De acordo com os dados recolhidos e informações expostas, o estudo empírico efetuado permite evidenciar um nível elevado de concordância comparativamente à pesquisa bibliográfica reunida na revisão de literatura.
Relativamente ao enoturismo, no primeiro foco deste estudo, constatou-se que, à medida que o turismo cresce, a afluência de turistas que procuram atividades relacionadas com a vitivinicultura também aumenta. Segundo o perfil de enoturista investigado na revisão de literatura, este poderia não visitar especificamente os países devido ao seu interesse pelo vinho, mas sim pelo seu interesse na região ou porque tal estaria já incluído no pacote turístico da sua viagem (Lameiras et al., 2016, e Charters e Ali-Knight, 2005). O estudo em questão conclui que as principais razões para a visita se concentram no interesse pelo conhecimento da região vinícola, no facto de ser sugerido nos guias turísticos da cidade, e de estar já incluído no pacote de viagem adquirido, corroborando assim os estudos empíricos anteriormente mencionados.
Ao longo da análise dos resultados, pôde também observar-se que o enoturismo é uma atividade turística eclética que atrai visitantes de várias nacionalidades, de todo o mundo e não concentrados numa área geográfica, assim como dinamizadora do mercado ao permitir uma maior abertura do mercado português ao estrangeiro. Esta ilação é viável, sendo que a maior parte dos enoturistas já conhecia o produto originário da cave que visitavam através de próprios conhecidos que já a tinham visitado, mas também a partir de revistas, jornais, publicidade ou
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redes sociais, provando que o investimento no enoturismo é essencial para um maior crescimento da marca.
Aqueles que visitavam as caves valorizavam essencialmente a alta qualidade dos produtos, o que corrobora a perspetiva da oferta enoturística, isto é, as quintas. A satisfação do cliente passaria por lhe oferecer uma experiência que lhe agradasse e um produto que correspondesse às suas expetativas, aumentando, desta forma, a probabilidade de críticas positivas e a propagação da reputação excecional do local no qual estiveram hospedados. A maioria dos enoturistas afirmaram que recomendariam a experiência enoturística ao aludirem à qualidade dos produtos, como foi acima mencionado, mas também à excelência do serviço prestado e à atratividade do espaço visitado, tal como referem Getz, Dowling e Carlsen (1999),
O perfil dos enoturistas inquiridos encontra também pontos em comum com o que tinha sido já mencionado por Lameiras et al. (2016), concluindo-se que o turista de vinho será um indivíduo com uma idade a partir dos 30 anos, que possui um maior grau de habilitações literárias relativamente à média dos restantes turistas, isto é, frequentou o ensino superior e é apreciador de vinho. Normalmente, este turista é mais velho e encontra no vinho um interesse de visita relevante. Tal como foi confirmado nos inquéritos realizados, o enoturista visita os espaços dedicados à vitivinicultura, pois alberga interesse e gosto especial em conhecer melhor o vinho, a vinha, o processo de produção e armazenamento e outras componentes envolvidas na conceção do vinho que consome.
Em suma, o setor de turismo do vinho tem potencialidade de dinamizar e incrementar a economia de regiões mais rurais e também influenciar positivamente a economia do país. Em Portugal, segundo os resultados obtidos nos inquéritos, consagra-se como uma atividade bem divulgada, dado que grande parte dos turistas já conhecia o produto que ia visitar. Além disso, a excelência dos serviços enoturísticos oferecidos, aliada à qualidade dos vinhos reconhecida pelos visitantes, revelam um futuro promissor para o crescimento do setor enoturístico e da produção vitivinícola.
A análise do segundo ponto desta investigação, a internacionalização dos vinhos portugueses, revelou que a experiência enoturística contribui, de certo modo, para um maior reconhecimento dos vinhos e da marca vinícola, o que, por conseguinte, poderá ser uma alavanca para a internacionalização das empresas produtoras.
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O modo de entrada nos mercados internacionais dos produtores vitivinícolas mencionados no estudo, inquiridos através das entrevistas, é a exportação direta. Num estudo de Zen e Fensterseifer (2011), referido na pesquisa bibliográfica, o principal modo de entrada nos mercados era também a exportação. Sendo a exportação dos métodos menos custosos e também com menos riscos, de acordo com a revisão de leitura efetuada, seria natural a escolha por este processo ao invés de, por exemplo, licenciamento ou um investimento greenfield. No entanto, na sua maioria, as empresas vitivinícolas exportam uma fação muito menor em relação aquela que é distribuída no mercado doméstico.
Tal como Vivas e Sousa referem no seu estudo de 2012, citado na revisão de leitura, as empresas vitivinícolas apostam intensamente nas suas estratégias internas, menosprezando, de certa forma, o mercado externo. Todavia, o crescimento do enoturismo poderá levar as empresas a apostar mais no reconhecimento além-fronteiras, dado que, segundo os entrevistados, estes acreditam que um cliente satisfeito, quer pelo serviço prestado, quer pela alta qualidade dos vinhos, poderá levar muitos mais a experimentarem o produto que ele vivenciou. Como se pode verificar nos resultados dos inquéritos, 96,3% dos inquiridos afirmaram que recomendariam a experiência a familiares e amigos e, através desse ato, aguçar-lhes a curiosidade para a experimentação enoturística. Comprova-se este facto ao se concluir que todas as marcas entrevistadas notaram um créscimo nas suas vendas, sendo que os diretores de enoturismo correlacionam este facto à maior aposta exercida nas suas atividades enoturísticas.
Em relação às razões que motivam a internacionalização, alguns entrevistados referiram que era o passo natural a seguir após a conquista do mercado interno e dos consumidores nacionais. Outros mencionaram a oportunidade da dinamização duma atividade comercial já instaurada no mercado doméstico, mas que pretende alargar horizontes. Além destas razões, Ana Nunes referiu o difícil escoamento de toda a produção no mercado nacional como principal motivação. Sumariamente, o mercado internacional é visto como uma oportunidade de expansão, ou seja, demonstra-se atrativo para o alargamento das atividades comerciais já iniciadas.
Como conclusão final retira-se que o enoturismo e a internacionalização encontram-se ligados, ainda que seja apenas por uma linha ténue. O lado da procura, os consumidores do turismo de vinho, consideram que há uma relevância notória das práticas enoturisticas que
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influenciam o panorama económico geral. Por outro lado, o lado da oferta, os diretores de enoturismo representantes dos produtores vitivinícolas, notam a existência de correlação entre o crescimento do seu produto e das suas receitas e o investimento acrescido no enoturismo, concordando que este conduz a um maior nível de reconhecimento internacional e dissemina o nome da marca aliado à qualidade dos produtos, levando ao despontar do interesse daqueles que apreciam vinho.