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VALG MELLOM ULIKE TYPER VIRKEMIDLER UNDER IDEELLE FORUTSETNINGER

In document Virkemidler i miljøpolitikken (sider 127-130)

Økonomisk teori om virkemiddelbruk

16.2 VALG MELLOM ULIKE TYPER VIRKEMIDLER UNDER IDEELLE FORUTSETNINGER

A obra Contos D’ESCARNIO / Textos Grotesco, o escritor Crasso, um homem de 60 que conta suas peripécias sexuais. Como personagem central da obra ele relata sua relação com as mulheres, e do deleite que estes bons momentos de prazer lhe proporcionaram. Seu roteiro de fornicações é a base para como autor de primeira viagem escrever um obsceno tratado pornográfico. Embora tenha boa vontade para se torna escritor Crasso não consegue êxito.

São personagens desta obra que servem para mostrar o gênero satírico da escritora Hilda Hilst: O tio Vlad, Otávia, a Lina, Josete, Tavim, Liló, Dona Loura, Bina, Clódia, Hans Haeckel, Lisa, Liria, Padre Cré (Creovaldo). Eles aparecem durante a obra para representarem o que há de execrável, repugnante em relação a moral e os bons costumes da sociedade vigente. A crítica social é em prol da minoria aqui reconhecidamente os velhos e as mulheres.

Quando a escritora Hilda Hilst publicou esta obra sua intenção era mostra o ofício do escritor, o discurso surge para revelar o ato da escrita, da produção textual, da relação com o mercado editorial, que no Brasil sempre foi muito fechado, privilegiando

determinados seguimentos de escritores. O trecho a seguir permite entender um porco desta proposição:

Resolvi escrever este livro porque ao longo da minha vida tenho lido tanto lixo que resolvi escrever o meu. Sempre sonhei ser escritor. Mas tinha tal respeito pela literatura que jamais ousei. Hoje, no entanto, todo mundo se diz escritor. E os outros, os que lêem, também acham que os idiotas o são. É tanta bestagem em letra de forma que pensei, por que não posso escrever a minha? (Hilst, 2002, p. 14).

Em relação ao gênero pornográfico, proposto inicialmente pelo personagem Crasso, não se concretiza, aparece um desvio em direção ao erotismo, ou seja, o texto não possui como intencionalidade excitar o leitor. Bataille afirma que:

O erotismo é um dos aspectos da vida interior do homem. Nisso nos enganamos porque ele procura constantemente fora um objeto de desejo. Mas este objeto responde à interioridade do desejo. A escolha de um objeto depende sempre dos gostos pessoais do indivíduo: mesmo se ela recai sobre a mulher que a maioria teria escolhido, o que entra em jogo é freqüentemente um aspecto indizível, não uma qualidade objetiva dessa mulher, que talvez não tivesse, se ela não nos tocasse o ser interior, nada que nos forçasse a escolhê-la. Em resumo, mesmo estando de acordo com a maioria, a escolha humana difere da do animal: ela apela para essa mobilidade interior, infinitamente complexa, que é típica do homem. O animal tem ele próprio uma vida subjetiva, mas essa vida, parece, lhe é dada, como acontece com os objetos sem vida, de uma vez por todas. O erotismo do homem difere da sexualidade animal justamente no ponto em que ele põe a vida interior em questão. O erotismo é na consciência do homem aquilo que põe nele o ser em questão. A própria sexualidade animal introduz um desequilíbrio e este desequilíbrio ameaça a vida, mas o animal não o sabe (Bataille, 1987, p. 20).

Crasso escreve sobre sua relação com Otavia:

A primeira vez que “a fodi” (ou que “fodi- a” ou que “fui fodê-la” é melhor?) enganei-me na tradução de seu breve texto. Ela me disse "me dá uma surra”. Entendi que era uma surra de pau. E fui metendo, me aguentando para não esporrar, pensando na mãe morta, no pai morto e na missa do sétimo dia do tio Vlad que depois conto como ele morreu, e nesse todo patético deprimente que é morte e doença. Ai ela me interrompe a meditação ativa, dura e disciplinada: surra, amor, eu disse. Surra, meu bem. Então entendi. Meti-lhe a mão na cara quatro, cinco vezes. (Hilst, 2002, p.16-17).

