2.3 Utvelgelse og utvikling av talent
2.3.3 Problematisk prediksjon
de seus diferentes Momentos constitui tes,àdese ha doàu aàesp ieàdeà teia à efle i aà através das linhas convergentes de nossa investigação. Teorias relevantes e observações empíricas afloram para o feixe conclusivo, onde o momento é o da síntese crítica e de sua leitura global construtiva. A realidade define o novo conceito13 e novas fronteiras são flexibilizadas, surgindo assim novas utopias14.
Os conteúdos trabalhados, embora delineados pelos Momentos evocados nesta apresentação, estão entrelaçados por uma rede analítica que espero apresentar com clareza.
Norte e sul através de uma perspectiva de pesquisa
A construção e realização desta tese em arquitetura é fruto de uma perspectiva de pesquisa que projetou-se nos laços tecidos por uma cooperação internacional entre dois diferentes grupos de pesquisa e viabilizou-se por meio de uma convenção de cotutela estabelecida entre a Universidade de Grenoble – UPMF / França e a Universidade de São Paulo – USP / Brasil. No hemisfério norte, a tese enquadrou-se dentro da Escola Nacional Superior de Ar uitetu aà deà G e o le,à aà U idadeà deà pes uisaà á uitetu a,à Meioà á ie teà &à Cultu asà Co st uti as à – AE&CC, no seio do laboratório Culturas Construtivas15. Pelo lado sul, ela inseriu-se dentro do Programa de Pós-Graduação em
13 Faço referência à Howard Becker (2007, p. 167) quando escreve ser a realidade a formadora dos o eitos.à De fato, os conceitos são generalizações empíricas que cabe testar e refinar com base nos
resultados empíricos da pesquisa – isto é, no conhecimento do mundo.
14 Refiro à noção de utopias concretas proposta por Ernst Bloch, onde o utópico se construirá no ultrapassar daquilo que hoje nos é ap ese tado,àeàe o adasàpo àál e toàMag aghià ,àp. àe à duas dimensões:
no seu realismo crítico, fundamental na apreensão das problemáticas sociais, (...) e em sua relação com o futuro aberto, no que concerne precisamente o fazer acontecer coletivamente.
15Oà la o at ioà Cultu asà Co st uti asà fazà pa teà daà U idadeà deà Pes uisaà á uitetu a,à Meio-ambiente & Culturas Construtivas – áE&CC ,à eà situa-se na Escola Nacional Superior de Arquitetura de Grenoble –
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Arquitetura e Urbanismo do Instituto de Arquitetura e Urbanismo – IAU / USP São Carlos, oàseioàdoàg upoàdeàpes uisaà Ha itaç oàeà“uste ta ilidadeà– HáBI“ 16.
Tendo sido iniciado em outubro de 2010, o percurso do doutorado previa no planejamento de seu projeto de pesquisa a realização de uma série de viagens entre a França e o Brasil com o intuito de aproveitar a oportunidade de participar da rotina dos dois laboratórios e assim, transitar pelos dois ambientes intercambiando investigações técnicas, informações bibliográficas e práticas de campo; visitando bibliotecas e centros de documentação; dialogando e trocando reflexões com professores e pesquisadores, entre outras práticas favorecidas pela efetivação concreta do quadro de cooperação institucional entre os dois países.
Num primeiro período, foi realizado um trabalho de leitura e reflexão a respeito dos quadros teóricos e das metodologias de pesquisa que eu propunha explorar. Tal ciclo foi realizado na França, durante o primeiro ano de doutorado, e já demonstrava em sua conclusão, as principais diretrizes e as bases teóricas com os quais eu começava a tecer alguns diálogos, questões e análises.
