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Utviklings metodikk

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5.5 Gjennomføring

5.5.1 Utviklings metodikk

A pesquisa em sua forma simples pode ser entendida como a busca de soluções para os problemas, preexistentes, ou até mesmo problemas que só existam nos questionamento interiores de um pesquisador.

Conforme aponta Minayo (2007), a pesquisa é a atividade básica da ciência em sua indagação e construção da realidade. Consiste numa prática reflexiva que imprime uma indagação e articula um conhecimento posto e um conhecimento a ser (re)construído.

Toda investigação se inicia por uma questão, por um problema, por uma pergunta, por uma dúvida. A resposta a esse movimento do pensamento geralmente se vincula a conhecimentos anteriores ou demanda a criação de novos referenciais (p. 16).

Sob o aporte dessa teoria, compreende-se que a elaboração de uma pesquisa científica e acadêmica incide uma apropriação de métodos e técnicas para se chegar à mais apropriada identificação e solução dos problemas, de forma sistemática e racional.

Para se percorrer esse caminho ordenado e sistemático, é preciso seguir uma metodologia, evitando-se com isso chegar a conclusões emergentes do senso comum. Martins e Bicudo (2005, p. 65) afirmam que:

Toda pesquisa científica, pressupõe sempre uma posição, uma postura que torna possível investigar os fenômenos, a partir de uma certa perspectiva, na qual habilita o pesquisador a encontrar resposta para sua problemática.

A metodologia escolhida para o desenvolvimento de processo investigativo21 estrutura-se pela abordagem qualitativa, uma vez que esse processo investigativo tem como pressuposto, conforme afirma Bogdan e Biklen (1994), o entendimento de que “o mundo seja examinado com a ideia de que nada é trivial, que tudo tem potencial para construir uma pista que nos permita estabelecer uma compreensão mais esclarecedora do nosso objeto de estudo” (p. 49).

Essa escolha se fundamenta, também, nas características dos estudos qualitativos descritas por Minayo (2007, p. 21):

A pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares. Ela se ocupa, nas Ciências Sociais, com um nível de realidade que não pode ou não deveria ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com o universo dos significados, dos motivos, das aspirações, das crenças, dos valores e das atitudes. Esse conjunto de fenômenos humanos é entendido aqui como parte da realidade social, pois o ser humano se distingue não só por agir, mas por pensar sobre o que faz e por interpretar suas ações dentro e a partir da realidade vivida e partilhada com seus semelhantes.

Assim sendo, a busca por compreender a qualidade socialmente referenciada à educação profissional técnica pressupõe referenciar entendimentos a respeito das inter- relações entre o mundo do trabalho e o mundo social mais amplo. Ou mesmo considerar as inter-relações existentes entre o campo da educação profissional (EP) e os sujeitos que a constroem. Tais cuidados são (re)estruturados no vínculo entre o objeto de estudo em questão e os resultados apreendidos.

Os recursos metodológicos utilizados para a coleta de dados foram o questionário de profundidade22 e a pesquisa documental.

A opção pelo questionário deve-se ao fato de sua independência em sua aplicação, pois as informações podem ser preenchidas pelos informantes sem a presença do pesquisador. Triviños (1995, p. 138) concebe o questionário como uma das técnicas decisivas de apoio do pesquisador qualitativo, que considera a participação do sujeito como um dos elementos de seu fazer científico.

21 Esclarece-se que o termo” investigar” tem como efeito de sentido o ato de pesquisar.

22 O termo “questionário de profundidade” consiste em estabelecer a relação entre a trajetória de produção acadêmica dos pesquisadores participantes desse estudo e a estrutura de suas respostas quanto à proximidade com o objeto e objetivo da pesquisa.

