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Væskeslipp ved tining

2.2 Resultater og diskusjon

4.2.6 Væskeslipp ved tining

Início: 15/03/2010

Término: 26/07/2010

Em 10/03/2010, após 7 meses da realização da entrevista, Teresa me telefonou e disse: “tem vezes que eu esqueço a paralisia facial, nem lembro, mas nessa semana passei pelo médico e ele me perguntou se eu tive um derrame, fiquei nervosa”.

Diante dessa situação, identifiquei uma queixa direcionada a mim, o que convocou a minha disponibilidade para encontrá-la novamente. Ofereci-me para tal e ela prontamente aceitou.

118 Fui à casa de Teresa e a encontrei ansiosa e muito agitada. Disse-me que gostaria de saber o que poderia fazer para “melhorar seu rosto”.

Já havia se informado sobre a aplicação de toxina botulínica, mas o valor do tratamento era inacessível para ela. Além disso, estava receiosa, pois não sabia exatamente como era o procedimento.

Expliquei-lhe o procedimento, cuja função é inibir os movimentos da hemiface não afetada para buscar a simetria facial. Teresa preocupou-se com a possibilidade de redução da movimentação facial no lado direito e questionou se não haveria alguma possibilidade alternativa de tratamento.

Sugeri a reabilitação miofuncional, isto é, manipulações manuais na musculatura da face, sempre seguindo o sentido do desenho das fibras musculares associados ao uso dos exercícios miofuncionais, e das funções orais e/ou estomatognáticas como facilitadoras do processo de recuperação (TESSITORE e cols., 2009) (FOUQUET e cols., 2006).

Na reabilitação das funções orais, a manutenção do tônus muscular e a otimização da capacidade contrátil muscular residual são cruciais. Além disso, também se busca suavizar o impacto gerado pela simetria facial comprometida em repouso e em movimento (TESSITORE e cols., 2009) (FOUQUET e cols., 2006). Porém, também a informei sobre a impossibilidade de recuperação total devido ao tempo transcorrido de instalação da PFP (18 anos).

Evidentemente, adequei essas informações técnicas à sua compreensão leiga.

Teresa aceitou a proposta e combinamos que o processo terapêutico seria iniciado, com atendimentos semanais. Antes de ir-me, atendendo a sua solicitação, ensinei-lhe um exercício que consistiu em massagear a musculatura orofacial no sentido da fibra muscular na frente do espelho, com intuito de diminuir a tensão da musculatura da face.

No encontro seguinte, percebi que Teresa estava com um tom de voz mais baixo que o habitual e, aparentemente, calma. Comentei o fato e ela

119 respondeu que “estava tentando resolver um problema”: o carro do marido havia sido roubado, e ela precisava acalmá-lo e resolver a situação, tarefa que sempre lhe cabia diante de problemas familiares inesperados. Parecia estar “anestesiada”.

Disse-me que havia feito o exercício, mas tinha desanimado logo, temendo não obter bons resultados.

Nesse momento, pontuei que era importante que ela relatasse seus sentimentos e que, talvez, o desanimo estivesse associado à descrença em sua recuperação. Teresa concordou com minha interpretação e disse que tentaria fazer os exercícios para “ver no que dava”.

Quando foi realizada a Avaliação Miofuncional diante do espelho, observei certo incomodo por parte de Teresa durante alguns movimentos, como o sorriso, pois notou o fechamento de olho. Em outros momentos ficou surpresa, como na elevação de testa que fez com uma assimetria menos acentuada que a habitual. Comentou que “fazia muito tempo que não parava para se olhar no espelho”.

Terminada a avaliação voltou a falar do roubo do carro do marido, dizendo que só consegue ajudar as pessoas quando fica mais calma, mas que dessa vez estava “paralisada”. Questionei se essa sensação era semelhante aquela da instalação da PFP, ao que respondeu afirmativamente, parecia novamente “não acreditar no que estava acontecendo”, como no episódio da doença.

Com relação aos exercícios, sugeri a complementação com aqueles que objetivam a diminuição das sincinesias dos músculos esficterianos da boca e olho. Para isso, trabalha-se a dissociação dos movimentos com exercícios que visam a utilização independente dos grupos musculares envolvidos (FOUQUET, 2000).

Logo no início da sessão seguinte, disse que saiu de casa naquele dia para resolver pendências e mostrou-me a fotografia tirada para refazer o RG

120 antigo, comentando que não gostava de fotos no tamanho 3x4 pois as assimetrias na face se acentuavam.

Com relação aos exercícios disse que os havia feito, mas teve medo de “mexer no rosto e acontecer algo de ruim”. Por precaução, sempre tomava Complexo B quando percebia algum tremor ou movimento indesejado na face.

Disse-lhe que, em relação a semana anterior, sua expressão facial estava menos tensa e que esse temor em fazer algo que piorasse sua face desencadeava ansiedade. E pedi que ficasse atenta a isso, evitando também auto medicar-se.

No decorrer das sessões, falava a respeito da família, dos cuidados com a mãe idosa e a criação de seus filhos. Convivia regularmente com os familiares, e não faltava aos casamentos e festas de aniversário, nos quais sempre eram tiradas muitas fotografias.

Certa vez, levou-me até uma gaveta onde guardava as fotos familiares. Começou a mostra-las, sempre discriminando as que tinham sido tiradas antes e depois da PFP: “viu, antes eu sorria, depois eu deixei de sorrir nas fotos, saia séria, sempre séria”.

Mas, ressaltou que havia se arrependido demais por ter ficado séria na última foto ao lado do pai, antes da sua morte, que ocorreu pouco tempo depois. Lembra-se que estava feliz e “gargalhando” mas, diante da câmera mudou de expressão e “não passou aquilo que realmente estava sentindo”.

