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Utvikling av kvantedatamaskiner (sett i sammenheng med både autonomi, AI og stordata)

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Em seu trabalho publicado em 200627, Moita Lopes cunha o termo

Linguística Aplicada Indisciplinar. Nele, juntamente com Pennycook

(2006), o autor defende que a LA não é a aplicação da linguística. A concepção desses autores sobre essa área circunscreve-se na perspectiva da Linguística Aplicada Crítica (LAC), que, segundo Pennycook (ibidem, p. 67), constitui-se como “uma abordagem mutável e dinâmica para as questões da linguagem em contextos múltiplos”. Aliando-se ao conceito de transgressão de bell hooks (1994) como “mover-se para além das fronteiras, o direito de escolher, de dizer a verdade e de exercer a consciência crítica, o direito de reconhecer as limitações, a mudança de paradigmas, e o desejo de ‘conhecer’ para além do que está

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MOITA LOPES, L. P. Por uma Linguística Aplicada Indisciplinar. São Paulo: Parábola Ed., 2006.

imediatamente perceptível” (bell hooks, 1994, apud PENNYCOOK, 2006, p. 75), Pennycook (ibidem) concebe a Linguística Aplicada Transgressiva como aquela que “se baseia em uma abordagem transgressiva da teoria e da disciplinaridade” (PENNYCOOK, 2006, p. 82), em que “‘transgressivo’ se refere à necessidade crucial de ter instrumentos tanto políticos como epistemológicos para transgredir as fronteiras do pensamento e da política tradicionais” (ibidem, loc. cit.). Para o autor, devemos fazer o exercício constante de interrogar nossos próprios modos de pensar, mantendo um ceticismo constante em relação aos conceitos e modos de pensar que escolhemos. Assim, o autor concebe que uma LA transgressiva deve sempre estar “engajada em práticas problematizadoras” (PENNYCOOK, 2006, p. 83.

Assim, em concordância com a concepção de Pennycook (2006), Moita Lopes (2006) concebe a LA Indisciplinar como uma Linguística Aplicada que

não tenta encaminhar soluções ou resolver os problemas com que se defronta ou constrói. Ao contrário, a LA procura problematizá-los ou criar inteligibilidade sobre eles, de modo que alternativas para tais contextos de usos da linguagem possam ser vislumbradas (MOITA LOPES, 2006, p. 20).

Nesse sentido, o autor ressalta a necessidade de se “repensarem outros modos de teorizar e fazer LA” (ibidem, p. 21). Analisando os pressupostos da Linguística Aplicada Indisciplinar, é possível notar sua consonância com a perspectiva poscolonialista. Na leitura de Cavalcanti (2013), essa perspectiva

[...] se abre para uma mirada incompleta, em movimento, sempre problematizadora, aberta a mudanças radicais ou não [e] que se distancia das certezas, das respostas arredondadas com as quais as pessoas se sentem prontas e seguras (ibidem, p. 214)

Para a autora, essa visão se mostra mais condizente com o mundo contemporâneo, apesar de não estar tão presente na filosofia de currículos que embasam a formação de professores. Para ela, tais currículos ainda estão amarrados às grandes narrativas da modernidade (CAVALCANTI, 2013). Ainda segundo Cavalcanti (2013),

Com o escancaramento da diversidade no mundo globalizado e com a banalização do termo diversidade (cf. Cavalcanti, 2011), que se tornou parte do discurso político governamental e do discurso da mídia, as diferenças que existem nas diversidades vão mais e mais sendo evidenciadas, apesar do silenciamento e da invisibilização naturalizados nas sociedades.

Logo, um contexto em constante movimento de mudanças chama a Linguística Aplicada a se repensar, a refletir sobre si mesma, enquanto busca colaborar na “construção de uma agenda anti-hegemônica em um mundo globalizado, ao mesmo tempo em que descreve a vida social e as formas de conhecê-la” (MOITA LOPES, 2006, p. 27).

