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Vad är smärta?

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As formulações gerais e breves sobre os usos da fotografia na política podem ser tomadas como pilares referenciais para analisar as fotografias de Maria Luiza Fontenele, difundidas pela imprensa

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durante o seu período de gestão no governo municipal de Fortaleza no período 1986-1989. Considera-se, na situação analisada, que as regras que informam a produção fotográfica são dependentes de cir- cunstâncias específicas dos meios de comunicação, no caso a im- prensa jornalística, ao lado de peculiaridades locais dos jogos de poder e das representações culturais.

Foi sobretudo em função de valores associados à coragem, ao otimismo, à juventude e à beleza que se consolidou um padrão esté- tico reiterado pelos meios de comunicação e assumido pela prefeita.

Alguns depoimentos exprimem a vigência de um padrão estético:

As fotos de Maria Luiza sempre são fotos sugestivas, fotos alegres. Eu a fotografei vibrando, sorrindo no dia em que ela recebeu a notícia de que tinha sido eleita (fotógrafo nº 2 do jornal O Povo).

A Maria Luiza é diferente de vários políticos, porque ou ela aparece sorrindo ou aparece com raiva. Na hora em que ela tá criticando o governo, ela aparece com fisionomia de raiva, mas, na hora em que ela tá falando para eleitores, ela sorri (fotógrafo nº 1 do jornal O Povo)

Fotografar Maria Luiza tinha vantagem porque ela era expres- siva, movimentava os braços e tinha gestos exaltados. Ela pa- rece que tinha consciência da sua imagem e aplicava o princí- pio de que, se você não pode evitar ser fotografada, deve saber como se deixar fotografar (fotógrafo nº 3 do Jornal O Povo).

O humor, segundo a declaração de diferentes repórteres, ter- mina por conferir um dos elementos significativos desse padrão es- tético em curso, desde os tempos de campanha da candidata. Assim, gradativamente, por diferentes reforços, foi consolidado um padrão estético, incluindo fundamentalmente a imprensa.

É possível pensar a fotografia da imprensa, segundo a formula- ção de Boltanski (1982), como resultado de uma série de intervenções na qual se destaca uma “cultura jornalística” peculiar, ou seja, o estilo do jornal e os diferentes setores profissionais representativos desse veículo. As tensões ou articulações entre campo político e campo jornalístico sugerem a vigência de “imagens negociadas”, segundo a terminologia de Sérgio Miceli, utilizada em contexto bem diferente, para exprimir a presença de sentidos estéticos na confecção de pintu- ras de políticos.17

É importante frisar que o encontro de valores convergentes, provenientes de diferentes lugares de elaboração simbólica, trans- forma as “boas fotos” em um resultado das expectativas estéticas. Muito embora a imprensa jornalística tenha sido caracterizada pela difusão de versões críticas sobre a gestão da prefeita, existem os- cilações em torno de um padrão estético linear. É possível dizer que o jornal O Povo incorporou as mensagens de otimismo e sim- patia que se fizeram presentes nos momentos iniciais do Governo de Maria Luiza.

Na realidade, o que vai caracterizar a frequência de fotogra- fias é a presença de padrões variados, expressão de um conjunto de representações erguidas em torno da eficácia de uma adminis- tração municipal. Foi sobretudo no impacto de uma vitória inusi- tada que as fotos da prefeita do PT apareceram em manchetes e revistas do País. Fossem acompanhadas de entrevistas, ou notícias que falavam de ascensão da oposição política, as fotografias, em sua maioria, assinalavam flashes da vitória da primeira prefeita eleita pelo PT apresentados de modo celebrativo.

Assim, logo após o período eleitoral, e durante os três pri- meiros meses, isto é, de janeiro a março de 1986, o jornal O

17 O autor faz uma análise sociológica da produção retratística de Cândido Portinari, con-

siderando que os quadros expressam o sinal da posição ocupada e as expectativas sociais do retratado, condensando relações sociais e sentidos provenientes de um contexto espe- cífico de confecção das imagens. Ver Miceli (1996).

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Povo registra a exposição de 61 fotos, incluindo-se, nesse rol, 27

charges e desenhos.

Embora não se tenham informações precisas sobre a frequ- ência de fotos de outros políticos na mesma situação, surpreende o número de charges e desenhos que, em sua maioria, aponta- vam o lado crítico ou os estereótipos de uma nova imagem polí- tica em evidência.

De todo modo, se retirarmos a frequência das charges (as- pecto a ser explorado posteriormente), a incidência de fotos cor- responde às expectativas usuais de uma representante política re- cém-eleita e, portanto, factível de uma demanda de declarações ou indagações a propósito da nova gestão a ser implantada. Ressal- ta-se ser bastante comum a cobertura jornalística dos momentos iniciais de um mandato político com entrevistas ou notícias sobre o período inaugural e suas projeções de futuro. Sobretudo consi- derando-se o final da ditadura e a eleição, em uma capital nordes- tina, de uma prefeita de esquerda, desquitada, pertencente a um partido ainda jovem e com recursos financeiros precários.

O número de fotografias publicadas nos anos da administra- ção municipal, segundo o espaço que ocupam no Jornal O Povo, oferece um quadro geral das características dessa composição.

Tabela 1. FREQUÊNCIA DE FOTOS ANO FOTOS DE 1ª PÁGINA FOTOS E DESENHOS DA COLUNA POLÍTICA FOTOS DE REPORTAGENS CHARGES TOTAL 1986 1987 1988 6 13 7 26 29 2 36 82 77 26 17 12 94 141 98 TOTAL 26 57 195 55 333

FONTE: Elaborada pela autora.

Os dados da tabela mostram uma exposição constante de ima- gens distribuídas por ano, em períodos mensais irregulares, con- forme a evidência de eventos considerados dignos de registro. Tais eventos referem-se, preferencialmente, ao período inicial da gestão, às greves, às demissões, à relação com o governador Tasso Jereissati pós-eleição, à acusação de que teria recebido dinheiro dos coronéis, à avaliação de um ano de gestão.

Em termos genéricos, a presença de fotos ilustra as notícias que se referem tanto aos eventos cotidianos da gestão municipal, quanto a acontecimentos associados a conflitos. As colunas sociais priorizam os temas de ordem privada, os quais, pelo fato de dizerem respeito a personalidades públicas, adquirem também funções polí- ticas, reportando-se à questão da legitimidade.

A rigor, não é a incidência das fotos tomadas isoladamente que constitui elemento curioso para a análise, mas, sobretudo, sua estética ou a forma como ilustram as notícias.

A própria perspectiva de ruptura assumida pelo governo do Município pode ter por efeito uma incidência maior de notícias e con- sequentes registros fotográficos. Essa é a opinião do então Secretário

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de Imprensa, falando a propósito da relação entre meios de comuni- cação e imagem política:

Se você fizer uma análise do ponto de vista da exposição do Governo Ciro Gomes, ela (Maria Luiza) teve um nível de expo- sição maior, mesmo contra ou a favor (Entrevista concedida à autora em 8 de novembro de 1990)

Embora a incidência de fotos, considerando-se diferentes po- líticos, possa ser elemento relevante em qualquer situação de ocu- pação de cargos públicos, relativizando uma impressão de estética peculiar, é importante insistir na hipótese da qualidade dos registros e sua produção estética como indutores de especificidades que ca- racterizaram a gestão da prefeita Maria Luiza Fontenele. Trata-se de pensar a hipótese de que a imagem fotográfica faz parte das repre- sentações construídas sobre o período da gestão municipal.

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