Outra foto destacada foi a de um casamento. Comentou que “há três anos tinha começado a treinar para sorrir nas fotos do (futuro) casamento da filha”.

Mais uma foto: a que o filho havia tirado num momento em que ela estava distraida, “gargalhando numa festa”. Comentou: “olho pequeno, boca torta, um horror!”. Diante da foto, observei que a sua assimetria estava quase imperceptível, e que ali parecia estar, de fato, demonstrando seus sentimentos, diferentemente daquela ao lado do pai. Isso não seria mais importante do que

121 as imperfeições faciais? Teresa pareceu concordar, acrescentando que a filha “adorava aquela foto”.

No início do processo terapêutico, a tensão muscular facial era significativa e a minha impressão, por vezes, era a de que ela estivesse brava mesmo. Contudo, com a realização dos exercícios, sua expressão foi ficando mais suave e a tonicidade muscular foi aumentando (por exemplo, no músculo orbicular). E Teresa referiu que não sentia mais os tremores, principalmente os mais frequentes, que ocorriam na região do olho.

No decorrer das sessões os exercícios passaram a ser direcionados para os aspectos que ela mais demandava: o sorriso e o olho esquerdo.

Teresa ironizava, dizendo que “um peso de meia tonelada” impossibilitava que mostrasse os dentes inferiores ao sorrir. Muitas vezes, tocava essa região dos lábios com certa agressividade, dizendo: “viu, não desce!”.

Certa vez, num desses episódios pontuei, que ao contrário, para que essa região fosse suavizada também era necessário toca-la suavemente. Respondeu que a sua ansiedade e impaciência não permitiam que ela fosse suave nos movimentos da face. Pedi, então que tentasse e me relatasse suas impressões.

Os exercícios, aliados a intervenções dessa natureza, isto é, as que mobilizavam a subjetividade de Teresa, propiciaram a diminuição da tensão no músculo abaixador do lábio inferior e melhora significativa da simetria em relação ao lado não afetado da face.

Teresa preocupava-se em saber se as pessoas perceberiam essa sua melhora, pois as mudanças eram sutis durante os movimentos. Contudo, o fato delas tornarem-se muito perceptíveis no repouso facial a deixava feliz, “satisfeita consigo mesma”.

A evolução do quadro prosseguia e, cada vez mais, Teresa narrava acontecimentos marcantes de sua história durante as sessões, dentre eles a

122 morte de dois irmãos na infância: “minha mãe teve dificuldade de vingar uma criança”.

Algumas sessões depois, referiu a morte do irmão mais velho, mas disse que ainda não conseguia falar sobre o assunto, pois tinha sido “uma morte muito triste”. Voltou ao assunto, mais adiante: viciado em drogas, tinha sido assassinado por um traficante. Antes, ela havia tentado esconder dos pais o processo que o irmão estava vivendo, e emendou: “o rosto dele não negava a história, e os meus pais descobriram”.

Intervi, questionando: “e qual é a história que o seu rosto conta?”. Sua resposta: um rosto que havia sofrido demais com a PFP, mas que estava aprendendo a lidar com isso para poder superar as dificuldades.

Teresa apresentou uma melhora significativa na musculatura orbicular do olho esquerdo, referindo não sentir mais tremores desde que havia iniciado exercícios, emendando que havia suspendido a medicação (Complexo B).

Porém, a musculatura da região da boca, no lado esquerdo, apresentou melhoras menos significativas, considerando-se as condições apresentadas pela paciente no início da reablitação miofuncional. Contudo, houve melhor evolução quanto a tensão muscular do que em quanto à mobilidade dessa região.

Apontei o fato para Teresa, e enfatizei suas melhoras físicas, de maneira geral, ao longo das sessões. Ela concordou e disse que sua persistência estava associada ao meu estímulo.

Nessa mesma sessão anunciou que pretendia entrar no grupo de “Vigilantes do Peso”, pois estava muito motivada para emegrecer. E que buscaria um curso de aperfeiçoamento profissional. Devido a dificuldade em compatibilizar os novos horários com os da terapia, estabelecemos um prazo para a finalização do trabalho.

Na última sessão, disse-me que recentemente havia feito o novo RG, utilizando uma segunda foto, pois não tinha gostado da primeira (a que fez após

123 a segunda sessão) e concluiu que já poderia tirar uma melhor. Perguntei se poderia ficar com a última, mas ela me presenteou com as duas.

Seus comentários finais foram relevantes, considerando-se a abordagem assumida nessa pesquisa. Não estava mais preocupada com a avaliação que as pessoas faziam do seu rosto, embora tivesse ficado satisfeita quando o marido e os filhos elogiaram seus progressos. E concluiu afirmando que o rosto havia melhorado, mas que também se sentia melhor “por inteiro”.

A busca de uma abordagem que englobou aspectos subjetivos permitiu o acesso aos conteúdos psíquicos e os aspectos sociais implicados no quadro de PFP nesse caso, sendo que a literatura a respeito da história do rosto, psicanálise e teoria do estigma foram fundamentais para subsidiar atendimento fonoaudiológico de Teresa.

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CAPÍTULO 9 – ROTEIRO DE AVALIAÇÃO DE CONTEÚDOS

PSÍQUICOS E EFEITOS SOCIAIS ASSOCIADOS À PFP

O roteiro de avaliação de conteúdos psíquicos e efeitos sociais associados à PFP foi elaborado a partir dos resultados obtidos nessa pesquisa e está estruturado em blocos temáticos, baseados na análise categorial (Bardin, 2002) dos conteúdos das entrevistas com os sujeitos estudados.

BLOCO I - IDENTIFICAÇÃO

Nome:

Data de Nascimento: Idade: Estado Civil:

Profissão: