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3. Metode

3.3 Valg av verdsettelsesmodell

São apresentadas, a seguir, 3 seções colunares compostas (Figura 4), de oeste para leste, de acordo com a localização geográfica atual (Figuras 2).

3.1.1.1 Seção 1: Serra da Caixa Furada, Nobres

Esta seção possui aproximadamente 280 metros de rochas terrígenas e carbonáticas da porção intermediária e de topo da Formação Puga. Constitui um perfil de superfície, com mapeamento de afloramentos descontínuos, realizado na vertente e vale sudeste da Serra da Caixa Furada. Nestes afloramentos, foram reconhecidas fácies de diamictito suportado por matriz maciço, folhelho e marga. Últimos 100 metros desta seção compostos de intercalações de folhelhos e margas são considerados neste trabalho como pertencentes à Formação Puga, a despeito de não terem sido observados os contatos e essas litologias não terem sido descritas em trabalhos anteriores.

O diamictito maciço sustentado por matriz (Dmm) aflora extensamente no leito de estrada vicinal com domínio das colorações esverdeadas. A sua matriz argilo- silto-arenosa é maciça e perfaz 70% do arcabouço da rocha. Os clastos polimíticos são, em geral, menores que 1 centímetro, ocorrendo raros blocos, e variam de angulosos a arredondados, sendo constituídos de feldspato, granito, basalto e argilito. As camadas possuem espessuras de 40 centímetros a 1 metro. Estes pacotes de diamictito intercalam-se com camadas centimétricas subordinadas de arenito, aparentemente maciço ou apresentando estratificação incipiente irregular, e siltito laminado, compondo ciclos granodecrescentes de 1,5 a 2 metros. A ausência de

41 Figura 4: Representação das seções estratigráficas estudadas na Faixa Paraguai Norte.

43 estratificação, domínio de matriz, baixa seleção dos clastos sugerem que esta fácies tenha sido gerada através de fluxos de detritos.

O folhelho (Ll) ocorre em espessos pacotes que podem alcançar 3 metros de espessura, sendo constituídos de argilito síltico micáceo, com clivagem ardosiana e cor vermelha. Ocorrem intercalações de camadas, de até 15 centímetros, de siltito vermelho argiloso laminado, com películas brancas entre as lâminas. Também estão presentes, subordinadamente, intercalações delgadas (1 mm a 2 centímetros) tabulares de argilito vermelho maciço e lenticulares de marga calcífera verde maciça (Prancha 1A). A frequência das camadas de argilito diminui para o topo, enquanto que a das camadas da marga aumenta, atingindo camadas de 7 centímetros, descritas a seguir. Microscopicamente, na fração argila predominam micas e na fração silte clorita e muscovita. As películas brancas que ocorrem entre as lâminas vermelhas são constituídas de quartzo, mica e feldspato no tamanho silte. As lâminas mais espessas (1 mm), apresentam base erosiva e laminação cruzada (Prancha 1B). Ocorre grande concentração de minerais opacos, frequentemente apresentando um halo de limonita, possivelmente determinante da cor de alteração vermelha da rocha. Microscopicamente, observa-se que o folhelho apresenta um certo grau de ritmicidade com alternância de lâminas claras siltícas com gradação norma e escuras argilosas laminadas plano-paralelamente. O caráter rítmico destes folhelhos aliado a presença de lâminas siltosas com gradação normal e base erosiva sugerem uma deposição por correntes de turbidez distais, com deposição das unidades superiores da sequência de Bouma (1962).

As margas (Mm e Ml) são calcíferas, com composição que varia de lamito micrítico a micrito lamoso, de coloração esverdeada a avermelhada. As camadas são tabulares a lenticulares, de 4 a 20 centímetros (Prancha 1C e E). As camadas de marga estão intercaladas com folhelhos calcíferos vermelhos, que ocorrem em pacotes que variam de 3 a 20 centímetros. As margas apresentam espessamento em direção ao topo, enquanto que os folhelhos mostram adelgaçamento das camadas. A superfície basal das camadas de marga é geralmente reta e a de topo pode variar de reta a ondulada. A superfície de topo ondulada é mais comum nas camadas maciças (Mm) e de calcário impuro maciço, que ocorrem raramente (Prancha 1D). No topo da seção, na marga laminada (Ml), é possível observar uma superfície irregular que trunca a laminação, coberta por uma película de (hidro?) óxido de ferro, sugestiva de

