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O desenvolvimento e transformação da sociedade em e para a Educação em Direitos Humanos é um processo permanente de conquistas para Brasília que foi concebida com aspecto de cidade planejada, democrática e vivenciada. Não é possível refletir sobre educação sem pensar no indivíduo, ser humano, sujeito e objeto da educação. Educação enquanto processo social de criar indivíduos de produção social.

Vigotski (1896-1934) afirmava que, o desenvolvimento social e cultural do indivíduo é histórico, localizado na história social humana. E para que ocorra o desenvolvimento é necessário que o indivíduo se aproprie dos produtos culturais da sociedade, tanto os materiais, quanto os intelectuais (Gutierez; Urquiza, 2013).

E ainda, temos que ―todo desenvolvimento cultural passa por três estágios: em si, para outro, para si‖ (Vigotski, 2000, p. 24). Depreende-se, portanto, que o externo transforma o interno, o que importa destacar que o indivíduo é um conjunto de relações sociais. A educação faz o indivíduo e a transmissão de conhecimento às gerações seguintes seria possível por intermédio da atividade humana: o trabalho.

A atividade é um conceito chave na concepção histórico-cultural, e a educação é um processo de mudança social, segundo Freire (1979) somente é possível porque o indivíduo ―é um ser na busca constante de ser mais e, como pode fazer esta auto-reflexão, pode se descobrir como um ser inacabado, que está em constante busca‖ (p.27). Essa busca referenciada por Freire (1979) pode garantir sua completude na educação que tem caráter permanente.

A educação auxilia no processo permanente de mudança e permite entender como ocorrem os processos, a lógica interna, suas contradições e, até mesmo, as formas de superar as contradições da sociedade. Gutierrez e Urquiza (2013, p. 228) descrevem que a educação ―é uma forma de fazer e pensar humano e de reproduzir a existência humana‖.

A modernidade é marcada pela forma de produção capitalista que implica a construção identitária do sujeito. Percebemos que as identidades vão se configurando em diversos meios e que a influência do capitalismo interfere nas ações e relações humanas. Assim, o duplo caráter de Brasília: capital do país e cidade demonstra esta dualidade do capitalismo que reduz o ser humano à coisa e, para isso, padroniza e unifica tudo a sua volta, em especial, a cultura. Este aspecto será tratado mais adiante.

As transformações ocorridas no decorrer do período histórico deram origem a conquistas importantes para a humanidade, citamos como exemplo a Declaração Universal dos Direitos Humanos como reconhecimento de tais direitos. De tal forma, a educação em e para os direitos humanos no contexto da diversidade cultural traduz a concretude ao respeito à dignidade da pessoa humana em todos seus aspectos.

Pulino (2016) destaca que

educar ‗em‘ e ‗para‘ é a criação de um espaço de sensibilidade, aprendizagem e atuação ‗em‘ relação de respeito aos direitos humanos, que possam ecoar, ampliar-se para uma perspectiva prenhe de novas possibilidades de educar e ser educado ‗para‘ a cultura dos direitos humanos (p. 11).

Nesse contexto, a educação para a paz e em Direitos Humanos tem ênfase no ser humano em processo de tornar-se membro, de ser singular e cidadão, capaz de transformar e se transformar para se viver em harmonia e bem-estar. Conforme destaca Martins (org.) (2008, p. 21) que a paz

é uma necessidade dos seres humanos, desde seu íntimo, quanto têm controle de seus próprios destinos e convivem criativamente com os outros seres humanos; a paz é um fluido necessário para gerar e consolidar relações interpessoais harmoniosas; a paz é necessária para que uma nação se desenvolva plenamente; a paz entre nações é imperativa para que a humanidade saia dos enormes problemas aos quais foi levada pelo acúmulo de fracassos de quem tem exercido o poder local e global; a paz da humanidade com sua mãe natureza é imprescindível para que a vida evolua com a harmonia necessária.

Observamos que políticas públicas que estejam alinhadas a projetos estratégicos de transformação para a educação para a Cultura de Paz pode provocar mudanças e inverter

paradigmas semeando a ideia da cidade como lugar de possibilidades novas de encantos e igualdades.

Brasília traz em seu bojo histórico que foi de construção de uma cidade e não de luta e violência para seu surgimento projetos de dimensão para a paz, tais como:

- Universidade Holística Internacional, a Universidade da Paz – UNIPAZ; é movimento de educação, cuidado e práticas integrativas para o despertar de uma consciência de inteireza, de onde emana a paz nas ecologias individual, social e ambiental, rumo à sustentabilidade com ética e respeito à vida. A Visão da UNIPAZ é garantir e assegurar que até o ano 2030, o século XXI será transdisciplinar e holístico (Unipaz, 2018).

- em 1988, Brasília recebeu o título de Cidade da Paz pelo renomado Conselho Mundial da Paz – documento mantido pela UNIPAZ.

- Projetos educativos: Brasília de Pedestres da Paz, Brasília da Educação para a Paz, Ong Rodas da Paz; Seminário Internacional Águas pela Paz.

- Sedia Representações Diplomáticas, Organismos Internacionais e Agências Internacionais de Cooperação. Todos os países dividem o mesmo espaço por meio de suas Embaixadas. E é a sede da diplomacia nacional, que se orienta pela promoção da Paz nas Relações Internacionais.

- Parque Urbano Internacional da Paz indutor da integração entre diferentes povos e culturas, com foco na promoção da paz (PNUD, 2018) com previsão de ser inaugurado em março de 2018.

- Templo da Paz: Templo da Boa Vontade (TBV) a sociedade de todas as tradições espirituais e filosofia de vida, inclusive as não religiosas vivenciam momentos de paz e reflexão em diferentes ambientes do local (SETUR, 2018) .

- Criado em 1º de dezembro de 1986, o Núcleo de Estudos para a Paz e os Direitos Humanos – NEP é uma unidade acadêmica vinculada ao CEAM – Centro de Estudos

Avançados Multidisciplinares. Concebido sob a perspectiva interdisciplinar, a organização do NEP teve como objetivo criar condições para a reunião de pesquisadores, orientados por novas formas multidisciplinares de ensino e de pesquisa, com o estabelecimento de relações recíprocas, entre a sociedade, suas instituições e a própria universidade.

Observamos que no elenco das ações listadas há quatro pilares para um desenvolvimento humano, seja estes: paz, segurança. Direitos humanos e democracia sendo necessário um espaço social para que se organize e se expresse demandas de ordem individual e coletiva, para conforme descrição de Martins (org.) (2016, p. 24) possa ter ―uma distribuição de poder cada vez mais equitativa e equilibrada‖.

Colaborando com a ênfase da educação para a Cultura de Paz, a autora Zaneti (2016, p. 170) destaca que há a ―necessidade de compreensão das raízes das questões tratadas a partir de um olhar complexo e multirreferencial, capaz de integrar os pontos de vista antropológico, sociológico e psicológico, como suportes para a razão econômica e política‖. E para que possamos contribuir nesse processo é preciso compreender os sentidos culturais, sociopolíticos que implica perceber as formas de construção e enraizamento na vida e nos padrões culturais cotidianas, bem como na vivência da sociedade brasiliense que tratamos no tópico adiante.