A ideia central era partir de uma reflexão acerca das noções de culturas construtivas tradicionais, inserindo-as dentro de uma óptica analítica de questionamento dos processos de produção capitalista do habitat popular rural. Estava interessado em compreender melhor como se constituíam os fenômenos gerais de produção das culturas construtivas tradicionais, com o intuito de captar com mais clareza as transformações ocorridas no seio de sua produção a partir do estabelecimento do modelo capitalista de sociedade, e assim esboçar contribuições para com certas correntes do conhecimento17 que se esforçam em pensar e praticar novos processos de produção habitacional, que se
ENSAG. Criado em 2002, abrange um campo de pesquisa que se interessa pelas dimensões e relações existentes entre as ações construtivas e os diversos sistemas culturais. São três os temas trabalhados pelo laboratório: Habitat, Materiais e Patrimônio. http://culturesconstructives-aecc.com/, visto em 14/02/2014). 16 O Grupo de pesquisa em Habitação e Sustentabilidade – HABIS, foi criado em 1993 dentro do atual Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - USP/São Carlos. Primeiramente pesquisando o uso da madeira nas construções, o HABIS foi pouco a pouco desenvolvendo pesquisas e trabalhos nos temas do habitat social, de sistemas construtivos sustentáveis, de processos construtivos participativos e dos empreendimentos solidários.
http://www.iau.usp.br/pesquisa/grupos/habis/habis.html. (Consultado em 14/02/2014)
17 Ligadas neste caso, principalmente, às áreas das ciências sociais humanas e aplicadas (arquitetura, sociologia, pedagogia, antropologia, geografia, entre outras).
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apresentam hoje como alternativas ao modelo estabelecido. Nesta percepção, o laboratório de pesquisa Culturas Construtivas me oferecia subsídios e condições para mergulhar e avançar nas compreensões teóricas e analíticas dos temas acima sugeridos.
Entretanto, minha intenção não era delimitar as análises à um campo estritamente teórico. Meu interesse maior sugeria a construção de uma ação concreta dentro de um território particular no Brasil, onde a dimensão teórica de minhas pesquisas pudessem encontrar seu complementar, posto hoje em oposição - sua dimensão prática. A minha práxis de pesquisa viria efetuar-se dentro de um assentamento rural de reforma agrária, a partir de um trabalho realizado em torno do tema do habitat rural.
Nesta perspectiva, o segundo ano de doutorado foi realizado no Brasil, no interior do grupo de pesquisa HABIS, local onde encontrei as condições necessárias para avançar as minhas pesquisas bibliográficas e os quadros teóricos de análise, revelando-se ao mesmo tempo, base efetiva de suporte, partida e regresso, que deu norte aos anseios e buscas pelo local onde eu pudesse estabelecer o elo entre o pensar e sua prática, naquele momento ainda desconhecida.
Este período foi o mais difícil vivido ao longo do trabalho de tese. Quando iniciei minhas pesquisas, na França, a partir de um projeto que vislumbrava realizar uma análise que articulasse um conjunto de reflexões teóricas com uma ação prática concreta dentro de uma comunidade rural no Brasil, tal comunidade ainda não existia no horizonte, e o te poà ueà pa ado al e teà a a ça aà e à eg ess o ,à olo a aà diaà ap sà diaà i hasà estratégias em questão. Assim, o continuar do caminho foi-se desenrolando, por um lado, a partir do acúmulo teórico das pesquisas, e por outro, pela incessante busca por possíveis inserções em contextos abertos à construção prática de atividades ligadas às questões do habitat rural.
Mediado por numerosos contatos, visitei uma série de comunidades rurais em regiões diversas do Brasil, fundamentalmente nos estados de Minas Gerais, Paraná e São Paulo. Estabeleci, ainda, contatos nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Todavia, as distâncias geográficas, os custos relativos e as possibilidades concretas deste trabalho inviabilizavam uma ação contínua.
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Algumas práticas chegaram a ser realizadas e, julgo que foram bem sucedidas, apesar de não terem prosseguido. Foi o caso de uma atividade realizada sobre o tema do Saneamento Ambiental, dentro do assentamento rural Ireno Alves, no estado do Paraná, em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Paraná (MST), o Centro de Desenvolvimento Sustentável e Capacitação em Agroecologia (CEAGRO), a Central das Associações Comunitárias do Assentamento Ireno Alves dos Santos (CACIA), o Sistema de Cooperações de Crédito Rural (CREHNOR), e o Atelier de Realização e Criação de Arquiteturas com terra (A.R.C.A. terra).
