4 Drøfting: utvikling av «Black Palette»
4.2 Valg av farger
É também geradora de discussão a existência de relações entre a PTF e variáveis sociais e demográficas. Num estudo de Peetsma (2000), em que se analisou a influência de diversas variáveis na relação entre a PTF dos estudantes e o seu investimento na escola, verificou-se que nenhuma delas (tipo de escola, nível de escolaridade, background sócio-económico e medo de falhar) tinha uma influência significativa. No entanto, tratou-se de um estudo sobretudo vocacionado para o investimento na escola, pelo que é necessário atentar a mais dados no sentido de estudar eventuais relações que possam existir entre essas variáveis.
Relativamente ao estatuto sócio-económico, alguns autores consideram curial que as diferenças entre os indivíduos exerçam influência no desenvolvimento da percepção temporal e no adiamento da gratificação.
De acordo com Wahl e Blackhurst (2000), o estatuto sócio-económico desempenha um papel central na determinação de aspirações educacionais e ocupacionais. Em contexto norte-americano, por exemplo, os estudantes nativo-americanos e hispânicos encontravam-se entre os que menos aspirações educacionais tinham (Wahl & Blackhurst, 2000).
Doob (1971) e Fraisse (1963) revelam que muitos estudos têm demonstrando que, quanto mais elevado é o nível sócio-económico, maior é a probabilidade de resistência à gratificação imediata, para uma recompensa maior futura (Freire, Gorman & Wessman, 1980). Ou, como Trommsdorff (1983) refere, dependendo da extensão das possibilidades realistas de sucesso económico ou outros tipos de alcance de objectivos, representados por circunstâncias sociais, a PTF poderá ser mais ou menos orientada para recompensas imediatas ou mais distantes.
Os resultados da investigação de Freire, Gorman e Wessman (1980) indicaram justamente uma maior preponderância do presente e uma menor capacidade de adiamento da gratificação nos participantes de grupos sociais mais desfavorecidos. Um aspecto que poderá estar associado ao facto destas crianças verem o seu futuro como mais incerto e difuso, contrariamente às crianças da designada classe média, que viam o seu futuro como mais orientado para o alcance de objectivos, mais certo e realista (Freire, Gorman & Wessman, 1980).
Nesta perspectiva, também Shannon (1975, cit. in Trommsdorff, 1983) revelou que a orientação temporal de futuro pode ser um resultado de condições económicas e sociais, mediada por uma avaliação realista da condição social presente e futura. Em grupos socialmente mais favorecidos, de facto, existia um aumento na extensão temporal, ao passo que nos grupos desfavorecidos isso não ocorria, o que foi explicado pelo facto dos indivíduos se aperceberem das dificuldades em atingirem os seus objectivos. Na mesma linha, existem também alguns dados que mostram uma PTF mais curta em crianças de grupos sociais mais desfavorecidos (Trommsdorff, 1983).
Esta realidade assume contornos bastante visíveis em alguns resultados aparentemente inversos de grupos socialmente desfavorecidos. Uma PTF extensa em Índios- Americanos estava associada a comportamentos sociais desadaptativos e uma PTF curta, neste grupo, estava relacionada com comportamentos mais adaptativos. Ou seja, uma PTF que se foca sobretudo num futuro próximo e é pouco estruturada pode mesmo ser adaptativa para grupos desfavorecidos, social e economicamente. Para estes grupos, pode ser mais adaptativo evitar antecipações do futuro distante já que, realisticamente, têm maior probabilidade de só terem expectativas pessimistas ou incertas.
De facto, as diferenças individuais em termos da temporalidade, de facto, têm mostrado assumir um papel importante no funcionamento social e pessoal (Freire, Gorman & Wessman, 1980). Mas, como Fraisse, refere8:
“The future unfolds only in so far as we imagine a future which seems to us to be realizable… There’s no future without at the same time a desire for something else and awareness of the possibility of realizing it… Desire grows from an unsatisfied need, but it does not develop unless we can fulfil this need through our activity”(1963:172-174).
Ainda neste domínio sócio-económico, convém referenciar o trabalho de Detry e Cardoso (1996), já que se reporta à realidade portuguesa, embora, em termos de resultados, haja uma convergência com o observado noutras realidades. Num estudo envolvendo os projectos e a construção do futuro por parte de jovens “não pobres” e “pobres”, estes últimos residentes num bairro degradado, as autoras constataram diferenças significativas entre os dois grupos, atribuídas à condição sócio-económica:
“Quando as condições sócio-económicas são de molde a provocar uma destruturação dos ritmos quotidianos, matriz indispensável para a percepção do futuro, quando o tempo presente é marcado pela instabilidade, é vivido numa “cultura da urgência”, quando o passado se caracteriza por uma acumulação de insucessos, a capacidade de imaginar o futuro, definir e arquitectar projectos fica comprometida” (Detry & Cardoso, 1996: 117).
Verificou-se, além disso, que a valorização comum de algumas dimensões (e.g., a estabilidade), por ambos os grupos, ocorria por motivos diferentes. No caso dos jovens pobres, a importância de factores relacionados com a estabilidade, era explicada pela referência a problemas que apresentam na actualidade, como a grande instabilidade e a insegurança, as situações de conflito ou a falta de privacidade. Pelo contrário, para os jovens não pobres, a preocupação com a estabilidade resultava sobretudo, da preocupação face às características actuais do mercado de emprego e às dificuldades de inserção do mesmo (Detry & Cardoso, 1996).
Os resultados deste estudo vieram, assim, corroborar conclusões de outros trabalhos, que constatam que as expectativas em relação ao futuro, em termos de valorização pessoal, predominam entre os jovens de classes médias. Entre os jovens mais desfavorecidos, contrariamente, salienta-se a perspectiva de um trajecto de vida sem grandes projectos, estando as preocupações mais viradas para problemas que afectam o seu dia-a-dia (Detry & Cardoso, 1996). Tal facto associa-se, por outro lado, à grande valorização do trabalho como meio de sobrevivência, subjacente a todo o quadro de
vida da população mais desfavorecida que, naturalmente, se traduz em maiores taxas de insucesso e abandono precoce:
“O trabalho, para os jovens não pobres, é uma forma de valorização pessoal; ao passo que para os jovens pobres, é sobretudo um meio de ganhar a vida: a urgência em ganhar dinheiro, a satisfação profissional e a valorização pessoal, através do trabalho, são algo quase irrelevante” (Detry & Cardoso, 1996:124-125).
Novamente, portanto, verifica-se o não reconhecimento da escola, por grande parte das famílias pobres. Acima de tudo, vislumbram a escola numa perspectiva de utilidade imediata (acolhimento, controlo, alimentação) e não a encaram como um modo de contribuir para uma vida melhor no futuro (Detry & Cardoso, 1996).
Em conclusão, como afirmam as autoras: “Este “realismo” das escolhas reproduz uma vez mais a influência da origem sócio-económica. A diferença entre as opções feitas, por um lado, pelos “jovens pobres”, e por outro lado, pelos “jovens não pobres” é significativa, não só directamente, mas também pelas representações das profissões que são comunicadas pelos pais e pelo meio envolvente (colegas, vizinhança, professores)” (p.126).