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4. Strategisk analyse

4.1 Bransjeanalyse

4.1.2 Modeller for den eksterne analysen

As associações de fácies descritas acima permitem a identificação de diversos ambientes deposicionais para o Grupo Araras, que varia de marinho profundo a transicional. De maneira geral, observa-se uma tendência de arrasamento para o topo, conforme a bacia é preenchida ao longo de aproximadamente 50 Ma. Os ambientes serão descritos em dois itens, separados por formações. Como foram identificadas apenas duas das quatro formações de Nogueira & Riccomini (2006), a seguir discutem- se as interpretações paleoambientais das formações Guia e Nobres.

3.2.2.1 Formação Guia: ambiente profundo

No domínio tectônico externo da Faixa Paraguai, a deposição carbonática se inicia com dolomitos distintos daqueles reconhecidos no domínio tectônico cratônico como carbonatos de capa (Formação Mirassol d’Oeste de Nogueira et al., 2003), sendo tratados aqui como base da Formação Guia.

Na área de estudo, a porção mais basal da Formação Guia é constituída de turbiditos dolomíticos nas seções mais distais (Seção 3) e dolomito laminado contendo estromatólitos nas menos distais (Seção 2), evoluindo para fácies pelágicas ricas em MO, argila e chert negro, com acamamento truncado ou com slumps associados. Este Prancha 10: Exemplares litológicos da Formação Nobres. As fotografias estão orientadas com o topo para cima, salvo quando indicado pela seta vermelha. Seção 8: A) Estromatólito estratiforme (base) a colunar parabólico (topo). B) Estromatólito colunar com silicificação de substituição parcial no topo (setas). C) Seqüência de Bouma com base erosiva (seta preta), seguida por arenito dolomítico com clastos de dolo-mudstone, doloarenito laminado, ondulado e capeado por dolomudstone impuro laminado. D) Seqüência de Bouma apresentando as unidades maciça (base) e cruzada cavalgante. E) Base da mesma amostra em D, com lineação de partição. F) Canal escavado em dolo-mudstone (seta preta) e preenchido por, ao menos, 4 pulsos deposicionais; as setas brancas mostram os limites entre os pulsos; seta vermelha indica o topo. G) Dolo-packstone seguido de dolo-mudstone contendo grãos de quartzo (seta preta); o contato apresenta-se horizontal a inclinado (setas). H) Dolo-grainstone oolítico com laminação cruzada em contato plano com dolo-grainstone maciço; o topo é incerto. I) Dolo-

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conjunto de fácies foi interpretado como de ambiente de talude para a região de Nobres e de margem de bacia para a região de Planalto da Serra. A evolução destas fácies ao longo das seções sugere uma retrogradação do talude. Nas Seções 4 e 5, sugerem-se condições iniciais oxigenadas, com luz solar suficiente ao desenvolvimento de estromatólitos colunares e cônicos, sob possível ação episódica de tempestades, que evoluem para condições anóxicas com importante influência de fluxos gravitacionais distais. Na Seção 3, predominam condições anóxicas deste o início, com a deposição de turbiditos ricos em MO, na base, e intervalos rítmicos, com chert negro de substituição das lâminas carbonosas. Assim, interpreta-se que estas seções sejam crono-correlatas, estando a Seção 3 em ambiente mais profundo que a Seção 2.

O restante da Formação Guia é depositado sob a influência de vários ciclos transgressivos/regressivos de pequena amplitude, observando-se uma tendência regressiva de maior amplitude. Estas variações menores do nível do mar são observadas na alternância de folhelhos, brechas, slumps e ritmitos (Seções 4 e 5), que foram interpretados como uma evolução do ambiente de margem de bacia para talude inferior (e.g.: Mullins & Neumann, 1979). Na porção intermediária da Formação Guia, predominam os depósitos por decantação (folhelhos), com pouca tração (ritmitos), típicos de relevo plano com pouca elevação, enquanto que nas porções de topo atuam frequentemente processos de fluxo gravitacional (slumps e brechas), predominando fluxo de detritos e correntes de turbidez associados a deslizamentos, indicando terreno inclinado. Neste intervalo superior, o aumento da freqüência de clastos carbonáticos mais claros e dolomíticos nas brechas mostra uma maior proximidade da margem plataformal, para o topo.