Este trabalho consistiu em uma oficina teórico-prática, executada em conjunto com a arquiteta Anaïs Guéguen Perrin18, e propunha dois momentos de atividades. O primeiro, uma atividade de sensibilização e prática dialógica a respeito do ciclo das águas em um lote familiar, da produção dos lixos e das doenças relacionadas, das ações de reaproveitamento e reciclagem dos materiais descartados, da importância e dos métodos existentes de tratamento das águas cinzas e negras, das condições gerais de saneamento ambiental existentes no assentamento em questão, entre outros temas relacionados. Esta primeira atividade foi realizada dentro de um quadro de participação coletiva, a partir de dinâmicas criadas sobre as questões citadas.
18 Arquiteta francesa, diplomada pela Escola Nacional Superior de Arquitetura da Bretanha/França e especialista em arquitetura de terra pelo laboratório CRAterre/França.
Foto 1 – Sequência de imagens acerca dos debates sobre Saneamento Ambiental – Assentamento Ireno Alves [Paraná], 2012. Foto: Anaïs Guéguen Perrin.
Foto 2 - Sequência de imagens acerca da apresentação e construção da fossa bioséptica - Assentamento Ireno Alves [Paraná], 2012. Foto: Anaïs Guéguen Perrin.
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No segundo momento, foi realizada a construção de uma fossa bioséptica de tratamento das águas negras (esgoto sanitário)19, na sede da Central das Associações Comunitárias do Assentamento Ireno Alves dos Santos (CACIA). Esta fossa consiste em um sistema que opera a partir de um primeiro tratamento dos sólidos em uma câmara predominantemente anaeróbica, seguido por uma camada de filtragem e por uma zona de raízes de plantas, onde bactérias e micro-organismos aeróbicos digerem a matéria orgânica restante. A água residual é absorvida pelas plantas e evapotranspirada20 através de suas folhas.
Esta atividade prática foi realizada dentro de um quadro onde o aprendizado e a capacitação técnica ocorreram no canteiro de obras, durante a construção da fossa- protótipo que hoje serve à Associação. Assim, diversos assentados, técnicos rurais e interessados aprenderam a construir a fossa durante a própria prática construtiva. Participantes inexperientes e pedreiros experientes vivenciaram um canteiro de formação onde os diálogos, as trocas de informações e as práticas construtivas foram as principais ferramentas desta experimentação que propiciou novas iniciativas de salubridade no assentamento.
Infelizmente, devido à longa distância entre o assentamento e a universidade onde realizo as pesquisas no Brasil - cerca de 800 km - não foi possível dar continuidade às atividades. Todavia, a partir desta experiência começamos a vislumbrar novas formas de materializar as atuações e contribuições junto às comunidades rurais. Tecíamos com mais nitidez as relações que poderiam ser articuladas entre os aspectos produtivos e construtivos, e as dimensões pedagógico-educativas.
Foi somente no início do terceiro ano de tese que tive a oportunidade de estabelecer laços sociais mais sólidos com as famílias de um assentamento rural vizinho à cidade de São Carlos. Tal proximidade foi primordial e decisiva no processo de
19 Este método de tratamento das águas negras é conhecido, tem sido testado e praticado em diversas regiões do país, tendo inclusive ganhado prêmios por seu caráter de tecnologia social.
20 Toda a água é absorvida e sai do sistema (fossa bioséptica) por evaporação ou transpiração das plantas que ficam na parte superior da fossa. Não há efluentes, e dessa forma diminuem-se as chances de poluição dos solos ou riscos de algum patógeno humano sair do sistema. A evapotranspiração é realizada principalmente pelas plantas de folhas largas como as bananeiras, as taiobas, etc. Além disso, tais plantas consomem os nutrientes presentes nos resíduos orgânicos, permitindo que a fossa não encha.
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reconhecimento e de construção social daquilo que viria a ser o objeto central de análise da tese.
A Comunidade Agrária Nova São Carlos é um assentamento rural de reforma agrária localizada dentro do município de São Carlos, estado de São Paulo. Formalmente reconhecida pelo Estado Brasileiro em 2009, a comunidade ocupa uma área de 1.158,5 hectares, onde 83 famílias vivem, convivem, resistem e traçam suas estratégias de reprodução familiar a partir das contingências dispostas em sua realidade social. Das articulações coletivas resultam o acesso, nem sempre concluído com sucesso, aos apoios, créditos e financiamentos públicos, referentes a algumas políticas públicas formatadas aos grupos sociais das chamadas famílias beneficiárias da reforma agrária.
