsregnskapet
McCrae e Costa (2008) afirmam que o Modelo dos Cinco Grandes Fatores não constitui uma teoria da personalidade, contudo, ele adota os preceitos da Teoria dos Traços de Personalidade. O Modelo dos Cinco Grandes Fatores, de acordo com Silva e Nakano (2011), é o mais adequado para descrever a estrutura da personalidade dentro da Teoria dos Traços de personalidade, sobretudo da personalidade adulta do ponto de vista psicométrico, como no caso da presente pesquisa. Tal modelo descreve a personalidade humana em termos de cinco grandes dimensões, cada uma reunindo uma variedade de
traços essenciais da personalidade. Para Silva et al. (2007), este é um dos modelos mais utilizados em pesquisas com testes de personalidade por se mostrar abrangente e conciso.
Anastasi e Urbina (2000) afirmam que o modelo dos Cinco Grandes Fatores é uma tentativa de simplificar a vasta coleção de dados disponíveis sobre a personalidade dos indivíduos ao tornar as informações mais manejáveis para situações em que é preciso avaliar a personalidade e predizer o comportamento do indivíduo.
Diante do exposto, ressalta-se que a presente pesquisa visa explorar a relação da personalidade com o comportamento informacional com base no Modelo dos Cinco Grandes Fatores.
A constituição dos cinco fatores se deu em uma generalização empírica. A estrutura dos cinco grandes fatores se originou na análise lexical da linguagem, ou seja, eles foram descobertos a partir da análise de descritores da personalidade encontrados na linguagem natural sem a representação de uma perspectiva teórica com o auxílio da análise fatorial. Goldberg afirma que "as maneiras mais importantes que os indivíduos diferem entre si serão codificadas com os termos únicos (por exemplo, adjetivo e substantivos) em algumas ou em todas as línguas do mundo” (p., 1999, tradução nossa15).
Complementando, McCrae e John (1992) afirmam que a importância dos cinco fatores não foi descoberta pelos pesquisadores e estudiosos da área de Psicologia nas décadas de 60 e 70. No entanto, na década de 80, os pesquisadores de várias vertentes da área de Psicologia foram levados a concluir que os traços de personalidade são dimensões fundamentais das mesmas por meio dos resultados obtidos em um estudo realizado pelos pesquisadores com crianças, adultos e idosos de ambos os sexos nos Estados Unidos, Alemanha, Japão, Holanda. Nem a fonte dos dados, nem a idade do alvo, tampouco a língua e a cultura exerceram influências significativas sobre os resultados encontrados. Isso comprova mais uma vez que o modelo dos cinco grandes fatores descreve satisfatoriamente a personalidade humana.
McCrae e John (1992) ressaltam ainda que há várias razões bem fundamentadas para a investigação dos traços de personalidade terem começado a partir da linguagem, a saber: a personalidade já é definida pelos indivíduos de forma leiga por meio de palavras
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Original: “Most important ways that individuals differ from each other will eventually come to be encoded as single attribute-descriptive terms (e.g., trait adjectives and type nouns) in the lexicons of the world's languages”.
do cotidiano, sendo formas básicas de definição da personalidade, que permitem os indivíduos se comunicar; os psicológicos devem se expressar de forma compreensível para os sujeitos e compreender o que eles relatam; há 4.500 termos que se relacionam com os traços de personalidade na língua inglesa, dessa forma, os autores acreditam que certamente tal riqueza de vocabulário atesta a importância social dos traços de personalidade.
As diferenças individuais importantes devem ter sido observadas pelos falantes de uma língua e no processo de evolução da língua, tais diferenças devem ser sido codificadas em termos. Assumindo, assim, que a estrutura da personalidade é universal, seria possível extrair os cincos fatores básicos da personalidade a partir da análise de qualquer língua natural (McCRAE; JOHN, 1992).
Neste sentido, o uso de descritores a partir da linguagem natural para os traços de personalidade tem sido defendido por vários pesquisadores como a melhor estratégia para identificar fatores que permitam entender melhor as características da personalidade. O modelo dos Cinco Grandes Fatores tem sido aplicado por vários pesquisadores em diversos estudos transculturais que corroboraram sua universalidade (HUTZ et al. 1998; SILVA, 2011).
O Modelo dos Cinco Grandes Fatores apresenta uma universalidade e replicabilidade em várias culturas, de acordo com McCrae e Costa, 2008, ele já foi replicado em 50 culturas diferentes. Os autores ressaltam que os traços que compõem o modelo são reais e apresentam similares relacionados em todas as culturas já estudadas. Traços desenvolvidos em indivíduos residentes na China apresentam traços paralelos em indivíduos que habitam os Estados Unidos, apesar das diferentes experiências vividas por ambos, já que os traços de personalidade não são moldados pelas experiências vividas por eles (McCRAE; COSTA, 2008).
McCrae e Costa (2008) afirmam, contudo, que ainda que a estrutura dos traços exista nos indivíduos em várias culturas e sua replicabilidade seja comprovada, os escores dos testes não são universais e precisam ser testados nas várias culturas.