O questionário foi estruturado por oito questões, elaboradas a partir dos objetivos específicos definidos para esta pesquisa. Optou-se por uma estrutura de questões abertas, que permitiram a cada participante se expressar com maior liberdade (GIL, 2008, p. 123). A perspectiva assumida é que as questões se constituem como partes que se integram, proporcionando uma visão próxima do todo da investigação, permitindo-se inferir núcleos comuns de sentidos presentes nas respostas dos pesquisadores escolhidos, a respeito dos indicadores de qualidade social para a educação profissional técnica de nível médio. Assim sendo, se projetam preceitos de alcance dos objetivos da pesquisa.

As perguntas foram elaboradas tendo por princípios pontos orientadores a respeito da qualidade requerida da educação técnica de nível médio, discriminados a seguir.

1. Concepção e inter-relação entre os conceitos: educação profissional, ensino técnico e educação tecnológica;

2. Indicadores para aferir a qualidade da educação profissional técnica de nível médio;

3. Relevância social da educação profissional técnica de nível médio;

4. Papel das políticas públicas, dos gestores e dos docentes na efetivação da qualidade social dessa educação;

5. Em nome de quem ou de que interesses se define o que seja uma educação profissional técnica de nível médio de qualidade para o momento brasileiro atual;

6. Procedimentos pedagógicos e metodológicos adequados na perspectiva de garantir a qualidade social da educação profissional técnica de nível médio;

7. Entraves e possibilidades atuais na construção de uma educação profissional técnica de nível médio com qualidade socialmente referenciada;

8. Avaliação da trajetória da educação profissional técnica de nível médio nos últimos 20 anos.

Quanto à escolha dos participantes, segue-se a perspectiva de Chizzotti (1995), que concebe os participantes de uma pesquisa como sujeitos que elaboram conhecimentos e produzem práticas adequadas para intervir nos problemas que identificam. Pressupõe-se que esses participantes tenham um conhecimento prático, de

senso comum e representações elaboradas, que formam uma concepção de vida e orientam suas ações individuais e coletivas.

Nessa perspectiva pontua-se que a escolha de pesquisadores participantes desta pesquisa, articulou-se ao princípio de considerar a produção significativa no campo acadêmico, grau de importância na atuação, interferência e influência nos processos críticos e reflexivos a respeito do movimento: reforma e contrarreforma da educação profissional técnica pós-LDB/96.

Foram selecionados em um primeiro momento dez pesquisadores participantes. Os questionários foram enviados por e-mail e correios em envelope lacrado, contendo o questionário impresso e um envelope selado endereçado à pesquisadora, a fim de facilitar seu reenvio. Foi solicitado um prazo de 60 dias para devolução do questionário preenchido. Após esse prazo, apenas um questionário foi devolvido. Considerando o tempo disponível dos pesquisadores, optou-se pela coleta dos questionários oralmente. Dos nove pesquisadores procurados, cinco agendaram um horário e responderam oralmente às questões colocadas; dois enviaram os questionários após o período de 60 dias, pois consideravam não haver horário em suas agendas para atender pessoalmente. Nesse período, com a percepção de que os demais pesquisadores não retornavam às varias tentativas de comunicação, optou-se por selecionar mais nove pesquisadores, na expectativa de que pelo menos metade destes respondessem ao questionário. A maior parte alegou falta de tempo para se dedicarem ao questionário; três pesquisadores devolveram os questionários no novo prazo solicitado. Por fim, dos 19 questionários enviados, 11 foram respondidos em um período de seis meses, constituindo, então, a população de estudo.

O quadro a seguir apresenta a relação de pesquisadores participantes23:

23 Reconhece-se a produção desses pesquisadores tomados no entendimento do objeto da pesquisa para considerá-los sujeitos da pesquisa. Considera-se a riqueza da interlocução estabelecida com as respostas desse grupo que (re)estrutura o entendimento e as percepções da pesquisadora com relação ao quadro textual que configura os relatos dessa pesquisa.