Portanto, a Linguística Aplicada Indisciplinar pode ser inscrita no bojo do que Moita Lopes (2006) chama de uma Linguística Aplicada (LA) mestiça, de natureza interdisciplinar ou transdisciplinar, em um movimento de pesquisadores que buscam “criar inteligibilidade sobre problemas sociais em que a linguagem tem um papel central” (ibidem, p.14). O autor admite sua insatisfação com o modo como vêm se dando as pesquisas em LA, e reconhece discordâncias com seus próprios percursos em investigações anteriores, justificando sua empreitada por uma LA Indisciplinar pelo “desejo de propor uma mudança possível” (ibidem, loc. cit.) da direção que a LA vem seguindo nas últimas décadas, desde sua consolidação como área de estudos no Brasil e no mundo.

A posição em que se coloca Moita Lopes (2006) enquanto reflete sobre seu próprio fazer acadêmico, interrogando seu próprio percurso em pesquisas anteriores, revela algumas características de uma LA de novas epistemologias, de novas metodologias. Esta, como salienta o autor,

começa por entender-se, conforme mencionamos anteriormente, como uma área “continuamente autorreflexiva” (MOITA LOPES, 2006, p. 15), que compreende que suas “escolhas teóricas, visões de mundo, valores etc.” (ibidem, op. cit.) não são as únicas possibilidades e nem mesmo são adotadas por todos os pesquisadores que a ela se afiliam. Isto porque, como destaca Moita Lopes (2006), “na pesquisa como na vida social, raramente, os pesquisadores/as pessoas se amoldam em formas ou pensam homogeneamente” (ibidem, p. 15). O sujeito social é heterogêneo e a LA, como “um espaço aberto [...] ou com múltiplos centros” (RAMPTON, 2006 apud MOITA LOPES, 2006, p. 15), configura-se como “prática problematizadora” (PENNYCOOK, 2006, p. 67). Nesse sentido, essa LA contemporânea busca envolver-se em uma “reflexão contínua sobre si mesma: um campo que se repensa insistentemente” (PENNYCOOK, 2001b, p. 171, apud MOITA LOPES, 2006, p. 17).

Por conseguinte, a perspectiva da Linguística Aplicada Indisciplinar figura-se como alicerce para este trabalho, visto que, nesta pesquisa, busco refletir sobre os diferentes lugares em que me posicionei e fui posicionada (BIZON, 2013) durante todo esse processo, como professora de PLA e como pesquisadora na área da LA, assim como assumindo uma posição reflexiva sobre quais foram minhas motivações para a pesquisa, que aspectos levaram-me a escolher o escopo a ser focalizado neste trabalho, como representei os outros participantes da pesquisa e por que o fiz desta forma, etc. Em consonância com Moita Lopes (2006) e outros autores contemporâneos, esta pesquisa indaga sobre

como podemos criar inteligibilidades sobre a vida contemporânea ao produzir conhecimento e, ao mesmo tempo, colaborar para que se abram alternativas sociais com base nas e com as vozes dos que estão à margem (MOITA LOPES, 2006, p. 86)

Como aqueles que ‘vivenciam o sofrimento humano’ com base em suas epistemes diferentes podem colaborar na construção de ‘uma sociedade mais humana, mais delicada com a natureza e com as pessoas’ (Mushakoji, 1999, p. 207) ou, pelo menos, na compreensão de tal sociedade? (MOITA LOPES, 2006, p. 86)

É aliando-me a essa perspectiva da LA que, no presente trabalho, proponho-me a visibilizar questões específicas referentes ao ensino de PLA para os candidatos ao PEC-G, refletindo sobre algumas indagações que tenho feito nos meus quatro anos de trabalho como professora nesse contexto. Assim como proposto por essa vertente da LA, comprometo-me a, neste trabalho, problematizar em lugar de – de forma reducionista, simplista e até mesmo prepotente – apresentar soluções.

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