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Del I Innledende del

2.2 Utviklingstrekk og

Ao longo do tempo a cidade tentou organizar e hierarquizar o seu espaço urbano, procurando soluções de forma a resolver os recorrentes problemas de financiamento, alterando as construções, adaptando-as às circunstâncias e às necessidades dos tempos, incluindo os procedimentos táticos e os avanços técnicos, respondeu a exigências banais do quotidiano e traduziu pretensões de reorganização capazes de aprofundar algumas das características próprias do seu viver coletivo.

Após a construção da muralha do Castelo, com função defensiva, é reforçada a personalidade jurídica da cidade. Esta muralha não só marcava a paisagem, como a linha do seu circuito era dominante, quando se considera a organização e hierarquização do espaço urbano, o sítio em que cada pessoa habitava definia o seu estatuto social. Estes eram na altura os dois vetores que descreviam a morfologia da cidade. Simbolicamente os muros da cidade desempenhavam duas funções, uma que respondia às necessidades de proteção no contexto da crise internacional, e a segunda seria conceber obrigações de pagamento pecuniárias. No entanto, como máquina de guerra o que se pretendia projetar como estrutura defensiva seria o efeito dissuasor.

O Castelo funcionava como um símbolo de soberania e instrumento de afirmação. Uma construção robusta e capaz de adaptar o desenho dos seus elementos às inovações de armamento e das táticas bélicas. Em 1400 Bragança regressa à soberania portuguesa, o que leva ao reforço do castelo, dando-lhe mais corpo e solidez, procurando torná-lo inexpugnável, interferindo com a paisagem envolvente, torna-se um marco simbólico da identidade nacional.

Em 1580, com os novos avanços técnicos e especialização de novas armas são necessárias novas reformas na muralha, o que leva a uma alteração radical na construção de complexos defensivos. Para tal é construído um novo aro que envolve o espaço urbano. Consequentemente, a malha urbana medieval sofre uma recomposição caracterizada pela métrica racional, que propõe acessos fáceis e rápidos aos pontos mais importantes da muralha.

Este novo aro ou muralha, do qual não há vestígio, era uma superfície diversificada e uma estrutura alongada, sem grande elevação em altura, supõe-se que esta linha abraçava a cidade, nascia na muralha do Castelo, e prolongava-se até ao Cemitério do Toural. A intervenção da cidade e a sua modelação seguiram conceitos com tendências geométricas e surgiam de um poder central que se aproximava do absolutismo.

Os elementos urbanos, a rua e a praça, eram criados de forma a darem respostas satisfatórias às exigências do quotidiano, ou à confusão da feira, permitindo a rapidez de movimentos dos estrategas militares em caso de ataques dos inimigos.

O espaço público era muitas vezes ocupado por ofícios que se processavam ao ar livre, onde se expunham os produtos manufaturados. A personalidade social e funcional, das ruas e das praças, com o crescimento urbano, sofria grandes transformações, bastando a criação de um edifício com carácter público para criar variações na hierarquia da malha urbana.

Nesta época, a pavimentação das ruas era pouco usual, mesmo em grandes cidades, os passeios para peões nem sequer eram pensados, pelo que na época das chuvas e nevadas, as ruas e os terreiros transformavam-se em lamaçais.

Uma pluralidade de construções caracterizava este espaço, já que, além das funções: residencial, religiosa, politica e militar, a vida quotidiana exigia a existência de fornos, celeiros, palheiros, lagares, tinturarias e cómodos para os animais.

Era frequente a criação de quintais anexados à casa, complementando a casa com a horta, jardim e lugar de despejos. Os espaços abertos influenciaram a morfologia dos arruamentos da cidade, dominando a irregularidade organizacional. Com a recente construção nos espaços vazios, muitas ruas só à pouco tempo é que adquiriram a sua configuração atual, onde existe

uma sequencia de volumes cheios. Estes volumes são edifícios de planta apertada, que provocam um crescimento vertical, as casas, agora em menor número, são compridas e têm dois pisos.

A arquitetura civil sem carácter público, salvo algumas exceções, era desprovida de monumentalidade, composta por linhas simples e um escasso investimento decorativo.

A evolução de Bragança pode ser analisada em função da praça e da supremacia hierárquica que os largos e os terreiros adquirem à medida que se fortaleciam os movimentos orgânicos da expansão urbanística. Era necessário que a sua amplitude espacial fosse suficiente para a realização da pluralidade das suas funções, que acontecem na cidade, a sua localização era importante para a afirmação de valores de centralidade.

Não era só a praça que tinha como atributos a largueza de espaço, como também as mais importantes artérias da cidade, o Fervença garantia acesso à água potável, a moinhos e tanques dos curtumes e às tinturarias das sedas. Estas atividades nutriam a economia local e caracterizavam o tecido social desta zona da cidade, no século XVII.

Lentamente a cidade vai transbordando os limites da muralha que protegia o núcleo urbano e que dava consciência à personalidade urbanística. As muralhas tinham por função a proteção dos que moravam no seu interior, no entanto, esta segurança, em certos momentos, agravava as dificuldades dos residentes, sendo necessário o desenho de movimentos que privilegiassem os moradores do exterior da muralha. Colocando em causa a definição de uma nova hierarquia espacial do tecido urbano.

Ao longo dos séculos, o crescimento urbano era criado de forma orgânica e sem constrangimentos notáveis, em raros casos o figurino ortogonal aparece. Os estudos de natureza militar realizados na época mostram conceções relacionadas com o desenvolvimento geométrico dos trabalhos defensivos da cidade, que constrangiam o seu desenvolvimento e as possibilidades de circulação.

É na viragem do século, depois de um período bastante conturbado, que a qualidade de vida urbana melhora e se tornara mais efetiva. Como alterações para esta mudança as ruas seriam calcetadas, acompanhadas pela continuação da colocação da iluminação na cidade com lampiões de azeite.

Como obstáculo para a evolução e modernização da cidade tem-se a permanente falta de meios, recorrendo-se aos bens da igreja, como fonte de financiamento. No entanto, a cidade era dominada e impregnada pelas formas de vida rural, fazendo com que as principais artérias não tivessem passeios, era necessária a limpeza das ruas, dos largos, dos becos e as desinfeções periódicas (Fernandes, 2009).

Existiam ambições de reorganização que aprofundassem algumas das características da cidade. Em 1891, a Câmara aprova a proposta que permitia uma aproximação parcial à organização urbana do séc. XIX, deixando ver alguns progressos técnicos e a organização de serviços enquanto se recordam antigas designações de ruas e vielas da cidade (Fig. 3.19).

Figura 3.19 – Fotos de Bragança, vista sobrelevada, século XX (GDB, 2013).