Pesquisador em que atua Instituição acadêmica Formação Principais atividades Celso João Ferretti UNISO Doutor e Mestre em Educação Pesquisador pelo CNPq; Docente de curso de pós-graduação;

Consultoria ao MEC. Dante Henrique Moura UFRN IFRN Doutor e Mestre em Educação Pesquisador pelo CNPq; Docente de curso de pós-graduação;

Consultoria ao MEC.

Domingos Leite

Lima Filho UTFPR

Doutor em Educação

Pesquisador nível 2 pelo CNPq; Docente de curso de pós-graduação; Coordenador do curso de pós-graduação

da UTFPR. Gaudêncio Frigotto UFF UERJ Doutor em Educação; Mestre em Administração Pesquisador A1 pelo CNPq; Docente de curso de pós-graduação;

Consultoria ao MEC. José dos Santos

Rodrigues UFF

Doutor e Mestre em

Educação

Pesquisador nível 2 pelo CNPq; Docente de curso de pós-graduação.

Lucília Regina de Souza Machado UNA Doutora e Mestre em Educação

Pesquisadora nível 2 pelo CNPq; Docente de curso de pós-graduação; Coordenadora de Mestrado da UNA;

Consultoria ao MEC. Maria Aparecida Ciavatta Pantoja Franco UFF UERJ Doutora e Mestre em Educação Pesquisador A1 pelo CNPq; Docente de curso de pós-graduação;

Consultoria ao MEC.

Maria Rita Neto

Sales de Oliveira CEFET MG

Doutora em Instructional Design; Mestre em Educação Pesquisadora pelo CNPq; Docente de curso de pós-graduação; Consultora pedagógica da direção geral

do CEFET MG. Marise Nogueira Ramos UERJ FIOCRUZ CEFETQ Doutora e Mestre em Educação

Pesquisadora nível 2 pelo CNPq; Docente de cursos de nível médio,

graduação e pós-graduação; Coordenadora do Programa de Pós- Graduação da EPSPJV – FIOCRUZ;

Rosemary Dore

Heijmans UFMG

Doutora e Mestre em Educação

Pesquisadora nível 2 pelo CNPq; Docente de cursos de graduação e pós-

graduação. Sônia Maria Rummert UFF Doutora e Mestre em Educação

Pesquisadora nível 2 pelo CNPq; Docente de cursos de graduação e pós-

graduação. Quadro 1 – Relação de pesquisadores participantes

A interpretação das respostas dos pesquisadores participantes fez-se a partir da análise de conteúdo proposta por Bardin (2010, p. 40), que considera a ideia de:

[...] um conjunto de técnicas de análise das comunicações que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens. [...] A intenção da análise de conteúdo é a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção (ou, eventualmente, de recepção), inferência esta que recorre a indicadores (quantitativos ou não).

No âmbito desse trabalho metodológico, indica-se que as respostas dos pesquisadores participantes são tomadas considerando o propósito de descrever e interpretar o conteúdo de toda classe de textos que se apresentam nas informações e nos dados coletados. O processo de trabalho assenta-se, portanto, na (pro)posição de não transpor, simplesmente, posições ideológicas e/ou opiniões referentes à qualidade requerida da educação profissional técnica de nível médio. Busca-se, assim, considerar a dominância de um espaço imediato na construção das respostas desses pesquisadores a respeito do objeto em estudo. E nesse sentido tem-se a possibilidade de explorar traçados simultâneos e contrários manifestos em suas falas a respeito da qualidade social dessa educação.

De acordo com Bardin (2010), a seguinte sequência pode ser estabelecida para a análise de conteúdo:

a) pré-análise: como fase de organização, parte da escolha do material a ser submetido à análise, da formulação das hipóteses e dos objetivos e da elaboração de indicadores que fundamentem a interpretação final (p. 121);

b) exploração do material: o material é submetido a um estudo aprofundado, orientado este, em princípio, pelas hipóteses e pelos referenciais teóricos;

c) o tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação: os resultados em bruto são tratados de forma que se tornem significativos e válidos (p. 127).