Para a Formação Guia, assumiu-se um modelo deposicional de fluxo gravitational submarino (semelhante ao de Krausse & Oldershaw, 1979), na região de Nobres. Esta interpretação se baseia na ocorrência marcante de slumps, brechas, turbiditos e pelágicos em camadas extensas, não se observando canais típicos de uma seqüência de leque submarino nas seções estudadas. Para a região de Planalto da Serra não se pôde tirar conclusões, pois as exposições não permitiram identificar a geometria das camadas, nem fácies de fluxo de detrito. Assim, os turbiditos identificados podem representar tanto porções distais de leques submarinos (ver Cook & Egbert, 1981), quanto de fluxo de detritos.

81 3.2.2.2 Formação Nobres: ambientes raso e transicional

As três seções estudadas da Formação Nobres mostraram associações de fácies de ambiente aquoso raso, com períodos de exposição subaérea. Da base para o topo, a associação de brechas e estromatólitos em biohermas mostra deposição em ambiente fótico, com importante contribuição de fluxo de detritos (Seções 6 e 7), mostrando raseamento para o topo. Esta associação foi interpretada como ambiente de banco oolítico com forte desenvolvimento de esteiras ou recife externo. A evolução das biohermas para esteiras estratiformes, juntamente com o aumento de areias oolíticas, mostram um aprofundamento para o topo e foram considerados como progradação de ambientes mais protegidos, como uma laguna (Seção 7). Para o topo, predominam intraclastos e oólitos estratificados, com laminações cruzadas em direções opostas, que sugerem um ambiente de inframaré, mostrando uma nova seqüência de raseamento. Assim, tem-se na Seção 7 uma sucessão progradacional da porção intermediária da Formação Nobres.

A Seção 8 contém parte da sucessão de topo da Formação Nobres e apresenta uma ampla variedade de fácies de ambiente marinho raso a continental. Este ambiente transicional foi interpretado como uma planície de maré retrogradacional. Na base da seção, predominam acamamento heterolítico com gretas de contração, pseudomorfos de sílica após gipsita e anidrita, esta última em camadas contorcidas, com ocorrência de pingos de chuva em camada arenosa. Estas características são diagnósticas de ambientes de supramaré a intermaré superior em regiões áridas, semelhantes aos ambientes atuais de planície de maré tipo sabkha, como Abu Dhabi, no Golfo Árabe (Evans et al., 1969; Kendall & Skipwith, 1969; Schneider, 1975).

Na porção intermediária da Seção 8, predominam acamamento heterolítico com a fração silte/areia apresentando marcas de onda e microlaminação cruzada cavalgante, com gretas de contração e nódulos de pseudomorfo de quartzo após anidrita em menor freqüência. Ocorrem alguns estromatólitos estratiformes e canais preenchidos com clastos imbricados de dolo-mudstone (tempestitos?). O conjunto destas feições foi interpretado como ambiente predominantemente de intermaré, com tempestades episódicas (Shin, 1982), embora a distinção entre intermaré e supramaré seja difícil e exija o máximo de critérios possível (Demicco & Hardie, 1994).

Para o topo, os estromatólitos se tornam mais expressivos, com crescimento vertical pronunciado, e intercalam calcarenitos oolítico-intraclásticos com laminações

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cruzadas e turbiditos com base erosiva. As gretas de contração e os pseudomorfos após evaporitos desaparecem. A interpretação para esse conjunto de fácies é de um ambiente de inframaré, de água límpida e quente, turvadas em períodos de sedimentação por correntes de turbidez. Estas correntes turbulentas podem estar associadas à entrada de rios efêmeros turbulentos, gerados durante intensa precipitação pluviométrica em curto espaço de tempo, característica de ambientes áridos atuais (Alsharhan & Kendall, 2002). Além dos rios efêmeros, estes turbiditos poderiam estar associados a tempestades ou furacões, bem como a fluxos de detritos vindos de encostas próximas inundadas por transgressão.

3.3. ARTIGO 1: NOVA UNIDADE LITOESTRATIGRÁFICA REGISTRA GLACIAÇÃO