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2.3 Utviklingen i inntektsulikhet

2.3.3 Utviklingen i fordeling av formue

Também as conceituações apresentadas pelas pedagogas denotam, entre outras questões, uma dificuldade em precisar um conceito de currículo. Ora a conceituação é complexa, envolvendo várias possibilidades, ora fala-se dele sem dizer o que ele é. Comecemos esta discussão com esta fala de Júlia8:

“Engraçado. Isso é o que sempre estamos nos perguntando. Outro dia estávamos pensando em uma avaliação para os professores. A nossa idéia inicial era colocar o que era currículo e em termos de parâmetro, que é nosso referencial nacional. Surgiram definições, às vezes, trocadas. Então, não sei precisar a definição de currículo. Seria uma grade, um levantamento, um programa. Olha quantas

8 Júlia trabalha Colégio santa Teresa há quase 4 anos. É pedagoga, especialista em supervisão escolar e

pedagogia empresarial. Tem 37 anos,é branca, solteira, não tem filhos. Atua como supervisora pedagógica, orientadora educacional e coordenadora geral de 1ª a 4ª série, em uma escola e como supervisora pedagógica em outra escola. Queixa-se da carga horária de trabalho excessiva no colégio Santa Teresa cumpre 30 horas semanais , e mais 25 horas na outra escola em que trabalha. Pretende, para o próximo ano, atuar somente em uma escola e dedicar-se aos estudos, inclusive a fazer mestrado.

definições existem. Você pode flexibilizar de acordo com a região ou demanda da escola. Discutimos em que âmbito estaríamos aceitando essas respostas das candidatas selecionadas, até porque fica para a gente também esse equívoco. Procuramos a base para trabalhar em termos nacionais. O currículo seria uma linha de ação comum, seguida de algumas propostas de componentes curriculares, como levantamento de competência e habilidade comuns, que possam assessorar o aluno. As decisões precisas ainda não conseguimos chegar, é uma discussão constante.”

Passando às considerações de Regina Helena, vê-se que o currículo aparece como referencial.

“O currículo para mim é um referencial para desenvolvermos um trabalho, sem ele acho que fica difícil caminhar. Procuramos fazer de uma forma participativa, fazendo a revisão dele a cada final de ano, mas entendendo também que ele dever ser flexível, deve estar realmente a serviço e não a gente a serviço dele.”

Ao procurar detalhar melhor a composição do currículo, a pedagoga Regina Helena referiu-se ao Projeto Político Pedagógico da escola,

“A gente parte muito do projeto político pedagógico da escola, tentando fazer uma conjunção do projeto da escola, das necessidades, da grade curricular, daquilo que é exigido em termos institucionais. Tentamos fazer tudo isso num estudo dos parâmetros, a partir daí a gente monta o currículo. Por isso, temos as áreas de conhecimento do núcleo comum e a gente tem a questão da educação religiosa aqui na escola. Vemos que é uma área que está presente em todas as nossas aulas, em todos os nossos encontros com os meninos, porque faz parte da filosofia da escola. Tentamos trazer um pouco disso, não como um conteúdo isolado. Então, para isso a gente se reúne, a gente se recicla, a gente se filtra e se bombardeia de informações que a gente vem tendo hoje e procura adequar o currículo à nossa realidade, com concordância com o projeto da escola.”

Passando às concepções de Virgínia9, vê-se que, para ela, o currículo é sinônimo de Projeto Político Pedagógico. Ela resumiu seu pensamento na seguinte idéia: “Toda a

vida da escola está dentro do currículo”.

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Virgínia - mulher, branca, tem 50 anos de idade, ë casada, tem três filhos. Trabalha no Colégio Logos desde 1986. Já atuou como professora do curso do Magistério, das disciplinas das Didáticas da Matemática, Ciências, Geografia e História. Sua maior experiência profissional ë como pedagoga. Licenciada em Pedagogia/Habilitação Supervisão Escolar Virgínia revela sua preferência em atuar junto `a professores da Ed.Infantil e séries iniciais do EF. Na escola onde trabalha atualmente responde pela coordenação da Ed.infantil a 4a. série tendo “uma jornada de trabalho semanal de 40 horas”, acrescidas de muitas horas extras, conforme ela mesmo afirma. Na equipe não há orientadores educacionais, função exercida também por ela. Ela tem uma assistente administrativa que a auxilia em procedimentos e encaminhamentos cotidianos.

Seguindo essa concepção ampla de currículo, Ana Luíza 10afirma:

“Currículo é um programa, um projeto, um conjunto de idéias que vão nortear o trabalho de uma escola, de uma série. O que vai nortear esse currículo são as propostas, as idéias, os meus objetivos, onde eu pretendo chegar, o que eu pretendo alcançar com o ensino na escola.”