As cinco dimensões que constituem o modelo são denominados originalmente, assim, na língua inglesa: Ext raversion; Neurot icism; Agreeableness; Conscient iousness; Openess t o Experience. Há várias traduções para a denominação dos fatores, sendo que a
tradução aqui adotada será: Extroversão, Neuroticismo, Amabilidade, Conscienciosidade e Abertura. Os cinco fatores podem ser assim descritos:
O fator Neuroticismo (Neurot icism) está relacionado ao nível crônico de ajustamento emocional e com a instabilidade. Alto escore identifica indivíduos propensos ao sofrimento psicológico, com tendência à ansiedade, depressão, hostilidade, impulsividade, autocrítica, vulnerabilidade, baixa autoestima, frustração e ideias não realistas. Baixo escore identifica indivíduos calmos, relaxados, imperturbáveis (McCRAE; JOHN, 1992; HUTZ et al.1998).
O fator Extroversão (Ext roversion) relaciona-se à quantidade e intensidade das interações interpessoais, nível de atividade, capacidade de alegrar-se e necessidade de estimulação. Pessoas com escore alto em extroversão tendem a ser ativas, otimistas, afetuosas, falantes e sociáveis; enquanto pessoas com escore baixo apresentam tendências à introversão, sendo reservadas, quietas, indiferentes, independentes, tímidas, e retraídas (McCRAE; JOHN, 1992; HUTZ et al.1998).
O fator Conscienciosidade16 (Conscient iousness) representa o grau de persistência, controle, organização e motivação para alcançar objetivos. Escores altos neste fator indicam pessoas organizadas, decididas, confiáveis, pontuais, trabalhadoras, perseverantes, ambiciosas e escrupulosas. Em contrapartida, escores baixos indicam pessoas não confiáveis, preguiçosas, descuidadas e negligentes (McCRAE; JOHN, 1992; HUTZ et al.1998).
O fator Amabilidade (Agreeableness) refere-se aos tipos de interação humana, sendo uma dimensão interpessoal, que se estende da compaixão ao antagonismo. Pessoas com escores altos tendem a ser bondosas, generosas, afáveis, altruístas e prestativas. Já pessoas com baixo escore tendem a ser hostis, cínicas, irritáveis, egoístas, manipuladoras e vingativas (McCRAE; JOHN, 1992; HUTZ et al.1998).
O fator Abertura (Openess t o Experience) refere-se ao reconhecimento da importância de ter novas experiências, comportamentos exploratórios, interesses intelectuais e sensibilidade artística. Pessoas com alto escore tendem a ser imaginativas,
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Conforme McCrae e John (1992) Os fatores Amabilidade e Conscienciosidade são altamente avaliados no âmbito da testagem, pois são dimensões da personalidade extremamente bem vista, descrevendo indivíduos “bons”. Os autores ainda conjecturam que talvez por causa de um viés moral, vários psicológicos deixam de lado tais fatores no desenvolvimento de suas pesquisas. McCrae e John (1992) alertam, contudo, que ambas representam várias características que se relacionam com as diferenças individuais.
criativas, inteligentes, curiosas, perspicazes, sensíveis, divertidas com novas ideias. Já pessoas com baixo escore tendem a ser convencionais, conservadoras e dogmáticas nas suas crenças (McCRAE; JOHN, 1992; HUTZ et al.1998).
De acordo com o modelo dos cinco grandes fatores, cada dimensão da personalidade subdivide-se em seis facetas inter-relacionadas, que podem ser definidas como as facetas que constituem o traço em questão. As facetas possuem o importante papel de representar da melhor maneira possível a amplitude e o alcance de cada dimensão, isto é, as facetas adicionais representam cada domínio (ANASTASI;URBINA, 2000). Elas distribuem-se conforme o quadro 1.
Quadro 1 – Facetas que compõem as dimensões do M odelo dos Cinco Fatores
Fatores Neuroticismo
(4) Extroversão (1) Abertura (5) Amabilidade (2)
Conscienciosidade (3)
Facetas
Ansiedade Acolhimento Fantasia Confiança Competência Hostilidade Gregarismo Estética Franqueza Ordem
Depressão Assertividade Sentimentos Altruísmo Senso de dever Autoconsciência Atividade Ações Aquiescência Direcionamento
Impulsividade Busca de
sensações Idéias Modéstia Autodisciplina Vunerabilidade Emoções
positivas Valores Sensibilidade Deliberação Fonte : Anastasi e Urbina, 2000
Conforme Anastasi e Urbina (2000), embora o Modelo dos Cinco Grandes Fatores tenha sido amplamente aceito na área de Psicologia alguns autores apontaram críticas ao Modelo. Algumas se referem ao fato de que apesar da maioria dos estudos realizados com a análise fatorial, nos últimos quarenta anos, apresentarem um consenso de cinco fatores básicos para descrever a complexidade da personalidade humana.
Diante do detalhamento do instrumento a ser utilizado para a coleta de dados, cabe tecer algumas considerações acerca das conclusões da área de psicologia para a aplicação de testes via internet.