• No results found

V0-Plus detector concept

In document Upgrade of the (sider 90-94)

10 Fast Interaction Trigger - FIT

10.6 V0-Plus detector concept

1.1. Pré- transição;

Neste ponto pretende-se compreender de que forma decorreu a preparação para a transição da SOL para o 1º ciclo do ensino básico, e quem esteve envolvido nesta mesma fase. Pretende-se também perceber quais as etapas que são necessárias e realizadas durante a pré-transição no que diz respeito a reuniões e burocracias.

De entre as categorias emergidas nas reflexões das duas participantes pode-se verificar que por opção da mãe a associação não foi parte integrante do processo de transição da SOL.

“Da parte da SOL nunca me foi dado esse acesso, ou seja, eu nunca fui à escola da SOL. Ou seja, de cada vez que se falava no assunto: «depois mais à frente conversamos». Era sempre essa a resposta, ou seja, eu nessa parte em relação à transição, à evolução escolar da SOL, não tenho tanta informação como tenho dos outros.” [Cd]

Desta forma, não nos é possível realizar alguma comparação sobre a visão entre ambas as participantes face ao processo de transição escolar em todas as suas fases.

Contudo, a coordenadora explicou que dentro do hospital, as crianças em idade pré-escolar não tem esse apoio escolar, existindo o mesmo para crianças em idade escolar, com acesso a aulas no hospital.

“No caso dos meninos mais velhos no hospital há aulas. Quando é a entrada para o 1ºano, se eles verificarem que a criança durante mais alguns meses vai ter necessidade de ainda ter aquele tratamento mais intensivo, eles aconselham a atrasar durante um ano a entrada para o primeiro ano.” [Cd]

57

Outro dado relevante ainda relacionado com o apoio dado a crianças em idade pré-escolar, é que através da associação um caso seguido pela mesma teve acesso a um apoio escolar extra de forma a colmatar todas as faltas que tinha derivado ao estado de saúde.

O processo de transição da SOL iniciou quando a mesma ainda realizava tratamentos hospitalares. A decisão de iniciar a transição para o 1º ciclo foi da parte hospitalar, o médico alertou a mãe de que esta deveria iniciar o processo, sendo que a família ainda que reticente dirigiu-se à escola de forma a inteirar-se dos procedimentos e facultar as informações necessárias para o início do ano letivo.

“foi a parte hospitalar sim, sim, portanto, falaram com os pais e alertaram, disseram que ela devia ingressar, que estava dentro da escolaridade, dentro, na idade de ingressar, que devia vir para a escola.” [Pp]

“uma mãe muito preocupada, alertou-me para tudo e mais alguma coisa. Explica-me tudo e mais alguma coisa e, portanto, advertiu-me para o caso de ela na altura vinha com cateter… para ter os cuidados porque as crianças ao brincar umas com as outras, sem querer um simples toque poderia ser prejudicial e a mãe alertou-me logo para isso.” [Pp]

“…fui muito apoiada pela família, pela mãe sempre muito presente” [Pp]

A documentação necessária para iniciar a transição escolar de uma criança com doença oncológica não difere da que é necessária para qualquer criança, ressalvando apenas a necessidade de documentação com dados clínicos.

58

O primeiro contacto da SOL com a escola deu-se após as primeiras reuniões com a mãe, em que foi apresentada a professora, sendo que esta posteriormente no início do ano letivo tomou a iniciativa de ir com a aluna a todas as salas conhecer os espaços e os colegas, e toda a comunidade escolar.

“…fui com ela a todas as salas, isto no início do ano letivo apresenta-la e não falei diretamente no, portanto, que ela tinha um cancro, mas que não podia, ela, portanto, tinha tido um problema de saúde.”[Pp]

Como podemos verificar o processo foi gradual, mas consideravelmente rápido para a aluna, sendo que esta não teve possibilidade de conhecer a comunidade escolar antes do início do ano letivo.

Sendo o caso da SOL o primeiro caso de criança com doença oncológica na escola, a escolha da professora para a atribuição da turma recaiu pelo facto da direção entender que a mesma possuía o perfil com maior capacidade para lidar com a situação, quer pelos anos de trabalho, quer pelo lado mais humano e afetivo da mesma.