Nossa entrada na comunidade21 se deu a partir da articulação feita por um casal de professores, dos quais um deles foi coordenador do laboratório HABIS, com uma família moradora da comunidade. Sem saber o que aconteceria a partir daquele momento, tais professores viabilizaram nossoàp i ei oà e o t o.à Fo a à aà ha e à ueà abriu a possibilidade de construção da relação social e de trabalho que relatarei, explicarei e analisarei, mais precisamente no Momento 4, e que assumiu a forma e conteúdo de uma atividade social pedagógico-experimental em torno das questões do habitat rural.
Esta atividade22 opera em um campo de paradoxos, onde o desafio reside na constante busca por sua compreensão e apreensão consciente23. O simples e complexo,
21 Usarei os termos comunidade e assentamento para tratar do mesmo local. Esta escolha se dá pelo fato da comunidade ser formalmente reconhecida como um assentamento rural, e também em razão do assentamento rural chamar-se Comunidade Agrária Nova São Carlos. Ademais, em lugar de buscar definir a comunidade por meio de uma conceituação elaborada a priori, prefiro pensar a noção de comunidade como categoria nativa, ou seja, a partir do sentido atribuído por quem vive, considerando-o como um ponto de vista. Embora nunca estejamos inteiramente seguros de que o que atribuímos ao outro, corresponde ao que ele atribui a si mesmo, buscamos nos aproximar desse entendimento e observar a realidade por eles construída, constituída de uma linguagem socialmente elaborada e internalizada pelos moradores. Dessa forma, eles se denominam simbolicamente, a partir de um discurso, sobre si mesmo, que opera como um discurso oficial. A respeito, ver NARAYAN (1997), WANDERLEY (1999), MOURA (1978), HEREDIA (1979), entre outros.
22 A palavra assume para si um campo dimensional que abrange modos e sistemas operacionalizados em reflexões, ações, processos, experiências, vivências, experimentações, trocas, ganhos, perdas, entre outros. 23Nasà efle esàa e aàdaà us aàpelaà e dadei aà ealidade,àPauloàF ei eà ,àp. à itaàHegelàdize do:à A
verdadeira realidade é o devir ,à oà àoàse à e àoà o ser, mas a tensão entre ambos – o processo histórico àoà e dadei o.àEà o ti ua,à Assim, se propõe que o verdadeiro é uma busca e não um resultado, que o
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objetivo e subjetivo, ordem e desordem, teoria e prática, quantitativo e qualitativo, distanciamento e implicação, entre outros, compõem essa realidade dialética, e é a partir dela e dentro dela que estabelecemos nossas compreensões e construímos nossas próximas utopias. As antigas (utopias), agora realizando-se, materializam-se na dimensão de um curso universitário no seio de um lote familiar de produção agrícola, na forma de um Canteiro-Escola.
O tempo e os instrumentos
A minha relação com a realidade social dos acampamentos e assentamentos rurais remonta aos anos 2001 quando dos meus primeiros passos na construção do meu trabalho final de curso em Arquitetura e Urbanismo24.
No ano de 2006, trabalhei com as questões habitacionais em diversos assentamentos rurais distribuídos no estado do Rio de Janeiro25. Na época, o trabalho se fazia, em parte, junto às instituições financeiras do Estado pelo acesso a créditos destinados à habitação rural. O governo federal brasileiro, através do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), era o responsável por criar, executar, acompanhar e avaliar as políticas públicas referentes aos territórios dos assentamentos rurais de reforma agrária. Juntamente com o banco estatal Caixa Econômica Federal, o INCRA articulava seus programas de créditos financeiros relacionados às habitações rurais. Prática cada vez mais corrente que derrocou por, nos dias atuais, transferir ao banco a responsabilidade de financiamento dos programas habitacionais nos assentamentos rurais do Brasil26.
verdadeiro é um processo, que o conhecimento é um processo e, enquanto tal, temos de fazê-lo e alcança-lo através do diálogo, através de rupturas.