45 hardground (Prancha 1F). Nos termos menos terrígenos, observa-se geralmente laminação interna plano-paralela rítmica, com eventuais estruturas de sobrecarga. Microscopicamente, os terrígenos apresentam tamanho silte-areia fina, com grãos muito angulosos, compostos predominantemente de quartzo, sericita, clorita e biotita, e, subordinadamente, feldspato. Ocorrem raros grãos de quartzo, na fração areia média, os quais deformam a lâmina sotoposta. Na porção mais rítmica, as lâminas esverdeadas são constituídas predominantemente de micrita, sericita e clorita, enquanto que as lâminas esbranquiçadas de quartzo, sericita e biotita. Raramente ocorre delgada lâmina lenticular com fragmentos subesféricos no tamanho de silte, compostos de calcário micrítico. É comum a presença de minerais opacos disseminados, formando micro-aglomerados botrioidais. Estas características sugerem deposição por correntes de turbidez distais associada à precipitação carbonática em ambiente com reduzido aporte sedimentar continental, com progradação para o topo.

O contato entre os diamictitos e os folhelhos não foi observado. A transição dos folhelhos para as margas é gradativa, com aumento de calcário para o topo. O contato de topo das margas com o Grupo Araras também não foi observado.

3.1.1.2 Seção 2: Furo de Sondagem, Nobres

Esta seção é descrita no furo realizado nas proximidades do Km 580 da BR 364 (Figura 1), o qual atingiu a profundidade de 90,2 metros, dos os 45 metros basais correspondem ao topo da Formação Puga (Figura 4). As fácies reconhecidas constam Prancha 1: Exemplares litológicos da Formação Puga. As fotografias estão orientadas com o topo para cima. Seção 1: A) Afloramento de folhelho vermelho contendo lentes de marga calcífera (setas). B) Fotomicrografia deste folhelho, cujo aspecto laminado é evidenciado pela oxidação de minerais e matéria orgânica; as lentes claras mais espessas apresentam micro- estratificação cruzada, com migração no sentido das setas. C) Afloramento com intercalação de camada maciça de calcário impuro dentro de marga laminada. D) Fotomicrografia deste calcário impuro, microespático e contendo muitos minerais opacos. E) Afloramento de marga laminada, com diminuição no conteúdo de argila para o topo. F) Fotomicrografia de possível

hardground em marga, desenvolvido em superfície discordante da laminação e marcado pela

mineralização de óxido de ferro (seta superior), com percolação nos níveis inferiores (seta inferior). Seção 2: G) Fotomicrografia de diamictito de matriz arenosa com clasto de rocha metamórfica no centro. H) Furo de sondagem molhado, com topo para cima e para direita. Da base para o topo: intervalo com diamictito maciço vermelho com clastos esparsos (esquerda), transicionando para intervalos com grandes clastos de quartzito ou camada quartzosa (centro) e, no topo, diamictito estratificado com clastos raros (notar a diferença de cores das camadas; direita). O diâmetro do furo é 2”.

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de diamictito sustentado por matriz maciço, diamictito sustentado por matriz estratificado e diamictito maciço a gradacional sustentado por clastos.

O diamictito maciço sustentado por matriz (Dmm) é caracterizado pelo domínio de matriz argilo-síltica-arenosa, constituindo mais de 90% do arcabouço da rocha (Prancha 1G), com coloração avermelhada e esverdeada em alguns intervalos. Os clastos são polimíticos, predominando os clastos ígneos mais félsicos, com granulometria entre 0,05 a 8 centímetros, mal selecionados, com esfericidade e grau de arredondamento variáveis (Prancha 1H). Os pacotes de diamictito maciço normalmente transicionam para diamictitos estratificados.