Por sua vez, Ana Cecília11 expõe seu entendimento, afirmando que currículo é o que cada colégio propõe para o seu trabalho educativo, mas não caracteriza o âmbito das propostas. Segundo suas palavras, “o currículo é o que cada instituição propõe para o

seu trabalho educativo. Algumas instituições somente cumprem o que determina a lei e outras podem enriquecer o seu currículo oferecendo algum diferencial.”

Percebe-se que, entre as pedagogas, tal como entre as professoras, há uma abordagem difusa do que seja currículo, no entanto, é consensual a idéia de que o currículo norteia, orienta, representa as metas do trabalho educativo-escolar.

Das cinco pedagogas entrevistadas verifica-se que três- Júlia, Regina Helena, Ana Luïza - não apresentam um conceito específico de currículo; falam mais de suas características. As outras duas entrevistadas, Ana Cecília e Virgínia, referem-se ao currículo como um conceito abrangente, porém não definem tal abrangência.

Parece-nos, portanto, ser esse um conceito realmente impreciso, entre professoras, entre pedagogas. O currículo oficial de uma escola compreende, para além do plano de ensino das diferentes disciplinas , todo um projeto de formação, nas suas diferentes dimensões. A ausência de clareza , ou, talvez a ausência de uma visão sistêmica do projeto educacional da escola supomos que seja o reflexo da maneira como a escola pressupõe a sua organização interna de trabalho. Estruturas organizacionais estritamente hierarquizadas, estilos de gestão centralizadora, de pouca autonomia, a

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Ana Cecília: é branca, tem 41 anos, atua como pedagoga há 12 anos. É casada, tem 02 filhos. Diz-se identificada com o proposta da escola em que atua, principalmente no que se refere aos princípios filosóficos. Diz-se satisfeita com seu trabalho e vê, na relação com as professoras e os alunos a sua grande realização. Também atua como orientadora educacional pedagoga, com especialização em orientação educacional. Trabalha no Colégio Colégio Alpha.

ausência de um processo de formação continuada que oportuniza aos diferentes profissionais da escola realizar juntos amplas discussões que os levem a compartilhar visões de mundo, projetos para a sociedade, concepções sobre os sujeitos não favorecem um processo de negociação de idéias e ideais, de visões, interesses e iniciativas. A ausência ou pouca incidência de processos coletivos de estudos e discussões fragmenta o olhar, segmenta os processos, não favorece uma organização educativa que pressupõe investimentos longitudinais para a formação dos alunos.

Quando recorremos a estudiosos do currículo, para melhor compreendermos as concepções de nossas professoras e pedagogas, quanto à variabilidade conceitual do termo currículo, encontramos Pacheco(1996) que apresenta duas definições mais comuns que se contrapõem: uma formal, como um plano previamente planificado a partir de fins e finalidades; outra informal, como um processo decorrente da aplicação do referido plano. Segundo a classificação desse autor, são estes os grupos de conceituações acerca do currículo:

1. Definições que apontam para o currículo como o conjunto de conteúdos a ensinar (organizados por disciplinas, temas, áreas de estudos) e como um plano de ação pedagógica fundamentado e implementado num sistema tecnológico.

2. Lugar para as definições que caracterizam o currículo como um conjunto de experiências educativas e como um sistema dinâmico, probabilístico e complexo, sem uma estrutura pré-determinada.

Tanto as falas das pedagogas quanto as das professoras mostram a existência e a convivência desses dois tipos de conceituações de currículo, seja no conjunto das professoras e pedagogas entrevistadas, seja em algumas delas em particular. Em outros termos, essas duas concepções de currículo – como conjunto de conteúdos a ensinar e como um sistema complexo e dinâmico – estão presentes nas falas de nossas professoras e pedagogas, embora umas e outras enfatizem aspectos diferentes. Por exemplo, a criança e suas necessidades aparecem mais nas falas das professoras do que das pedagogas.

“currículo é um projeto seletivo de cultura – cultural, social, política e administrativamente condicionado – que preenche a atividade escolar e que se torna realidade dentro das condições da escola tal como se acha configurada.”

Nessa perspectiva, vê-se constituído o Currículo – Projeto e Experiências Globais de Formação. Quanto a essa seleção de elementos que um currículo representa, ou, em outros termos, à hierarquização de conteúdos, as decisões e/ou escolhas políticas implicadas em uma seleção de conteúdos curriculares, por exemplo, não foram indicadas pelas nossas entrevistadas. Ou seja, o caráter político do currículo não foi considerado nas suas falas, talvez por uma desconsideração deste aspecto por parte delas ou por problemas de ordem da entrevista. De qualquer forma, é uma questão a ser desenvolvida em outros trabalhos.

Veremos, porém, no capítulo seguinte, que as professoras, apesar de apresentarem conceituações sobre currículo em diferentes perspectivas quanto ao nível de abrangência, ao aprofundarmos sobre sua relação com o currículo, falam naturalmente de um currículo do cotidiano, referente à série em que atuam; não trazem para a análise, necessariamente, uma abordagem ampliada, conforme a conceituação de algumas delas.