24 Trabalho final apresentado em 2003, na Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, para obtenção do título de arquiteto e urbanista. Nesta ocasião, apresentei um trabalho sobre a organização espacial de um acampamento rural do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
25 Como associado da Cooperativa de Trabalho Social Estruturar e membro da equipe de assistência técnica que prestava serviços ao INCRA-RJ em assentamentos rurais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra MST-RJ.
26 Atualmente o acesso aos créditos financeiros para a construção das casas nos assentamentos rurais se faz através do Programa Federal Minha Casa Minha Vida Rural. Programa criado pelo governo federal que através do banco Caixa Econômica Federal financia os materiais de construção (e ainda parte da mão de
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No ano anterior (2005), inicie o curso de mestrado em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade, junto ao departamento de Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA), do Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro27. Mi haàdisse taç oài titulada:à Dos sonhos de uma casa à casa dos sonhos: moradia e qualidade de vida na Comunidade Terra Livre 28, buscou analisar as relações entre os trabalhadores rurais e o espaço no qual vivem e constroem parte de suas relações sociais: a casa, o lote, a comunidade rural. Como na época as famílias moradoras estavam no processo de discussão das novas casas a serem construídas, o trabalho teve como atividade prática a realização de um processo participativo de concepção de cada um dos novos projetos habitacionais ou de reforma e ampliação das moradias já existentes. Ao todo foram feitos 30 projetos habitacionais destinados às famílias moradoras na comunidade29.
Mais tarde, já no ano de 2008, tive a oportunidade de realizar o curso de especialização em arquitetura de terra – DSA Terre (Diploma de Especialização) no seio do laboratório CRAterre30, na Escola Nacional Superior de Arquitetura de Grenoble / França. Este curso, Cátedra da Unesco, me aportou como ferramenta um novo olhar sobre a matéria prima terra, sua transformação em material de construção e sua utilização na produção das arquiteturas e territórios. Ao final do curso, elaborei em
obra e assistência técnica) para as famílias assentadas. Discutiremos mais a respeito no Momento 4 do trabalho.
27 O Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA), foi criado em 1977 e está inserido dentro da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Este centro de excelência em estudos agrários, propõe um programa interdisciplinar de ensino, pesquisa, extensão e intercâmbio em Ciências Sociais aplicadas ao conhecimento do mundo rural e áreas afins. http://r1.ufrrj.br/cpda/. (Consultado em 14/02/2014)
28 Dissertação de mestrado apresentada em 2007 para obtenção do título de mestre em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade.
29 Complementada por algumas avaliações técnicas (de materiais empregados, técnicas de construção, organização espacial interna, condições de habitabilidade, salubridade, qualidade das instalações sanitárias, ambiente construído, acesso à eletricidade e água potável, entre outros), o trabalho foi um primeiro exercício de análise que me permitiu melhor compreender as relações sociais e simbólicas existentes no habitat rural, através das representações, sentimentos e percepções que o trabalhador rural e sua família possuem do território onde vivem e constroem suas identidades e suas estratégias de organização e reprodução familiar.
30 O laboratório CRAterre faz parte da Unidade de Pesquisaà á uitetu a,à Meio-ambiente & Culturas Construtivas – áE&CC ,àdaàEs olaàNa io alà“upe io àdeàá uitetu aàdeàG e o leà – ENSAG. Este centro de referência mundial sobre a arquitetura de terra foi criado em 1979, e abrange um campo de pesquisa que se interessa por três temas principais: Habitat, Materiais e Patrimônio.
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conjunto com a arquiteta Anaïs Guéguen Perrin o trabalho31 intitulado:à Canteiro- formação e melhorias do habitat nos campos de refugiados Saharauis 32.
Este caminhar, brevemente resumido nestas linhas, consiste como parte do acúmulo que coloco à disposição deste novo trabalho, fornecendo a oportunidade de ampliar as reflexões globais e específicas que venho suscitando ao longo de meu percurso profissional, e aprofundar consideravelmente minhas experiências nesta área do conhecimento ligada à produção do habitat popular e do território rural.
Comecemos as análises.
31 Trabalho defendido em 2010 para obtenção do diploma de Especialização e Aprofundamento em Arquitetura de Terra – DSA Terre.
32 Este trabalho foi fruto de um projeto, no qual participamos, realizado pela parceria entre o laboratório