“portanto na direção entenderam que eu tinha o perfil para lidar com essa menina, portanto mais no sentido afetivo.” [Pp]

Foi também questionado se no fórum pessoal a professora já se havia deparado com doença oncológica e se isso ajudou a lidar com este caso, ao que foi imediatamente respondido que sim.

“Pessoal sim, família, família sim, tenho, tenho historial infelizmente.” [Pp]

A passagem da informação para a escola e a preparação da mesma para a vinda da SOL ficou a cargo da professora sendo da sua iniciativa a passagem da informação.

59

“falei a toda a comunidade, portanto, escolar, auxiliares da ação educativa, portanto, operacionais da ação educativa, os meus colegas, os colegas dessa menina”

“as funcionárias, os assistentes operacionais foram impecáveis e continuam a ser não é… impecáveis.” [Pp]

Nesta última afirmação é possível perceber que toda a comunidade escolar foi parte integrante do processo.

A avaliação de competências para o ingresso no 1º ciclo do ensino básico não foi realizada antes da transição da aluna, mas sim avaliadas aquando do início do ano letivo. A informação sobre as competências já adquiridas pela aluna foram relatadas pela mãe durante as reuniões antes do início de aulas.

“ela vinha com algumas lacunas, falta de requisitos, pré-requisitos sem dúvida, porque não teve o pré- escolar.” [Pp]

“foi feita essa avaliação diagnóstica, mas não diferente dos demais alunos, portanto ela entrou no primeiro ano, foi, quer dizer a avaliação em si foi igual, agora o atendimento, o tempo foi-lhe dado mais tempo para o atendimento, portanto estávamos ali.”[Pp]

Como não existiam informações anteriores de competências adquiridas, os objetivos a atingir no processo de transição foram pouco diferentes dos demais alunos. Sendo logo da iniciativa da escola após a matrícula da aluna em causa a referenciação para a educação especial, tendo esse acompanhamento durante todo o ano letivo.

60

“Na motricidade fina ela tinha todo um apoio, também na Educação Especial, da Educação Especial… a partir do momento em que a mãe veio matricular a menina à escola e falar do seu problema, imediatamente isto ficou acionado. Portanto, ela foi logo muito acompanhada sim sem dúvida.”[Pp] “Portanto, sem preparação alguma e atendendo o problema dela, portanto foi tudo diferente e tudo canalizado para ela…” [Pp]

1.2. Transição;

Nesta fase expõe-se explicações direcionadas para a partilha de informação, para a integração da criança visando a comunidade escolar e a forma como a professora vivencia a mesma e perceciona a vivência dos demais.

Já durante o ano letivo o apoio dado à SOL foi frequente e a atenção dada à mesma pela comunidade escolar foi constante.

“eu devo dizer que dei sempre especial atenção e solicitava com muito mais frequência essa aluna do que os outros colegas…” [Pp]

“ela sempre à frente, ela estava, ficou sempre à frente …” [Pp]

“estar quase constantemente ao lado dela a orientar, e devagar, devagar, pronto, foi um tempo ainda assim a passar por cima…” [Pp]

A opção da colocação da aluna no apoio da educação especial, foi da iniciativa da escola como havia sido referido anteriormente, sendo que a professora quando questionada sobre a existência de alguma medida, ou lei que exija esse acompanhamento no caso de crianças com doença oncológica, esta disse não ter conhecimento. Considera ainda que a iniciativa da escola faz todo o sentido face à problemática em questão e que só dessa forma faz sentido o trabalho em prol do sucesso académico e pessoal da criança.

61

“Assim em concreto caso mesmo de doença oncológica, de doença oncológica confesso que desconheço. Portanto, eu estava mais à vontade e sempre estive porque tinha o apoio da colega de educação especial, mas nem sequer questionei isso, porque eu desconheço que haja assim algum artigo na lei que pronto… deve haver, mas isso haja, ou não haja, portanto… aliás é política do agrupamento, tema, o lema é o aluno não sente, portanto se esta criança é uma criança especial, diferente é diferente pelo menos por enquanto…” [Pp]

Relativamente à existência de reuniões e passagem de informações relevantes da aluna e do seu processo de transição a professora indicou que na grande maioria estas aconteciam com a mãe e quando necessário e dentro do que é tido como normal com os colegas.

