4 Drøfting: utvikling av «Black Palette»
4.4 Testing av prototypen
Como diz Lewin (1939, cit. in Fingerman & Perlmutter, 1995), todas as pessoas, de todas as idades, são influenciadas no presente pelo que prevêem para o futuro. De facto, as variações na PTF ao longo do ciclo da vida constituem um domínio que assume
algum interesse, sendo que um campo importante de pesquisa parece ser o do envelhecimento (Rappaport et al., 1993; Bouffard & Bastin, 1994), em particular. A PTF encarada, como mencionado anteriormente, como uma variável de personalidade com estabilidade, não deixa de ser sensível à mudança (Díaz-Morales, 2006) e tem plasticidade para se adaptar às influências culturais, situacionais e incluindo em contexto de laboratório (Nuttin, 1985). Neste sentido, são verosímeis mudanças ao longo do ciclo de vida.
No que concerne à sua extensão temporal, Díaz-Morales (2006) distingue duas linhas de investigação: uma que concebe a extensão temporal dos mais velhos como sendo menor (Zaleski, 1994); e outra que não encontra estas diferenças, propondo uma relação curvilínea, em forma de “U” invertido, entre a idade e a PTF, com um máximo na idade adulta e um mínimo na adolescência e na velhice (Bouffard et al., 1994).
Já ao nível da planificação, um importante componente do modelo de Nurmi (1993), o autor refere que é expectável um “U” invertido, já que é na meia-idade em que se planeia um maior número de aspectos relacionados com o futuro.
Neste contexto, Díaz-Morales (2006) efectuou uma análise da perspectiva temporal ao longo do ciclo de vida, tendo existido uma avaliação das metas e/ou temores dos indivíduos, quanto à sua distância temporal, nível de conhecimento, planificação, realização, controlo e probabilidade de realização futura.
Os resultados indicam que a média do número de metas e temores coincide com resultados prévios de Nurmi et al. (cit. in Díaz-Morales, 2006), sendo que, em geral, a tendência das médias entre os quatro grupos corrobora a ideia do “U” invertido em número de metas, distância temporal e conhecimento.
Outras dimensões, como os planos e a realização, aumentam com a idade, ao passo que a percepção de controlo diminui. As diferenças de idade mostram uma redução do número de metas com o grupo de idade mais avançada, em comparação com o grupo adulto; e um maior número de temores nos adolescentes quando comparados com o grupo de idade mais avançada (Díaz-Morales, 2006).
O menor número de metas que o grupo de maior idade apresentava pode interpretar-se de acordo com o modelo do ciclo vital de Baltes (1987, cit. in Díaz-Morales, 2006), já que é provável que se seleccionem aquelas mais relevantes, de modo que são as metas e os temores relacionados com a saúde e as metas relacionadas com os filhos, as mais frequentemente mencionadas conforme avança a idade cronológica.
Por outro lado, a afectividade em relação ao futuro manteve-se em níveis semelhantes para todos os quatros grupos de idade. A distância temporal em que se espera conseguir as metas também se reduz significativamente na idade adulta.
No nível do conhecimento e planificação, tanto para metas como para temores, foi alcançado um resultado elevado para o grupo universitário, sendo os planos de realização menores nos adolescentes e crescentes com a idade (Díaz-Morales, 2006). Estes resultados vêm, em suma, corroborar a existência de variações em algumas qualidades da perspectiva temporal de futuro dos indivíduos, ao longo do seu ciclo de vida, sendo de destacar o menor nível de planificação por parte dos adolescentes.
Ainda na sequência desta discussão, Toshiaki (1996) remete também para uma contextualização da perspectivação do futuro e da sua relação com a motivação em diferentes momentos do ciclo de vida. Assim, os resultados do estudo que desenvolveu indicam que a orientação de futuro aumenta a motivação, mas pode variar de acordo com o contexto. Por exemplo, a orientação futura nos adolescentes pode ser mais motivante quando estes se encontram em vias, por exemplo, de alcançar a sua independência, ao passo que, na meia-idade, a orientação de presente pode ser mais motivante (Toshiaki, 1996). De resto, este componente sobretudo qualitativo das modificações na PTF, ao longo do ciclo de vida, é também mencionado por Fontaine (2004), que se refere a alguns estudos que contextualizam essas mudanças numa concepção de auto-desenvolvimento.
Quanto à idade adulta, apesar da investigação relativa às mudanças na perspectiva de futuro na idade adulta ser marcada por resultados discrepantes (Fingerman & Perlmutter, 1995), verifica-se uma continuidade da dimensão qualidade, isto é, todos os indivíduos pensam no futuro, sendo o tipo de pensamento (i.e., o conteúdo e a qualidade desse pensamento) o que pode variar. Fingerman e Perlmutter (1995), de facto,
verificaram, no seu estudo em relação aos pensamentos acerca do futuro de adultos de várias idades, que não existiram diferenças significativas, isto é, nos vários grupos, pensa-se acerca do futuro.
É neste sentido que os autores concluem que as diferenças de idade encontradas na PTF parecem ser mais função de um estádio de vida do que do tempo cronológico que a pessoa viveu (Fingerman & Perlmutter, 1995). Os mecanismos que explicam o pensamento futuro em jovens adultos podem ser também explicar o pensamento futuro em adultos mais velhos – apesar da relação entre PTF e a idade frequentemente ser vislumbrada em termos do que a pessoa já viveu, os resultados do estudo de Fingerman e Perlmutter (1995) sugerem que a PTF é, na realidade, uma função do “conteúdo da vida” numa dada altura.
“(…) How far people look down the road appears to be related to how happy they are about where they have come from, how much control they have over where they are going, and whether or not they have to plan a stop somewhere along the way”. Fingerman e Perlmutter (1995: 110)
Portanto, se os adultos mais jovens e mais velhos estão em itinerários de viagem diferentes, não nos deveremos surpreender se o seu sentido percepcionado do percurso for diferente.