O diamictito estratificado sustentado por matriz (Dme) predomina ao longo do furo estudado e ocorre em intervalos métricos. A porcentagem da matriz varia entre 80 e 95% da rocha, de coloração esverdeada a avermelhada e composição silto- arenosa a argilosa. Os clastos são esparsos na matriz, polimíticos, variando de 0,1 a 50 centímetros de comprimento, com grau de esfericidade e arredondamento bastante variados, havendo predomínio de quartzo leitoso e pirita no topo. A estratificação plano- paralela é destacada pelas variações na cor da matriz e pela distribuição dos clastos, geralmente do tamanho de grânulos, ora mais concentrados ora mais dispersos. Ocorrem na forma de ciclos centimétricos com gradação normal por vezes com base erosiva (Prancha 2A). Estas características sugerem deposição por correntes de turbidez distais. Além disso, parte dos clastos ocorre rompendo verticalmente a estratificação ou a defrmando por sobrecarga, caracterizando a presença de clastos caídos e ambiente distal.

O diamictito macoiço a gradacional sustentado por clastos é representado na porção mais basal por uma camada de 2,60 metros de espessura de diamictito maciço (Dcm) sustentado por clastos, que grada para um diamictito com estratificação gradacional normal sustentado por matriz (Dmg; Prancha 2B). A matriz compõe menos de 9% da rocha, de coloração esverdeada escura e composição argilo-silto-arenosa. Os clastos são polimíticos (rochas ígneas, metamórficas e sedimentares de várias composições), sem predomínio de um tipo litológico, com tamanhos entre 0,05 a 7 centímetros, com graus de esfericidade e arredondamento variáveis. Sua ocorrência se restringe ao topo da sucessão. Esta fácies sugere uma deposição por fluxo de detritos.

47 Os contatos observados entre as diferentes fácies sempre se dá de maneira gradacional, exceto para a base da fácies Dcm, que não foi observado por terem se perdido algumas caixas deste furo de sondagem.

3.1.1.3 Seção 3: Fazenda Big Valley, Planalto da Serra

Esta seção possui uma espessura aproximada de 200 metros (calculada com base nos mergulhos das camadas) de rochas da Formação Puga (Figura 2) e está localizada a 13,6 km a sul da Serra Azul, no município de Planalto da Serra (Figura 1). Para o levantamento desta seção, foram mapeados afloramentos dentro de córregos intermitentes. As fácies observadas são diamictito sustentado por matriz maciço,lutito laminado com clastos caídos e ritmito com clastos caídos.

O diamictito maciço sustentado por matriz (Dmm) localiza-se na porção mais basal, em pacote de mais de15 metros de espessura e é caracterizado por uma matriz verde, de granulometria argilo-silto-arenosa, maciça, constituindo 60% do arcabouço da rocha. Os clastos são constituídos predominantemente de carbonato (Prancha 2C), havendo também quartzito, com granulometria variando de 0,03 a 10 centímetros, com grau de esfericidade baixo e grau de arredondamento de anguloso a sub-arredondado. Os clastos maiores apresentam gradação normal para o topo, podendo se tratar de uma estratificação dentro desta fácies.

O lutito laminado com clastos caídos (Llc) é argilo-siltico com 20% de clastos caídos, de coloração de alteração alaranjada a rosada, com laminação plano-paralela a suavemente ondulada, por vezes rítmica. Os clastos são polimíticos, compostos dominantemente de quartzito, arcóseo, rocha vulcânica ácida e argilito (possível vulcânica alterada). Os tamanhos dos clastos variam de 0,05 e 60 centímetros, com predomínio de grânulos, com grau de esfericidade variável e arredondamentos de sub- anguloso a arredondado. Menos frequentes e mais esparsos, os clastos na fração de seixo a matacão ocorrem associados a estruturas de sobrecarga, rompendo e deformando a laminação da matriz (Prancha 2D). Sugere-se uma deposição em ambiente distal com forte influência de icebergs.

O ritmito com clastos caídos (Lrc) é observado em pacote métrico (~ 3 metros), e é composto da intercalação de siltitos com argilitos, com laminação plano- paralela bem desenvolvida, destacada pela alternância lâminas claras (siltito) e escuras (argilito) ricas em matéria orgânica (MO), chegando a ocorrer lâminas carbonosas

49 (Prancha 2E). Subordinadamente, o ritmito pode desenvolver laminação cruzada truncada por ondas, com raros clastos caídos. A deposição desta fácies é interpretada como em ambiente profundo, redutor, com chegada de correntes de turbidez distais.