“Ai sim, sim há muita articulação entre não só a educação especial e também em termos de grupo de ano, todas, quinzenalmente e quando se proporcionava semanalmente reuníamos para articular em grupo, reuníamos em grupo tanto em termos de avaliação e de planificação, tudo isso era… os colegas sabem que eu tenho essa menina…”

Referindo-se à mãe “é assim reuniões tivemos e mais tempo com a mãe, portanto com a educação especial, porque foi incansável e seja pelo telefone, fosse pelo telefone, ou presencial, portanto eu reunia, íamos falando mesmo do trabalho que tinha, das dificuldades, sim, isso fazíamos.” [Pp]

Sobre a existência de alguns projetos educativos e curriculares entre a escola e o hospital, a professora rapidamente indicou que não existiu, pois não considerou necessário pela fase de tratamento em que a aluna se encontrava.

No que respeita a adaptações curriculares no caso da SOL, estas foram escassas e mais evidentes no tempo fornecido à aluna para a realização de tarefas e avaliações, sendo que, as últimas, não foi necessário adaptar a nível de conteúdos.

62

“Do plano educativo dela? Ora essencialmente foi o tempo, foi dado mais tempo, ora penso, como ela se integrou tão bem, eu não estou a ver assim grandes especificidades, mas foi o dar mais tempo… portanto, dar fichas que são adaptadas, mas confesso que isso nunca foi feito, porque não foi preciso.” [Pp]

“Sim adaptados, mas eu nunca dei ficha de trabalho, seja de trabalho, seja de avaliação alguma adaptada, porque ela fazia tudo, agora o tempo sim, o tempo era lhe dado mais tempo.” [Pp]

É importante referir nesta fase que a professora apercebeu-se nas reuniões que fazia com a mãe que a aluna apresentava um aumento de frustração face à disciplina de educação física pelas dificuldades que tinha em realizar as atividades na mesma. Desta forma e em parceria com a equipa de educação especial, elaborou-se um relatório explicando a situação de modo a obter sessões de terapia ocupacional para a aluna. Demonstrando mais uma vez o empenho da escola na adaptação total da aluna bem como o seu sucesso pessoal e académico.

“… começou a ter uma terapia ocupacional fora da escola, mas por intermédio da escola, teve de levar daqui um relatório, foi feito o relatório, eu conjuntamente com a educação especial, já não foi somente com a professora, mas a equipa, reunimos com a equipa de educação especial…” [Pp]

1.3. Pós- transição;

Neste ponto irá ser extraída a informação relativa à avaliação feita do processo e do seu consequente sucesso ou insucesso.

Quando questionada sobre a adaptação da aluna, a professora refere que a mesma fez uma boa adaptação, referindo este facto algumas vezes ao longo da entrevista, e que obteve sucesso escolar.

“…adaptou-se bastante bem, a nível da socialização ela já tinha, já tinha uma amiga, muito amiga noutra turma, portanto isso foi… um forte apoio.” [Pp]

63 “… ela gostava de vir para a escola.” [Pp]

“… mas também se adaptou bem à escola, também ajudou para que ela se integrasse…”[Pp]

“porque a SOL teve sucesso.” [Pp]

“os outros colegas acolhiam-na e gostavam de estar com ela.” [Pp]

Já em relação à escola e à sua própria adaptação ao caso a professora indica que era dever da escola e consequente comunidade ajustar-se, e que, portanto, foi isso mesmo que foi feito.

“Sim, ajustar e é o dever, é o dever…”

“Ora bem, assim dificuldades confesso que não tive…”[Pp]

No que respeita à opinião da professora sobre a forma como é realizado o processo de transição de crianças com doença oncológica, esta diz-nos que considera os recursos humanos fundamentais, assim como a importância da possibilidade de algum acompanhamento a nível do hospital em relação a questões escolares.

“… os recursos humanos são fundamentais, portanto o lidar, o acompanhar, a parte afetiva também é muito importante. Claro que a SOL, este caso, não foi pronto, como não estava internada, não, não, não, não estava em tratamentos não, portanto, não foi, não foi complicado.” [Pp]

“…ela podia ter feito um pré-escolar vá lá na medida do possível, não sei, não sei, na medida do possível no hospital podia ter sido orientada, o pouco que fosse, mas orientada.”[Pp]

64

“ela tinha algumas, não eram assim muitas, mas falta de vivências e vocabulário que estavam aquém … porquê? Porque passou muito tempo no hospital, não vivenciou.”[Pp]

In document Upgrade of the (sider 90-94)