Analisando as citações acima é possível verificar que o pornográfico se caracteriza por meio dos detalhes da prática sexual, já o erótico aparece por meio dos desejos e fantasias de Otavia. Fica claro que Crasso não perdeu na velhice o imaginário masculino em relação ao que se espera de uma relação sexual. O fato de não “esporrar” e ficar pensando, no pai e mãe que estão mortos durante o ato sexual, indica o medo que os homens possuem de brocharem ou de ejacular precocemente. O domínio da mulher nua em seus braços aparece por meio da surra, que pode indicar algo de masoquista ou do deslocamento do prazer para além da região genital.

Todavia a intenção da escritora Hilda Hilst, não é mostrar uma mulher submissa ao homem. Na verdade as personagens femininas desta obra são livres em relação a viver plenamente o exercício de sua sexualidade. O feminino enquanto parceira sexual serve de contraponto para ironizar o velho Crasso, que com frequência se submete ao desejo das mulheres. O universo sexual masculino se revela frágil, ao contrário da mulher que aqui é libertina, isto fica claro na descrição de sua relação com Josete:

Muitas beliscadinhas, muito dedilhado até que ela gozava escondendo o gozo e simulando um segredo e enchendo de bafo, gemidos e salivas a concha do meu ouvido. Eu dizia com a caceta dura e espremida entra as calças: Vamos embora, hem bem? Tá tão gostoso, amor. Eu sei, Josete, mas olha só o meu pau. Não seja grosso, Crasso. (Hilst, 1990 p.20).

A intenção de Crasso é de criar uma pornéia, que se atrela a sua história de vida, que agora na velhice é o que restou para se manter vivo, as memórias do tempo em que era sexualmente ativo. Os mosaicos de histórias se complementam na medida em que o leitor vai avançando em sua leitura, pois consegue perceber um discurso que serve para refletir sobre o papel do macho para algumas sociedades – o de garanhão quase reprodutor, para Hilst de fornicador: Otávia tinha pelos de mel. A primeira vez que ela me beijou a caceta. Entendi que já mais seria anacoreta Não me beijou com a boca. Me beijou com a boceta (Hilst, 2002, p. 15).

Os jogos de trocadilhos por meio de palavras são intencionais, pois permitem imagens sexualizadas. O que Hilst pretende com isso não é se tornar imoral, e sim aproximar o leitor de seu texto ao utilizar palavras que estariam na boca de qualquer um,

especificamente dos homens. O vocabulário do povo é algo escamoteado para falar de questões antes intocadas: a sexualidade na velhice.

As palavras chulas e eruditas também servem a escritora como uma maneira de zombar do sua própria obra que se quer revelar pornográfica. Porém Hilst não consegue obter êxito nesta empreitada, por ter um texto denso e rico estilisticamente, e que não provoca no leitor a excitação necessária que uma obra pornográfica:

Posso dobrar joelhos e catar pentelhos? Posso ver o caralho do emir E a “boceta de mula” (atenção: é uma planta da família das esterculiáceas) Que acaba de nascer no jardim do grão- vizir? Devo comprimir junto ao meu palato O teu régio talo? Ou oscular tua genitália dulçurosa Vestália? (Hilst, 202, p. 36).

Esta obra assim como A Obscena Senhora D, mostra o desejo de isolamento social pelo qual o individuo passa na velhice. O conflito coletivo e individual possui uma carga erótica e sexual, na tentativa de gritar para o mundo seus conflitos existenciais latentes. Este cenário se modifica na obra Estar Sendo. Ter sido mais sem perder o fio condutor que é a discussão da velhice, isto é o que passa a ser tratado a seguir.

In document Virkemidler i miljøpolitikken (sider 127-130)