Das várias leituras, inicialmente flutuantes e que foram tornando-se consistentes na medida em que se tinham operações de codificar, a partir de dados e informações apurados nos questionários, estabeleceram-se inter-relações e indicadores de referências entre os pontos orientadores sobre a qualidade requerida da educação profissional técnica de nível médio e respostas/reflexões dos pesquisadores participantes.

Ressalta-se que a elaboração do contexto textual aqui apresentado não toma na integra os procedimentos do método da análise de conteúdo, em função de considerar a importância de se apreender a materialidade das inferências dos pesquisadores participantes que se faz nas especificidades de seus discursos referentes ao objeto em estudo.

A descrição e os exames das informações e dos dados apreendidos dos textos oficiais que estruturam este capítulo têm como aporte a pesquisa documental. Esclarece- se que essa pesquisa tomada no campo das Ciências Sociais e da Historia incide propósitos de descrever/comparar fatos sociais, estabelecendo suas características ou tendências, conforme pontua Carvalho (2000, p. 154). O interesse na compreensão desses textos oficiais é definido pela possibilidade de apurar perspectivas, princípios e normas legais que têm como princípio ideológico o controle do comportamento de um grupo, de relações estabelecidas entre diferentes subgrupos (CARVALHO, 2000; ALVES-MAZZOTTI; GEWANDSZNAJDER, 1998).

Flick (2009), ao abordar a utilização de documentos como fonte de dados, ressalta que eles não se configuram como uma simples representação de fatos ou de uma dada realidade; são meios convencionalmente produzidos com propósitos específicos. Nesses documentos, os investigadores podem ter acesso à apropriação do discurso oficial a respeito do fato e/ou da realidade em questão.

Nesse sentido, ao se utilizar os documentos como fonte de pesquisa, deve-se indagar a respeito das condições de dominância de “quem” o elabora ou produz, bem como sua destinação. É preciso também identificar características gerais e específicas do processo de sua elaboração e o contexto social no qual está inserido e/ou faz inferência.

Reportando-se aos estudos de Prior (2003) a respeito da pesquisa documental, Flick (2009, p. 231) faz a seguinte advertência:

Se tivermos que arcar com a natureza dos documentos, então precisaremos afastar-nos de um conceito que os considere como artefatos estáveis, estáticos, e pré-definidos. Em vez disso, devemos considerá-los em termos de campos, de estruturas e de redes de ação. De fato, o status das coisas enquanto documentos depende precisamente das formas como esses objetos estão integrados nos campos de ação, e os documentos, só podem ser definidos em relação a esses campos.

Por essas razões, as pesquisas documentais são consideradas importantes à medida que se incluem na categoria de dados e têm integração desses com os campos de ação que os definem.

O corpus da análise documental é constituído por duas fontes oficiais publicadas pelo Ministério da Educação que tratam das políticas de reforma e promoção da educação profissional, formuladas e implementadas pelos governos FHC e Lula.

O processo de seleção dessas fontes é tomado considerando o preceito investigativo/ideológico de implicar a tomada de consciência de que as informações e os dados se apuram na ação interpretativa desses documentos, percebidos como processo de produção situado em um espaço social e político.

Foram selecionados os seguintes documentos:

“Políticas e resultados 1995-2002: a reforma da educação profissional” – documento publicado em 2002, pelo Ministério da Educação, ao final da gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso.

“Proposta em discussão: políticas públicas para a educação profissional e tecnológica” – documento publicado pelo Ministério da Educação, em 2004, um ano após o início da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva.

A escolha pelos dois documentos descritos se fez pela percepção da discussão realizada por eles – situando, sobretudo, a reforma da educação profissional na década de 1990 – e também pela evidência de elementos nas respostas dos pesquisadores participantes que conduzem à retomada dessas duas publicações oficiais.

3.2. Análise da concepção, dos fundamentos e das propostas políticas do Estado

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